Crítica Quartos Vazios (Netflix)

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Quartos Vazios é sobre diversas coisas, mas o documentário é, sobretudo, sobre uma perda que poderia ter sido evitada. Há muito sobre o luto, porém há mais sobre a presença na ausência, causada por uma perda prematura. Neste sentido, ainda que contenha alguns problemas como filme em si, o média-metragem apresenta um resultado coeso e redondo.

A partir da jornada de Steve Hartman, correspondente da CBS, e do fotógrafo Lou Bopp, o espectador tem um contato sensível e extremamente cuidadoso sobre a história de crianças e adolescentes mortas em tiroteios em escolas do Estados Unidos. A habilidade de Steve e Lou em tratar sobre o tema vem da escolha das palavras proferidas por eles e das imagens selecionadas para serem colocadas no filme.

É possível conhecer um pouco das meninas e meninos que tiveram suas vidas eliminadas. Os trechos selecionados de vídeos e fotos são alegres, porém um pouco fugazes. Há tempo o suficiente para emocionar o público, porém não o suficientemente para explorar as figuras destes jovens.

Ao mesmo tempo, a direção de Joshua Seftel (Stranger at the Gate) também entrega atenção e cuidado. A maneira como o cineasta escolhe os movimentos de câmera para entrar no quartos e os ângulos para entrevistar os familiares dos estudantes fazem com que se crie uma imersão profunda com a narrativa. 

O uso dos travellings lentos, por exemplo, cria um sentido de pedido de licença. É como se a plateia deslizasse para a trama e entrasse naquele espaço íntimo com reverência, através deste recurso. Desta maneira, Seftel se alinha com essa abordagem que Steven e Lou já utilizavam em seus setes anos de cobertura destes cômodos não mais habitados, olhando para eles atenciosamente para captar o essencial.

Olhando para o doc como cinema, talvez, exista muita reiteração em seu discurso. Há uma ordem de fatores que se repetem e deixa a sessão um tanto previsível. No entanto, essa característica não é extremamente nociva porque este é um tipo de material que deve ser o oposto de agradável. A sua estrutura exaustiva também pode ser utilizada para uma maior reflexão. É tudo tão igual e triste nestes tiroteios e o é também neste título. 

Desta maneira, Quartos Vazios encara uma realidade dura e trágica dos assassinatos em colégios estadunidenses, mas que possui um foco diferente de outras produções do gênero. Olhando para os resquícios de vida deixados por essas garotas e garotos, a obra celebra quem estas pessoas foram e deixa um nítido recado da importância de proteger outros estudantes, para que o mesmo que ocorreu com eles pare de se repetir.

 

Direção: Joshua Seftel

 

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Crítica Quartos Vazios (Netflix)
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