Têm filmes que parecem que foram feitos com o objetivo de nos fazer chorar. E embora isso seja deveras apelativo, não é exatamente um demérito quando a história é razoavelmente bem trabalhada. Este é o caso de Milagre na Cela 7, um filme turco que conta a história da menininha Ova e seu pai Memo, que tem deficiência intelectual e se comporta como uma criança. Disponível na Netflix!

O enredo evolui primeiro traçando um perfil daquela família, o amor e dedicação do pai com sua filha, que entende as limitações dele e é carinhosa. Os papéis se invertem na maior parte do tempo, mesmo a garotinha tendo uns 6 anos. Ela procura sempre proteger o pai das perversidades do mundo ao seu redor, enquanto ele quer sempre deixá-la feliz. A vovó é o pilar de responsabilidade da família, cuidando de ambos.

É neste cenário de inocência que somos apresentados às maldades das pessoas. Depois de um acidente com a colega de sala de Ova, Memo é acusado de matar a menina. Como ela era filha de um militar, ele é rapidamente mandado para a prisão e obrigado a assinar uma confissão do crime. Julgado e sentenciado, só resta à ele esperar pela pena de morte na cadeia.

Milagre na Cela 7

E é nesta cadeia que ele encontra os diversos tipos de pessoas. Memo funciona como um lapso de bondade que contamina a todos. Se de início, seus colegas de sala foram perversos, a sua inocência foi aos poucos amolecendo o coração de todos e criando uma verdadeira família. Eles logo percebem que se trata de uma acusação falsa e procuram meios para defender Memo da forca iminente. Do lado de fora, Ova busca um meio de provar a inocência do pai, juntamente com sua avó e uma professora querida.

O filme tem muito de À Espera de Um Milagre e, assim como esse, nos rendes choros do começo ao fim. Seja pela inocência dos atos, seja pelo amor que transborda ou pela maldade de alguns personagens. Tudo isso é pincelado com ótimas atuações por parte dos dois protagonistas, que tem uma química única e interação verdadeira de pai e filha. É surpreendente descobrir que se trata do primeiro filme de ambos, assim como a primeira produção do diretor.

Em uma fotografia belíssima e poética, Milagre na Cela 7 não deixa de ser um filme apelativo e previsível, é verdade. Mas não trato isso como demérito total para a obra. Ela é fofinha, cuidadosa e fala muito sobre o amor incondicional, a segunda chance, a esperança. Além de nos lembrar que é sempre necessário ir além do circuito hollywoodiano e do oeste europeu.

Direção: Mehmet Ada Öztekin
Elenco: Aras Bulut İynemli, Nisa Sofiya Aksongur, Deniz Baysal

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