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	<title>Arquivos Florence Pugh - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Florence Pugh - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Thunderbolts*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 12:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de Vingadores: Ultimato (2019), o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com WandaVision (2021), mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato (2019)</em></a>, o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com <em>WandaVision (2021)</em>, mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas bilheterias. 2025, no entanto, chegou com a promessa de ser esse novo momento, iniciado com a estreia de <em><strong>Thunderbolts</strong></em>.</p>
<p>A promessa é de que o novo longa-metragem do MCU, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1º), seja diferente de tudo que a Marvel já fez. Mas será que é mesmo? <em><strong>Thunderbolts </strong></em>traz a comicidade e a ação esperada de um projeto da franquia, tem as referências a algumas das histórias pregressas que costuram eixos narrativos do filme e se baseiam em alguns personagens já conhecidos dos fãs. Até então, uma estrutura bem básica e comum para o estúdio. Há, contudo, um olhar mais voltado para a construção dos personagens nesse longa do que em outros.</p>
<p>A costura de <em><strong>Thunderbolts </strong></em>é feita a partir justamente da relação desse grupo disfuncional de criminosos anti-heroicos. Isso por si só já é um elemento um pouco diferente do comum por tornar o novo projeto da Marvel guiado por personagens e não pelo problema. Ainda assim, não é como se fosse a primeira vez que isso é feito e nem é a vez mais bem trabalhada. A produção traz um pouco mais de camadas do que é usual nas dinâmicas narrativas do MCU, mas ainda deixa muito a desejar, especialmente quando pensamos no cerne que move as figuras centrais da história.</p>
<p>O roteiro de Eric Pearson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>, de 2021) e Joanna Calo (<em>Rixa</em>, de 2023) se esforça para desvendar um pouco mais das nuances psicológicas dos personagens, especialmente de Yelena e Bob (interpretados, respectivamente, por Florence Pugh e Lewis Pullman). Mesmo com essa preocupação clara, ainda é pouco para o que a narrativa escancara como dilema moral e pessoal para essas personagens. No caso de Yelena e Bob, eles têm claramente indicativos de ansiedade e depressão e isso, ainda que posto, segue na superfície, diante do que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> se propõe a ser.</p>
<figure id="attachment_19409" aria-describedby="caption-attachment-19409" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-19409" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg" alt="Thunderbolts* (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19409" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Thunderbolts* (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Quando um filme tem como vilão esse vazio que nos corrói por dentro, é preciso que o projeto mergulhe de cabeça num drama existencial e psicológico. O filme até tenta elencar momentos-chave para debater de forma mais aprofundada esses elementos, mas não tem a força suficiente para isso. A sensação é que <em><strong>Thunderbolts </strong></em>varia de uma comédia ácida da relação disfuncional desses ex criminosos para um drama existencial sensível e delicado que nunca se concretiza de forma plena.</p>
<p>E eis que este é o maior problema de produzir histórias hoje em dia para o MCU. Há muito o que se comparar. Já foram mais de 20 filmes e mais de 10 séries e minisséries e é inevitável que o público esteja cansado de ver as mesmas histórias com roupagens diferentes. Além da repetição, o Universo Compartilhado Marvel sofreu muito com esse excesso de produções nos primeiros anos da Saga do Multiverso, o que reverbera até hoje &#8211; e <em><strong>Thunderbolts</strong></em> não consegue sair ileso disso. A fórmula de sucesso da Marvel não parece fazer tanto sentido como em sua primeira década.</p>
<p>Diante de tudo isso, ainda há o fator do controle criativo. Kevin Feige é essa figura que representa a Marvel Studios e todo o seu controle criativo. O plano de comando do MCU, liderado por Feige, por mais que diga o contrário, não permite extrapolações de verdade. Seja por medo de não agradar ou por acreditarem que há limites para os tipos de produções dentro do emblema do MCU, a Marvel não dá liberdade criativa de verdade para seus realizadores. E, das poucas vezes que deu &#8211; como em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos (2021)</em></a> -, o público mais radical destruiu as obras com críticas. E, com todo esse cenário, é claro que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> acaba sendo castrado criativamente também.</p>
<p>Apesar dessas questões, o longa de fato é mais interessante do que muitos dos últimos filmes lançados nos últimos anos. Mesmo que na superfície, os dramas psicológicos dos personagens permitem que o elenco tenha uma interação positiva que entretém e enriquece as cenas com a química evidente. Intérpretes como Florence (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024) e Sebastian Stan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-aprendiz/"><em>O Aprendiz</em></a>, de 2024) ajudam a dar um fôlego a mais para a história, mesmo com todos os problemas que a rodeiam. No fim, apesar dos esforços do elenco e roteiro, ainda falta mais densidade nas camadas desses personagens e desse projeto que é guiado por personagem para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> fosse tudo o que podia &#8211; e se propõe narrativamente a &#8211; ser.</p>
<p>Jake Schreier (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cidades-de-papel/"><em>Cidades de Papel</em></a>, de 2015) parece querer deixar a sua marca como cineasta no novo longa da Marvel, mas ele também sofre com esse controle criativo sob o cabresto. O diretor, ao lado dos roteiristas, tenta criar um pouco mais de nuances para diferenciar esse projeto dos demais. Para muitos, a missão provavelmente terá sido cumprida por fugir levemente dessa fórmula estanque do MCU. No entanto, basta um olhar mais atento e fica perceptível que ainda falta muito para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> alcance o potencial que poderia. Todos esses dilemas giram em torno do controle criativo que poda e afunda a Marvel cada vez mais nessa areia movediça que ela mesmo entrou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jake Schreier</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, David Harbour, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4pgrNd79cnk?si=69PYf2jwVDDhxo1W" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Todo o Tempo Que Temos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Nov 2024 17:36:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aquele filme que você já entra sabendo que vai chorar bastante. Esse é Todo o Tempo Que Temos, que não engana ninguém desde o seu trailer. Protagonizado por Andrew Garfield (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa) e Florence Pugh (Oppenheimer), o longa narra a história do casal que precisa lidar com o câncer avançado da mulher, que vai encutar a história de amor de ambos. É claro que já passamos por esse tipo de enredo diversas vezes, como é o caso [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aquele filme que você já entra sabendo que vai chorar bastante. Esse é <strong><em>Todo o Tempo Que Temos</em></strong>, que não engana ninguém desde o seu trailer. Protagonizado por Andrew Garfield (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><em>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</em></a>) e Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oppenheimer/"><em>Oppenheimer</em></a>), o longa narra a história do casal que precisa lidar com o câncer avançado da mulher, que vai encutar a história de amor de ambos.</p>
<p>É claro que já passamos por esse tipo de enredo diversas vezes, como é o caso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-culpa-e-das-estrelas/"><em>A Culpa É das Estrelas</em></a>, que secou nossas lágrimas anos atrás. Então meu objetivo aqui, desde o início, era entender quão boa poderia ser essa execução e o que de novo o filme poderia trazer. Claro, a promessa desta dupla de excelentes atores também foi um ótimo atrativo para mim.</p>
<p>O fato é que <strong><em>Todo o Tempo Que Temos</em></strong> começa lento. Não no sentido de monotonia da história, mas no que exatamente ele está se propondo. O filme tem uma característica que me incomoda um pouco que é a incapacidade de expor claramente ao seu espectador quando existe uma mudança de tempo. Os protagonistas estão sempre lembrando de momentos do passado e o longa não faz questão alguma de deixar isso claro. Então, a gente tem que ficar pescando indícios de que momento aquela cena está se passando. Esse problema só é resolvido mais à frente, quando a personagem de Florence muda o cabelo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18866" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1.png" alt="Todo o Tempo Que Temos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um outro ponto é que seu intuito principal demora a se mostrar. Será apenas mais uma história de amor que vai ser ceifada pela morte de uma das partes? Mais à frente vemos que não é o caso. Para além do amor dos protagonistas, temos a necessidade de Almunt (Pugh) de se fazer eterna para a filha, de alguma forma. Ela sabe que a menina é muito pequena e poderá esquecer detalhes da mãe no futuro, quando ela já tiver partido. Seu foco então é em se fazer inesquecível, presente. Ela quer que a filha olhe sempre para trás e lembre do quanto a mãe foi incrível, ainda no fim da vida.</p>
<p>E isso dá uma conotação completamente diferente a <em><strong>Todo o Tempo Que Temos</strong></em>, que até então estava mais do mesmo. Isso faz o espectador refletir sobre a passagem da vida e o que deixamos de marca pelo caminho. A visão é muito mais sobre a qualidade do tempo do que sobre a quantidade em si. O que já traz uma dualidade para nós, já que o ser humano, socialmente, tem a tendência de rejeitar a morte e se apegar ao corpo físico. Almunt quer se fazer eterna pelo seu legado, ainda que seja um legado apenas para a família que ela construiu.</p>
<p>Gosto bastante da forma como o filme é finalizado, sem grandes cenas que forçam o espectador a chorar. O choro vem com muita naturalidade, pelas reflexões que são feitas. As atuações estão muito afiadas e dão o tom no longa, ainda que ele tenha tido um começo com tropeços. Vale a pena conferir por todas as emoções que certamente serão despertadas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> John Crowley</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Andrew Garfield, Florence Pugh, Adam James, Marama Corlett, Aoife Hinds, Nikhil Parmar, Heather Craney, Kevin Brewer</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/MxnQhCUhltU?si=VpSlfWdpIgnxMM8U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Duna &#8211; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 12:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em Blade Runner 2049 (2017) que ele sabia como dar continuidade num universo sci-fi. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400">Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><i><span style="font-weight: 400">Blade Runner 2049 (2017)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> que ele sabia como dar continuidade num universo </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400">. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><i><span style="font-weight: 400">Duna (2021)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> foi admirável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A ideia de continuar uma história do escopo da adaptação de <strong><em>Duna</em></strong>, ainda sobre o primeiro livro, impressionou o público, mas Villeneuve não decepciona. O trabalho do diretor e roteirista canadense em </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é ainda mais louvável. A sequência </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) com a promessa de ser o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400"> do ano. O novo longa-metragem consegue superar as expectativas (e seu antecessor) e leva o espectador numa odisseia espacial ainda mais estonteante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Como já foi visto inúmeras vezes ao decorrer da história do cinema, alcançar expectativas de filmes que se tornam uma espécie de ‘clássico instantâneo’ para o seu respectivo gênero é um desafio gigante. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, contudo, vem na contramão disso. O segundo capítulo da saga </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> interestelar é maior em escopo, qualidade e sensações. Tanto no que Villeneuve e seu colega de roteiro, Jon Spaihts (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho/"><i><span style="font-weight: 400">Doutor Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400"> e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passageiros/"><i><span style="font-weight: 400">Passageiros</span></i></a><span style="font-weight: 400">, ambos de 2016), fazem ao criar saídas e novas rotas para a adaptação, como no empenho do diretor ao orquestrar essa odisseia espacial, existe uma condução de narrativa invejável no novo longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez o maior mérito de Denis Villeneuve seja este. Construir imagética e esteticamente um universo diferente de tudo já visto &#8211; e o fazer com qualidade técnica e artística &#8211; ao mesmo tempo que ele entrega um produto acessível e possível de alcançar uma bilheteria astronômica. O cineasta canadense justamente é capaz de unir o que alguns chamam de ‘cinema de arte’ com o popular </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400">. E isso é fascinante sobre </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">. O longa será capaz de abarcar um número imenso de espectadores com suas possibilidades narrativas, artísticas e técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_17766" aria-describedby="caption-attachment-17766" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17766" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg" alt="Duna: Parte 2 (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6.jpg 1053w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17766" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet e Austin Butler em cena de &#8216;Duna: Parte 2&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda sobre essa colisão de mundos gerada pela produção, </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> também se torna um evento por envolver um tipo de projeto que há muito não se via &#8211; ao menos não com a dimensão da saga de Villeneuve. Talvez, na ficção, a última vez que o público vislumbrou algo dessa magnitude tenha sido com a saga </span><i><span style="font-weight: 400">Harry Potter (2001-2012)</span></i><span style="font-weight: 400"> ou </span><i><span style="font-weight: 400">Star Wars (1977-2019)</span></i><span style="font-weight: 400">. Em ambos os projetos, no entanto, nunca houve um processo autoral tão claro como em </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Continuando o olhar sob os aspectos técnicos de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> que se destacam, é possível imaginar um futuro repleto de indicações em diversas categorias. O departamento de arte, fotografia, som e efeitos especiais são os principais motivadores desse resultado de tirar o fôlego. Hans Zimmer (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-sem-tempo-para-morrer/"><i><span style="font-weight: 400">007 &#8211; Sem Tempo para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021) media o filme com sua trilha sonora epopeica. Para elevar o trabalho do compositor alemão, o restante do departamento de som constrói camadas sensoriais dessa jornada prometida de Paul Atreides. É inevitável não se arrepiar ao ver o personagem de Timothée Chalamet sendo aclamado pelos seus seguidores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Da mesma forma que o som, a composição visual encabeçada pela tríade fotografia, efeitos visuais e arte cria imagens surpreendentes. Seja no quesito construção de universo ou no fator de vislumbre, as três equipes formam imagens inesquecíveis sobre esse universo espacial ficcional idealizado por Frank Herbert. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é um presente aos olhos. Quanto maior a tela e melhor o som, a experiência se intensifica. Para a surpresa do público, a sequência <em>sci-fi</em> consegue entregar um trabalho técnico ainda mais impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não menos importante do que o texto, a técnica ou a direção, o elenco que compõe </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> completa essa ópera espacial perfeitamente conduzida. Os conhecidos nomes do primeiro filme, como Chalamet (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-wonka/"><i><span style="font-weight: 400">Wonka</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), Zendaya (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><i><span style="font-weight: 400">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021), Rebecca Ferguson (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1/"><i><span style="font-weight: 400">Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023) e Javier Bardem (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-pequena-sereia/"><i><span style="font-weight: 400">A Pequena Sereia</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), e as novas adições, como Austin Butler (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i><span style="font-weight: 400">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2022), Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-se-preocupe-querida/"><em>Não Se Preocupe, Querida</em></a>, de 2022) e Christopher Walken, formam um elenco estelar. Essa reunião de talentos, assim como feita no longa anterior, eleva o projeto a um outro patamar com performances meticulosas e poderosas, como Butler interpretando Feyd-Rautha, o violento e cruel sobrinho do Barão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Essa união de fatores faz de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> um filme fora da curva. Há muito que não se via uma construção de universo tão detalhada e rica como nesse projeto. Para além de conseguir transpor o mundo interestelar criado por Herbert, um dos maiores méritos de </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400"> é continuar se levando a sério e, por conta disso, manter a missão de sempre evoluir. A sequência é a prova desse compromisso orquestrado por Denis Villeneuve. O cineasta parece ter tido como meta criar uma odisseia espacial ainda maior, mais bela e impactante. E, com a </span><b><i>Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, ele foi capaz de realizar isso da forma mais impressionante possível.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Denis Villeneuve</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Zendaya, Rebecca Ferguson, Josh Brolin, Austin Butler, Florence Pugh, Dave Bautista, Christopher Walken, Léa Seydoux, Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling e Javier Bardem</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/QqmbrvluQRA?si=OfC4g2nhRANkAzG9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Oppenheimer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 17:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor Christopher Nolan é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De Amnésia (2000) até Tenet (2020) – passando pelo ‘queridinho’ Interstellar (2014) –, as produções [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor <strong>Christopher Nolan</strong> é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De <em>Amnésia (2000)</em> até <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet (2020)</em></a> – passando pelo ‘queridinho’ <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-interestelar/"><em>Interstellar (2014)</em></a> –, as produções encabeçadas por Nolan costumam ter dificuldade em se mostrar mais humanas. Elas lutam para chegar no sensível e ir além da dureza de uma produção industrial – ainda que essa tenha espaço para belas imagens, montagens e sons. No entanto, durante duas décadas, o resultado era o mesmo – qualidade técnica, mas nada de palpável no quesito emocional.</p>
<p>Até antes de assistir o mais novo trabalho do diretor, Nolan nunca havia furado essa bolha. Tudo sempre teve qualidade, uma maestria na execução dos processos, resultados belíssimos e maravilhosamente bem administrados. Mas nunca senti sensibilidade. Até então, tudo parecia uma linda embalagem de presente de Natal onde, dentro dela, não havia nada. A superficialidade das emoções humanas e das sensações mais intrínsecas não tinham sido exploradas até a chegada de <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Esse pode ser o filme que mudará a trajetória da carreira do cineasta.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (20), é um passo além do diretor em sua forma de fazer cinema. Não se enganem, a produção continua sendo bem administrada e rodeada por uma equipe técnica sublime – a prova disso está na montagem, fotografia, edição de som e trilha sonora. Contudo, é finalmente possível sentir algo, ainda que de forma sutil. Mesmo que Nolan tenha muito o que explorar sobre a densidade das emoções humanas daqui para frente, ele enfim furou a bolha com <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. O boneco de madeira se tornou um garoto de verdade e entregou o seu mais belo trabalho da carreira.</p>
<p>Na cinebiografia, o público embarca na vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), o físico teórico que ficaria conhecido como pai da bomba atômica. A história descreve desde os primeiros anos do cientista e seus contatos com figuras proeminentes do mundo da física até o início do Projeto Manhattan, seu resultado e os dilemas científico/éticos no pós Segunda Guerra. Em meio aos louros, os relacionamentos, a política e a vaidade, Oppenheimer marcou a história da humanidade como o Prometeu moderno, dando ao povo o poder de se destruir com o início da corrida nuclear.</p>
<p>A partir de uma história como essa, o filme poderia ser muitas coisas, inclusive só mais uma cinebiografia que cairia no esquecimento em pouco tempo. A virada de chave, no entanto, está no <em>timing</em> que o projeto é lançado. Ainda que fale de um acontecimento histórico de décadas atrás, a perspectiva de discutir a relação entre avanço da ciência, guerra e ética não poderia ser mais atual. Com dilemas da inteligência artificial e as atrocidades da guerra na Ucrânia acontecendo, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> chega aos cinemas pronto para pontuar o que precisa ser discutido no momento sobre esses assuntos – e, desta vez, com camadas e profundidade.</p>
<p>Baseado no livro ‘Prometeu Americano’, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro consegue tornar central a discussão da vaidade do personagem e o dilema que a sua invenção gerou para a humanidade e para si. Esse pano de fundo, unido com uma montagem brilhante de Jennifer Lame (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>, de 2019, e <em>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</em>, de 2022) e as performances de um elenco potente faz as três horas de duração passarem despercebidas. <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é um dos melhores trabalhos de Nolan também como roteirista – o qual, possivelmente, estará como um dos favoritos na corrida pela estatueta no Oscar de 2024.</p>
<figure id="attachment_16943" aria-describedby="caption-attachment-16943" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16943" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg" alt="Oppenheimer (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2.jpg 1169w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16943" class="wp-caption-text">Cillian Murphy em cena de &#8216;Oppenheimer&#8217; (2023)</figcaption></figure>
<p>Outro ponto de destaque na técnica do filme é a fotografia. Como a narrativa se divide em duas tramas – a trajetória de Oppenheimer e a audiência de decisão da entrada de Lewis Strauss como secretário na Casa Branca -, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (<em>Tenet</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-nao-olhe/"><em>Não! Não Olhe!</em></a>, de 2022) teve a oportunidade de brincar com cores, sombras e formas da imagem em <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Sendo uma das frentes narrativas colorida e a outra em preto e preto, Hoyte entrega um espetáculo visual de tirar o fôlego.</p>
<p>E para permitir que o diretor de fotografia gerasse imagens ainda mais espetaculares, o departamento de arte, especificamente a equipe de efeitos práticos, teve que trabalhar muito. As cenas de recriação da explosão da bomba atômica são algumas das mais belas de se assistir ao longo do filme – e, possivelmente, da filmografia de Christopher Nolan. O trabalho da equipe supervisionada por Scott R. Fisher é fundamental para gerar a humanidade que <em><strong>Oppenheimer</strong></em> necessitava – e que Nolan precisava trazer há anos para suas produções.</p>
<p>Além dos destaques e das possíveis indicações pelo roteiro, montagem e edição, fotografia e efeitos visuais, a edição de som, a trilha sonora e o figurino são outros fortes nomes para indicações aos maiores prêmios de cinema do ano. Falando especificamente do som, ele é, ao lado da fotografia, um dos principais aliados para impulsionar a narrativa. Se <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é capaz de alcançar voos ainda mais altos é porque o santíssimo quinteto direção-roteiro-fotografia-som-trilha está operando de forma coesa e eficaz. E o trabalho de composição de Ludwig Göransson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>, de 2018) é impressionante, potente e completa este pentágono criativo.</p>
<p>Por fim, e não menos importante, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> alcança o que alcança por mais duas razões, seu elenco estelar e a direção de Christopher Nolan. Desta vez, diferente da maioria de seus trabalhos, o cineasta pareceu sair de sua função de administrador de uma produção e mergulhou de cabeça como criador, se permitindo sentir e se sensibilizar pela história que estava construindo. Essa dedicação diferenciada para o projeto é claramente sentida desde os primeiros minutos do filme. Nolan terá uma dura concorrência na temporada do Oscar – como por exemplo o forte nome da brilhante Greta Gerwig por <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><em>Barbie (2023)</em></a> -, mas, desta vez, o nome do diretor estar entre os indicados é mais do que merecido.</p>
<p>Para encerrar a composição de potência da produção, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> conta com um grande elenco. Seja na extensão ou em qualidade, os atores e as atrizes envolvidos nesse processo são um reforço da coesão do projeto e dão razão ao adjetivo. Evidentemente existe um destaque maior para três pessoas: Cillian Murphy, Robert Downey Jr. e Emily Blunt. Os três são as apostas para o Oscar, podendo até, quem sabe, render uma estatueta para o eterno Homem de Ferro, mostrando à Hollywood que ele pode e é mais do que ator de um só personagem.</p>
<p>Regada de dúvidas, delírios e vaidades, a jornada pessoal e ética do físico J. Robert Oppenheimer é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano e marcará a temporada de premiações por sua qualidade e poderio técnico. Além de, como pontuado algumas vezes ao longo do texto, ser, quem sabe, uma nova fase para Christopher Nolan. Se <strong><em>Oppenheimer</em></strong> representar o início de uma nova era de produções com mais profundidade e sensibilidade do cineasta britânico, então o futuro do cinema guarda algo inspirador. Caso tenha sido apenas um flerte momentâneo com esse lado mais denso e humano do diretor, pelo menos o mundo terá a oportunidade de vivenciar a experiência cinematográfica que é assistir ao filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek, Kenneth Branagh, Benny Safdie e Jack Quaid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?si=t_qYi7N4cEY9hHD9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Milagre (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Nov 2022 23:46:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Procurando investigar as emoções de cada personagem em cena com seu trabalho, Sebastián Lelio (Desobediência) entrega uma adaptação digna da obra homônima de Emma Donoghue, O Milagre. Dentre os seus aspectos positivos, talvez o mais forte da obra seja realmente a direção de Lelio. Há uma segurança na sua composição de planos, que trazem movimentações mais contidas, com quadros mais fechados, para dar espaço para que as ações físicas aconteçam. Neste sentido, cada intérprete imprime em sua composição pistas para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Procurando investigar as emoções de cada personagem em cena com seu trabalho, Sebastián Lelio (<em>Desobediência</em>) entrega uma adaptação digna da obra homônima de Emma Donoghue, <strong>O Milagre</strong>. Dentre os seus aspectos positivos, talvez o mais forte da obra seja realmente a direção de Lelio. Há uma segurança na sua composição de planos, que trazem movimentações mais contidas, com quadros mais fechados, para dar espaço para que as ações físicas aconteçam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, cada intérprete imprime em sua composição pistas para a resolução do suposto mistério inserido na trama. É preciso que os gestos sejam captados em toda a sua inteireza e a mise-en-scène é orquestrada de tal forma que o espectador consegue compreender as dinâmicas de todas as relações mostradas no filme. Um exemplo é o contraponto do tempo das sequências onde as pessoas estão comendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o plot fala sobre um possível milagre de uma criança que está fazendo jejum por quatro meses seguidos, o relacionamento das personagens com alimentos é fundamental para a construção de atmosfera. Desta maneira, não apenas a decupagem trabalha para fortalecer a contraposição da fome versus o consumo da comida, mas também a partitura dos atores coloca em evidência esta saciedade das personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, um outro elemento que fomenta a narrativa em <em><strong>O Milagre</strong></em> é o estabelecimento da ambientação de clausura. A fotografia de Ari Wegner (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>) estabelece a ideia de que do lado de fora é onde existe a luz, onde está a saída e, talvez, todas as respostas que a protagonista, Lib (Florence Pugh), precisa. A sensação de escuridão na casa de Anna (Kíla Lord Cassidy), a suposta menina miraculosa, é ainda mais intensa.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16168" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-milagre-2-1.jpg" alt="O Milagre" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-milagre-2-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-milagre-2-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-milagre-2-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/o-milagre-2-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta estratégia passa a impressão de sufocamento, mas também eleva a potencialidade da relação entre Anna e Lib. </span><span style="font-weight: 400;">A luminosidade, inclusive, tem elevações em momentos de virada dentro do enredo, tanto quanto Lib vai desvendando o mistério sobre Anna, como na resolução do conflito principal do longa, quando, finalmente, ambas estão do lado de fora, a céu aberto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta lógica, a equipe de arte também contribui para a elaboração deste sentido, como na cor azul do vestido de Lib, que é a cor do céu que a família de Anna projeta, mas não existe, porém é a salvação do renascimento de Anna.  E são através destas marcas simbólicas que o filme se faz. </span><span style="font-weight: 400;">Esta é uma produção que deseja provocar o espectador a ter um olhar atento aos detalhes e que consegue passar sensações táteis, através de imagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, após construir uma obra sólida em boa parte da projeção, após a descoberta de Lib sobre a verdade, há uma queda qualitativa aqui. Quando a trama se encaminha para a sua resolução, há uma demora para a resolução do conflito e uma reiteração de informações.  </span><span style="font-weight: 400;">Além disso, existe uma subestimação do público, porque há uma quantidade exagerada de explicações, tanto em termos de texto falado quanto de imagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <strong><em>O Milagre</em></strong>, em sua totalidade, é exitoso em prender a atenção de quem assiste, mas apresenta um final morno e um tanto repetitivo. É uma sessão que vale a pena, porém que deixa uma sensação estranha depois da exibição, porque ao expor tão insistentemente o plano de Lib e suas razões, há um enfraquecimento de todo o trabalho feito anteriormente com o não dito e sutil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Sebastián Lelio</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Tom Burke, Kíla Lord Cassidy</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/htybz7XscIY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Não Se Preocupe, Querida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 00:27:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Chris Pine]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Florence Pugh]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não Se Preocupe, Querida é o mais novo filme da diretora Olivia Wilde, que fez a sua estreia na direção no ótimo Fora de Série e fazia uma grande promessa com esse aqui. O filme, de fato, é ótimo e bem interessante, embora falte originalidade em alguns aspectos. Ainda assim, a forma como foi dirigido, as escolhas de câmera e, principalmente, as atuações, fazem com que o seu resultado seja ainda melhor do que uma simples cópia de outras obras. Na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Não Se Preocupe, Querida</em></strong> é o mais novo filme da diretora Olivia Wilde, que fez a sua estreia na direção no ótimo <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-fora-de-serie/"><em>Fora de Série</em></a> e fazia uma grande promessa com esse aqui. O filme, de fato, é ótimo e bem interessante, embora falte originalidade em alguns aspectos. Ainda assim, a forma como foi dirigido, as escolhas de câmera e, principalmente, as atuações, fazem com que o seu resultado seja ainda melhor do que uma simples cópia de outras obras.</p>
<p>Na década de 1950, uma pequena cidade no deserto americano prospera por conta de uma fábrica que fica nos arredores, onde todos os homens trabalham, enquanto suas mulheres ficando cuidando da casa e dos filhos. Alice (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>) e Jack (Harry Styles, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos</em></a>) são jovens e apaixonados, vivendo o tempo inteiro em um romance ardente e invejável. O bairro acaba sendo impactado quando uma vizinha começa a surtar e falar coisas sem sentido, deixando o marido envergonhado e com risco de perder o emprego. Embora Alice seja amiga dela, acaba não dando o devido suporte e ignorando os episódios. Até que ela presencia um surto físico da amiga.</p>
<p>Logo de cara o filme me pegou em uma cena onde toda as esposas colocam as marmitas de seus maridos, dão beijos e vão levar até o carro. Tudo ao mesmo tempo e muito sincronizado. Aliás, a sincronia é um ponto cuidadoso da direção de Wilde, que é minuciosa em cada cena. Ali eu saquei que o enredo teria relação com o machismo e a necessidade de superioridade que os homens exercem sobre as mulheres. E assim o foi, mas vamos deixar de lado os spoilers.</p>
<p>Embora Alice esteja acostumada com aquela rotina e ame o marido profundamente, tem sempre um incômodo que a perturba. É como se ela nunca estivesse 100% à vontade, constantemente com uma discreta pulga atrás da orelha. Depois que o longa nos apresenta aquele cenário, rapidamente seguimos para o caminhar da história. A protagonista avista um episódio estranho e acaba transgredindo a regra de ultrapassar o limite da cidade. A partir daí, coisas bizarras começam a acontecer.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15891" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/fylxnegwqaanom2.jpg" alt="Não Se Preocupe Querida" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/fylxnegwqaanom2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/fylxnegwqaanom2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/fylxnegwqaanom2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/fylxnegwqaanom2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A semelhança com <em>Mulheres Perfeitas</em> é absurda, se apresentando momento a momento. Isso seria um problema real se <strong><em>Não Se Preocupe, Querida</em></strong> não fosse além em outros quesitos. Sinto que aqui a história é menos caricata e passeia mais por um thriller psicológico, como se bebesse um pouco da fonte de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/"><em>Corra!</em></a>, tendo, inclusive, algumas cenas semelhantes e até uma sonoplastia que lembra um pouco.</p>
<p>As atuações, definitivamente, são um ponto alto aqui. Mesmo que fora das telas houvessem discussões entre atores e até com a diretora, em cena, tudo fluiu tão bem quanto poderia, numa unicidade grandiosa. Chris Pine (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mulher-maravilha/"><em>Mulher-Maravilha</em></a>) no papel do ambicioso e inescrupuloso chefe da cidade onde moram, a própria Olivia no papel de uma vizinha chamativa que bebe sempre e quer festa o tempo todo. Pugh, no entanto, é quem rouba todos os holofotes e com todos os direitos. Ela consegue transitar com tamanha facilidade em todos os traços de personalidade que a protagonista apresenta, deixando o espectador hipnotizado a cada momento.</p>
<p>Tudo isso casado com a excelente direção de Wilde, que faz escolhas sábias de jogos de câmeras, focos, combinações de cenas e detalhes que vão muito além do que percebemos. É o tipo de filme que vale uma segunda vista, justamente para nos darmos conta de todas as arestas que vão sendo lapidadas por ela. Ao som, ainda, de uma ótima trilha sonora, que varia de acordo com a emoção e angústia de Alice.</p>
<p>Não há como se alongar muito sem cair no erro de dar vários spoilers. É possível informar, sem prejuízo, que <strong><em>Não Se Preocupe, Querida</em></strong> é um longa que angustia, que instiga e que entretém. Ele vale muito do hype que existia desde que sua produção foi anunciada. O problema para mim, no entanto, que o leva a não ser reconhecido como um filme de tanta excelência é a falta de originalidade em vários quesitos do roteiro. Como falei, as semelhanças dos dois filmes (especialmente o primeiro) citados anteriormente são imensas e constantes, o que nos leva a várias frustrações. Ainda assim, é um filme que entrega muito bem!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Olivia Wilde</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Harry Styles, Chris Pine, Olivia Wilde, KiKi Layne, Gemma Chan, Nick Kroll, Sydney Chandler</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lTkaEjZSQEA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Viúva Negra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2021 23:23:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A chegada da quarta fase do Universo Cinematográfico Marvel (MCU*) trouxe consigo uma expectativa sobre as novas produções anunciadas. Com a estreia de seus seriados, exibidos pela plataforma Disney Plus – como Wandavision e Falcão e o Soldado Invernal –, este frisson ficou ainda maior para Viúva Negra. Isto porque nas séries do MCU, o público encontrou uma mescla de ação, com aprofundamento das personagens, desenvolvimento narrativo e os momentos corretos de evocar a comicidade. Ainda que possua longas que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A chegada da quarta fase do Universo Cinematográfico Marvel (MCU*) trouxe consigo uma expectativa sobre as novas produções anunciadas. Com a estreia de seus seriados, exibidos pela plataforma Disney Plus – como <em>Wandavision</em> e <em>Falcão e o Soldado Inverna</em>l –, este frisson ficou ainda maior para <strong><em>Viúva Negra</em></strong>. Isto porque nas séries do MCU, o público encontrou uma mescla de ação, com aprofundamento das personagens, desenvolvimento narrativo e os momentos corretos de evocar a comicidade.</p>
<p>Ainda que possua longas que fogem desta lógica – por exemplo, os ótimos<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em> Pantera Negra</em></a> e<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-guerra-infinita/"><em> Vingadores: Guerra Infinita</em></a> –, o mais comum das obras do MCU é uma falta de ajuste em um ou mais de um destes elementos, contribuindo para a construção de uma qualidade mediana, na maioria de seus resultados trazidos para o cinema. Tudo isto é preciso ser pensado ao se analisar a nova estreia deste Universo Cinematográfico: <strong><em>Viúva Negra</em></strong>. Após 13 anos como coadjuvante, após a sua morte em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>, Nastasha Romanoff (Scarlett Johansson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>) ganha, finalmente, uma sequência solo, na qual o espectador se depara com uma história que se passa antes mesmo de <em>Guerra Infinita</em>, logo após <em>Guerra Civil</em>. Ou seja, obviamente, ela ainda estava viva.</p>
<p>Dois parecem ser os objetivos aqui. O primeiro é contar sobre a vida pregressa de Natasha, em 1995, quando ela fazia parte de um disfarce para dois agentes russos, Alexei (David Harbour, <em>Stranger Things</em>) e Melina (Rachel Weisz, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>), para procurar registrar certo aprofundamento em sua trajetória. O segundo é apresentar Yelena Belova (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/"><em>Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</em> </a>), que também fazia parte desta missão, mas que era muito mais nova que Natasha, na década de 1990, e não compreendia que aquela não era sua família verdadeira.</p>
<p>Entre tentar humanizar Romanoff e passar o bastão para Belova, através de uma jornada cheia de explosões e embates, <strong><em>Viúva Negra</em></strong> apresenta os incômodos costumeiros do MCU. Apesar de contar com uma interação carismática do quarteto – e isto se dá muito mais pela qualidade dos trabalhos dos quatro atores do que do roteiro – há um desequilíbrio aqui. A começar pelo tom de humor que quebra instantes de investigação das relações. Vindo, principalmente, da figura de Alexei, as <em>gags</em> ainda interferem com a instalação de atmosfera de ação.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14318" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/PING-FILME-BLACK-WIDOW-2021-01.jpeg.jpg" alt="Viúva Negra" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/PING-FILME-BLACK-WIDOW-2021-01.jpeg.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/PING-FILME-BLACK-WIDOW-2021-01.jpeg-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/PING-FILME-BLACK-WIDOW-2021-01.jpeg-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/PING-FILME-BLACK-WIDOW-2021-01.jpeg-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As piadas em si não são exatamente a questão, mas os momentos selecionados para suas aparições é que acabam por romper com a continuidade da progressão da suspensão, que as cenas de ação quase conseguem construir e com os diálogos sobre os sentimentos das personagens. Este fator, na verdade, possui complicações bastante imbricadas, porque cada rumo narrativo que se inicia, vem seguido de uma virada de instalação climática. O maior exemplo, talvez, seja quando Alexei, Melina, Natasha e Yelena se reencontram.</p>
<p>Ali é quando o enredo mantém menos uma linha contínua, seja quando eles abordam o grande caso que pauta a aventura do filme, quando Melina e Nathasha dialogam a sós ou quando Alexei e Yelena têm um momento pai e filha. São essas idas e vindas que rompem com o estabelecimento lógico progressivo da trama. Além disto, o próprio mistério investigado é mal trabalhado. O ponto central é justamente que os conflitos são apresentados como difíceis de serem resolvidos, mas o desenlace é repleto de <em>plot twists</em> que facilitam as soluções demasiadamente, deixando uma sensação de que milagres irão saltar na tela e os quatro salvarão o dia de qualquer maneira.</p>
<p>No geral, é um longa ingênuo, pautado em obviedades do gênero, porém mais do que isso, que tem escolhas de roteiro tão fáceis – como quando Belova surge, repentinamente, e explode o helicóptero do vilão Dreykov (Ray Winstone, <em>Cats</em>) – que torna a sessão um tanto entediante. O que vale mesmo é ver a dinâmica da família que, mesmo trazendo as rupturas de fluidez, possuem um jogo de cena que empolga. Os olhares e movimentações dos atores podem deixar o público ansioso para ver como será que cada um dirá o próximo texto ou utilizará o corpo para realizar um caminhada ou uma luta. Dentro do que parece ser a concepção de <strong><em>Viúva Negra</em></strong>, Johansson, Pugh, Weisz e Habour convocam criatividade e presença cênica quando estão todos juntos ou em duplas, tornando a projeção cansativa em assistível.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Cate Shortland</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour, Ray Winstone, Ever Anderson, Violet McGraw, O. T. Fagbenle, Olga Kurylenko, William Hurt</p>
<p>*MCU = Marvel Cinematic Universe.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Gm3o0bfGP3g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2020: Melhor Atriz Coadjuvante</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2020 16:38:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Domingo, 09, é dia da cerimônia do Oscar 2020. Com 38 longas na lista de indicados, a premiação seleciona dez intérpretes femininas para concorrer em duas categorias: Melhor Atriz e Melhor atriz coadjuvante. O anúncio de todos os concorrentes saiu no dia 13 de janeiro e muitas surpresas apareceram ou não. A quantidade de nomes deixados de lado e a falta de representatividade foi algo apontando durante o último mês. No entanto, alguns trabalhos que aparecem na disputa merecem um [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo, 09, é dia da cerimônia do Oscar 2020. Com 38 longas na lista de indicados, a premiação seleciona dez intérpretes femininas para concorrer em duas categorias: Melhor Atriz e Melhor atriz coadjuvante. O anúncio de todos os concorrentes saiu no dia 13 de janeiro e muitas surpresas apareceram ou não. A quantidade de nomes deixados de lado e a falta de representatividade foi algo apontando durante o último mês. No entanto, alguns trabalhos que aparecem na disputa merecem um pouco de atenção.</p>
<p>Pensando nisso, o <span style="color: #ba1616;"><strong>Coisa de Cinéfilo</strong></span> resolveu trazer um especial, dividido em duas partes, analisando as atuações de cada uma das artistas no páreo. A primeira publicação <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-oscar-2020-melhor-atriz/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>está aqui</em></strong></a>! Agora, confira a segunda metade do texto!!</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12390 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/laura-dern-marriege-750x375.jpg" alt="" width="750" height="375" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/laura-dern-marriege-750x375.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/laura-dern-marriege-610x305.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/laura-dern-marriege.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>História de um Casamento</em></a>)</strong></h5>
<p>Favorita na corrida para o prêmio, Dern vive uma advogada invencível e obstinada. A sua personagem não traz nenhum elemento daqueles mais óbvios sobre uma boa atuação, é tudo bastante sutil e suas cenas não são muitas e nem longas. Talvez, esse troféu possa ser considerado como um conjunto da obra ou uma celebração por sua performance na série Big Little Lies, onde ela faz algo bem semelhante, só que durante mais tempo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-12394" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/kathy-richard-750x313.jpg" alt="" width="750" height="313" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Kathy Bates (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-caso-richard-jewell/"><em>O Caso Richard Jewell</em></a>)</strong></h5>
<p>Aqui o publico pode ver outra interpretação sutil, porém de uma forma um tanto mais óbvia. Com firmeza em seu tom de colorido de texto, os sentimentos da personagem de Bates são claros durante toda a sessão. Os detalhes delicados, como as variações de grave e agudo são os mimos advindos de uma atriz experiente e que revela o seu domínio em cena. Kathy encarna a mãe um tanto boba e tipicamente estadunidense. As camadas, no entanto, não ficam de fora e ela mesmo sendo um tanto ingênua tem pulso e reviravoltas tonais. As chances de vencer são pequenas, mas é um belo reconhecimento por um trabalho minucioso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12414" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/little-women-2019-meryl-streep-florence-pugh-sony-pictures-entertainment-.png" alt="Especial Oscar 2020: Melhor Atriz Coadjuvante" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/little-women-2019-meryl-streep-florence-pugh-sony-pictures-entertainment-.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/little-women-2019-meryl-streep-florence-pugh-sony-pictures-entertainment--610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/little-women-2019-meryl-streep-florence-pugh-sony-pictures-entertainment--360x240.png 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></h5>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>)</strong></h5>
<p>Como já foi dito <strong><a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-as-protagonistas-de-adoraveis-mulheres/">aqui</a></strong> no <strong>Coisa de Cinéfilo</strong>, Florence trouxe um trabalho impecável neste filme. A sua construção é extremamente pensada. É possível enxergar a mudança de idade de sua Amy e isso não vem de maquiagem ou troca de atriz, como na versão de 1994. Pugh tem consciência vocal e corporal em seu trabalho e revela, inicialmente, um jeito infantil e mimado, passando gradualmente para a maturidade. A intérprete vai adicionando o grave ao tom da voz e criando uma postura mais retilínea. O resultado é que o público pode sair com uma sensação de que viu uma menina adolescente, no começo, uma jovem  confusa e preocupada com seu futuro, no meio da obra, e uma artista, professora e mãe, no final da projeção. A possibilidade da atriz ganhar é mínima, porém seria uma zebra aceitável. <strong>(Favorita da autora deste texto)</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12413" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/bombshell-2019-margot-robbie-certa_widexl.jpeg" alt="Especial Oscar 2020: Melhor Atriz Coadjuvante" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/bombshell-2019-margot-robbie-certa_widexl.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/bombshell-2019-margot-robbie-certa_widexl-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/bombshell-2019-margot-robbie-certa_widexl-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong>Margot Robbie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Escâdalo</em></a>)</strong></h5>
<p>Já se é sabido do potencial e talento da Margot. Em trabalhos anteriores como em <em>Eu, Tonya</em> e <em>Duas Rainhas</em>, ela demonstrou a sua versatilidade e sua consciência espacial – é incrível ver como a atriz consegue ocupar o cenário e a tela com criatividade, utilizando objetos de cena, fitando eles, colocando o ambiente a favor da contracena etc. No entanto, não é isto que acontece aqui. Por algum motivo, a sua Kayla é plana. Por mais que o roteiro pareça procurar dar certo rumo surpreendente para ela, o público muito possivelmente vai sacá-la rapidamente, todos já viram aquela representação no cinema.</p>
<p>Ela é uma menina tida como boa moça, mas possui elementos conservadores nela, ainda que detalhes mostrem que este fator não é tão forte assim. Porém, tudo isto está apenas no texto. Na atuação, a moça é ainda menos que isso. Ela está um tanto robótica, presa em si mesma e passa até a sensação de desconforto. No domingo, a estatueta não deve ficar com ela, porém a Academia gosta de uma jovem, branca e loira. Como a categoria está preenchida disto, as chances dela ganhar acabam não sendo nulas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12393 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/SCARLETT-jojo-750x394.jpg" alt="" width="750" height="394" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/SCARLETT-jojo-750x394.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/SCARLETT-jojo-610x320.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/SCARLETT-jojo.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jojo-rabbit/"><strong>Scarlett Johansson (<em>Jojo Rabbit</em>)</strong></a></p>
<p>A sátira presente em todo filme perpassa a interpretação de Scarlett. Com um sotaque acima do tom, intencionalmente, a atriz também criou alguns trejeitos que geralmente aparecem em personagens arquetípicas alemãs. Ainda que não supere seu papel em <em>História de um Casamento</em>, sua indicação é acertada e ela poderia até levar o prêmio se não houvesse uma concorrência tão forte quanto a deste ano<a href="http://www.adorocinema.com/">.</a></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-oscar-2020-melhor-atriz-coadjuvante/">Especial Oscar 2020: Melhor Atriz Coadjuvante</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Especial: As Protagonistas de Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jan 2020 22:37:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está em cartaz a nova versão da obra Adoráveis Mulheres. Baseado no livro homônimo de Louisa May Alcott, a direção e a adaptação da produção fica por conta de Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar). A história original, que foi escrita no final do século 19, já obteve, anteriormente, diversas versões para o audiovisual, incluindo animações e filmes para TV e para o cinema, sendo dois mudos, em 1917 e 1918, e três falados, em 1933, 1949 [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Está em cartaz a nova versão da obra <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Adoráveis Mulheres</em></strong></a>. Baseado no livro homônimo de Louisa May Alcott, a direção e a adaptação da produção fica por conta de Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>). A história original, que foi escrita no final do século 19, já obteve, anteriormente, diversas versões para o audiovisual, incluindo animações e filmes para TV e para o cinema, sendo dois mudos, em 1917 e 1918, e três falados, em 1933, 1949 e 1994.</p>
<p>Algo que segue sendo cada vez mais comum e crescente a cada revisita para a trama é a escolha de um elenco poderoso. Pensando nisto, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> resolveu elaborar um especial <em><strong>As Protagonistas de Adoráveis Mulheres</strong></em> que reunisse uma breve comparação das atuações das personagens principais &#8211; a mãe e as suas quatro filhas &#8211; tentando ver o que muda entre as atrizes e as mudanças das construções dos papéis de uma época para outra. Como existem vários <em>remakes</em>, não estarão listados todos os longas. O olhar sobre a protagonista, Jo March, será mais amplo, considerando as interpretações de Katherine Hepburn (1933), June Allyson (1949), Winona Ryder (1994) e Saoirse Ronan (2019).Para o restante do elenco feminino, serão relacionadas as performances de 1994 versus as de 2019, justamente por serem as refilmagens mais recentes.</p>
<p><em><strong>Confira!</strong></em></p>
<h4><strong>Jo March</strong> <img decoding="async" class="alignnone wp-image-12179 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/jos-750x187.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="187" /></h4>
<p>A principal diferença entre as interpretações de Jo está no tom dado para a mesma. A característica principal da personagem é que ela é uma mulher de espírito livre e amante da escrita. Com o passar do tempo, esta característica foi se intensificando e seu foco em ser escritora também. No entanto, o nível de doçura, ingenuidade, aspereza e assertividade se mesclaram pelas gerações.</p>
<p>Em 1933, <strong>Katherine Hepburn</strong> (<em>A Costela de Adão</em>), opta por fazer o amadurecimento em seu papel por uma via corporal, começando com um jeito mais “moleca”, de garota que sobe em árvores e pula muros, faz gestos grandes e assovia etc, até se transformar em alguém mais adulta e consciente, de postura mais centrada. Contudo, não perde em nenhum momento o olhar gentil, que permanece durante toda projeção.</p>
<p>Em 1949, <strong>June Allsyon</strong> (<em>Música e Lágrimas</em>) acrescentou uma dureza para a protagonista, que retira um tanto da empatia construída por Hepburn, por exemplo. A sua Jo é mais durona, firme e até um tanto rude. Talvez, a sua atuação peque por esquecer do laço de ternura que a personagem sempre mantém com suas irmãs, desejando a felicidades delas, ainda que esteja em profundo aborrecimento com as mesmas.</p>
<p>Em seguida,em 1994,  existe a criação de <strong>Winona Ryder</strong> <em>(Os Fantasmas se Divertem</em>), que foi uma espécie de musa nos anos 1990 e com muitas mocinhas rebeldes na filmografia. Ainda assim, aqui, ela imprime a Jo mais doce de todas! Apesar disto, ela não perde algo central no que Alcott parece desejar transmitir: o elo que une a família, o amor pela literatura e a falta de desejo em seguir as regras impostas por sua época. Ryder traz um jeito meio atrapalhado, adolescente e até tímido, revelando uma menina mais sonhadora e apaixonada – por sua escrita, claro.</p>
<p>Por fim, a versão de <strong>Saoirse Ronan</strong> (<em>Desejo e Reparação</em>) parece misturar todas as outras características criadas pelas outras atrizes. Ronan traz elementos físicos que enaltecem a personalidade forte de Jo March, principalmente no jeito como corre ou empurra e bate em seu vizinho Laurie (Timothée Chalamet). Mas, ela não esquece de empregar texturas e movimentos que lembram os trejeitos da adolescência.</p>
<p>Com isso, a intérprete demonstra, na hora de “colorir” o texto, entonações emburradas típicas desta idade. No entanto, Ronan deixa a suavidade de lado e acaba abandonando um pouco da característica presente em Jo March, que é o de ser uma aventureira que sonha, que vive imersa nos livros e por isso uma sensibilidade artística. No geral, pode-se notar facilmente que são múltiplas visões de uma mesma figura ficcional e a preferência pode acabar ficando na identificação que o público pode vir a ter.</p>
<h4><strong>Amy March</strong>  <img decoding="async" class="alignnone wp-image-12181 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-750x245.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="245" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-750x245.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys-610x199.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/amys.png 1007w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></h4>
<p>A principal distinção entre a Amy da versão de 1994 e a de 2019 encontra-se no fato do filme da década de 1990 possuir duas atrizes para interpretar a personagem: <strong>Kirsten Dunst</strong> (<em>Entrevista com Vampiro</em>) e <strong>Samantha Mathis </strong>(<em>Psicopata Americano</em>). Em 2019, a obra conta “apenas” com <strong>Florence Pugh </strong>(<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>), que para diferenciar a passagem de idade utiliza simplesmente a sua interpretação, preenchida de transições corporais e vocais, que sinalizam o seu amadurecimento. Quando se compara o tom que Dunst dá para seu papel, é possível notar certa equivalência em suas escolhas com as de Pugh. O público pode ver uma menina um tanto birrenta e infantil, pois ela é mostrada em sua primeira fase, por assim dizer, como uma criança que deseja e precisa de atenção.</p>
<p>O que muda na produção de Greta Gerwig, e isto é um grande mérito do longa, é a transformação impressionante passado por Amy. Florence Pugh demonstra consciência completa de sua criação e do que deseja performar na tela, revelando as fragilidades, seguranças e crescimentos de Amy March. É difícil comparar este desempenho com o de Mathis, que deixa a sensação de ter buscado uma visão mais comum para o papel. O que ela traz é a procura por um tom de realeza e uma postura distanciada das coisas, o que provoca uma impressão clara de que Amy cresceu, mas não que ela está amadurecida como pessoa, deixando a visão sobre ela um tanto rasa.</p>
<h4><strong>Meg March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12184 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-750x374.png" alt="" width="750" height="374" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-750x374.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs-610x304.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/megs.png 825w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong>Trini Alvarado</strong> (<em>Uma Lição de Amor</em>) entrega uma Meg mais serena e amadurecida, na versão de 1994. Ela é claramente a irmã mais velha que, apesar dos conflitos internos, tem uma tranquilidade de quem já viveu um pouco do que as irmãs. A impressão que <strong>Emma Watson</strong> (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) passa é um tanto distinta. Ainda que a característica de ter mais idade e querer fazer parte da grande sociedade estar nas duas Meg March, a forma de externalizar isto corporalmente e verbalmente é diferente.</p>
<p>Watson emprega algo mais intenso e dramático – no sentido de engradecimento das emoções. Não que sua performance vá para algo histriônico ou qualquer coisa do tipo. Mas, é possível ver porque a jovem poderia, por exemplo, seguir a carreira de atriz, pois ela tem dentro dela uma vontade de expressar seus sentimentos para que todos sintam também. Emma revela um olhar sonhador e romântico e uma inocência que vai se transformando em maturidade e compreensão sobre a vida, o que a deixa com mais camadas, passando uma transformação de caráter e personalidade.</p>
<h4><strong>Beth March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12185 size-medium" title="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-750x363.png" alt="As Protagonistas de Adoráveis Mulheres" width="750" height="363" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-750x363.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths-610x295.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/beths.png 832w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
Um traço importante sobre esta personagem é que ela precisa evocar empatia do público, devido ao desfecho que ela tem na trama. No filme de 1994, <strong>Claire Danes</strong> (<em>As Horas</em>) consegue alcançar este intento. Além de construir sua personagem num tom diferente das irmãs, que é uma característica central de Beth March, ela traz uma profundidade para o papel, ao criar gestuais contidos e olhares marejados ou menlancólicos. É como se sua Beth não pertencesse a este mundo e este é um grande feito de Danes.</p>
<p>Já <strong>Eliza Scanlen</strong> (<em>Babyteeth</em>) faz uma Beth mais reservada, menos transparente. A sua construção passa por uma espécie de doçura e melancolia, traços importantes de Beth March. No entanto, talvez na tentativa de retirar a proximidade de Beth com as irmãs, ela tenha retirando um pouco um peso que a garota possui, diminuindo certos impactos presentes na obra.</p>
<h4><strong>Marmee March</strong></h4>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12186 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-750x397.png" alt="" width="750" height="397" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-750x397.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees-610x323.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/marmees.png 767w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
Nos dois longas, as atrizes escolhidas foram nomes grandes e importantes. Em 1994, <strong>Susan Sarandon </strong>(<em>Thelma e Louise</em>) faz o papel da matriarca da família. Ao contrário de <strong>Laura Dern </strong>(<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>) &#8211; a Marmee de 2019 -, a intérprete traz um tom firme e direto para a personagem. O carinho dela está mais voltado para as suas ações do que para o tom de sua fala. Dern investe no caminho de se revelar uma mulher sábia, serena e gentil, sendo esta última característica a mais visível em sua atuação.</p>
<p>As duas escolhas das atrizes acabam criando um bom contraponto com Jo, que parece sempre ser uma versão da mãe esperando para ser lapidada. Como a Jo de Winona Ryder é mais doce e atrapalhada, a Marmee de Sarandon demonstra praticidade para ajudar o próximo e coordenar a família. No filme de 2019 isto acontece exatamente de maneira oposta. Mas, em ambas projeções o laço entre a dupla é sólido<a href="http://www.adorocinema.com/">.</a></p>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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