Crítica: Uma Nova Chance

Uma Nova Chance

Comédia romântica é um gênero que está meio esquecido nos últimos anos. Depois do boom que teve nos anos 1990 e 2000, os filmes fofinhos que aquecem o coração e nos fazem acreditar no amor foram cada vez mais reduzindo nas produções, dando espaço para super-heróis, adaptações de livros, grandes franquias e thrillers assustadores. Isso se deve principalmente ao fato de que a originalidade foi sendo perdida ao longo do tempo e o espectador começou a assistir cada vez mais longas parecidos que não acrescentavam em nada.

Em pleno 2019, Uma Nova Chance cai neste problema. Maya é uma vendedora de loja que tem a oportunidade de reinventar seu estilo de vida, ao se tornar, por acidente, uma alta executiva. Em meio a novos desafios, ela vai provar que o que se aprende nas ruas vale tanto quanto um diploma universitário. Enquanto isso, enfrenta questões pessoais que moldaram a sua vida ao longos dos anos.

Jennifer Lopez invade as telonas mais uma vez como uma mulher de garra, trabalhadora, esforçada e que faz de tudo para conseguir as coisas na vida. Este é um padrão em vários filmes seus, como Encontro de Amor, por exemplo. Dando uma nova roupagem, ela agora assume o papel de mais madura, com outras questões que vão além de encontrar o amor de sua vida. Mesmo com um romance de fundo, o foco do filme é nas relações familiares e na questão profissional da protagonista.

Com um excesso de clichês, o filme vai construindo a trama de maneira muito objetiva e um tanto óbvia. Para superar o preconceito que sofre do mercado por não ter um diploma universitário, Maya acaba entrando na cilada de mentir no currículo. Logo ela consegue um excelente emprego e cargo de confiança, que a deixa tão empolgada quanto insegura. Todo seu potencial como líder de vendas vai se mostrando aos poucos e sendo colocado à prova.

Uma Nova Chance

O filme, no entanto, vai mudando este enfoque aos poucos, trazendo muito cedo um ápice que poderia ter esperado mais. A descoberta da filha da protagonista acontece sem tanta emoção, porque não houve tempo hábil para criar afinidade com as personagens. Por isso, o roteiro acaba sendo ainda mais previsível, já que depois deste evento, sabemos exatamente o que acontecerá nas próximas cenas.

Com um elenco muito bom e com ótima química, vemos alguns potenciais desperdiçados. Milo Ventimiglia aparece muito pouco e serve apenas de apoio afetivo, enquanto a própria Vanessa Hudgens, que acaba se tornando uma coadjuvante importante, não tem espaço para mostrar seus artifícios. No lugar de aproveitar a equipe, vemos apenas J-Lo. Ela está ótima, é bem verdade. Mas um filme deveria ir muito além de sua protagonista.

Com várias vertentes importantes, como a relação do diploma com a capacidade profissional da pessoa, a entrega voluntária de filhos para adoção, dificuldades que uma mulher de 40 anos enfrenta pela sua posição, o filme faz a rasa opção de seguir um manual antiquado e enfadonho de comédia romântica. É difícil pensar que o diretor Peter Segal foi responsável por Como Se Fosse a Primeira Vez, que marcou uma época quando foi lançado, em 2004.

Uma Nova Chance é genérico demais para ficar na memória, mas não chega a irritar o espectador. O que se revela um problema, se pensarmos que ele acaba sendo tão superficial que até para despertar sentimentos ruins se torna inábil. Excessivamente clichê, com um elenco mal aproveitado e ganchos de histórias não aprofundados, este é um longa que passará despercebido.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski497 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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