Após se envolverem na morte de um policial branco, Angela Johnson e Ernest Hines se veem obrigados a sair pelas estradas dos EUA como dois foras-da-lei. Ao mesmo tempo em que são tratados como criminosos pela mídia branca do país, a comunidade negra passa a abraçar o casal, que estava no seu primeiro encontro após se conhecerem pelo Tinder, como símbolo da resistência contra a opressão pelas autoridades.

A premissa de Queen & Slim, dirigido por Melina Matsoukas e roteirizado por Lena Waithe reativa na nossa memória cinéfila a história de Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas, longa de 1967 protagonizado por Faye Dunaway e Warren Beatty e dirigido por Arthur Penn. As semelhanças são sensíveis e Queen & Slim faz isso de maneira intencional para dimensionar o racismo nos EUA e o sentimento de coação da comunidade, sobretudo em suas relações com instituições punitivas e julgadoras, como a mídia, a polícia e o sistema judiciário.

Queen & Slim, Coisa de Cinéfilo

Matsoukas faz um belíssimo road movie que mistura elementos de crítica social com romance de maneira vibrante, sobretudo porque conta com uma dupla de atores como Daniel Kaluuya (Corra!)e Jodie Turner-Smith (Demônio de Neon), em completa sinergia na tela, algo fundamental para o êxito de uma história calcada em um casal formado por indivíduos de personalidades complementares e opostas. Kaluuya confere inexperiência, sensibilidade e doçura a um rapaz que de repente se transforma aos olhos de todo o país nas figuras extremas de herói e bandido. Já Jodie Turner-Smith tem uma presença dominante em cena ao interpretar a advogada segura, durona e de pensamento ágil que toma as rédeas da situação na maioria das vezes. Conforme essa relação vai evoluindo e é atravessada pela adrenalina da circunstância de fuga da polícia, um parece se beneficiar dos traços do outro empreendendo uma linda jornada de humanização e de senso de causa.

Queen & Slim é um longa delicioso de assistir. Comprometido com a sua causa e seu discurso incisivo sobre questões sociais, é uma história com identidade e que consegue enlaçar o público sobretudo pela sua dupla talentosa de protagonistas. Com uma premissa simples e um quadro de referências aparentemente batido. Melina Matsoukas faz um filme cheio de personalidade, que consegue ser duro e clínico sobre a realidade, mas que consegue encontrar afeto no meio da sua superfície áspera.

Direção: Melina Matsoukas
Elenco: Daniel Kaluuya, Jodie Turner-Smith, Bokeem Woodbine, Flea, Chloe Sevigny, Sturgill Simpson, Indya Moore, Benito Martinez, Jahi Di’Allo Winston

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