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	<title>Arquivos Timothée Chalamet - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Timothée Chalamet - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Especial Marty Supreme: O filme que pode dar o Oscar para Timothée Chalamet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 12:58:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 será apresentado ao mundo nesta quinta-feira (22) e, com ele, a estreia no Brasil de Marty Supreme. O novo longa-metragem do diretor e co-roteirista Josh Safdie (Joias Brutas, de 2019) é a grande promessa do tão aguardado prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido, de 2024). Com duas vitórias nos principais prêmios do cinema estadunidense, Timothée desponta como favorito para levar o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 será apresentado ao mundo nesta quinta-feira (22) e, com ele, a estreia no Brasil de <strong><em>Marty Supreme</em></strong>. O novo longa-metragem do diretor e co-roteirista Josh Safdie (<em>Joias Brutas</em>, de 2019) é a grande promessa do tão aguardado prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet (<em>Um Completo Desconhecido</em>, de 2024). Com duas vitórias nos principais prêmios do cinema estadunidense, Timothée desponta como favorito para levar o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</p>
<p>O mérito dessa possível vitória vem de uma clara conexão entre Safdie e Chalamet. O roteiro coescrito pelo diretor e por Ronald Bronstein (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/"><em>Bom Comportamento</em></a>, de 2017) &#8211; parceiro dos irmãos Safdie em outros projetos -, é uma ode aos trambiques, chiliques e ataques de grandiosidade do personagem interpretado por Timothée. A epopeia de desventuras e erros descreve um arco perfeito do anti-herói. <strong><em>Marty Supreme </em></strong>é uma história sobre alguém que não gostaríamos de torcer, mas somos compelidos à pela interpretação hipnotizante de Timothée.</p>
<p>Marty Mauser incomoda. Ele irrita, gera constrangimento e gargalhadas com os absurdos que ele fala, vive e age. A tecitura que desenha a complexidade do personagem-título escrito por Safdie e Bronstein é o ponto alto de <strong><em>Marty Supreme</em></strong> e é, igualmente, a maior vantagem que Chalamet carrega em sua atuação. Assisti-lo falando discursos de grandeza, recheados de uma lógica de malandragem juvenil e sonhos (im)possíveis é um show à parte. Parece que a persona que tentam pintar do ator desde seu discurso no Actor Awards do ano passado se mistura com a história do personagem, criando uma narrativa extra fílmica &#8211; que é tão hilária e absurda quanto a de Marty Mauser.</p>
<figure id="attachment_20421" aria-describedby="caption-attachment-20421" style="width: 1179px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-20421" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Marty-Supreme-1.jpg" alt="Marty Supreme (2025)" width="1179" height="786" /><figcaption id="caption-attachment-20421" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet em cena de &#8216;Marty Supreme (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Esse conjunto pitoresco de acontecimentos misturado à prepotência do personagem tornam <strong><em>Marty Supreme</em></strong> um estudo de caso fascinante. O azar (ou a sorte) que rondam Marty Mauser é tão curioso quanto os absurdos vividos &#8211; ou ditos &#8211; por ele. E é em meio ao turbilhão de crimes, enganações e desventuras que o público se vê completamente hipnotizado por Chalamet. O burburinho pelo seu trabalho não é por nada. O filme é ele. A espinha dorsal de tudo de mais absurdo e coeniano que acontece em tela só chega com essa força, graça e choque porque Timothée encarna Marty Mauser com maestria.</p>
<p>A promessa de um prêmio da Academia para o ator estadunidense não é de hoje. Desde sua grande performance em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame Pelo Seu Nome (2017)</em></a> que Chalamet se tornou um nome muito cotado e observado em Hollywood. Talvez o que faltasse antes ao ator era essa mística de aproximação com um personagem tão insano e imprevisível para propulsionar o seu bom trabalho. Timothée faz em <strong><em>Marty Supreme</em></strong> algo que impressiona por provar que, mesmo com apenas 30 anos, ele tem uma extensão cênica invejável.</p>
<p>Com todo esse burburinho e algumas vitórias já conquistadas pelo ator por <strong><em>Marty Supreme</em></strong>, a vitória no Oscar já soa quase certa. Os próximos prêmios serão cruciais para esclarecer melhor suas possibilidades. Tanto o Actor Awards como o BAFTA serão fortes termômetros sobre sua chance de enfim levar para casa um Oscar. No entanto, Timothée não está longe de ter um forte concorrente, ao menos, nesse seu caminho para a glória com a Academia.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-agente-secreto/"><em>O Agente Secreto</em></a>, de 2025) tem vencido os principais prêmios desse circuito mais &#8216;alternativo&#8217; de premiações. Sua vitória no Globo de Ouro também propulsionou suas chances e, se o Chalamet puder temor alguém, essa pessoa é nosso conterrâneo. Ainda que Timothée siga com chances mais claras, inclusive por conta de toda sua campanha, não é hora de descartar essa outra possibilidade. O futuro do ator e seu papel em <strong><em>Marty Supreme</em></strong> ainda trarão boas surpresas até a aguardada noite do Oscar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Josh Safdie</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A&#8217;zion, Kevin O&#8217;Leary, Tyler Okonma (Tyler, the Creator), Abel Ferrara e Fran Drescher</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jlufghPi_y4?si=6GvtLeedts-yXW9u" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Marty Supreme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2026 16:11:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caótico e irritante, o protagonista Marty Mauser cai como uma luva para o ator que o performa: Timothée Chalamet (Me chame pelo seu nome). Em quase 2h30 de sessão, o público mergulha nos devaneios de um homem cheio de talentos e trambiques. Marty Supreme é uma cinebiografia sobre jogador de tênis de mesa, Marty Reisman, de John Safdie (Joias brutas). Apesar da direção e texto de Safdie serem cuidadosos e bem realizados, o ponto alto da obra é, definitivamente, Chalamet. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Caótico e irritante, o protagonista Marty Mauser cai como uma luva para o ator que o performa: Timothée Chalamet (<em>Me chame pelo seu nome</em>). Em quase 2h30 de sessão, o público mergulha nos devaneios de um homem cheio de talentos e trambiques. <em>Marty Supreme</em> é uma cinebiografia sobre jogador de tênis de mesa, Marty Reisman, de John Safdie (<em>Joias brutas</em>). Apesar da direção e texto de Safdie serem cuidadosos e bem realizados, o ponto alto da obra é, definitivamente, Chalamet. É revoltante de admitir, porque a postura de Timothée não simpática, mas o rapaz é talentoso. A grande questão do intérprete é que ele sabe ir além das representações e consegue colocar muito de si, sem, ao mesmo tempo, esquecer de que existe uma figura dramática ali.</p>
<p>Timothée domina suas expressões faciais e corporais, a fim de imprimir as emoções de seus papéis na tela. Ele sabe pausar, gaguejar, pular no chão e fazer gestos grandes sem ser histriônico. E isso parece vir de uma consciência sobre espaço de cena. O seu histórico no teatro deve contribuir bastante para esse entendimento. Timothée emprega a fisicalidade para as suas personagens, algo que daria orgulho para Stanislavski. Isto porque Chalamet não somente se lança ao solo, corre, dança, chora e mexe nos músculos da face com tranquilidade, porém ele faz isso com intenção e certeza.</p>
<p>Os gestos são limpos e precisos, são controlados e organizados, com uma partitura nítida e um objetivo a ser alcançado. E em um caso como no de <em>Marty Supreme</em>, no qual ele dá vida à uma pessoa tão cheia de camadas, é fundamental, e essa é a melhor entrega de &#8220;Salaminho&#8221; (apelido carinhoso ao ator, desta que vos escreve), até então. Mas, há também um mérito de Safdie, que é o de criar uma encenação que convoca performances mais orgânicas do elenco. Um exemplo forte é a participação de Gwyneth Paltrow (<em>Shakespeare Apaixonado</em>) no longa-metragem. Em um de suas melhores entregas no cinema, Paltrow traz pluralidade de intenções em sua Kay Stone.</p>
<p>Ao mesmo tempo que a artista revela sentimentos diversos em sua face, ela o faz com tamanha suavidade, que a cena fica mais tocante e até emocionante. O tom blasé &#8220;paltrowniano&#8221; é utilizado a favor da cena, o que aumenta a suspensão da ações que ocorrem no longa. Porque a produção é repleta de peripécias e a fé cênica do elenco ajuda na crença imediata dos espectadores. Um exemplo é a sequência que Kay e Mauser se beijam no escuro, enquanto um policial com lanterna grita por eles. Todo aquele momento poderia soar falso e improvável, mas o mergulho dos intérpretes naquele universo ficcional conecta a plateia com os absurdos da narrativa.</p>
<p>Neste sentido, o roteiro de de Safdie e Ronald Bronstein (<em>Bom Comportamento</em>) ajuda a fomentar essa construção complexa de Marty e todas as loucuras desta trama. Há uma liga entre um fato e outro da vida do protagonista, que fazem sentido, mesmo que sejam insanos para indivíduos honestos e/ou comuns. De um assalto à uma loja de sapatos, para um mundial de tênis de mesa, para o roubo de um cachorro, para uma competição no Japão e todas as insanidades que preenchem a vida de Mauser, as situações são colocadas no ecrã de maneira coesa. E essa trama passa por seus enlaces e desenlaces, com clímax e transformação do herói.</p>
<p>Ainda que existam situações extra-cotidianas, elas se ligam e estão todas em função da jornada de Mauser. Por isso que é tão importante que as atuações sejam realistas, porque elevam o potencial do insano trazido para a sessão. O filme parece um espetáculo absurdista, no qual o trágico e o cômico se encontram para jorrar nos olhos de quem assiste o quão o mundo é cruel, como as lutas de classe podem moldar e interferir nos comportamentos humanos, mas como somos unidos, furiosos e interconectados no caos e na luta pela sobrevivência. <em>Marty Supreme</em> consagra essa lógica quase beckettiana, com emoções de perdas e gestos repentinos, que vêm de um colapso da sociedade.</p>
<p>A direção de John Safdie é a cereja do bolo, neste mundo de Marty. O cineasta abre espaço para as marcações de cena e emprega os movimentos e efeitos de câmera com justeza. Safdie é clássico: close-ups para os instantes íntimos, planos médios e gerais para quando Mauser está em fuga ou jogos. O mesmo se pode dizer para as escolhas de travelling, pans, chicotes etc. que surgem para as escapadas de Marty Mauser, suas perdas e ganhos na mesa de tênis e suas aventuras amorosas. É nessa tranquilidade do uso da tecnicidade do audiovisual que Safdie compõe imagens que fazem com que o consumidor mergulhe na sua narrativa.</p>
<p>Desta maneira, <em>Marty Supreme</em> é técnico e emotivo, e, sobretudo, um título que traz integrantes que compreendem sobre a trajetória da arte de contar histórias. São profissionais que parecem dominar os artifícios corretos para provocar as sensações que desejam em sua plateia. Assim, essa é uma exibição extensa, mas que merece ser deliciada em toda a sua qualidade técnica, em seu discurso político polido e diluído nas loucuras de seu protagonista e em seu conhecimento sobre emoções humanas. Filmaço, que deixa um gosto muito semelhante ao de quando se assiste a uma boa peça teatral. Algo raro dentro da contemporaneidade!</p>
<p><strong>Direção</strong>: John Safdie</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A&#8217;zion</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Marty Supreme | Trailer Oficial Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/SovoTyFeF-I?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Duna &#8211; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 12:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em Blade Runner 2049 (2017) que ele sabia como dar continuidade num universo sci-fi. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400">Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><i><span style="font-weight: 400">Blade Runner 2049 (2017)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> que ele sabia como dar continuidade num universo </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400">. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><i><span style="font-weight: 400">Duna (2021)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> foi admirável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A ideia de continuar uma história do escopo da adaptação de <strong><em>Duna</em></strong>, ainda sobre o primeiro livro, impressionou o público, mas Villeneuve não decepciona. O trabalho do diretor e roteirista canadense em </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é ainda mais louvável. A sequência </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) com a promessa de ser o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400"> do ano. O novo longa-metragem consegue superar as expectativas (e seu antecessor) e leva o espectador numa odisseia espacial ainda mais estonteante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Como já foi visto inúmeras vezes ao decorrer da história do cinema, alcançar expectativas de filmes que se tornam uma espécie de ‘clássico instantâneo’ para o seu respectivo gênero é um desafio gigante. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, contudo, vem na contramão disso. O segundo capítulo da saga </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> interestelar é maior em escopo, qualidade e sensações. Tanto no que Villeneuve e seu colega de roteiro, Jon Spaihts (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho/"><i><span style="font-weight: 400">Doutor Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400"> e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passageiros/"><i><span style="font-weight: 400">Passageiros</span></i></a><span style="font-weight: 400">, ambos de 2016), fazem ao criar saídas e novas rotas para a adaptação, como no empenho do diretor ao orquestrar essa odisseia espacial, existe uma condução de narrativa invejável no novo longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez o maior mérito de Denis Villeneuve seja este. Construir imagética e esteticamente um universo diferente de tudo já visto &#8211; e o fazer com qualidade técnica e artística &#8211; ao mesmo tempo que ele entrega um produto acessível e possível de alcançar uma bilheteria astronômica. O cineasta canadense justamente é capaz de unir o que alguns chamam de ‘cinema de arte’ com o popular </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400">. E isso é fascinante sobre </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">. O longa será capaz de abarcar um número imenso de espectadores com suas possibilidades narrativas, artísticas e técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_17766" aria-describedby="caption-attachment-17766" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17766" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg" alt="Duna: Parte 2 (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6.jpg 1053w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17766" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet e Austin Butler em cena de &#8216;Duna: Parte 2&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda sobre essa colisão de mundos gerada pela produção, </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> também se torna um evento por envolver um tipo de projeto que há muito não se via &#8211; ao menos não com a dimensão da saga de Villeneuve. Talvez, na ficção, a última vez que o público vislumbrou algo dessa magnitude tenha sido com a saga </span><i><span style="font-weight: 400">Harry Potter (2001-2012)</span></i><span style="font-weight: 400"> ou </span><i><span style="font-weight: 400">Star Wars (1977-2019)</span></i><span style="font-weight: 400">. Em ambos os projetos, no entanto, nunca houve um processo autoral tão claro como em </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Continuando o olhar sob os aspectos técnicos de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> que se destacam, é possível imaginar um futuro repleto de indicações em diversas categorias. O departamento de arte, fotografia, som e efeitos especiais são os principais motivadores desse resultado de tirar o fôlego. Hans Zimmer (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-sem-tempo-para-morrer/"><i><span style="font-weight: 400">007 &#8211; Sem Tempo para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021) media o filme com sua trilha sonora epopeica. Para elevar o trabalho do compositor alemão, o restante do departamento de som constrói camadas sensoriais dessa jornada prometida de Paul Atreides. É inevitável não se arrepiar ao ver o personagem de Timothée Chalamet sendo aclamado pelos seus seguidores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Da mesma forma que o som, a composição visual encabeçada pela tríade fotografia, efeitos visuais e arte cria imagens surpreendentes. Seja no quesito construção de universo ou no fator de vislumbre, as três equipes formam imagens inesquecíveis sobre esse universo espacial ficcional idealizado por Frank Herbert. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é um presente aos olhos. Quanto maior a tela e melhor o som, a experiência se intensifica. Para a surpresa do público, a sequência <em>sci-fi</em> consegue entregar um trabalho técnico ainda mais impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não menos importante do que o texto, a técnica ou a direção, o elenco que compõe </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> completa essa ópera espacial perfeitamente conduzida. Os conhecidos nomes do primeiro filme, como Chalamet (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-wonka/"><i><span style="font-weight: 400">Wonka</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), Zendaya (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><i><span style="font-weight: 400">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021), Rebecca Ferguson (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1/"><i><span style="font-weight: 400">Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023) e Javier Bardem (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-pequena-sereia/"><i><span style="font-weight: 400">A Pequena Sereia</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), e as novas adições, como Austin Butler (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i><span style="font-weight: 400">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2022), Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-se-preocupe-querida/"><em>Não Se Preocupe, Querida</em></a>, de 2022) e Christopher Walken, formam um elenco estelar. Essa reunião de talentos, assim como feita no longa anterior, eleva o projeto a um outro patamar com performances meticulosas e poderosas, como Butler interpretando Feyd-Rautha, o violento e cruel sobrinho do Barão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Essa união de fatores faz de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> um filme fora da curva. Há muito que não se via uma construção de universo tão detalhada e rica como nesse projeto. Para além de conseguir transpor o mundo interestelar criado por Herbert, um dos maiores méritos de </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400"> é continuar se levando a sério e, por conta disso, manter a missão de sempre evoluir. A sequência é a prova desse compromisso orquestrado por Denis Villeneuve. O cineasta parece ter tido como meta criar uma odisseia espacial ainda maior, mais bela e impactante. E, com a </span><b><i>Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, ele foi capaz de realizar isso da forma mais impressionante possível.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Denis Villeneuve</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Zendaya, Rebecca Ferguson, Josh Brolin, Austin Butler, Florence Pugh, Dave Bautista, Christopher Walken, Léa Seydoux, Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling e Javier Bardem</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/QqmbrvluQRA?si=OfC4g2nhRANkAzG9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Wonka</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 12:34:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema vive um momento de grandes produções. Seja em orçamento, efeitos especiais, cenas de perseguição ou explosão, há muito que não se vê uma produção que carrega qualidade técnica e narrativa ao mesmo tempo que abraça o espectador. A sétima arte parece estar acompanhando a intensa velocidade da contemporaneidade, deixando de lado esse tipo de projeto que tira o público dessa aceleração e o embala num outro ritmo. O mais novo lançamento da Warner Bros, que chega nesta quinta-feira aos cinemas (7), no entanto, leva o espectador para esse tipo de jornada. <strong><em>Wonka</em></strong> desacelera a realidade do cotidiano do público para que ele possa mergulhar num universo de possibilidades.</p>
<p>A leveza e doçura do longa-metragem encanta desde seus primeiros minutos com o universo fantástico dos doces e sonhos que virá pela frente. O filme, dirigido por Paul King (<em>As Aventuras de Paddington 1 e 2</em>, respectivamente, de 2014 e 2017), é o tipo de produção que se precisa todo ano para renovar as energias e, especialmente, lembrar ao público o quanto é importante sonhar. O universo de fantasia criado em <strong><em>Wonka</em></strong> vai além do evidente empenho técnico dos departamentos de arte e fotografia. Essa empreitada parece vir de um desejo de preencher corações neste período festivo de fim de ano com a renovação do que há de mais precioso nas pessoas: a capacidade de acreditar.</p>
<p>O roteiro co-escrito por King e Simon Farnaby se inspira no conhecido personagem de Roald Dahl para costurar as canções e ações que guiam a narrativa de <em><strong>Wonka</strong></em>. É inevitável que os dois filmes sobre a <em>Fantástica Fábrica de Chocolate</em> (1971 e 2005) venham à mente, no entanto, é importante se afastar dessas imagens para que se aproveite ao máximo a nova experiência proposta neste longa. Os méritos das produções anteriores não são anulados com isso, é apenas necessário que se esteja aberto a ver esse universo já conhecido pelos olhos dos novos criadores. E, acredite, vale a pena dar uma chance para conhecer a história pregressa de como o mais conhecido <em>chocolatier</em> da literatura se tornou o famoso Willy Wonka.</p>
<p>Todos já conhecem a história da Fantástica Fábrica de Chocolate, mas está na hora de conhecer como Willy Wonka se tornou o maior criador de chocolates do mundo. Para isso, é preciso observar os primeiros momentos de sua carreira, enquanto ele começou a vender seus criativos e mágicos chocolates. Wonka (interpretado por Timothée Chalamet) precisará da ajuda e confiança de seus amigos, especialmente da jovem Noodles (interpretada por Calah Lane), para enfrentar o Cartel do Chocolate (interpretados por Paterson Joseph, Matt Lucas e Mathew Baynton) e enfim mostrar ao mundo do que é feito o seu sonho.</p>
<figure id="attachment_17543" aria-describedby="caption-attachment-17543" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17543" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg" alt="Wonka (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Wonka-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17543" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet em cena de &#8216;Wonka (2023)&#8217; / Divulgação</figcaption></figure>
<p>Através de uma roupagem fantasiosa e repleta de canções, <strong><em>Wonka</em></strong> embala o público numa jornada doce e encantadora. A fantasia está representada em sua forma mais pura: através da imaginação e crença de uma mente infantil. Ainda que Willy não seja tão novo assim, suas intenções e desejos carregam a pureza da infância na tentativa de aproximar o espectador desse universo fantástico e musical que guia o longa. Essa união de forças e de gêneros cinematográficos resultam numa história divertida, leve, engraçada e carregada de afeto, capaz igualmente de emocionar e inspirar o público.</p>
<p>Essa pulsante vontade de gerar o potencial de acreditar em quem assiste parece ser a força motriz do projeto. <strong><em>Wonka</em></strong>, desde sua abertura, é construído com sucessíveis visuais de tirar o fôlego. Essa construção visual, guiada pelo desejo do roteiro de fazer com que o público acredite na fantasia, também é expressa na trilha sonora composta por Joby Talbot e nas canções originais de Neil Hannon. Os números musicais agradarão tanto os fãs de musicais como os espectadores mais resistentes aos mesmos por seu caráter imersivo nos acontecimentos da narrativa e pelo espaçamento entre uma canção e outra.</p>
<p>O projeto como um todo é extremamente coeso em sua missão de gerar encantamento enquanto se cria um espaço para acreditar. O elenco, por exemplo, é um dos principais promotores dessa força em <strong><em>Wonka</em></strong>. Comandados pelo jovem Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ate-os-ossos/"><em>Até os Ossos</em></a>, de 2023), o restante dos atores e atrizes do filme &#8211; sejam eles mocinhos ou vilões &#8211; dão continuidade à mescla de excentricidade, desconexão da realidade e pureza expressados pela interpretação de Timothée. Vale ainda destacar as contribuições excepcionais de Calah Lane, Paterson Joseph, Keegan-Michael Key (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-super-mario-bros-o-filme/"><em>Super Mario Bros. O Filme</em></a>, de 2023), Tom Davis, Olivia Colman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-favorita/"><em>A Favorita</em></a>, de 2018) e Hugh Grant (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dungeons-dragons/"><em>Dungeons &amp; Dragons: Honra Entre Rebeldes</em></a>, de 2023).</p>
<p><em><strong>Wonka</strong></em> é uma jornada fantástica sobre o que a habilidade de sonhar e acreditar em seus sonhos pode fazer. É um filme que inspira algo sensível e doce no público e é a mensagem que se precisa para encerrar o ano bem. O projeto é a dose certa de excentricidade com o irônico para construir uma história cativante e crível para um dos personagens mais conhecidos da literatura fantástica infantil. Chalamet consegue honrar as interpretações anteriores sem perder de vista a sua própria potencialidade individual. E é essa receita de exageros controlados que fazem de <strong><em>Wonka</em></strong> o filme que muitos duvidaram, mas todos precisávamos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul King</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Calah Lane, Keegan-Michael Key, Paterson Joseph, Matt Lucas, Mathew Baynton, Sally Hawkins, Rowan Atkinson Jim Carter, Tom Davis, Olivia Colman e Hugh Grant</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/8Hpz6B4FODM?si=RmKipqsby6ot3tsd" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Até os Ossos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2022 14:10:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Até os Ossos, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Até os Ossos</strong></em>, Luca Guadagnino aposta no romance entre dois canibais para construir um filme que tensiona o tempo inteiro sensibilidade e violência. Na história, Maren (a excelente Taylor Russell) é uma jovem que descobre desde cedo uma vontade incontrolável de se alimentar de carne humana. Abandonada pelo pai, Maren vive à margem da sociedade e acaba encontrando companhia em Lee, um rapaz que também é canibal e que, assim como ela, teve que aprender desde cedo a lidar com a solidão que sua condição lhe traz. Assim, todo o contexto do canibalismo, através desses personagens marginalizados pela sociedade em função das suas próprias condições, serve para <em>Até os Ossos</em> compor um conto cheio de sensibilidade sobre a solidão, ou o lugar sombrio e melancólico para onde ela nos leva, e a importância do encontro e da partilha com um semelhante para nossa saúde e nosso desenvolvimento pessoal.</p>
<p>Em mais um flerte com o gore (o diretor foi responsável pelo remake de <em>Suspiria</em>), Luca Guadagnino faz um filme cheio de sensibilidade como seu popular <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame pelo seu Nome</em></a> trazendo para o centro do seu conflito um casal principal que representa estratos sociais apartados do convívio em sociedade. Maren e Lee sentem vergonha e repulsa por se alimentarem de carne humana, aliás, são poucos os canibais apresentados no filme que convivem em paz com esse traço de identidade dado pela própria natureza. Nesse sentido, <strong><em>Até os Ossos</em></strong> serve para Guadagnino falar sobre a rejeição em diversas esferas: social, familiar e, claro, a auto rejeição. Aqui, o encontro amoroso entre Maren e Lee é uma espécie de tábua de salvação para uma vida aparentemente condenada a condições precárias de existência.</p>
<p>No filme, Guadagnino explora o gore de maneira ostensiva. O diretor não poupa sangue e vísceras em cada cena na qual os canibais atacam suas vítimas. No entanto, o cineasta provoca e explora bastante todas as reverberações desse seu flerte com o fantástico em uma realidade prática. Assim, ao mesmo tempo que <strong><em>Até os Ossos</em></strong> causa asco com suas cenas nas quais os canibais parecem urubus em torno dos corpos que lhes servem de alimento, também é capaz de muita ternura e empatia ao construir dores muito palpáveis para seus protagonistas. O sentimento de solidão e os conflitos morais em torno do canibalismo presentes em toda a jornada de Maren e Lee são críveis para o espectador, é possível senti-los e se colocar no lugar desse casal.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16184" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg" alt="Até os Ossos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/ATE-OS-OSSOS-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Dada a fama de Timothée Chalamet e sua parceria pregressa com Guadagnino em <em>Me Chame pelo seu Nome</em>, o ator tem sido o chamariz da campanha de marketing do filme, mas é a atriz Taylor Russell quem se destaca nesse mais recente longa do diretor. Chalamet está ótimo como Lee, uma escalação impecável, não resta dúvidas, mas a alma e o coração de <em><strong>Até os Ossos</strong> </em>é Taylor Russell, revelada para o grande público no drama <em>As Ondas</em>, pouco visto no Brasil por problemas de distribuição. A atriz desenvolve gradativamente e com muita maturidade toda a jornada da sua personagem no filme. Há participações especiais de nomes conhecidos -Michael Stuhlbarg e Chlöe Sevigny, por exemplo -, mas cabe uma menção de destaque entre os coadjuvantes de <em>Até os Ossos</em> para Mark Rylance. O ator interpreta Sully, um canibal que cria uma perturbadora afeição por Maren desde o início da história, levando a relação a extremos ao longo do filme.</p>
<p><strong><em>Até os Ossos</em></strong> é um filme comprometido com a experiência emocional do espectador, mas não se entrega a caminhos óbvios. Flertando com o horror, o romance entre canibais de Luca Guadagnino é mais um ótimo momento de um cineasta que depois do sucesso de <em>Me Chame pelo seu Nome</em> parece não querer se reduzir a um diretor que mira no gosto das grandes premiações, mas que se desafia em histórias que, até então, parecem muito diferentes umas das outras, conversando com gêneros não tão consagrados assim pelas instâncias mais visadas de consagração.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luca Guadagnino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Timothée Chalamet, Taylor Russell, Mark Rylance, Michael Stuhlbarg, Andre Holland, Chloë Sevigny, David Gordon Green, Jessica Harper</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/LTPCgWWwTXI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 20:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali. Vindo da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali.</p>
<p>Vindo da comédia, o roteirista e diretor, sabe como jogar com a dinâmica da suspensão, do absurdo e do timing cômico. O resultado, geralmente, é um nó na garganta. Talvez, o título que havia chegado mais perto de alcançar este efeito com êxito, anteriormente, tenha sido o seu <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a>. Agora, com <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, Adam McKay aumenta o seu potencial de contar histórias e dosa com uma habilidade mais intensa os efeitos colocados na tela, seja em sua direção ou nos encaminhamentos da sua narrativa.</p>
<p>A inserção e retirada de diálogos e a maneira como os textos podem chegar entrecortados são os maiores ganhos do enredo. Há toda uma gama de sentidos criados entre o não dito e o que é explicitado verbalmente, inclusive com gritos. Esta estrutura revela a compreensão de McKay sobre a própria condição humana, seja por sua tolice e egoísmo, ou por seu caráter forte, mesclado ao desejo de sacudir o mundo e clamar para ser escutado de uma vez só.</p>
<p>Além disso, é curioso de observar como, ainda que não realize uma progressão linear de ações nítidas – existem idas e vindas de intensidade nos acontecimentos da trama –, a obra vai se tornando cada vez mais angustiante para quem assiste. Aqui, novamente, pode-se abordar a consciência sobre o uso da comicidade. Gradativamente e sutilmente, a graça se transforma em riso nervoso para, em seguida, virar melancolia e pânico.</p>
<p>Mesmo rindo de si e da humanidade, o desprezo por uma parte da sociedade e o respeito por outra, ganha espaço e não há retorno dentro da história. É notável – e até óbvio – o que McKay deseja convocar em seu longa-metragem. Este é sim um retrato de um país tolo e autocentrado, que enxergou um pouco da verdade sobre si, a partir de 2016. Ao invés dos grandes heróis, salvadores do Planeta, este é um reduto de diversos tolos, ignorantes políticos, preconceituosos e egocêntricos.</p>
<p>O que McKay desconhece é que esta realidade se assemelha a de múltiplos locais da Terra, incluindo o Brasil, com seu presidente genocida e seus apoiadores cruéis e desonestos. Ao se deparar com a sessão de<i> <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong></i>, seu público pode sim se identificar com todo aquele conteúdo, por mais insano que seja o <em>plot</em>, seu desenvolvimento e desfecho. É justamente isto que Adam faz em sua produção: toma posse do impossível para retratar as pessoas da contemporaneidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14991" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg" alt="Não Olhe para Cima" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, o que falta nele é uma visão menos “estadunidense centrada”, por assim dizer. Com um olhar tão voltado para si, ainda que seja para abordar seu país com um olhar cheio de ironia, a salvação de todos os seres humanos continua nas mãos de um único lugar: os Estados Unidos. Nenhum outro local foi capaz de encontrar uma solução eficaz para a catástrofe anunciada.</p>
<p>Além disso, ainda que a tragédia afete a humanidade inteira, somente uma nação é retratada. Este é um incômodo intenso em <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, visto que este umbiguismo é recorrente no audiovisual hollywoodiano, desde a sua criação. No entanto, apesar deste engasgo, vale ressaltar outras qualidades presentes no longa. A direção de McKay fomenta a qualidade do projeto.</p>
<p>A decupagem serve ao que está sendo contado com precisão e provoca sensações precisas no público, como na escolha em fechar mais certos planos e utilizar câmera na mão, nos instantes nos quais Kate (Jennifer Lawrence) e Randall (Leonardo Di Caprio) se sentem pressionados ou em pânico. Os enquadramentos e movimentos, juntamente com uma mise-en-scène – que mistura uma marcação caótica e desorganizada, com extremamente limpa ou diversos objetos, com pouquíssimos elementos de cena – contribuem para as interpretações.</p>
<p>As atuações de Meryl Streep (<em>Mamma Mia!</em>) e Di Caprio (<em>Titanic</em>) – que vinham pesando a mão nas suas construções, nos últimos tempos –, chegam aqui firmes e sutis. O jogo de câmera, bem como a montagem de Hank Corwin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), barram certos exageros que a dupla poderia cometer. Neste sentido, também é necessário dar créditos para Streep e Di Caprio, veteranos talentosos, ainda que passem do ponto em alguns de seus papéis. Aqui, ambos imprimem tônus no corpo e na voz, se pôr peso ou sujeira em seus movimentos.</p>
<p>Ambos captam com segurança as intenções do roteiro e criam nuances e camadas para suas personagens. Talvez, este destaque seja tão visível por estas serem as figuras mais complicadas no filme, por possuírem características um tanto estereotipadas, mas que são bem conduzidas, suavizando estes tipos: o cientista estressado e a política egocêntrica. Contudo, Cate Blanchett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/"><em>Carol</em></a>) e Jennifer Lawrence (<em>Jogos Vorazes</em>) também trazem boas performances, que geram repulsa ou empatia, a depender da personalidade de cada uma delas.</p>
<p>Em seu resultado geral, <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong> é eficiente em registrar e analisar a contemporaneidade, em todo o seu ilogismo, suas compulsões, suas vaidades. Com uma equipe talentosa, quase nada de seu potencial é desperdiçado. Para ser completo, de verdade, bastava apenas erradicar o pensamento tão alto centrado dos EUA.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Adam McKay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Mark Rylance, Tyler Perry, Ariana Grande, Rob Morgan, Timothée Chalamet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/c1nToClX_3w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Rei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Nov 2019 18:04:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assumir um posto que tradicionalmente já tem um modus operandi significa que precisamos assumir todas as consequências dele? O longa O Rei, uma produção da Netflix, coloca esse tema em pauta ao tratar da linha de sucessão. Henry (Timothée Chalamet, Me Chame Pelo Seu Nome) é um jovem príncipe que precisa assumir o reinado depois da morte do pai. Mulherengo, afastado da política e pacifista, ele vai precisar mudar seu estilo de vida para conseguir governar a Inglaterra. Em meio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Assumir um posto que tradicionalmente já tem um <em>modus operandi</em> significa que precisamos assumir todas as consequências dele? O longa <strong><em>O Rei</em></strong>, uma produção da <em>Netflix</em>, coloca esse tema em pauta ao tratar da linha de sucessão. Henry (Timothée Chalamet, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Me Chame Pelo Seu Nome</em></a>) é um jovem príncipe que precisa assumir o reinado depois da morte do pai. Mulherengo, afastado da política e pacifista, ele vai precisar mudar seu estilo de vida para conseguir governar a Inglaterra. Em meio a isso, a França declara estado de guerra, convocando a refletir sobre seu posicionamento.</p>
<p>A trama evolui como uma articulação política de poder e estratégia. Embora seja um filme que fale muito sobre guerra,<em><strong> O Rei</strong> </em>é muito mais sobre as discussões por trás do embate físico. Mesmo antes da morte do rei, os conselheiros já começam a se articular para conseguir &#8220;mandar&#8221; no seu sucessor. Paralelo a isso, Henry está muito mais preocupado em levar a vida com tranquilidade do que assumir um grande posto.</p>
<p>O diretor David Michôd (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-rover-a-cacada/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>The Rover &#8211; A Caçada</em></a>) coloca sua marca no roteiro, ao equilibrar cenas de negociação com a contemplação e negação do protagonista. Além disso, temos um belíssimo trabalho de trilha sonora e fotografia, que acabam funcionando como elemento-chave na construção da atmosfera de tensão e drama da história. Sim, esse é um filme de drama com alguma ação, e não o contrário.</p>
<p>Talvez por isso, inclusive, possa ter algum sentimento de frustração por parte do espectador desavisado. Especialmente quando o trailer &#8220;vendeu&#8221; a ideia de um filme de batalhas épicas. A construção da guerra, mesmo no quesito físico, é muito mais estética do que visceral. Planos abertos que valorizam a multidão e destacam determinado personagem, como se ele estivesse sendo afogado pelo regimento da época.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-750x500.jpg" alt="O Rei" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A escolha do elenco é um ponto alto e acertado do filme. Chalamet demonstra toda a insatisfação, revolta e aceitação que o príncipe Henry traduz. Ele é de poucas palavras, mas muitos emoções. O que se torna claro através de seu olhar e comportamento retido. Para além dele, Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/"><em>Bom Comportamento</em></a>) está excelente no papel do soberano francês. Ele mistura um pouco de loucura psicótica com a inexperiência, levando para a sua curta participação um destaque considerável.</p>
<p>Por fim, <em><strong>O Rei</strong></em> tem um leve problema de ritmo, especialmente na primeira parte. Mesmo que a proposta seja de um drama, ele acaba caminhando muito sem propósito por algum tempo, deixando o espectador num misto de confusão com o objetivo da trama e tédio. Isso acaba se revertendo a medida de Henry assume o trono e a ameaça da França se torna mais real.</p>
<p>Nada disso impede que o filme seja bem sucedido no seu propósito e nos ofereça uma obra de muita qualidade. O que é uma grata surpresa quando falamos de <em>Netflix</em>, já que o <em>streaming</em> tem um problema de bons roteiros na categoria filmes. <strong><em>O Rei</em> </strong>é uma produção contundente, um drama histórico que fala não apenas das articulações políticas, como das transformações pessoais que, por vezes, precisam ser realizadas para um propósito maior. Vale a pena conferir!</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Michôd<br />
<strong>Elenco:</strong> Timothée Chalamet, Robert Pattinson, Ben Mendelsohn, Joel Edgerton, Lily-Rose Depp, Dean-Charles Chapman, Sean Harris, Thomasin McKenzie</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/sLBLa5-W3IQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Você pode conferir esse filme diretamente na <a href="https://www.netflix.com/watch/80182016?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C0%2C2909d2145b785506e59c13a8ddc50cd5cb712a7a%3Aad55bf45d6b8b4c5ed41aa97a0cf15eae2777c24%2C%2C" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em><strong>Netflix</strong></em></a>!</p>
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		<title>Crítica: Querido Menino</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Feb 2019 02:27:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das propriedades do cinema é a sua capacidade de moldar um determinado assunto de acordo com a produção. A sétima arte vive uma constante fabricação de realidades infindáveis e distintas. A possibilidade de criar universos contrastantes faz do cinema uma poderosa arma. Filmes podem incentivar e manter guerras – como foi amplamente feito nas décadas de 1930 e 1970, por exemplo –, denunciar problemas sociais, explicar acontecimentos e até mesmo fazer o espectador repensar alguma temática. Esse último exemplo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das propriedades do cinema é a sua capacidade de moldar um determinado assunto de acordo com a produção. A sétima arte vive uma constante fabricação de realidades infindáveis e distintas. A possibilidade de criar universos contrastantes faz do cinema uma poderosa arma. Filmes podem incentivar e manter guerras – como foi amplamente feito nas décadas de 1930 e 1970, por exemplo –, denunciar problemas sociais, explicar acontecimentos e até mesmo fazer o espectador repensar alguma temática. Esse último exemplo é um cinema cujo objetivo pode ser louvável. Preconceitos, conceitos e paradigmas são refutados através de intensas produções, onde tudo vai depender do olhar que o diretor, roteirista, produtor e/ou estúdio querem dar.</p>
<p>Tabus sociais são discutidos nas telonas a partir de obras sensíveis. Uma nova perspectiva é posta em pauta quando um produto cinematográfico consegue atingir o público em larga escala. O cinema pode dar voz aos calados, força aos esquecidos e compaixão aos marginalizados. A partir desse pensamento, a Amazon Studios decidiu comprar a ideia do projeto cujo tinha como base o livro de memórias de David Sheff e o artigo de Nic Sheff. Assim nasceu um dos projetos mais sinceros e sensíveis sobre dependentes químicos. Assim nasceu <em>Beautiful Boy</em> (título original).</p>
<p><em><strong>Querido Menino</strong></em> é uma das estreias da semana nos cinemas brasileiros. O longa-metragem traz um olhar cuidadoso sobre uma das temáticas mais tabus da atualidade: drogas. A discussão levantada pelo filme e o olhar da produção sobre o assunto fazem a diferença nessa película. A perfeição do elenco em cena é emocionante e envolvente. A direção de Felix van Groeningen é cuidadosa e só amplia a mensagem de sua nova película. O roteiro mescla momentos de dor e alegria com o objetivo de mostrar uma perspectiva que abraça o dependente e verdadeiramente tenta ajuda-lo. A partir desta quinta-feira (14), o público do Brasil tem a chance de abrir a mente e o coração para entender e ser tocado por essa história real extremamente forte.</p>
<p>O conhecido escritor e jornalista, David Scheff (Steve Carell), se vê perdido ao descobrir que seu filho mais velho, Nic (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina. Com o conhecimento da situação, a família entra em crise. David passa a refletir sobre a infância do filho enquanto estuda a fundo sobre drogas e as questões da dependência. Já Nic enfrenta os diversos ciclos vividos por dependentes químicos – a abstinência, as reações biológicas pela falta da droga, a recaída, a tentativa de melhora etc. Em meio a esse turbilhão de idas e vindas entre pai e filho, eles dois e todo o restante da família precisarão achar uma forma de lutar com os seus demônios para conseguirem viver as suas vidas.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9954" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/2615179.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Querido Menino" width="610" height="348" /></p>
<p>Felix van Groeningen (<em>Alabama Monroe</em>, de 2012) retorna as telonas com uma jornada biográfica sensível. A sua primeira produção americana se destaca pela sutileza e atenção ao discurso sobre a dependência de drogas. <em><strong>Querido Menino</strong> </em>é uma narrativa acolhedora na qual o espectador vislumbra as dores de cada um dos envolvidos sem discriminar e excluir qualquer pessoa, principalmente o dependente. O trabalho do diretor amplifica esse olhar cuidadoso a partir de cenas cheias de emoção e beleza. As cenas são filmadas de tal forma que o público cria uma identificação imediata a partir dessa aproximação entre imagem, narrativa e realidade. Felix elaborou um diálogo perfeito entre os acontecimentos da trama e a ideia central dela, dando a película a força necessária para fazer com que o espectador reflita sobre a maneira como a sociedade maltrata o dependente e o quanto isso interfere negativamente ao processo de melhora dessa pessoa.</p>
<p>Ao lado de Luke Davies, Felix também assina o roteiro dessa peça delicada sobre afeto. Uma narrativa criada a partir de um olhar sem preconceitos e/ou julgamentos. A adaptação foi feita com base nos relatos das personagens principais da trama, o que ajudou na veracidade do texto. A escolha dos momentos emotivos é perfeita e conduz o espectador para fora da caixa predisposta socialmente sobre a temática. O público sai do lugar comum e e aproxima do sofrimento do outro. É admirável a inteligência do roteiro ao abraçar uma causa e fazer dela verdade para todos os que estão assistindo a essa narrativa. A vida dos Sheff foi cuidadosamente reconstruída para vencer o preconceito.</p>
<p>Toda a força do roteiro é transmitida pelo elenco em cena. Steve Carell está excepcional. O medo, a dor e a incerteza de sua personagem são constantes em suas cenas. A sua presença cênica engrandece a verdade da película e dá força na transmissão de sua mensagem. Timothée Chalamet mostra seu talento em sua melhor performance da carreira. Depois de <em>Call Me By Your Name</em> (2017), o jovem ator ainda consegue surpreender a crítica e o público com a sua desenvoltura como Nic Sheff. Além da mudança física para a personagem, Chalamet impressiona pela maturidade em cena que acompanha Carell. Além dos dois, a produção ainda conta com Maura Tierney e Amy Ryan as quais ajudam a compor essa família desestruturada que luta pela vida de um filho. Um conjunto de artistas perfeitamente escolhido para viver cada um desses papeis.</p>
<p><em><strong>Beautiful Boy</strong></em> encanta a todos desde a sua estreia no Festival de Toronto. A direção, o roteiro e o elenco trabalham lado a lado para compor uma atmosfera dura e sofrida que, ao mesmo tempo, consegue ser extremamente delicada e atenciosa ao assunto. A descoberta da dependência, os embates entre a família, as recaídas de Nic e todos os outros problemas da trama reforçam a sua verdade. A produção tem o máximo de cuidado em honrar a sua luta contra o preconceito e as memórias das figuras reais que estão sendo retratadas. Todos esses esforços são positivos e alcançam o seu objetivo porque, ao final da sessão, o espectador estará refletindo sobre conceitos como família, afeto e dependência química. Apesar da qualidade do filme e de suas nomeações em algumas premiações, <em><strong>Querido Menino</strong></em> ficou de fora na corrida pelo Oscar.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GGIJJENXQlQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jan 2018 14:31:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Armie Hammer]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Me Chame Pelo Seu Nome]]></category>
		<category><![CDATA[Movie]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
		<category><![CDATA[Timothée Chalamet]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em tempos de discussão sobre homofobia e preconceitos em geral, Me Chame Pelo Seu Nome chega aos cinemas para trazer um lado da moeda pouco explorado. Estamos acostumados a ver filmes em que homossexuais são discriminados pelos outros e sofrem com a sociedade ao redor. Neste longa, o foco é a dificuldade de aceitação do próprio personagem, o acolhimento dos pais e a descoberta do amor. O longa conta a história de Elio, um jovem francês que passa as férias [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de discussão sobre homofobia e preconceitos em geral, <em>Me Chame Pelo Seu Nome</em> chega aos cinemas para trazer um lado da moeda pouco explorado. Estamos acostumados a ver filmes em que homossexuais são discriminados pelos outros e sofrem com a sociedade ao redor. Neste longa, o foco é a dificuldade de aceitação do próprio personagem, o acolhimento dos pais e a descoberta do amor.</p>
<p>O longa conta a história de Elio, um jovem francês que passa as férias de verão com a família no sul da Itália. Os pais recebem um jovem acadêmico para hospedar por um tempo e ajudar o pai em uma pesquisa. A chegada do estranho muda completamente a dinâmica da casa e, especialmente, de Elio.</p>
<p>Baseado no romance homônimo do escritor André Aciman, o filme narra o envolvimento de Elio e Oliver, desde o começo da conversa, quando ele apenas rejeita a atração instantânea que sente pelo estranho. O longa é um presente aos olhos do espectador, que se encanta com as tomadas de cena no verão italiano, cheio de sol e cenários belíssimos.</p>
<p>O ritmo do filme escolhido pelo diretor Luca Guadagnino é agradável e consegue envolver ainda mais o espectador. Ele não tem pressa ao mostrar o envolvimento dos protagonistas, as descobertas, o sentimento que vai crescendo. Quando as coisas finalmente começam a acontecer, o espectador já está tão envolvido que torce ferozmente para que tudo se resolva. É definitivamente apaixonante.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8606" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/01/591268.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Aliás, acredito que uma boa definição do filme seria: um filme de amor puro e delicado, que acontece de ser entre homossexuais. Embora uma coisa não possa ser dissociada da outra, a relação ser gay ou não é mais um detalhe na trama, que trata muito mais do sentimento. Majoritariamente, embora o filme fale do preconceito, da aceitação e das escolhas feitas em prol da sociedade, o foco principal é o sentimento amor.</p>
<p>O roteiro é muito cuidadoso ao tratar da temática. Você se envolve com cada sentimento que vai surgindo, entendendo o protagonista e suas dúvidas. Ele nega a sexualidade no começo, pois ele mesmo tinha preconceito com isso, como é mostrado em determinada cena. Mas a evolução de percepção também é explicada. Desde a tentativa de Elio de se interessar por mulheres, até a aceitação de que realmente está se apaixonando por Oliver.</p>
<p>O filme é encantador e apaixonado. O espectador se envolve tanto que chora e torce em todas as cenas. A atuação dos protagonistas é excelente, especialmente de Armie Hammer, que finalmente está recebendo a oportunidade de mostrar todo seu potencial. A combinação dele como o jovem Timothée Chalamet deu muito certo, trazendo ainda mais sinceridade aos sentimentos que envolvem a trama.</p>
<p><em>Me Chame Pelo Seu Nome</em> é um romance e um drama cuidadoso e cheio de lindos cenários para envolver ainda mais o espectador. O filme é digno de suas indicações ao Globo de Ouro 2018 e promete ser visto ainda em outras premiações.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7yCwv8FjidU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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