O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 será apresentado ao mundo nesta quinta-feira (22) e, com ele, a estreia no Brasil de Marty Supreme. O novo longa-metragem do diretor e co-roteirista Josh Safdie (Joias Brutas, de 2019) é a grande promessa do tão aguardado prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido, de 2024). Com duas vitórias nos principais prêmios do cinema estadunidense, Timothée desponta como favorito para levar o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
O mérito dessa possível vitória vem de uma clara conexão entre Safdie e Chalamet. O roteiro coescrito pelo diretor e por Ronald Bronstein (Bom Comportamento, de 2017) – parceiro dos irmãos Safdie em outros projetos -, é uma ode aos trambiques, chiliques e ataques de grandiosidade do personagem interpretado por Timothée. A epopeia de desventuras e erros descreve um arco perfeito do anti-herói. Marty Supreme é uma história sobre alguém que não gostaríamos de torcer, mas somos compelidos à pela interpretação hipnotizante de Timothée.
Marty Mauser incomoda. Ele irrita, gera constrangimento e gargalhadas com os absurdos que ele fala, vive e age. A tecitura que desenha a complexidade do personagem-título escrito por Safdie e Bronstein é o ponto alto de Marty Supreme e é, igualmente, a maior vantagem que Chalamet carrega em sua atuação. Assisti-lo falando discursos de grandeza, recheados de uma lógica de malandragem juvenil e sonhos (im)possíveis é um show à parte. Parece que a persona que tentam pintar do ator desde seu discurso no Actor Awards do ano passado se mistura com a história do personagem, criando uma narrativa extra fílmica – que é tão hilária e absurda quanto a de Marty Mauser.

Esse conjunto pitoresco de acontecimentos misturado à prepotência do personagem tornam Marty Supreme um estudo de caso fascinante. O azar (ou a sorte) que rondam Marty Mauser é tão curioso quanto os absurdos vividos – ou ditos – por ele. E é em meio ao turbilhão de crimes, enganações e desventuras que o público se vê completamente hipnotizado por Chalamet. O burburinho pelo seu trabalho não é por nada. O filme é ele. A espinha dorsal de tudo de mais absurdo e coeniano que acontece em tela só chega com essa força, graça e choque porque Timothée encarna Marty Mauser com maestria.
A promessa de um prêmio da Academia para o ator estadunidense não é de hoje. Desde sua grande performance em Me Chame Pelo Seu Nome (2017) que Chalamet se tornou um nome muito cotado e observado em Hollywood. Talvez o que faltasse antes ao ator era essa mística de aproximação com um personagem tão insano e imprevisível para propulsionar o seu bom trabalho. Timothée faz em Marty Supreme algo que impressiona por provar que, mesmo com apenas 30 anos, ele tem uma extensão cênica invejável.
Com todo esse burburinho e algumas vitórias já conquistadas pelo ator por Marty Supreme, a vitória no Oscar já soa quase certa. Os próximos prêmios serão cruciais para esclarecer melhor suas possibilidades. Tanto o Actor Awards como o BAFTA serão fortes termômetros sobre sua chance de enfim levar para casa um Oscar. No entanto, Timothée não está longe de ter um forte concorrente, ao menos, nesse seu caminho para a glória com a Academia.
Wagner Moura (O Agente Secreto, de 2025) tem vencido os principais prêmios desse circuito mais ‘alternativo’ de premiações. Sua vitória no Globo de Ouro também propulsionou suas chances e, se o Chalamet puder temor alguém, essa pessoa é nosso conterrâneo. Ainda que Timothée siga com chances mais claras, inclusive por conta de toda sua campanha, não é hora de descartar essa outra possibilidade. O futuro do ator e seu papel em Marty Supreme ainda trarão boas surpresas até a aguardada noite do Oscar.
Direção: Josh Safdie
Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler Okonma (Tyler, the Creator), Abel Ferrara e Fran Drescher
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