Crítica: La La Land – Cantando Estações

Musical é um gênero particularmente complicado de se trabalhar e difícil de agradar a grande maioria dos espectadores. Primeiro, porque a grande massa tende a não gostar (pelo menos é o que afirma). Segundo, porque quando diz que gosta, alega que “não precisa ter tanta música assim”. Ou seja, é deveras decepcionante para qualquer fã mais entusiasmado ou roteirista que se deixa levar pelo encantamento do gênero, trabalhar um longa original. O que posso afirmar com toda propriedade é que La La Land – Cantando Estações retoma completamente o estilo antigo de musical, com produções clássicas e mesclando com dança no melhor do estilo de Fred Astaire.

Se qualquer outro filme demora para engatar ou mostrar seu propósito, La La Land deixa claro para o que veio logo na primeiríssima cena, deixando o espectador completamente encantado e de queixo caído. Damien Chazelle, que ficou conhecido e foi premiado por Whiplash – Em Busca da Perfeição, traz um trabalho de qualidade ainda superior, do mesmo gênero, mas de estilo completamente diferente, mostrando todo seu potencial na categoria. Ele assume tanto a direção quanto o roteiro de ambos os longas e já ganhou o Globo de Ouro há duas semanas nesta película em questão. A precisão e o cuidado na criação do plano-sequência inicial de forma lúdica é incrível e perfeccionista.

A dinâmica do casal principal, protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, é doce e envolvente. Além dos personagens conquistarem o público, os atores desempenham esse papel de forma precisa, convincente, forte, e não há ninguém mais que pudesse estar ali, senão eles dois. Ela é uma aspirante à atriz que vive fazendo testes e sendo reprovada em todos, tendo que se sustentar com o dinheiro que ganha em um cafeteria. Já ele é um músico excelente que ama Jazz e que se sujeita a trabalhar em qualquer lugar para ser reconhecido e conseguir montar seu próprio bar.

Embora o filme se passe nos tempos atuais, ele tem um toque vintage ou retrô (precisaria da ajuda de um profissional para definir a terminologia correta), remontando aos anos 70, 80 e 90 em vários momentos, desde as vestimentas, aos papos, falas, músicas, conversas, móveis, carros, etc. Essa montagem bastante poética acrescenta muito conteúdo à narrativa do filme, que conta ainda com uma direção de fotografia fantástica. Os cenários escolhidos da Hollywood antiga/atual é de fazer qualquer espectador se apaixonar.

A forma como o filme funciona, de forma lúdica, interativa, emocionante e efusiva, é única e mantém o espectador empolgado. Ele tem a leveza e a ingenuidade dos longas antigos, como Cantando na Chuva, por exemplo. Não é tão apelativo, não foca na vida sexual do casal principal. Suaviza a parte sexual e exalta o romance. Um perfil muito comum dos filmes antigos.

La La Land – Cantando Estações é vibrante, cheio de cores, canções lindas e animadoras. O tipo de filme que certamente já virou um clássico obrigatório para os cinéfilos de plantão. Ele tem dividido opiniões, é bem verdade, mas acredito que não seja por sua qualidade inquestionável, mas pelo alvoroço em torno dele. Não sabemos ainda se o Oscar prestará tal homenagem, mas certamente este musical já ganhou seu espaço na calçada da fama.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski497 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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