Meu Querido Supermercado

Festival É Tudo Verdade: Meu Querido Supermercado

Em um dado momento, uma das personagens de Meu Querido Supermercado fala sobre física quântica e como as partículas se movimentam diferentemente quando estão ou não sendo observadas. Neste documentário, dirigido por Tali Yankevich (The Perfect Fit), é quase isto que acontece. É como se, a partir do momento que as câmeras foram direcionadas para aquelas pessoas, todo um universo de histórias passassem a acontecer. Contudo, elas estão ali, todos os dias, enquanto as pessoas fazem compras.

Nesta lógica, é possível notável o esforço da direção em evidenciar os traços mais marcantes, divertidos e curiosos daqueles funcionários. A projeção deixa  um pensamento sobre este local e tantos outros lugares cheios de indivíduos trabalhando coletivamente. Quantos bons enredos poderiam surgir a partir da observação de espaços que passamos despretensiosamente todos os dias? Mas, não é apenas este ganho que a projeção tem. As conexões criadas entre cada narrativa que aparece na tela chegam como ganchos temáticos e imagéticos. Um exemplo é o momento em que um rapaz conta sobre o surgimento da maquiagem na civilização e, em seguida, o plano mostra uma jovem passando delineador. Estes fio condutores deixam a projeção mais leve e redonda, pois imprimem fluidez e ritmo.

A dinâmica da obra também é estabelecida pela banda sonora. Há no tom das músicas selecionadas um ar cômico, leve e lúdico, que diverte e fomenta a ambientação alegre e engraçada que o longa parece querer evocar. No entanto, ela surge insistentemente, numa repetição que, apesar de fomentar o discurso sobre o trabalho repetitivo, torna a fruição uma jornada cansativa. Esta estratégia acaba ressoando na produção como um todo.

Meu Querido Supermercado

Depois que as personagens são apresentadas, suas opiniões sobre os seus cotidianos e a lógica daquele ambiente já é conhecida, o filme emperra e carece de trazer outras perspectivas e abordagens. Mesmo que em algumas partes surjam respiros, como no flerte com a criação de uma atmosfera de terror e casos de assombração, isto é logo deixado de lado, sem maiores aproveitamos. Não ocorre, também, relato algum de descontentamento e todos contam somente que amam o emprego. O que é, no mínimo, estranho em qualquer situação.

Neste clima monocórdico, o equilíbrio das velocidades e alguns rumos mais distintos só chegam em seu desfecho, quando há uma boa conclusão para a exibição. Talvez fosse preciso avaliar se era necessário a realização de um longa-metragem ou houvesse a necessidade do montador olhar para o material bruto e encontrar novos ângulos que trouxesse sentido para 90 minutos de exibição.

Direção: Tali Yankevich

Assista ao trailer!

Confira a crítica de Collective, também do Festival É Tudo Verdade!

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