Eternos

Crítica: Eternos

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Estreia nesta quinta-feira, 4 de novembro, o super aguardado longa Eternos, que marca a nova fase da Marvel. Introduzindo novos super-heróis, este filme acontece após os eventos de Vingadores: Ultimato, quando o estalo de Thanos foi revertido. Com direção da queridinha do momento Chloé Zhao (Nomadland), este primeiro episódio de uma nova trajetória corresponde a boa parte das expectativas do público.

Os Eternos fazem parte de uma raça de super-humanos criados pelos seres Celestiais e que possuem diversos poderes. Eles habitam a Terra há milhares de anos e estão aqui para nos defender dos Deviantes, inimigos mortais dos Eternos e que colocam a nossa espécie em risco.

Anos após controlarem a situação, os Eternos – grupo principal composto por 10 heróis – vivem em meio à sociedade comum, sempre atentos à possibilidade de precisarem se reunir novamente para enfrentar os deviantes. Isso acontece justamente em Londres, quando um deles surge próximo à Sersi (Gemma Chan, Capitã Marvel). Ela então o enfrenta e vai em busca dos seus parceiros de outrora, a fim de tentar resolver o problema antes que ele fique ainda pior.

A introdução de um novo universo de super-heróis exige que o primeiro filme seja mais voltado a apresentar os personagens, mesmo que o arco narrativo traga problemas a serem resolvidos. Chloé consegue fazer isso de maneira muito equilibrada, permitindo que o espectador crie empatia com a relação dos heróis, ao mesmo tempo em que uma motivação é dada para que eles entrem em confronto.

O estilo um pouco menos explosivo da diretora é bem-vindo, especialmente por se tratar de uma nova fase da Marvel. Ela consegue inserir humor, drama e ação em doses pontuadas, sem deixar de lado a energia de super-herói que paira constantemente em todas as cenas. É claro que isso pode conferir um ritmo mais lento, especialmente no começo, quando a problemática ainda está sendo criada.

Eternos

Ainda que Zhao tenha o cuidado de apresentar todos os personagens, falha ao não aprofundar suas personalidades e motivações. Senti falta de mais tempo com Makkari (Lauren Ridloff, O Som do Silêncio), por exemplo, que é muito interessante e pouco explorada. Isso soa um pouco contraditório para um filme de 2h40 de duração, mas é que o roteiro opta por focar na linha do tempo dos acontecimentos, num vai e vem constante e um tanto cansativo.

Em termos de proximidade com o universo anterior da Marvel e seus Vingadores, Eternos faz uma boa conexão mas consegue caminhar sozinho, o que é muito importante. Os eventos são pontuados, mas não são utilizados como âncora para as tramas que são criadas aqui. Desta forma, o espectador cria vínculos mais fortes com estes novos personagens, numa empatia que nos faz torcer rapidamente por eles.

Personagens estes que são sabiamente interpretados por um elenco de peso e cuidadosamente escolhido. Além da qualidade técnica, temos o cuidado da representatividade em colocar latinos, negros, asiáticos, surdos, em papéis de relevância. Só lamentamos não ter tanto tempo de tela com eles, já que são muitos personagens introduzidos de vez.

Eternos foge do padrão Marvel de criação de filmes, trazendo um roteiro mais complexo, intenso e diferenciado. Talvez por isso as opiniões estejam tão divididas entre críticos e fãs. O filme é muito visual e apresenta uma fotografia impressionante, marca de Zhao e que acrescenta muito à trama. Por outro lado, aquela fórmula que estamos acostumados é deixada de lado e isso certamente vai causar estranheza.

Qualquer que seja a opinião final do espectador, é inegável que Eternos é um longa épico e artístico que dá margem para muitas promessas e coisas bacanas que virão à seguir. Um ótimo resultado para uma expectativa tão grande.

Direção: Chloé Zhao

Elenco: Gemma Chan, Richard Madden, Salma Hayek, Angelina Jolie, Barry Keoghan, Kumail Nanjiani, Brian Tyree Henry, Dong-seok Ma, Lauren Ridloff, Harry Stiles, Kit Harington, Lia McHugh

Assista ao trailer!

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