A Voz Suprema do Blues

Crítica: A Voz Suprema do Blues (Netflix)

3.8

A Voz Suprema do Blues é mais uma produção da Netflix a disputar o Oscar 2021 em várias categorias (Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Figurino, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Design de Produção). Com Viola Davis (As Viúvas) e o saudoso Chadwick Boseman (Pantera Negra) no elenco principal, o longa acompanha a temperamental cantora Ma Rainey durante a gravação de um álbum, na companhia de seu trompista Levee e em constante tensão com a gerência branca do estúdio.

É difícil começar falando de qualquer outro ponto do filme que não sejam as atuações brilhantes do elenco, especialmente da dupla principal. Viola se dedica de corpo e alma a todos os papéis que atua, mas nem sempre está presente nos melhores projetos (inclusive é algo que precisa ser contestado urgentemente). Então não é sempre que ela tem a oportunidade de mostrar o quão maravilhosa e profissional é, enchendo os olhos do espectador em todas as cenas.

Ma é famosa, personalidade forte, corre atrás do que quer e dificilmente recebe um não como resposta. Já Levee tem uma personalidade parecida, porém mais sonhador e determinado a se tornar mais reconhecido na sua profissão, que é um dom. Juntos, mesmo que a maior parte do tempo separados, eles protagonizam discussões importantes sobre o racismo enraizado da época, especialmente no meio artístico e musical. Esse é o foco principal do filme, inclusive, tornando-se uma temática bastante atual e necessário no momento em que vivemos.

A Voz Suprema do Blues

Boseman, que já estava bastante debilitado na época da filmagem e apresenta um perfil físico bem diferente do que vimos em Pantera Negra, se dedica como o papel de sua vida. Não é fácil superar Viola Davis, mas ele consegue fazer isso em muitos momentos, chamando todos os holofotes para si e nos apresentando uma performance impecável e comovente.

O diretor George C. Wolfe (Um Momento Pode Mudar Tudo), conhecido dos palcos da Broadway, conseguiu equilibrar a ambientação característica dos anos 1920 em Chicago, com as temáticas que são inseridas, como racismo e o jazz como força de afirmação do negro da época. Vemos isso nos detalhes, como no momento em que o personagem de Chadwick compra o sapato novo para a apresentação. Embora seja uma história real, não há intenção aqui de ser um longa biográfico. E é uma escolha acertada que o cineasta faz, ao trazer a sua experiência de teatro para dar o tom do filme.

A história em si pode até seduzir o espectador, mas definitivamente não é o maior atrativo, por passear em pontos comuns que já vimos em tantos outros longas. As atuações, sim, são a alma e a essência de A Voz Suprema do Blues e são essas as indicações que merecem nossa atenção. A grande probabilidade é de que Boseman receba um Oscar póstumo, assim como já foi justamente premiado pelo Globo de Ouro. Vale muito a pena este último tributo.

Direção: George C. Wolfe
Elenco: Viola Davis, Chadwick Boseman, Colman Domingo, Glynn Turman, Jeremy Shamos, Taylour Paige, Jonny Coyne

Assista ao trailer!

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