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	<title>Arquivos Robert Pattinson - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Robert Pattinson - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Drama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:56:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (Rivais, de 2024) e Robert Pattinson (Mickey [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rivais/"><em>Rivais</em></a>, de 2024) e Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mickey-17/"><em>Mickey 17</em></a>, de 2025). <strong><em>O Drama</em></strong> estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) e já chega como um filme que dividirá opiniões.</p>
<h3>O Texto</h3>
<p>Escrito pelo cineasta Kristoffer Borgli (<em>O Homem dos Teus Sonhos</em>, de 2023), o roteiro tem como base de sua premissa desestabilizar um dos sacros momentos de narrativas românticas: o casamento. Com um segredo que vem à tona &#8211; e que merece ser guardado a sete chaves até que você assista ao filme -, o casal às vésperas da tão sonhada cerimônia se veem perdidos com as revelações e o que elas colocam em jogo. Talvez o mais comum recurso de <em>storytelling</em> quando o assunto é relacionamento no cinema é expor algo do seu interesse amoroso que choque e coloque em prova o sentimento. O problema é que o que é revelado em <strong><em>O Drama</em></strong> é muito maior do que qualquer <em>plot</em> comumente usado em comédias românticas.</p>
<p>Talvez o maior mérito de Borgli seja a escolha do que subverter em seu novo longa-metragem. A partir de trabalhos anteriores, já é possível perceber uma linha criativa que gosta de esgarçar os limites imaginativos de certas situações e convenções da vida e, desta vez, ele resolve invadir o imaginário do sonho casamenteiro para desestabilizá-lo por inteiro. Pôr em jogo a dinâmica, a confiança e até os desejos do casal a partir da revelação de um segredo desconcertante vira o jogo de ponta cabeça e faz de <strong><em>O Drama </em></strong>um filme que merece sua atenção.</p>
<p>É no momento da revelação que o filme se configura como esse drama psicológico. A doçura e o cuidado comuns de uma comédia romântica são descartados e dão lugar a uma onda de paranoias e inseguranças que inundam a narrativa. O que era uma bela história de amor se torna uma frenética corrida contra esse elefante na sala que passou a habitar as vidas de Emma e Charlie (respectivamente, Zendaya e Robert). Apesar da tensão palpável, o roteiro de <strong><em>O Drama</em></strong> tem um sadismo genial que satiriza tudo aquilo a ponto de gerar momentos divertidamente desconfortáveis, onde a única saída do espectador é literalmente rir de nervoso pelo desconforto visto na telona.</p>
<h3>O Diretor</h3>
<p>A direção, também assinada por Borgli, faz questão de criar imagens de puro desconforto. Sejam os <em>flashbacks</em> que vão, aos poucos revelando os segredos, sejam os momentos de confronto imaturo e despreparo do casal, há um claro esforço do cineasta em construir a atmosfera mais desconfortável possível durante o filme. Não existe tempo de respiro entre as cenas, é um turbilhão de momentos estranhos, incômodos e vilmente hilários. <strong><em>O Drama</em></strong> parece ser orquestrado por uma máxima de delírios do &#8216;e se&#8217;. Como se o diretor quisesse colocar o próprio espectador em cheque junto dos seus personagens.</p>
<figure id="attachment_20574" aria-describedby="caption-attachment-20574" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20574" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg" alt="O Drama (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG.jpeg 1101w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20574" class="wp-caption-text">Zendaya e Robert Pattinson em cena de &#8216;O Drama (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao trazer o público para tão perto, tudo se torna ainda mais desconcertante. O riso não vem pela graça, mas como um mecanismo de defesa da mente para lidar com o que não é possível de se acreditar e/ou resolver. Confrontar os delírios e absurdos vistos em tela geram uma profusão de emoções que acabam, normalmente, saindo como uma gargalhada de desconforto. Por essa razão, <strong><em>O Drama </em></strong>facilmente divide opiniões. O que incomoda instiga ao mesmo tempo que afasta e esse é o maior trunfo &#8211; e o maior risco &#8211; da produção.</p>
<p>Outro ponto que pode ser controverso é o próprio segredo que mexe com um tema muito caro ao público estadunidense. Apesar de ser algo delicado, não é tratado de forma leviana no filme. Na verdade, o segredo ser o que é vem como uma crítica sobre um estigma social e geracional que persegue e rui diariamente o (nada estável) país. E a forma como Borgli trabalha isso no longa é deliberadamente ácida para incomodar. Ele faz questão de tocar na ferida aberta e rodar o dedo até ver o sangue escorrer. <strong><em>O Drama</em></strong> é um filme que foi feito para incomodar, não há dúvidas nisso.</p>
<h3>O Elenco</h3>
<p>A escolha do elenco não poderia ser melhor. As oposições em cena construídas pelos atores e texto dão força para essa ode ao desconforto criada por Borgli. Por ser um projeto focado em criar e ruir relações diante dos olhos do público, era preciso acertar em cheio no <em>casting</em> para que a narrativa pudesse alcançar o seu ápice. E, não à toa, Zendaya e Pattinson foram grandes acertos. Além da incontestável química e carinho que eles trazem para a relação dos personagens, existe uma equidade de contracena que impressiona. Parece que suas trajetórias os levaram até esse momento para que eles vivessem o desmoronar desse casal fictício em <em><strong>O Drama</strong></em>.</p>
<p>Para além do <em>show</em> que Zendaya e Robert entregam por brilharem em seus papeis, o elenco secundário é outro primor do projeto. Alana Haim (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-licorice-pizza/"><em>Licorice Pizza</em></a>, de 202), Mamoudou Athie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/"><em>Tipos de Gentileza</em></a>, de 2024) e Hailey Gates (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-marty-supreme/"><em>Marty Supreme</em></a>, de 2025) merecem ser destacados por suas contribuições aos delírios do casal principal. A raiva borbulhante e impulsiva de Haim, a passividade apaziguadora de Athie e a confusão caótica de Gates são o cerne de suas interpretações e responsáveis por intensificar a equação narrativa proposta pelo roteiro. <strong><em>O Drama</em></strong> nada seria sem seus catalisadores do caos.</p>
<p>É esse equilíbrio entre o elenco, o roteiro e a direção que apontam para o caminho desejado para a narrativa: gerar um incômodo incontestável a qualquer custo. E o resultado é alcançado sem dificuldades. No entanto, é essa máxima que pode afastar uma parcela de pessoas de <strong><em>O Drama</em></strong>. Ainda assim, a intencionalidade desse navio naufragando é também o que há de mais fascinante na narrativa. O filme funciona porque seu elenco cumpri com a missão de tornar palatável a confusão insana de sua história &#8211; e faz isso com uma comicidade ácida tão desconcertante quanto seu roteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kristoffer Borgli</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Hannah Gross e Jordyn Curet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eJ7_iPylqS4?si=f132P3PJ0dPY_pBJ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Mickey 17</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 14:45:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado na obra literária de Edward Ashton, Mickey 17 é uma mistura de sci-fi e sátira política que marca o retorno do cineasta coreano Bong Joon-ho depois do fenômeno Parasita, vencedor do Oscar de melhor filme na edição de 2020 da premiação da Academia. Marcado por constantes adiamentos do seu lançamento e pela dúvida a respeito da influência da qualidade final do longa nessas decisões, Mickey 17 estreia enfim nos cinemas com um resultado que não chega a ser catastrófico, mas que pode ser moderadamente decepcionante para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado na obra literária de Edward Ashton, <strong><em>Mickey 17 </em></strong>é uma mistura de sci-fi e sátira política que marca o retorno do cineasta coreano Bong Joon-ho depois do fenômeno <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-parasita/"><em>Parasita</em></a>, vencedor do Oscar de melhor filme na edição de 2020 da premiação da Academia. Marcado por constantes adiamentos do seu lançamento e pela dúvida a respeito da influência da qualidade final do longa nessas decisões, <em>Mickey 17</em> estreia enfim nos cinemas com um resultado que não chega a ser catastrófico, mas que pode ser moderadamente decepcionante para quem nutria expectativas sobre esta incursão de Bong Joon-ho no cinema de língua inglesa.</p>
<p>Em<strong><em>Mickey 17</em></strong>, Robert Pattinson interpreta o personagem-título, uma das cópias dispensáveis de Mickey Barnes, um sujeito que se alista para uma missão espacial empreendida por um político de inclinações duvidosas. A cada novo teste perigoso realizado pela expedição que resulta na morte do personagem de Pattinson, uma nova versão dele é impressa e um outro ciclo de experimentos é iniciado em prol da colonização de um planeta invernal.  Acontece que durante o processo um movimento revolucionário acaba sendo fomentado quando Mickey 17 é dado como morto e uma nova cópia do personagem é feita.</p>
<p><em><strong>Mickey 17 </strong></em>consegue preservar aquele tom peculiar entre comédia e crítica social e política peculiar nos trabalhos de Bong Joon-ho. Ainda assim, é um filme que parece disperso entre os seus diversos núcleos de personagens e a jornada do próprio protagonista, não aprofundando seu comentário nos tópicos que coloca em discussão como a ética de experimentos científicos, a colonização e o uso de crenças para a manipulação política.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19298" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1.png" alt="Mickey 17" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa tem um ótimo elenco, mas não consegue trazer mais desses personagens para além de suas funções na crítica social e na ação que o realizador propõe. Robert Pattinson até que se esforça, mas a polarização da personalidade entre as cópias do seu personagem me parece o caminho mais simples, ainda que seja curiosa a &#8220;mediocridade&#8221; que tenta imprimir nos personagens, fazendo de Mickey Barnes uma espécie de herói ordinário que se adequa bem às pretensões de Bong Joon-ho. Sua parceira de cena Naomi Ackie (nome em ascensão pelas suas boas interpretações em filmes como I wanna dance with somebody e Pisque Duas Vezes) até tem os seus momentos, mas a escrita da personagem não extrapola a superfície. Com figuras que desde o princípio pareciam marginais na história, Mark Ruffalo e Toni Collette acabam roubando a cena como o casal por trás de todo o programa de colonização da narrativa.</p>
<p><strong><em>Mickey 17 </em></strong>tinha diversos elementos que prometiam um retorno promissor de Bong Joon-ho pós-Parasita. É possível que o filme agrade a alguns fãs do gênero e do diretor. Particularmente, ainda que tenha os seus bons momentos, o longa é um trabalho morno do cineasta, bem distante da efervescência criativa, do discurso enérgico e da complexidade psicológica de seus trabalhos anteriores.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Bong Joon Ho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Naomi Ackie, Steven Yeun</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Txuvq-K8kQo?si=icXFkOB4TdFdS7Nn" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial Batman: Pontos Altos e Baixos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 14:08:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Das HQs para seriados de TV live action, franquias cinematográficas e animações, o universo do homem morcego já foi explorado de diversas formas pelo audiovisual. Entre focar na própria trajetória de Bruce Wayne/Batman e entregar enredos de seus antagonistas ou coadjuvantes, é difícil imaginar o que ainda pode causar impacto ou quais novas perspectivas podem ser trazidas ao se trabalhar dentro destas adaptações. No entanto, Matt Reeves (Deixe-me Entrar) pegou o bastão de Tim Burton, Joel Schumacher, Christopher Nolan e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Das HQs para seriados de TV <em>live action</em>, franquias cinematográficas e animações, o universo do homem morcego já foi explorado de diversas formas pelo audiovisual. Entre focar na própria trajetória de Bruce Wayne/Batman e entregar enredos de seus antagonistas ou coadjuvantes, é difícil imaginar o que ainda pode causar impacto ou quais novas perspectivas podem ser trazidas ao se trabalhar dentro destas adaptações.</p>
<p>No entanto, Matt Reeves (D<em>eixe-me Entrar</em>) pegou o bastão de Tim Burton, Joel Schumacher, Christopher Nolan e tantos outros e trouxe o seu olhar para este novo <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman/"><strong><em>Batman</em></strong></a>. Dentro desta perspectiva, é possível dizer que Reeves foi feliz em sua direção e roteiro – que escreveu ao lado de Peter Craig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bad-boys-para-sempre/"><em>Bad Boys para Sempre</em></a>) – e conseguiu entregar um resultado digno e equilibrado. Ainda assim, alguns elementos poderiam ter sido realizados de forma mais precisa, aumentando a qualidade da obra.</p>
<p>Pensando na produção como um todo, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> reuniu os pontos altos e baixos do <strong><em>Batman</em> </strong>de Reeves neste especial. Confira!</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15319" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman.jpg" alt="Batman" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-batman-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5><strong>PONTOS POSITIVOS</strong></h5>
<p style="text-align: center;"><strong>Criação e Construção de personagens</strong></p>
<p>Um dos maiores ganhos do novo <em>Batman</em> é forma como as personagens são trabalhadas dentro do longa-metragem. A começar pelo próprio Batman. Há aqui uma dualidade marcante entre o super-herói e Bruce Wayne, na qual esta dicotomia é marcada de forma expressiva. Trajando as suas vestes de vigilante, Wayne é forte, imponente e calculista. Já sem a sua armadura, ele é possui uma postura quase de adolescente, com um olhar melancólico e frágil. Este mérito para a complexidade de Bruce vem tanto do roteiro quanto do trabalho de Robert Pattinson (<em>Crepúsculo</em>), que compreendem a necessidade de imprimir camadas para o herói, revelando, principalmente, de maneira imagética, menos do que nos diálogos, as vivências e traumas de Wayne. Além deste cuidado na elaboração do papel principal, os vilões e coadjuvantes também ganham um olhar especial aqui. Todos possuem, em alguma medida, um background que ganha certo tempo de tela, sem que o rumo da trama principal seja perdido. As interpretações são orgânicas e mesmo que sejam figuras embebidas de sua porção de caricatura, elas possuem fluidez na cena, com movimentações e falas que não soam artificiais. Talvez, os únicos incômodos neste sentido sejam Selina (Zoë Kravitz), que não tem tantos contornos assim, e o Charada, de Paul Dano, que carrega nas tintas em seus monólogos.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Música Original</strong></p>
<p>Conhecido por possuir uma obra marcante em filmes como <em>Os Incríveis</em>, <em>Rogue One: Uma História Star Wars</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-zootopia-essa-cidade-e-o-bicho/"><em>Zootopia</em> </a>e séries como <em>Lost</em>, Michael Giacchino tem um traço bastante característico em sua obra: o equilíbrio de criar composições emblemáticas, sem retirar o foco da narrativa. Em <em>Batman</em>, ele segue neste mesmo fluxo. Há aqui um estabelecimento de atmosfera, através de suas músicas e um fomento das emoções necessárias que cada sequência precisa passar. Toda a passionalidade, melancolia e ausência de sanidade são apresentadas pelas sonoridades convocadas por Giacchino. As repetições de temas, que muitas vezes cansam o espectador em obras de super-herói, neste filme são positivas, pois elevam a potencialidade tanto em termos de ação e suspense, como dos momentos trágicos. Há uma espécie de nostalgia que ronda o que Michael compôs e isto acaba por construir um universo extra fílmico, que é esta bagagem do mundo pregresso criado por Batman, existente em múltiplas décadas, em suas tantas adaptações. Assim, existem as particularidades desta nova adaptação, mas uma personalidade musical que extrapola a obra especificamente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Condução do ritmo</strong></p>
<p>Apesar de possuir uma queda qualitativa a partir de seu terceiro ato, a maneira como Matt Reeves conduz o ritmo de seu longa é um dos pontos mais altos de <em>Batman</em>. As ações tomam tempo para acontecerem e esta é a principal razão para que as personagens sejam tão bem construídas. Além disso, há uma imersão intensa do público com a narrativa, porque este cuidado no olhar de Reeves cria um reconhecimento que torna especiais os elementos que são trazidos na trama. São diversas camadas exploradas ali, como a relação de Bruce com o jovem garoto que perde o pai, a sua relação com Alfred (Andy Serkis) ou a profundidade dos crimes que estão acontecendo em Gotham. Em cada revelação, cada mistério desvendado, cada charada solucionada, é como se o espectador virasse a sua página da HQ, porque há uma consciência de Reeves em trabalhar as descobertas de Bruce, juntamente com as de quem assiste, o que aumenta a emoção ao acompanhar aquela aventura.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15318" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/poltrona-the-batman-critica.jpg" alt="Batman" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/poltrona-the-batman-critica.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/poltrona-the-batman-critica-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/poltrona-the-batman-critica-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/poltrona-the-batman-critica-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h5><strong>PONTOS BAIXOS</strong></h5>
<p style="text-align: center;"><strong>Queda qualitativa</strong></p>
<p>Apesar de apresentar um filme com um resultado total positivo, há um momento de virada na trama de <em>Batman</em> e, a partir disto, acontece uma demora para os encaminhamentos do desenlace. No início do terceiro ato, enquanto Bruce tenta descobrir quem é o “rato” e o Charada, ao mesmo tempo, pequenas gorduras atrasam o desenvolvimento do desfecho do filme, deixando o seu final um tanto cansativo. A sensação é a de que são realizadas muitas voltas até que se chegue no cerne da questão: o amadurecimento deste Batman, de Reeves, que possui um ar de rebeldia juvenil e precisa direcionar melhor as suas emoções para ser um herói mais justo e de propósitos menos egoístas. No entanto, para realizar tal intento, pequenos empecilhos são postos, mas eles são tão óbvios – como a captura do Charada ou o comício de Bella Reál (Jayme Lawson) –, que a qualidade do encerramento da obra é menor do que seu restante. Este “tomar seu tempo” que percorre a narrativa é um ganho sim, porém quando o sentido disto se esvazia, com direcionamentos ingênuos, esta característica deixa de ser boa para ficar enrolada.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Algumas escolhas da direção</strong></p>
<p>Novamente, é preciso salientar que, em termos gerais, a direção de Matt Reeves é consciente e efetiva. Os movimentos de câmera e enquadramentos são pensados de maneira pontual e seu interesse aqui parece ser o de convocar uma direção mais discreta e focar em dar destaque para a personagem central. Inclusive, para criar este homem morcego mais sensível e melancólico, que se guia mais por suas emoções do que pelo coletivo, Reeves se vale de diversos momentos de close, por exemplo. Todavia, é nesta vontade de investigar Wayne tão de perto que Matt falha em certas sequências. Este é um longa de super-herói, no final das contas, e que possui seu teor de ação, aventura e suspense. Desta maneira, quando os enquadramentos ficam tão fechados em dados instantes, o espectador acaba por ter suas sensações de emoção esvaziadas. Além disso, esta estratégia torna mais complicado de acompanhar as lutas mais amplamente, principalmente na cena da fuga de Wayne da polícia, quando o quadro fica bastante fechado, após ele pular do prédio, dificultando a fruição e causando certo estranhamento – que poderia até ser positivo, se não quebrasse o ritmo e a observação deste voo do Batman.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Mulher-gato</strong></p>
<p>A Mulher-gato é uma personagem icônica, tanto nos quadrinhos como no audiovisual, por conter uma personalidade expansiva e sempre estar no limiar entre vilã e par romântico de Bruce Wayne. A Catwoman vivida por Zoë Kravitz não é de todo mal, por assim dizer. Contudo, ainda que a construção da atriz seja bem feita – com tônus e gestos precisos e toda a consciência corporal que a personagem necessita –, a questão aqui é a repetição de padrões de figuras femininas em filmes de super-heróis. Selina tem elementos empoderados, mas a postura da personagem sempre seguiu algo semelhante ao que é mostrado neste <em>Batman</em> de Matt Reeves. Talvez, o que incomode aqui é o quanto ela é fragilizada na presença de Wayne e como o olhar dele para Selina é viciado e até moralista. Há uma sequência na qual a jovem precisa explicar para o milionário que a sua relação com um dos vilões não é sexual e ele passa a respeitá-la novamente, após a revelação. É como se esta Mulher-Gato impressa aqui fosse uma Selina cheia de idealizações. Neste sentido, o que acaba por ocorrer é quase uma confusão de quem é esta figura de verdade. A sua personalidade fica sufocada por Bruce e não há espaço para que ela possa ser desenvolvida. A Selina de Reeves vive assim a chamada “Síndrome de Trinity”, termo criado pela jornalista Tasha Robinson, que fala justamente sobre esta mulher forte que, na verdade, é uma mera <em>sidekick</em>, que não tem suas habilidades evidenciadas e acaba sendo aqui o papel mais planificado dentro da narrativa.</p>
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		<title>Crítica: Batman</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 03:05:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado Batman, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (Tenet), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo hater gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto. Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado <em><strong>Batman</strong></em>, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet</em></a>), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo <em>hater</em> gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto.</p>
<p>Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos holofotes, amargura os acontecimentos do passado e se dedica ao objetivo de tentar aliviar os horrores que sua cidade passa. Ele é um justiceiro nato que trabalha junto com as forças policiais almejando dar um pouco de tranquilidade às ruas violentas de Gothan.</p>
<p>Sombrio e apático, a atenção do Batman é chamada pelo novo vilão, o Charada (Paul Dano, <em>Os Suspeitos</em>), que mata políticos importantes e faz questão de deixar sua marca registrada em todos os crimes. Ele é misterioso e, ao mesmo tempo, extravagante, deixando a cidade em polvorosa com a situação. Wayne rapidamente decide investigar as suas motivações e qual seria a sua identidade verdadeira.</p>
<p>Com um cenário obscuro do submundo do crime, o filme tem uma paleta de poucas cores, contrastada apenas pela existência de belíssimas fotografias de pôr-do-sol, em momentos chaves que conversam diretamente com mudanças de trajetórias do protagonista. É quase que uma vibe emo bem divertida de acompanhar. Mas não espere que o filme seja engraçadinho. Embora ele tenha seus momentos de alívio, normalmente traçados pelo sarcasmo, quase não vemos sorrisos ao longo da trama.</p>
<p>Assombrado pelo seu passado, Bruce mostra que tem pouquíssima paciência para lidar com a sociedade. Ele tem consciência da sua presença e não se furta de chegar nos lugares como se fosse dono deles. Nada se torna um empecilho para que ele investigue aqueles crimes e descubra quem é o charada. É como se sua dor fosse completamente convertida em proatividade na hora de tomar decisões e agir. Ainda assim, o diretor Matt Reeves (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-planeta-dos-macacos-a-guerra/"><em>Planeta dos Macacos: A Guerra</em></a>) faz questão de deixar claro que aquela é uma versão juvenil do personagem. Portanto, ele toma decisões erradas e foge de lidar com as burocracias do dia a dia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O surgimento da Mulher-Gato é um bom ápice da trama, que passeia com muita naturalidade em todas as introduções de personagens. Zoë Kravitz (<em>Big Little Lies</em>) veste perfeitamente o papel, se dedicando à intensidade das emoções e confusões da personagem. Ela e Pattinson têm uma excelente química de cena, tornando todos os momentos juntos como um grande alívio ao espectador. A projeção do romance entre eles é igualmente gostosa de acompanhar.</p>
<p>Ao longo de quase 3h de duração, <strong><em>Batman</em> </strong>consegue manter o espectador atento o tempo inteiro, sem perder ritmo ou cansar. É um tempo justificado pela profundidade da história e como o surgimento do personagem em si foi configurado. É o tipo do filme que nem lembramos de olhar no relógio.</p>
<p>A junção de fotografia com trilha sonora impecável conferem uma tensão constante no espectador, que está sempre querendo antecipar qualquer ação. Até mesmo no começo do filme, antes do próprio Batman aparecer, já estamos na ansiedade de entender qual dinâmica ele será inserido.</p>
<p>Mas finalmente, Pattinson cumpriu o papel? Brilhantemente. Ele deixa de lado todo o estigma que ainda poderia restar e adentra numa nova era comercial. Isso porque ele já vem mostrando uma excelente qualidade de cena há algum tempo, mas escolhendo sabiamente produções mais independentes. Agora ele retorna ao circuito mais vendável com um apelo muito bom em relação ao preconceito que algumas pessoas ainda tinham por conta de sua participação em <em>Crepúsculo</em>. Como ele mesmo disse em entrevista recente, &#8220;odiar Crepúsculo é tão anos 2010&#8221;.</p>
<p><em><strong>Batman</strong> </em>é um filme sobre o início do trabalho do herói. Ele começou a atuar assim recentemente e ainda está entendendo seu objetivo naquilo tudo. Ao final, vemos ele descobrir que a vingança crua não vai te trazer o conforto que espera e somente dando esperanças às pessoas é que ele terá esse sentimento genuíno. Foi um filme que valeu a espera, em todos os sentidos!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matt Reeves</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, John Turturro, Colin Farrell, Jayme Lawson, Andy Serkis, Peter Sarsgaard</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rsQEor4y2hg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Tenet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2020 00:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É estranho voltar ao cinema depois de tanto tempo. Especialmente para nós que estávamos habituados a frequentar as salas umas três vezes por semana. A expectativa sobe ainda mais quando falamos de um aguardado filme do diretor Christopher Nolan (Dunkirk), que foi seriamente impactado pela pandemia que ainda vivemos. Tenet já foi lançado lá fora há algumas semanas e só conseguiu chegar agora no Brasil. Sendo assim, fui à cabine de imprensa com mais informação do que gostaria. Tenet nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É estranho voltar ao cinema depois de tanto tempo. Especialmente para nós que estávamos habituados a frequentar as salas umas três vezes por semana. A expectativa sobe ainda mais quando falamos de um aguardado filme do diretor Christopher Nolan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dunkirk/"><em>Dunkirk</em></a>), que foi seriamente impactado pela pandemia que ainda vivemos. <em><strong>Tenet</strong> </em>já foi lançado lá fora há algumas semanas e só conseguiu chegar agora no Brasil. Sendo assim, fui à cabine de imprensa com mais informação do que gostaria.</p>
<p><strong><em>Tenet</em> </strong>nos introduz ao personagem O Protagonista, que era agente da CIA e acaba recrutado pela organização misteriosa para uma missão confidencial e de extrema importância. É preciso se evitar a Terceira Guerra Mundial, que pode ter seu estopim com uma nova tecnologia de revés que tem o poder de afetar os objetivos e a escala temporal.</p>
<p>Nolan já é um diretor um pouco confuso na construção de narrativas e isso se torna muito mais sério neste longa, já que a história em si não facilita. O vai e vem do enredo, a inserção dos personagens e das justificativas que os levam a tomar certas decisões deixam o espectador completamente perdido em alguns momentos, sem entender exatamente qual é a ameaça ou o objetivo daquela missão. Até que isso se firme, o roteiro se sustenta muito mais do que deveria numa história secundária que envolve uma mãe batalhando pela guarda de seu filho e que acrescenta pouco ao resto.</p>
<p>E reforço aqui que a confusão não é com relação ao espaço e tempo que são alterados cada vez mais. É sobre diálogos detalhados demais de informações que ainda não foram apresentadas ao espectador, que acaba tendo dificuldade em identificar qual material é relevante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13416" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Tenet" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme vai construindo a relação com o protagonista, que continua sendo impessoal, como a maioria dos agentes especiais costumam ser. Sabemos pouco sobre ele, nada sobre seu passado a não ser o fato de que ele tem fome de vingança e treinamento surreal. Enquanto isso, a trama se tece num paradoxo de prioridades e novos personagens que vão surgindo. Temos um grande mérito de que os fios não ficam soltos e vão se encaixando à medida que a trama avança.</p>
<p>Um ponto alto da trama é a atuação dos principais personagens. John David Washington (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-infiltrado-na-klan/"><em>Infiltrado na Klan</em></a>) consegue conferir o peso que seu personagem exige, embora não coloque tantas facetas. Kenneth Branagh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinato-no-expresso-do-oriente/"><em>Assassinato no Expresso Oriente</em></a>) incorpora o clássico vilão opressivo e manipulador, que tem todas as pessoas sob seu poder, sem grandes dificuldades para isso. Ele consegue se equilibrar na linha do excesso e não cai no erro de ser canastrão. Mas o destaque fica mesmo é com Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-diabo-de-cada-dia-netflix/"><em>O Diabo de Cada Dia</em></a>), que mostra muita afinidade com o gênero do filme e cria um personagem muito natural e despretensioso. Sentimos até que ele poderia ter mais tempo de tela.</p>
<p><strong><em>Tenet</em> </strong>é um ótimo filme, mas que perde a chance de ser excelente. Enquanto passa muito tempo perdido em explicações sobre aquela missão, o espectador anseia para saber mais sobre os objetos reversos, como eles funcionam e como seria o mundo visto desta forma. Só muito no final é que temos acesso a mais informações sobre isso, como a possibilidade de duplicidade no tempo e o risco que isso confere. É definitivamente algo que o roteiro poderia explorar melhor no início. Ainda assim, existe muita lógica dentro do caos e é isso que engrandece o longa como um todo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan<br />
<strong>Elenco:</strong> John David Washington, Kenneth Branagh, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Michael Caine, Himesh Patel, Aaron Taylor-Johnson, Clémence Poésy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ASTU3rFyOm4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Diabo de Cada Dia (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2020 15:45:08 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>O Diabo de Cada Dia</strong></em> foi lançado esta semana na <em>Netflix</em> e conta com grande elenco composto por Tom Holland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-guerra-infinita/"><em>Vingadores: Guerra Infinita</em></a>), Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><em>O Farol</em></a>), Bill Skarsgård (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-it-capitulo-2/"><em>It &#8211; Capítulo 2</em></a>), Sebastian Stan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) e Jason Clarke (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cemiterio-maldito/"><em>Cemitério Maldito</em></a>). O diretor Antonio Campos, da série <em>The Sinner</em>, nos apresenta uma história bem entrelaçada que fala sobre a relação da religiosidade e os eventos que podem acontecer na vida de uma pessoa, em função da fé. Em uma construção gradativa e sem pressa, o filme vai ganhando o espectador, que fica cada vez mais interessado com os acontecimentos.</p>
<p>Willard (Bill Skarsgård) retorna da Segunda Guerra Mundial com traumas de combate e vai para sua cidade natal, um pequeno vilarejo nos EUA. Logo ele se apaixona e se casa com uma garçonete, se mudando com a família para uma casa distante da cidade. Seu filho Arvin, quando crescer, se tornará Tom Holland, o nosso protagonista aqui. Paralelo a eles, temos a constituição de um casal de psicopatas que age sem a menor dificuldade matando viajantes que pedem carona nas estradas, com um ar de sadismo e humilhação. O terceiro núcleo se completa com a mãe religiosa de Willard, que coloca a fé acima de tudo e está sempre na igreja.</p>
<p>Adaptado do livro homônimo do escritor Donald Ray Pollock, <em><strong>O Diabo de Cada Dia</strong></em> não tem pressa em construir o cenário em que os personagens estão inseridos e os episódios que levam eles a tomar determinadas decisões, mesmo que estranhas. Somos pincelados o tempo todo com as consequências diretas da fé ou da ausência dela. Como forma crítica, o filme quer nos mostrar muito mais o diabo nas ações (como já sugere o título) do que efetivamente pontuar a presença de Deus.</p>
<p>Ao começar a entrelaçar histórias que parecem distintas, o filme constrói os personagens em volta da aura de decepção e falha do divino. Funciona como pequenos capítulos de uma história que pretende se unir em algum momento &#8211; e de fato o faz. O atrativo, no entanto, acaba sendo muito mais o todo das narrativas aplicadas do que efetivamente pelo desfecho de cada uma, individualmente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13168" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/o-diabo-de-cada-dia.jpg" alt="O Diabo de Cada Dia, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/o-diabo-de-cada-dia.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/o-diabo-de-cada-dia-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/o-diabo-de-cada-dia-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O elenco é o ponto alto e a causa de <em><strong>O Diabo de Cada Dia</strong></em>. Dando um aprofundamento ainda maior na personalidade dos personagens, cada um vai expressando todo o incômodo e consequências negativas que a religiosidade pode empregar. São papéis completamente diferentes do comum para Skarsgård, Holland e Pattinson, que acabam se tornando o cerne do roteiro. O que deixa à desejar é o aproveitamento efetivo de alguns atores, especialmente Bill e Robert. Eles deixam o longa rápido demais, sem a exploração adequada de seus personagens.</p>
<p>A medida que a trama evolui, vemos que o diabo é, de fato, a própria natureza do ser humano e sua capacidade de distorção dos eventos que o rodeia. Diferentes motivações levam as pessoas a agirem da maneira errada como agem, mas a exploração disso é rasa. Falta aprofundamento das nuances de interpretação e consequências espirituais e <em><strong>O Diabo de Cada Dia</strong> </em>acaba passando muito tempo em elementos que não são tão importantes assim. A finalização do filme deixa a desejar neste sentido, pois vai para um lugar comum e usual, ao invés de seguir o rumo mais observativo e monótono da trama.</p>
<p>Mesmo com alguns tropeços, o que vemos em <em><strong>O Diabo de Cada Dia</strong></em> é uma construção intrigante e bem feita da religiosidade utilizada na sua distorção. Uma ótima escolha para o fim de semana!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Antonio Campos<br />
<strong>Elenco:</strong> Tom Holland, Robert Pattinson, Haley Bennett, Bill Skarsgård, Sebastian Stan, Jason Clarke, Harry Melling, Mia Wasikowska, Riley Keough, Eliza Scanlen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/MUS6nMMjLSk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: High Life (Now)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2020 23:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Destaque no Festival de Toronto em 2018 e lançamento no circuito comercial estadunidense e europeu no primeiro semestre de 2019, o sci-fi High Life da renomada diretora francesa Claire Denis chega para o público brasileiro direto para plataformas de locação com praticamente um ano de atraso. Isso não é novidade para esse tipo de produção que parece ficar numa zona cinzenta de indefinição de lançamentos nacionais, já que o título não é um blockbuster tampouco um dos indicados ao Oscar. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Destaque no Festival de Toronto em 2018 e lançamento no circuito comercial estadunidense e europeu no primeiro semestre de 2019, o <em>sci-fi <strong>High Life</strong></em> da renomada diretora francesa Claire Denis chega para o público brasileiro direto para plataformas de locação com praticamente um ano de atraso. Isso não é novidade para esse tipo de produção que parece ficar numa zona cinzenta de indefinição de lançamentos nacionais, já que o título não é um <em>blockbuster</em> tampouco um dos indicados ao Oscar. Ainda assim a omissão foi estranha porque Denis é uma realizadora reconhecida por sua obra e seus lançamentos sempre são aguardados por parte do público. O que é certo é que o título com Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Farol</em></a>) e Juliette Binoche (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-quem-voce-pensa-que-sou-festival-varilux-de-cinema-frances/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Quem Você Pensa Que Sou</em></a>) no elenco merecia uma estreia mais destacada no Brasil, do que esse tímido e problemático lançamento doméstico, afinal, cópias em torrent do longa já estão por ai há meses..</p>
<p><em><strong>High Life</strong></em> é uma dupla estreia para a diretora. É o seu primeiro longa em língua inglesa e sua primeira ficção-científica e logo de cara se percebe como Denis não tem muita dificuldade para trafegar por essas novidades. <em>High Life</em> é propositivo de debates como boa parte das produções de Denis com uma narrativa que foge por completo do didatismo e da pirotecnia de efeitos digitais, atingindo o âmago do gênero <em>sci-fi</em> em seus exemplares de melhor performance, sua verve filosófica.</p>
<p>Em <em><strong>High Life</strong></em>, um grupo de condenados por crimes vai parar em uma estação espacial como forma de substituir as suas penas na Terra. Lá eles acabam se submetendo aos experimentos de fertilização de uma médica obstinada nesse propósito, interpretada por Juliette Binoche. Um dos condenados mais relutantes ao projeto acaba sendo cobaia central do experimento da cientista e a repercussão dessa ação levanta ainda mais conflitos na já tensa relação entre esses personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13061" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="High Life, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>High Life</strong> </em>tem como mote central discutir a chance de redenção de figuras que no passado foram capazes de cometer atrocidades, como é o caso da personagem interpretada com muitas nuances por Binoche, mas também do emblemático &#8220;monge&#8221; vivido por Robert Pattinson, que na sua relação com uma bebê consegue vislumbrar expectativas de vida bem diferentes das que foram traçadas até então para sua jornada. O longa de Denis tem uma maneira interessante de tecer essa história, sem expor toda a biografia dos seus envolvidos e as lacunas do passado de cada um deles acabam sendo ainda mais instigante para os questionamentos que se abrem a partir dali, sobretudo no que diz respeito ao seu protagonista interpretado por Pattinson.</p>
<p>Denis usa um gênero não apenas como forma de vislumbrar um futuro ou fazer questionamentos existenciais mas como forma de desenvolver ideias sobre a convivência em confinamento daqueles personagens. O que eles são capazes de fazer com essa segunda oportunidade de vida em situações que testam ainda mais sua ética é o grande mote analítico da obra. Alguns personagens confirmam sua natureza violenta e individualista, outros encontram um novo propósito de vida e fazem uma correção de rumo, surpreendendo o público e eles mesmos por tomarem decisões inimaginadas. Essa capacidade de lançar esse olhar é o que faz da condução da diretora e roteirista um primor e tornam o filme mais um grande acerto da sua carreira.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Claire Denis<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Juliette Binoche, Mia Goth, André Benjamin, Agata Buzek, Lars Eidinger, Claire Tran, Ewan Mitchell, Gloria Obianyo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/AtOwfo1ypOw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Farol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2019 21:37:19 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que nos separa de animais? A racionalidade? A repressão dos instintos? Para chegar em seu atual estágio evolutivo, a humanidade passou por um longo processo. No início de tudo, o homem era este primata que ainda morava em cavernas e tudo girava em torno de sua sobrevivência. De certa maneira, O Farol (The Lighthouse) é sobre a degradação da racionalidade do homem em detrimento de um retorno a esse estado primitivo, irracional e instintivo. Neste sentido, não há nada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que nos separa de animais? A racionalidade? A repressão dos instintos? Para chegar em seu atual estágio evolutivo, a humanidade passou por um longo processo. No início de tudo, o homem era este primata que ainda morava em cavernas e tudo girava em torno de sua sobrevivência. De certa maneira, <em><strong>O Farol</strong></em> (<em>The Lighthouse</em>) é sobre a degradação da racionalidade do homem em detrimento de um retorno a esse estado primitivo, irracional e instintivo.</p>
<p>Neste sentido, não há nada mais instintivo do que a sexualidade. Desde Adão e Eva e o fruto proibido, a tentação carnal é aquilo que mais coloca em risco a racionalidade do homem. Por isso, tudo gira em torno desta grande figura fálica: o farol. Fugindo de seu passado e atraído pela promessa de uma remuneração melhor, o introspectivo Ephrain Winslow (Robert Pattinson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-z-a-cidade-perdida/"><em>Z &#8211; A Cidade Perdida</em></a>) aceita o emprego de ajudante de faroleiro em uma ilha deserta. Lá, além das numerosas tarefas braçais que o levam à exaustão, ele deve lidar com o complicado temperamento de Thomas Wake (Willem Dafoe, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-no-portal-da-eternidade/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>No Portal da Eternidade</em></a>), seu chefe.</p>
<p>Com tudo girando em torno desta volta ao estado primitivo do homem, acho interessante as escolhas da <em>mise-en-scène</em> de Robert Eggers (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Bruxa</em></a>), que sempre remetem a este constante estado de retorno. Primeiramente, ele opta por uma proporção de tela de 1.19:1, que serve sua narrativa em diversos sentidos.</p>
<p>Ela aumenta a sensação de claustrofobia naquele ambiente, o que por si só já é um grande paradoxo imagético. Afinal, ao redor daquela ilha há um vasto mar coberto de névoa e que se prolonga até o limite de nossa visão. Porém, ao mesmo tempo que existe essa imensidão, cria-se este senso de estar preso no meio daquela solidão. Até a piadinha com o personagem de Pattinson batendo a cabeça na parede quando chega ao seu quarto corrobora esse sentimento de enclausuramento. Eles estão presos na ilha e dentro da própria tela do filme, em constante estado de repressão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12096" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Farol" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por outro lado, se <strong><em>O Farol</em> </strong>volta justamente ao estado primitivo do homem, Eggers se aproveita e emula este retorno ao estado inicial do cinema com sua proporção de tela quadrada. Similarmente, o uso preto-e-branco acaba assumindo esta mesma função metalinguística que remete às origens do cinema.</p>
<p>No entanto, não é só em sua forma que <em><strong>O Farol</strong></em> busca este primitivismo, mas também em seu texto. Além do inglês arcaico do personagem de Willem Dafoe — algo já visto em <em>A Bruxa</em> — o filme recorre a uma visceralidade crua através flatulências, fezes, urina e masturbações. Diante daquela situação degradante e suja, os protagonistas se aproximam de verdadeiros animais.</p>
<p>Este processo de animalização vai sendo construído gradualmente por Eggers, que nos coloca na mesma posição do personagem de Pattinson. Em certos aspectos, o longa se aproxima de uma experiência sensorial bem irritante. Principalmente o som mecânico e onipresente das máquinas que beira o insuportável. Para Ephrain Winslow, tudo se resume a este teste de paciência. Até por isso, é genial como Robert Pattinson assume uma intensa fisicalidade masculina e que regride do homem cordial para um animal completamente sem controle.</p>
<p>O principal gatilho para a espiral de loucura do novato acaba sendo Thomas Wake, seu companheiro na ilha. Tudo vai se resumindo a uma intensa disputa de quem é o “mais macho” dentro daquela estrutura peniana, com a tensão sexual chegando aos extremos. As já mencionadas necessidades fisiológicas chegam a contribuir muito para esse estado de masculinidade tóxica, símbolos constantemente associados a esta figura do “machão”. Assim como Pattinson, Dafoe se reinventa em mais um papel e está nojento de um jeito fascinante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12097" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Farol" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, é curioso que, na mesma proporção que Winslow e Wake vão rumando para um primitivismo mais bruto, Eggers regride buscando referências tanto no próprio primitivismo do cinema como das artes anteriores a ele. Além do preto-e-branco e da proporção de tela<i> </i>que remetem a uma era inicial da 7ª arte, o diretor bebe um pouco de várias fontes clássicas, jamais se aprofundando em cada uma, deixando apenas o nosso imaginário trabalhar. Só para exemplificar, há todo um jogo de sombrar que remete ao Expressionismo Alemão; os contos marítimos de Herman Melville (<em>Moby Dick</em>) e os monstros H.P Lovecraft (<em>O Chamado de Cthulhu</em>); a invocação de uma mitologia marítima (sereias e Netuno); e até mitos gregos como Ícaro e Prometeu.</p>
<p>No fim, <strong><em>O Farol</em></strong>, acaba sendo uma literal escada para a loucura e obsessão que leva todos de volta para o passado. Se seu protagonista se entrega aos instintos e está obcecado com o controle por esse &#8220;pênis gigante&#8221;, Eggers parece obcecado em um formalismo estético rodeado de referências antigas que criam um terror a nível sensorial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Willem Dafoe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rwExUiQzCD0]</p>
<p><em>*Filme assistido durante exibição no <a href="http://www.festivaldorio.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Festival do Rio 2019</strong></a>.</em></p>
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		<title>Crítica: O Rei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Nov 2019 18:04:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assumir um posto que tradicionalmente já tem um modus operandi significa que precisamos assumir todas as consequências dele? O longa O Rei, uma produção da Netflix, coloca esse tema em pauta ao tratar da linha de sucessão. Henry (Timothée Chalamet, Me Chame Pelo Seu Nome) é um jovem príncipe que precisa assumir o reinado depois da morte do pai. Mulherengo, afastado da política e pacifista, ele vai precisar mudar seu estilo de vida para conseguir governar a Inglaterra. Em meio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Assumir um posto que tradicionalmente já tem um <em>modus operandi</em> significa que precisamos assumir todas as consequências dele? O longa <strong><em>O Rei</em></strong>, uma produção da <em>Netflix</em>, coloca esse tema em pauta ao tratar da linha de sucessão. Henry (Timothée Chalamet, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Me Chame Pelo Seu Nome</em></a>) é um jovem príncipe que precisa assumir o reinado depois da morte do pai. Mulherengo, afastado da política e pacifista, ele vai precisar mudar seu estilo de vida para conseguir governar a Inglaterra. Em meio a isso, a França declara estado de guerra, convocando a refletir sobre seu posicionamento.</p>
<p>A trama evolui como uma articulação política de poder e estratégia. Embora seja um filme que fale muito sobre guerra,<em><strong> O Rei</strong> </em>é muito mais sobre as discussões por trás do embate físico. Mesmo antes da morte do rei, os conselheiros já começam a se articular para conseguir &#8220;mandar&#8221; no seu sucessor. Paralelo a isso, Henry está muito mais preocupado em levar a vida com tranquilidade do que assumir um grande posto.</p>
<p>O diretor David Michôd (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-rover-a-cacada/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>The Rover &#8211; A Caçada</em></a>) coloca sua marca no roteiro, ao equilibrar cenas de negociação com a contemplação e negação do protagonista. Além disso, temos um belíssimo trabalho de trilha sonora e fotografia, que acabam funcionando como elemento-chave na construção da atmosfera de tensão e drama da história. Sim, esse é um filme de drama com alguma ação, e não o contrário.</p>
<p>Talvez por isso, inclusive, possa ter algum sentimento de frustração por parte do espectador desavisado. Especialmente quando o trailer &#8220;vendeu&#8221; a ideia de um filme de batalhas épicas. A construção da guerra, mesmo no quesito físico, é muito mais estética do que visceral. Planos abertos que valorizam a multidão e destacam determinado personagem, como se ele estivesse sendo afogado pelo regimento da época.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-750x500.jpg" alt="O Rei" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/the-king-robert-pattinson-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A escolha do elenco é um ponto alto e acertado do filme. Chalamet demonstra toda a insatisfação, revolta e aceitação que o príncipe Henry traduz. Ele é de poucas palavras, mas muitos emoções. O que se torna claro através de seu olhar e comportamento retido. Para além dele, Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/"><em>Bom Comportamento</em></a>) está excelente no papel do soberano francês. Ele mistura um pouco de loucura psicótica com a inexperiência, levando para a sua curta participação um destaque considerável.</p>
<p>Por fim, <em><strong>O Rei</strong></em> tem um leve problema de ritmo, especialmente na primeira parte. Mesmo que a proposta seja de um drama, ele acaba caminhando muito sem propósito por algum tempo, deixando o espectador num misto de confusão com o objetivo da trama e tédio. Isso acaba se revertendo a medida de Henry assume o trono e a ameaça da França se torna mais real.</p>
<p>Nada disso impede que o filme seja bem sucedido no seu propósito e nos ofereça uma obra de muita qualidade. O que é uma grata surpresa quando falamos de <em>Netflix</em>, já que o <em>streaming</em> tem um problema de bons roteiros na categoria filmes. <strong><em>O Rei</em> </strong>é uma produção contundente, um drama histórico que fala não apenas das articulações políticas, como das transformações pessoais que, por vezes, precisam ser realizadas para um propósito maior. Vale a pena conferir!</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Michôd<br />
<strong>Elenco:</strong> Timothée Chalamet, Robert Pattinson, Ben Mendelsohn, Joel Edgerton, Lily-Rose Depp, Dean-Charles Chapman, Sean Harris, Thomasin McKenzie</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/sLBLa5-W3IQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>Você pode conferir esse filme diretamente na <a href="https://www.netflix.com/watch/80182016?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C0%2C2909d2145b785506e59c13a8ddc50cd5cb712a7a%3Aad55bf45d6b8b4c5ed41aa97a0cf15eae2777c24%2C%2C" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em><strong>Netflix</strong></em></a>!</p>
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		<title>Crítica: Coringa</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:02:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Coringa é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em Batman (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (Ela) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos. Como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><strong>Coringa</strong> </em>é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em <em>Batman</em> (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em> (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><em>Esquadrão Suicida</em></a> (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (<em>Ela</em>) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos.</p>
<p>Como eu já comentei aqui algumas vezes, filmes que criam muita expectativa me preocupam, já que a chance de decepção é maior. Quando se trata de um personagem que por si só gera ansiedade, a situação fica ainda mais complicada. No entanto, afirmo sem medo que este é um dos melhores filmes dos últimos anos, não apenas no quesito de adaptação de HQs.</p>
<p>Para começar, os quadrinhos são apenas um pano de fundo para trazer uma história complexa e realista sobre a jornada de um cidadão doente abandonado pela sociedade da barbárie. Gotham City está sitiada por manifestações contra o governo. A taxa de desemprego é absurda, o lixo se amontoa nas ruas e os poderosos zombam da pobreza, como se ela fosse uma escolha. Em meio a isso, as pessoas vão se tornando cada vez mais amargas e incrédulas de um futuro melhor.</p>
<p>Arthur Fleck tem problemas mentais diagnosticados e trabalha como palhaço. A dualidade já começa aí, quando uma pessoa triste tem que colocar a máscara da alegria para fazer os outros rirem, sufocando todas as suas emoções. A frase que surge em dado momento, &#8220;o problema da doença mental é que as pessoas querem que você aja como se não a tivesse&#8221;, deixa muito claro que a sociedade pouco se importa com o que ele está passando. E isso se repente em muitos momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que o protagonista vai sofrendo repetidas investidas negativas do cenário e criando camadas de rancor, o espectador começa a entender o que levou o Coringa a se tornar alguém ruim e amargurado. Temos até lapsos de empatia, que rapidamente se dissolvem. É a sociedade do abandono para alguém que só queria se sentir minimamente importante e notado. Somos apresentados às confusões mentais do <strong><em>Coringa</em></strong>, que nos trazem questionamentos sobre a veracidade de certos fatos que estamos vendo.</p>
<p>Além disso, a cuidadosa inserção do personagem de Bruce Wayne é ainda mais gloriosa. Importante e contundente, mas passageira como deveria ser. O foco ali não é no Batman, definitivamente. Mas nos leva a questionamentos sobre uma possível interseção deste <strong><em>Coringa</em> </strong>com o Batman de Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bom Comportamento</em></a>), que deve chegar aos cinemas em 2021.</p>
<p>A grandeza do personagem é respeitada desde a sua construção inicial. A primeira cena do filme já vale a magnífica atuação de Phoenix no filme inteiro. E sim, sinto cheiro de Oscar para o papel, o que será muito merecido. Ele está incorporado no <strong><em>Coringa</em></strong>, de corpo e alma. Todas as angústias, frustrações e desesperos traduzidos em olhares e mudanças de expressão. É uma performance intensa, profunda e sem exageros. Ele consegue deixar o espectador sem ar, mas não beira o caricato. O que só prova a sua magnitude.</p>
<p>Além disso, o filme não tem grandes coadjuvantes. E não digo isso sobre as atuações dos demais. Temos Robert De Niro, por exemplo, que está ótimo, como sempre. Mas o filme não é sobre os coadjuvantes. Eles só estão ali para dar ainda mais espaço para o protagonista. E levar um filme inteiro praticamente sozinho não é tarefa para qualquer ator. Mas Phoenix já havia feito isso em <em>Ela</em> e repete o padrão aqui, com ainda mais complexidade e intensidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11449" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso pensar que o diretor Todd Phillips, que tem filmes como <em>Se Beber, Não Case</em> e <em>Cães de Guerra</em> como principais na filmografia, conseguiria nos apresentar um trabalho tão aparado e sem arestas como esse. <em><strong>Coringa</strong> </em>é um filme lapidado, sem excessos ou faltas. Todos os pontos são preenchidos e com muita maestria. Ele conta ainda com a produção de Bradley Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nasce-uma-estrela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Nasce Uma Estrela</em></a>), que tem cada vez mais se filiado a projetos grandiosos.</p>
<p>E na finalização, o filme foi ainda mais assertivo. O cuidado de deixar claro que o <strong><em>Coringa</em> </strong>não é um herói, embora a sociedade o coloque neste lugar. Ele é um reflexo personificado das doenças e mazelas daquelas pessoas abandonadas pelo apoio político. Ele é a unicidade de tantos sentimentos ruins e, por isso, não deve ser entendido como herói. O <strong><em>Coringa</em> </strong>é a sombra do que somos de pior como humanos. E o filme não se poda ao nos mostrar isso.</p>
<p>Para quem já gosta das versões anteriores do <strong><em>Coringa</em></strong>, com destaque especial ao de Nicholson e Ledger, é surpreendente como nem lembramos deles ao assistir o de Phoenix. É como se fosse a evolução casada e perfeita dos dois, que chegou ao ápice agora.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>é um filme que vai muito além de uma banal adaptação de quadrinhos. É uma produção que insere sub-textos de política, discussões sociais e doenças mentais. Tudo isso orquestrado por uma trilha sonora poderosa e calculista, que sabe exatamente onde se mostrar e onde dar a vez da atuação crua. Uma produção fascinante e memorável!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips<br />
<strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Douglas Hodge, Glenn Fleshler,</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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