O gênero faroeste foi popularizado a partir da década de 1930 e teve seu auge nas décadas de 1950 e 1960. Grandes clássicos como Era Uma Vez no Oeste e Três Homens em Conflito levaram milhares de pessoas ao cinema, com o longa ficando em cartaz por muito tempo. Com o passar dos anos, o western foi sendo deixado de lado, dando espaço à popularização de outros gêneros. Atualmente, vemos uma atualização do estilo, com filmes como o excelente A Qualquer Custo, de 2016.

Oeste Sem Lei é o longa de estreia do diretor John Maclean, que nos apresenta um material bem interessante. O romântico e intenso jovem Jay Cavendish (Kodi Smit-McPhee, X-Men: Fênix Negra) resolve cruzar os EUA em busca de seu amor, que fugiu para terras distantes após ser acusada de cometer um crime. Ao longo da jornada, ele conhece Silas Selleck (Michael Fassbender, Boneco de Neve), um misterioso caubói que lhe fará companhia e ajudará a enfrentar o trajeto.

Diferente do que estamos acostumados com a paleta de cores de faroeste, onde os tons de marrom prevalecem, Oeste Sem Lei é muito colorido e vívido. As belíssimas fotografias que surgem ao longa da trama são um presente fruto da locação escolhida para gravação, que foi a Nova Zelândia. Mora aí também um problema que é a ambientação errada em diversos momentos, com montanhas verdes demais para a paisagem comumente árida e monocrômica do oeste americano.

Ainda que a intenção seja honesta, já que há uma construção temática em cima das cores, que realmente tem o objetivo de fugir do padrão, Maclean se priva de brincar um pouco mais com este elemento, que poderia ser associado às personalidades dos personagens. Algumas cenas são prejudicadas pois revelam uma vivacidade que não vemos nas emoções dos personagens.

Oeste Sem Lei

A evolução da história caminha sem pressa e, ao mesmo tempo, sem enrolação. A apresentação dos personagens acontece a medida que a jornada vai acontecendo, em cada cena nova que surge. Então é interessante como vamos descobrindo nuances e objetivos de cada um, minuto após minuto. Além disso, o clima de mistério por trás das histórias ajuda a sustentar a atração do espectador.

Existe uma dificuldade, no entanto, de aprofundar nos personagens coadjuvantes. Ao focar em Jay e Silas, o diretor esquece que a garota alvo da paixão, Caren Pistorius (A Luz Entre Oceanos), vai ter o foco voltado para si no futuro. Seu pai, vivido por Rory McCann (série Game of Thrones), também carece de construção. O que fica é uma grande dificuldade de ter empatia com o destino dos personagens coadjuvantes, que tem seus corpos amontoados ao final.

Este detalhe, inclusive, é uma característica marcante do western, que nos apresenta a morte como algo rotineiro e pouco chocante. Em Oeste Sem Lei, a intensidade fica por parte de Jay, que nos mostrar a cada cena que teve um relacionamento muito mais imaginário do que verdadeiro. Em contraponto a isso, Silas é taciturno e frio. Suas personalidades se cruzam ao final do filme e isso é um elemento bem positivo da construção do roteiro.

Ainda que tenha uma boa proposta, Oeste Sem Lei não se aprofunda o suficiente e perde a chance de explorar o bom roteiro que tem em mãos. Mesmo tendo menos de 1h30, parece ter muito mais tempo por focar nos elementos errados da trama. Ainda assim, é um ótimo entretenimento que vale a pena ser conferido!

Direção: John Maclean
Elenco: Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Rory McCann, Caren Pistorius, Kodi Smit-McPhee, Alex Macqueen, Jeffrey Thomas, Andy McPhee

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