30º CinePE: Entrevista com diretora Eliza Capai e produtora Mariana Genescá

Em uma manhã de junho, em um hotel, no centro de Recife, a diretora Eliza Capai e a produtora Mariana Genescá falaram longamente sobre o longa-metragem A Fabulosa Máquina do Tempo. Exibido em 30º Cine PE, o documentário já vinha de participações e prêmios em festivais internacionais, incluindo o de Berlim.

Dias depois do bate-papo, a dupla celebraria quatro Calungas de Prata, na cerimônia de Premiação do 30º Cine Pe. Mas, antes de tudo, veio a entrevista para o Coisa de Cinéfilo, que durou mais de meia hora e rendeu um diálogo profundo sobre o cinema.

Ao falarem sobre suas carreiras e caminhos até chegarem no tipo de filme que fazem, Genescá e Capai revelam paixões semelhantes pelo estudo e pela pesquisa, bem como pelo cinema de impacto social. Através desse desejo intenso de mostrar ao mundo histórias importantes, com apuro estético, a dupla conta como funciona o trabalho de cada uma, os desafios e as conquistas.

“Eu tenho uma pergunta que eu quero refletir sobre, não é nem que eu quero responder, eu quero ter uma reflexão sobre aquela pergunta”, elucida Eliza Capai. Durante a conversa, a diretora detalha sobre a sua sede pelo conhecimento, pela justiça e pela equidade na sociedade.

Entre uma resposta e outra, Eliza e Mariana se complementam e se completam. A dinâmica delas é de sintonia e isso se confirma quando falam sobre os troféus recebidos e as parcerias firmadas, depois que começaram a trabalhar juntas. É assim que é a lógica desse bate-papo, que você pode conferir agora, completamente, no Coisa de Cinéfilo.

Imagem: Eliza Capai, em coletiva de imprensa do 30º Cine PE, em Recife. Créditos: Felipe Souto Maior.

ENTREVISTA COMPLETA

Enoe Lopes Pontes – A primeira coisa que eu fiquei pensando muito, olhando para a trajetória de vocês duas, e eu sei que Eliza tem a carreira no jornalismo e tudo mais, mas como vocês chegaram no estilo de cinema que vocês fazem, nesse documentário de impacto social?

Eliza Capai – Eu acho que nós duas somos muito CDF! A gente compartilha essa coisa de escola, de levar muito a sério o que foi dado. Eu acho que isso nos ajudou no nosso entrosamento, porque a gente leva muito a sério fazer o filme. Só que a gente, de alguma forma, estava aprendendo a fazer filme juntas. E eu acho que tem uma escuta do processo, tem uma coisa da pesquisa. Eu sempre me sinto como se eu fosse uma esponja quando eu começo um processo. Eu tenho uma pergunta que eu quero refletir sobre, não é nem que eu quero responder, eu quero ter uma reflexão sobre aquela pergunta.

ELP – Entendo.

EC – Então, no Espero a tua (re)volta, por exemplo, é como que jovens vindos da periferia, sem os direitos básicos da Constituição, conseguiram aquele grau de organização política para ocupar mais de 200 escolas. No Fabulosa (máquina do tempo), a pergunta que me guiou foi como que essas meninas, que são a primeira geração saída da fome, saída da extrema pobreza, que já nasceram com o direito de sonhar, de comer e de ir para a escola, enxergam à saída da extrema pobreza e questionam o machismo estrutural. A partir disso, eu vou vendo muitas coisas, eu vou lendo coisas, vou assistindo muitos filmes que dialogam com o tema, vou em campo pesquisar.

Mariana Genescá –  No meu caso, eu venho do jornalismo também, assim como a Eliza. Eu fiz comunicação, não fiz cinema. Cheguei a trabalhar um tempo com jornalismo, com jornalismo esportivo, especificamente, porque era uma coisa que eu queria. E pelos caminhos da vida, eu acabei indo para uma produtora e conhecendo essa coisa da produção independente. E cheguei no documentário!

ELP – Sim.

MG – E quando eu cheguei no documentário, era esse documentário político e social. Foi meio que os caminhos que foram acontecendo mesmo. E eu acho que aí tem muito desse encontro com a Eliza, de tudo que eu aprendo, diariamente, nas pequenas coisas… O que é o que eu acho muito genial nela, é o como contar! Porque o mundo está cheio de coisas difíceis acontecendo, de situações e coisas importantes e essa disputa de narrativas e de olhares. Mas poder falar desses assuntos e o como falar deles é uma forma muito original, uma forma muito fresca de abordar esses assuntos que eu acho que fazem toda a diferença. E aí eu acho que a gente mergulha fundo no cinema, na coisa mais linda do cinema, que é contar histórias de pessoas, com uma perspectiva muito comprometida, responsável,  curiosa e sempre muito delicada.

EC – Sobre a escolha dos temas, para mim, em geral, são temas que me chegam e que me perturbam. Coisas que eu não consigo aceitar, como tem gente que passa fome. Como que pode nesse mundo de hoje a gente passa fome? Então, em geral,  são esses temas que me atormentam. Porque são realidades que não deveriam existir e que dialogam, em geral, com a escravidão, que traz o racismo, que traz esse machismo estrutural, mas através de saídas desse lugar, de possibilidades de saída.

ELP – Dentro das coisas que vocês estão falando, abre-se para mim um grande guarda-chuva, com 300 milhões de caminhos incríveis que essa entrevista poderia ir, mas dentro do que eu tinha planejado perguntar, a minha curiosidade é saber como você, Mariana, chegou nesse tipo de produção, porque eu imagino que seja desafiador captar recursos para fazer esse tipo de filme.

MG – Não é fácil. Eu acho que realmente é um desafio gigantesco. A gente, na produtora, que é a Amana Cine, a gente se define como uma produtora de documentários de impacto social. E é difícil seguir fazendo só documentários de impacto social, porque é um caminho muito árduo para conseguir recursos para captar para o projeto. Dentro disso, desses vários desafios, existe um pouco do fato do cinema social, de impacto social ser tratado como menor. Aí entra um orgulho enorme desse trabalho. É o maior esmero técnico e artístico para fazer com que esse documentário de impacto social tenha uma estreia no Festival de Berlim, vá para os maiores festivais e seja altamente premiado.

EC – É o único documentário na categoria que a gente estava, por exemplo.

ELP – Na Berlinale?

MG – É, na Generation. Na Berlinale era o único. A gente fez uma série juntos ano passado que foi indicada ao Emmy Internacional. São quatro no mundo inteiro.

ELP – Sim.

MG – Foi uma série documental feita com recursos públicos, do artigo terceiro A. Então, isso realmente dá muito orgulho. Porque é muito essa vontade de mostrar que esse cinema é de máxima importância e pode ser de máxima qualidade artística. Não também querendo colocar que se o filme não vai para o festival, ele não tem qualidade artística. Também não é isso. A gente sabe que esse mundo do cinema são muitas coisas que são envolvidas, mas os festivais são uma vitrine muito importante. Especialmente para o cinema do documentário, que é o filme que tem menos espaço e, muitas vezes, tem menos prestígio. Então, esse caminho que a gente tem feito com os projetos é muito importante para fortalecer e mostrar a importância desses filmes.

ELP – Entendi.

Imagem: Mariana Genescá, em coletiva de imprensa, do 30º Cine PE, em Recife. Créditos: Felipe Souto Maior.

MG – É uma construção de muitos anos já trabalhando apenas com esse tipo de documentário, construindo parcerias, de lutar por políticas públicas e por editais. A gente passou muito tempo sem conseguir escrever projetos no Fundo Setorial do Audiovisual, porque as métricas todas contabilizavam apenas desempenho comercial dos filmes. E quem faz só documentário, como a gente, não tem o que eles chamam de desempenho comercial, porque desempenho comercial é venda de bilhetes em salas de cinema no Brasil. Nada mais contabiliza! Todo esse resultado das campanhas de impacto, quando a gente disponibiliza o filme gratuitamente e  faz centenas de sessões pelo Brasil inteiro, com debates. Nada disso conta em termos de público para o filme. Então, a gente ainda tem muitos desafios nessa área. Eu acho que é uma batalha bem grande.

ELP – E o Fabulosa?

MG – No caso do Fabulosa Máquina do Tempo, a gente teve a parceria da Globo Filmes. A gente começou essa parceria no Espero tua (Re)volta, em 2019, que foi o primeiro filme que a gente fez juntas, Eliza e eu.  A Globo Filmes entrou através de recursos públicos do artigo terceiro A da Lei do Audiovisual. Ela vira co-produtora, junto com a Globo News. Em 2021, a gente começa a apresentar o projeto para a Globo Filmes e ela embarca no projeto. Com isso, a gente consegue fazer, levantar o projeto. Depois, a gente vai atrás de mais recursos. O projeto tem também Fundo Setorial do Audiovisual de Desempenho Artístico, que é uma linha que premia projetos que têm grande circulação e premiação em festivais. E a gente ganhou com o Espero tua (Re)volta. Então, você ganha uma verba para aplicar em um próximo filme. Então, esse ciclo também é muito importante.

ELP – Sim.

MG – Por fim, entrou a RioFilme, também através de um edital do Rio de Janeiro e o Canal Brasil, no finalzinho, com uma coprodução. Então, a gente vai juntando vários parceiros durante anos, captando, para agora, em 2026, a gente poder lançar esse filme.

ELP – Vocês já viram um meme que fala nele como é filme brasileiro,  que tem meia hora só de vinheta, de coisa de parceria? (risos). É meio assim. Bom, mas uma coisa que me interessa muito saber, porque, às vezes, parece que esquecem que cinema também é linguagem.  é como é que você,  Eliza, se nutre e como você enxerga o cinema de documentário, pensando nessa perspectiva de cinema ser uma linguagem e que você trabalha com discursos tão importantes e potentes?

EC – Eu venho do jornalismo. Então, a entrevista sempre teve um lugar primordial para eu entender o outro.  Então, eu começo com isso. A fabulosa máquina do tempo é claramente um filme que poderia ser um filme de cabeças falantes, refletindo sobre a pergunta inicial do filme: como que é a saída da extrema pobreza e o início de uma contestação do machismo estrutural? Mas aí me vem um lado de… Cara, se eu tenho tempo, por que eu vou fazer o que eu já sei fazer, o que eu já fiz? Aí eu acho que, para mim, tem um desafio dentro do lugar da estética, porque, de alguma forma, é como eu estudo cinema.

ELP – Entendo.

EC – Então, para me preparar para esse filme, eu fiquei lá com a minha pergunta… E eu vi muitos filmes protagonizados por crianças e adolescentes. Mas, eu faço um Excel em que eu vou falando o nome do filme, eu coloco a sinopse, os dados. (Arregalo os olhos, atônita). Adoro essa sua “arregalação” de olhos. Vou passar a receita do bolo! (Risos). E eu vou comentando, é um comentário eu, comigo mesma. Eu coloco: Nossa, achei muito genial a ideia da intro e aí eu explico o que é. Nossa, detestei isso daqui, cuidado para não repetir.

ELP – Sim!

EC – A partir desses filmes, eu vou entendendo qual é a linguagem que me bate em relação a esse filme. Vou separando frames com coisas da fotografia que me provocam a pensar a abordagem da fotografia. Vou pensando a edição. Com isso,  eu me sinto realmente me nutrindo. Eu começo fraquinha, magrinha e de repente eu vou encorpando, porque a partir do que a nossa maravilhosa cultura já produziu de cinema, eu posso pensar no próximo filme. Com isso, eu começo a conversar com a fotógrafa. Então, com a Carol Quintanilha,  a gente começa um diálogo. A Carol preparou um mood book super legal, que a gente discutiu. Então, por exemplo, falamos sobre uma fotografia na altura das crianças, a gente não olha elas de cima, a gente está com elas, a gente está brincando com elas.

ELP – Sim.

EC – Eu achei muito ousado da Carol,  nós éramos os três em campo, (áudio, foto e eu) e ela disse: Vai ser uma lente 50mm 1.2. Porque a gente, a princípio, ia usar muita imagem de arquivo, mas acabou que o filme não tem isso. Então, a gente queria algum rigor técnico nesse material do presente para o filme ficar artístico, mas coeso e não ficar também muitas imagens, como se tudo fosse um arquivo.

ELP – Hum, entendi.

EC – E na montagem a gente faz um tanto isso, só que a montagem a gente vai mudando junto, eu e o Dani (Daniel Grinspum), a gente viu algumas referências. Eu começo o processo de montagem ou fazendo o coração do que eu acho que é a linguagem criativa ou… No Tão longe é aqui, eu faço o sonho da outra. E é esse sonho que nos guia. No Espero Tua (Re)volta eu faço uma promo que tinha a questão do humor e daquela linguagem rápida, que foi o que nos salvou, porque a gente, de repente, começou a fazer um documentário observacional e quando chegou lá no fim a gente falou, cara, a gente se perdeu! Até foi interessante, porque a gente escreveu num laboratório um corte que a gente queria já apresentar para o festival e ele me ligou e falou: Eliza, você vendeu um filme na promo e você está entregando outro. E aí eu olhei e falei, nossa, ele tem razão,  a gente voltou a edição.

ELP – Sim.

EC – Então tem um estudo de linguagem a partir do que aquele tema pede para a montagem, que é o que vai nos guiando durante todo o processo.

ELP – Certo. Agora, sobre essa unicidade entre montagem, fotografia e direção geral, eu gostaria muito saber mais como é que esse seu trabalho, esse diálogo para criar essa unicidade entre, primeiro, você e a fotografia e, depois, você e a montagem?

EC – Quando eu comecei a fazer documentário eu nem sabia que tinha equipe. Então, no documentário a gente vai e faz. Eu comecei fazendo todas as etapas.

ELP – Credo!

EC – Isso mesmo, credo! Então, o Tão Longe e o Jabuti (e a Anta) são filmes que não tinham orçamento e mesmo no Espero a Tua (Re)volta, eu faço câmera, eu entrevisto, eu faço áudio, e eu monto. Sempre estou com alguém, montando junto para eu ter uma distância do material. Mas, quando eu fui chamada para fazer a série Elize Matsunaga, com a Netflix, que foi a minha primeira questão.

ELP – Eu gosto muito dessa série, mas geralmente eu não gosto dessas produções da Netflix.

EC – É porque eu não gosto. Então, eu fiz uma série para quem não gosta. (Risos). Mas ali eu lembro que falaram, não, você não vai poder fazer câmera, você não vai poder montar, você é diretora! Aí, eu fiquei muito confusa e falei: o que é que faz uma diretora? E eu às vezes me falava: gente, mas eu não vou fazer nada. Eu começava a carregar as coisas da arte, para ajudar (risos). Aí as pessoas diziam: deixa isso aí no chão! E aí eu fui aprendendo o que é o papel de dirigir.  Só que nesse meu lugar de dirigir, penso em todos os lugares técnico-artístico,  é como o meu cérebro funciona.

ELP – Entendo.

EC – Mas, sobre a pergunta inicial do que é a fotografia e do que é a linguagem da montagem, eu entendo que é tudo, é esse conjunto de coisas que faz o corpo.  E eu gosto muito de trabalhar com equipes pequenas, pela intimidade que isso gera, porque assusta menos quem está sendo gravado. E aí eu entendo que a gente é uma pequena equipe que tem que estar junto, está realmente junto e tem horas que vão me caindo as fichas de como é a montagem.

ELP – Para começar a finalizar,  eu gostaria saber um pouco de Mariana sobre como tem sido, dentro desse momento, do filme já pronto, da distribuição, desses momentos de passar por festivais, como tem sido essa relação, dentro da sua perspectiva de produtora, essa relação com a recepção e o futuro,  quais coisas que você vislumbra?

MG – Então, esse é um momento que a gente chega meio cansado. A gente está há anos fazendo isso, captando para o filme, levantando, produzindo. Mas, ao mesmo tempo, é o momento! Tudo que a gente fez todos esses anos, foi  para justamente poder chegar nesse momento. É muito legal poder estar aqui agora, no CinePE, com a Eliza, vendo isso. E Fabulosa está indo para muitos festivais e a gente está tendo a oportunidade de fazer muitas viagens juntas. E, o que eu fico pensando  é como a gente pode se fortalecer para fazer o próximo.

ELP – Sim.

MG – Como aproveitar ao máximo do desse momento do lançamento, para arrumarmos os parceiros. A gente tem a Descoloniza, que é a nossa distribuidora. A gente tem agora a Rosane e a Maria trabalhando na campanha de impacto do filme, que é uma coisa muito importante pra gente. Então, a gente prevê agora, no final de julho, 30 de julho, a estreia comercial, em um pequeno circuito de salas de cinema, no Brasil. A gente quer muito poder levar as meninas para um circuito pelo Nordeste. Enfim, a gente está cheia de sonhos. Por isso, a parte de distribuição não é menos desafiadora do que a da produção.

ELP – A minha última pergunta para Eliza, talvez seja um pouquinho boba, mas realmente queria perguntar isso.

EC – Adoro. (Risos).

ELP – Em termos de visualidade, de cinema, o que você ainda tem vontade de realizar?

EC – Há muito tempo eu tenho um sonho que eu vou ganhar uma bolsa, que é uma bolsa “use a discografia de Caetano Veloso” (risos). E aí eu farei um filme só com as músicas do Caetano. (Risos). Mas, enfim, tirando isso, mas sério, seria sobre as músicas ou as músicas dariam a sensação. Mas, também, eu acho que tem um lugar, que dialoga com a pergunta que você fez, com a resposta anterior da Mari, que é assim, a gente sai de um filme para o outro. Eu sinto que agora, por exemplo, eu tô um pouco sem alma, como se eu tivesse colocado minha alma ali no filme. A gente estava em fevereiro, falando, sobre como eu estava começando a pesquisa do próximo filme que a gente vai fazer junto, que eu preciso terminar a pesquisa pra gente captar, e eu não conseguia.

ELP – Sim!

EC – Há duas semanas eu comecei um outro filme que  é mais comercial, que é mais fácil de eu conseguir concentrar, porque esse processo criativo que eu contei, ele é algo que exige uma abertura muito grande, uma energia muito grande pra começar.

MG – São filmes muito autorais dela.

ELP – Sim.

EC – Eu tenho essa parceira maravilhosa, porque eu falei: Mariana, eu não estou conseguindo me concentrar. Aí, a gente negociou para qual que é o meu prazo máximo e eu vou entregar lá para frente, até eu conseguir mesmo. E eu digo isso porque eu sinto que existe, que no lugar do autoral, tem uma contabilidade, que muitas vezes a gente não faz ou não tem condições de fazer, que é a pausa.

ELP – Ah, sim.

EC – A importância da pausa pra conseguir entender qual que é esse próximo projeto. Então, pra mim, o sonho de próximo projeto é sempre conseguir diagnosticar qual o tema que está me inquietando enquanto ser humano, né, que está me consumindo, e entender como que eu transformo isso em um filme. Porque isso me dá a possibilidade de ter dois, três anos pra mergulhar. Para mim, é uma grande terapia. Eu mergulho nesse tema e de alguma forma, através do filme, eu resolvo essa questão, no sentido não que eu resolvi o mundo externo, mas que eu consigo emocionalmente lidar com algo que eu tenho dificuldade.

Créditos foto de capa da matéria: Felipe Souto Maior