Quando se pensa em comédia romântica têm algumas coisas que são minimamente esperadas. Dentro destas expectativas, talvez, as mais importantes sejam: um casal principal com química, um impedimento digno e também bons coadjuvantes para elevar a moral do ship central e criar situações cômicas. Nada disso aparece em Um Amor, Mil Casamentos, novo filme da Netflix. Escrito e dirigido por Dean Craig (Morte no Funeral), o longa é uma junção de piadas constrangedoras, elenco pálido e sem carisma e confusões de plot.

A verdade é que o espectador pode ter dificuldade em se conectar com os romances mostrados na tela. Desde o início da história, é possível ver o par Jack (Sam Clafin, Como Eu Era Antes de Você) e Dina (Olivia Munn, Oito Mulheres e Um Segredo), uma dupla que nunca conseguiu iniciar uma relação, por conta de uma atrapalhação acontecida há alguns anos antes do casamento de Hayley (Eleanor Tomlinson, Colette), irmã do aparente protagonista. No entanto, o maior conflito da narrativa é a manutenção do relacionamento da noiva com seu novo marido. E é este o maior pecado da trama desenvolvida por Craig, que se baseou no francês Plan de table, deixar o romance principal diluído no enredo.

Um Amor, Mil Casamentos

Além disso, a proposta aqui seria a de que existiriam várias maneiras de oito pessoas sentarem em uma mesa e, teoricamente, isto seria mostrado. Inclusive, é o que sinaliza o título brasileiro – e também no original  Love. Wedding. Repeat. (Amor. Casamento. Repetir.). Porém, o tempo de exibição vai correndo e a primeira possibilidade de resultado para a festa toma a maior parte de projeção. Em seguida, flashes do que poderia ter acontecido são revelados e o texto parte para o segundo caminho. O incômodo, na verdade, não é a estratégia de selecionar apenas duas versões, mas como isto é feito de maneira totalmente arbitrária e sem propósito. A sensação que fica é a de que o espectador recebe o pior retrato e depois o que acham que ele quer ver, com os desenlaces e o final mais feliz.

Para completar a falta de habilidade de Dean, inúmeros diálogos expositivos da pior estirpe saem das bocas dos atores constantemente. Falas que começam com “você sabe que eu…” ou “Você esqueceu que…” atrapalham a experiência a situação se agrava, porque para finalizar o desastre ainda há uma narração que reitera o que já foi compreendido e o que não precisaria ser dito. O que salva um pouquinho a sessão é a presença de Bryan (Joel Fry), o “madrinho” e melhor amigo de Jack. Apesar das tiradas não serem engraçadas em si, a forma como ele as traz diverte, por ele buscar uma construção um tanto mais complexa, levando corpo e voz para o trabalho e pensando nas intenções distintas para cada situação. Inclusive, a sua parceria com Aisling Bea (no papel de Rebeca) funciona e um plot com os dois funcionaria muito mais, pois eles possuem química, no geral, além de ganharem uma sequência tocante em um discurso de Bryan.

Direção: Dean Craig

Elenco: Sam Caflin, Olivia Munn, Joel Fry, Freida Pinto, Eleanor Tomlinson

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