Cacá Diegues é um dos grandes nomes do cinema brasileiro e sua filmografia contém obras geniais, como Bye Bye Brasil, Ganga Zumba e Xica da Silva.
O cineasta merece todo tipo de homenagem, mas para um artista tão talentoso e criativo, faltou inventividade ao longa de Karen Harley e Lírio Ferreira, que seguiu com um modelo entrevista + imagens de arquivo.
Aqui, o grande incômodo é a estrutura repetitiva, na qual se vê trechos dos filmes de Cacá, entrevistas recentes e antigas, sempre criando essa sensação de circular, que entedia pela previsibilidade estrutural.
A forma como a montagem é feita pela extensa equipe de editores é interessante em si, mas na quarta ou quinta vez que as estratégias de corte são usadas, o espectador pode começar a olhar no relógio.
Ainda que seja uma sessão cansativa, a edição emociona, principalmente aqueles que apreciam a filmografia de Diegues. A interlocução entre opinião politica e as vivências de Cacá, juntamente com sequências memoráveis que ele dirigiu é um fio condutor intenso, sobretudo antes da lógica narrativa se reiterada.
A fragilidade física do artista, combinada com a admiração que todos que cercam Diegues têm por ele também é um elemento sagaz da equipe. Fica resolvido no documentário que faces distintas do realizador serão convocadas para o ecrã: do forte e “treteiro” até o mais sensível e fragilizado pela idade.
É necessário ressaltar, no entanto, que o doc flerta apenas na exploração dessa profundidade. A produção é uma ode ao diretor, mas que dá uma sensação de receio em mexer demais com uma figura como essa. O mesmo pode ser dito sobre as questões discursivas tratadas durante a projeção.
A plateia se depara com flertes sobre debates sociais, que acabam ficando rasos e rápidos. Pela intensidade do que Cacá foi, é e representa, um investigação maior de sua luta seria justo e coerente com o longa.
Desta maneira, Para Vigo me Voy é uma atitude bonita, de um cinema que respeita e valoriza sua história. Apesar de precisar de mais coesão e menos repetições, o título vale, sobretudo, pela contemplação de uma filmografia com muitos materiais geniais e essenciais para a história da arte.
Direção: Karen Harley e Lírio Ferreira



