Numa leva nova de filmes de terror nos quais um sentido precisa ser sacrificado, O Silêncio  entra no filão dos grupo dos: “vida sem barulhos e sons”. Depois de algumas produções com esta pegada, o espectador pode estar fatigado de premissas semelhantes e ir com as expectativas muito baixas e ser surpreendido. Sim, a surpresa é que o longa consegue ser pior do que a imaginação consegue calcular antes de o assisti.

O maior fator para baixa qualidade da produção mora no roteiro. Escrito pelos irmãos Carey e Shane Van Dyke (Chernobyl), a produção começa buscando traçar as relações entre as personagens principais, internamente e externamente. Ally (Kiernan Shipka) é uma adolescente surda. Ela sofre bastante bullying na escola, mas possui um melhor amigo, que é meio namorado também, o Rob (Dempsey Bryk).

A sua família também é bem unida, afetuosa e relativamente grande, composta por Kelly, a mãe (Miranda Otto), Hugh, o pai (Stanley Tucci), Lynn, a avó (Kate Trotter), Jude, o irmão (Kyle Breitkopf), cachorro e Glenn, o agregado (John Corbett). Todos são muito ligados, conversam em linguagem de sinais, se protegem e se entendem. A qualidade dos atores, a dinâmica deste núcleo e a sacada de “no mundo distópico que não se pode falar, o grupo todo sabe ASL” (Língua de Sinais de Americana) é onde a qualidade se encerra.

O Silêncio

O primeiro grande questionamento que paira são as relações de Ally dentro da trama. Não existe nenhuma ligação com ela ser zoada pelos colegas com nada que aparece na tela em seguida. Isto nem transparece na construção de sua personalidade. Outro fator, é a decisão da inserção de Glenn na história. A forma como eles descartam o rapaz deixa uma impressão de que eles precisavam apenas de uma figura para morrer, mas que não queriam usar nenhum parente nuclear. A morte dele soa gratuita e num momento que a tensão não estava estabelecida para aquele acontecimento.

Na verdade, todas as baixas que ocorrem até o segundo ato de projeção não conseguem causar impacto. Os filmes de terror utilizam sons, jogo de luz e sombra, sussurros, foco e desfoco, planificação, enfim, diversos fatores para contribuir com a instalação de clima de medo. No entanto, aqui, nota-se um desperdício em construir o que são estes monstros que começam a atacar os Estados Unidos, qual a dimensão da tragédia, que respiros podem fazer os sustos que desejam provocar acontecerem. Claro, isso são apenas sugestões, os caminhos para criação de suspense e horror poderiam ser vários.

O resultado final de O Silêncio é uma dúvida forte sobre a existência dele. A técnica é, teoricamente simples, planos americanos, em grande parte, uma luz meio esverdeada, misturada com marrom e uma música pálida, que passa despercebida. Não há um esforço aparente em criar atmosferas e o único elemento que pode salvar o tempo perdido são os atores que demonstram uma grande vontade de estar ali.

Direção: John R. Leonetti
Elenco: Stanley Tucci, Kiernan Shipka, Miranda Otto, John Corbett, Kyle Breitkopf, Kate Trotter, Dempsey Bryk

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