Tem filmes que servem como um acalento na alma. E o fato é que, neste período de isolamento social, eles se fazem ainda mais necessários. O Estagiário (ou O Senhor Estagiário, como era chamado antes de ir parar no catálogo da Netflix) é exatamente este tipo de filme. Pincelando diversas temáticas, o mote principal é falar sobre a atividade na vida de uma pessoa idosa, especialmente depois que ela passa pela aposentadoria.

A discussão da temática é muito necessária, especialmente quando paramos para pensar que a terceira idade mudou muito nos últimos anos. Os idosos estão mais ativos, conectados, dispostos. Não são mais aquele estereótipo antigo de senhorinhas sentadas na cadeira de balanço costurando e contando história para os netinhos. O Estagiário pega justamente neste ponto. Ben Whittaker (Robert De Niro, O Irlandês) tem 70 anos, viúvo e aposentado. Ele sente que o tempo está sobrando, já que não tem mais uma rotina diária obrigatória. Decide, então, se inscrever num projeto de estágios para idosos.

Quando Ben é contratado, é designado a trabalhar com Jules Ostin (Anne Hathaway, As Trapaceiras), criadora de um bem-sucedido site de venda de roupas. Ela é hiperativa, ocupada ao extremo e parece não ter tempo para olhar os detalhes ao seu redor. Rapidamente perde a paciência com o ritmo de Ben, pedindo para que ele seja removido de seu setor. O que a empresária não poderia esperar é que o estagiário fora do parão acabaria conquistando os funcionários e se tornando popular na empresa.

Como disse, o filme trata de várias temáticas, especialmente relacionadas ao idoso. A questão do sexo na terceira idade é discutida com muito cuidado e assertividade, assim como a vaidade. As limitações da idade são apresentadas sem rodeios, mostrando que, apesar de existirem, não precisam definir o indivíduo. Além disso, O Estagiário escancara o preconceito que idosos sofrem para adentrar ou permanecer no mercado de trabalho.

O Estagiário

Ben faz uma verdadeira revolução na vida de Jules, já que eles são o contraponto um do outro. Ele clama pela vivacidade de Jules, enquanto ela precisa apertar no freio e sentir um pouco mais a própria vida. A história mostra, por exemplo, que a diretora escolhe ser workaholic para não precisar lidar com seus problemas pessoais. Assim como ele tem dificuldade de superar o luto pela perda da esposa.

O conflito de gerações nos conduz a uma narrativa leve e sem rodeios, esmiuçando os personagens e fazendo com que o espectador crie rápida empatia por suas histórias. O filme se engrandece em determinadas cenas, como naquela do hotel em que eles discutem a dificuldade da personagem de Jules em conciliar todos os papéis que lhes foram impostos na vida. Ela se despe da carapuça de autoritária e mostra a fragilidade do ser mais íntimo.

O Estagiário tem ainda tons cômicos que nos ajudam nas transições de discussões. A diretora Nancy Meyers, que nos presentou com grandes filmes como Simplesmente Complicado e O Amor Não Tira Férias, apresenta aqui um filme leve que nos faz refletir sobre diversas questões que costumam ser colocadas para debaixo do tapete. Com uma escolha de elenco incrível e acertada, é uma excelente pedida para assistir nesta quarentena.

Direção: Nancy Meyers
Elenco: Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo, Adam DeVine, Anders Holm, Linda Lavin, Jason Orley, Zack Pearlman

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