O drama criminal é um gênero que tradicionalmente foi dominado por personagens masculinos algumas vezes em virtude da própria história da sociedade, marcada pela corrupção moral de um patriarcado, mas muitas vezes por um apagamento do gênero mesmo. Pontualmente, alguns cineastas promoveram releituras interessantes sobre o lugar das mulheres nesse tipo de história. Ano passado, as esposas dos gângsters assumiram o controle da ação em As Viúvas de Steve McQueen, agora As Golpistas, da cineasta Lorene Scafaria (Ricki and The Flash – De Volta Para Casa), promove algo parecido através da sua gangue de strippers liderada por uma Jennifer Lopez (Uma Nova Chance) pronta para receber sua primeira indicação ao Oscar.

Assimilando os efeitos da financeira de 2008 pelo prisma do universo dos clubes noturnos de Nova York, o longa dirigido e roteirizado por Lorene Scafaria é baseado em eventos reais narrados pela reportagem de um jornal americano sobre um grupo de strippers que aplicava golpes em ricaços de Wall Street. A reportagem falava do golpe em geral mas concentrava suas atenções em uma personagem-chave, uma stripper veterana que se tornou a cabeça do esquema.

As Golpistas

Depois do excelente (e, infelizmente, pouco visto) A Intrometida, com Susan Sarandon, e do irregular Procura-se Um Amigo Para o Fim do Mundo, Scafaria retorna com esse longa que acaba sendo um “meio termo” satisfatório entre esses dois projetos. As Golpistas tem muitos méritos como sua reconstituição fiel de aspectos culturais do final dos anos 2000 (que já é história!) além de preencher sua narrativa criminal com relações humanas baseadas em laços de gratidão e amizade de uma sisterhood construídos gradualmente na tela por Jennifer Lopez e Constance Wu (Podres de Ricos). As Golpistas assume Wu como sua protagonista e a atriz que vimos em Podres de Ricos ano passado exibe uma faceta completamente diferente nesse filme. Apesar disso, é impossível desviar o olhar de Jennifer Lopez no filme. Com uma performance magnética e afetuosa, Lopez chama a responsabilidade e o brilho do filme para si, star power puro.

Com As Golpistas, Lorene Scafaria faz um filme que não olha para os meios pelos quais suas protagonistas ganham a vida como desculpa para objetificá-las na tela. A diretora e roteirista consegue retratar suas personagens com toda exuberância, utilizando a inescapável sexualização dos seus corpos como artifício. É verdade que o filme deixa um pouco de lado o entretenimento para inserir proposições discursivas mais sérios de forte viés político, algo que soa forçado e até desnecessário em seu didatismo, até porque as leituras possíveis daquele universo estão mais do que óbvias, não precisava do “empurrãozinho” que Lorene Scafaria dá com alguns diálogos em tom de inventário da vida que estão em seu terceiro ato. Entretanto, dos males, esse é o menor pois a cineasta e suas atrizes fazem um trabalho muito preciso e gostoso de assistir.

Direção: Lorene Scafaria
Elenco: Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Keke Palmer, Lili Leinhart, Wai Ching Ho, Mercedes Ruehl, Mette Towley, Cardi B, Lizzo

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