XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema: Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos

Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos

Premiado no Festival de Cannes deste ano, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é uma produção luso-brasileira. Ambientado, em sua maior parte, na aldeia indígena Krahô o filme conta a trajetória e os sentimentos de Ihjãc (Henrique Ihjãc Krahô). O jovem começa a ter visões de seu falecido pai e precisa tomar uma grande decisão que ele não deseja fazer.

Sem revelar muito da trama, é possível dizer que os diretores Renée Nader Messora (Russa) e João Salaviza (Montanha) conseguem equilibrar o ritmo da história, durante a projeção, mesclando o cotidiano no qual o protagonista mora, com as tradições, ritos e clima místico. Assim, é possível notar o desejo da personagem principal de manter a sua tranquilidade do dia a dia, de sua honradez para com procedimentos religiosos e a sua negação a alguns deles.

Ihjãc é quem procura comandar seu próprio destino e suas falhas e conquistas neste processo são bem colocadas dentro da trama. O ápice destas facetas de escolhas e vivência do jovem Krahô se dá na construção desta figura que, cheia de complexidade, mostra-se um homem determinado, amoroso com seu filho e com conhecimentos místicos. Porém, vê-se também um menino, com medo e desamparado pela sociedade e por suas próprias tradições.

Em contraponto ao ambiente mais claro, de paletas mais puxadas para o bege e verde,com planos mais abertos e médios da vida pacata de Ihjãc, a arte, a planificação e a iluminação conversam entre si e aplicam uma atmosfera mais próxima do sonhos, com cores mais frias, tochas em punho e no turno da noite. Estas dualidade de aldeia versus cidade, rapaz decidido e assustado, realidade e sonho são a grande marca de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos e o que dá o seu tom.

No entanto, existem alguns pontos que enfraquecem a projeção. A forma como a resolução dos conflitos de Henrique Ihjãc vai sendo adiada é um deles. Alguns tempo antes do desfecho do enredo, as situações que o garoto passam tornam-se repetitivas, o que pode cansar o espectador. Outra questão é a relação do Ihjãc com sua esposa, que parece um tanto fria e distanciada, apesar dos dois terem um filho e dividirem a vida. Por fim, o fato de serem os colonizadores que estão por trás do projeto, dá um caráter um pouco distanciado da cultura dos Krahôs. Contudo, estes elementos não comprometem o resultado final drasticamente, possuindo apenas alguns instantes de desconforto e cansaço para a plateia.

Assista ao trailer!

 

Enoe Lopes Pontes63 Posts

Do blockbuster ao chamado cult, estou aqui para observar o cenário do cinema e das séries. Cinéfila desde os seis anos de idade, o vício permanece. Até hoje. Até sempre.

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