Crítica: Supergirl

2.5

Divertido e despretensioso, Supergirl é uma sessão prazerosa de assistir, por mesclar comicidade com investigação de personagem. Kara Zor-el é a super-heroína, prima de Clark Kent, mas que aqui é trazida em uma versão descolada e com bastante personalidade.

Kara tem seu passado em Krypto revelado e a dor do seu luto transformada em uma revolta juvenil. Essa mistura de de profundidade da orfandade com mal humor de menina é que formam a sua complexidade.

Além disso, através da exploração da vulnerabilidade de Kara ao estar exposta ao sol vermelho, a garota se torna mais humana. Se ela pode tomar um soco e sentir dor, nos primeiros minutos de projeção, o laço com a plateia se estabelece.

Em diversos momentos, os “Super” se afastam dos leitores/espectadores por essa fama de deuses imbatíveis. Quando os autores inserem essas tensões para os kryptonianos, é possível explorar mais as suas

Neste sentido, acompanhar a afeição da jovem ao cãozinho Krypto, juntamente com a consciência que ela já tem de hombridade e a descoberta de sua trajetória de salvadora rende um longa consistente.

Ainda assim, é necessário destacar que a obra não faz nada de inventivo ou profundo. Ela é uma produção previsível por apresentar uma trama costumeira. Heroína machucada com seu passado tenta se entorpecer e acaba descobrindo por conta de uma pupila sua verdadeira missão.

Foemulaico, sim. No entanto, em um mundo repleto de filmes tediosos, que subestimam o público, Supergirl se destaca. Ele está longe de exagerar na sua serialização ou forçar a barra nas piadas, como certos universos cinematográficos.

Além disso, existe uma química do elenco que parece vir da abertura que os atores têm para deixar os colegas brilharem. Milly, juntamente com Eve Ridley (Ruthye) e Jason Momoa (Lobo), constrói gags e toda a investigação de sua personagem na contracena.

Isso ocorre porque eles observam uns aos outros e deixam que coisas absurdas surjam. Um exemplo é a sequência de luta no bar alienígena. O trio tem uma movimentação corporal – mérito do coreógrafo e da direção também – que permite que a visualização seja plena e a conexão com as figuras se estabeleça.

As músicas também ditam esse tom jovial e esperançoso de um belo filme de super-herói adolescente. Afinal, a juventude tem esse símbolo de futuro melhor e as sonoridades relembram ao público essa sensação.

A trilha, de Claudia Sarne, junto com artistas como Wet Leg, Sleigh Bells, Halsey e Wolf Alice animam, emocionam e fazem o coração bater mais forte. Assim, Supergirl pode ser ingênuo e óbvio, porém é alegre e relaxante.

E tudo soa como intencional. É a técnica que fundamenta todos esses adjetivos, positivos e negativos. Essa é uma sessão pipoca, interessante para ver com tias, mães, sobrinhas, filhas, avós, com toda a família. 

Direção: Craig Gillespie

Elenco: Milly Alcock, David Corenswet, Eve Ridley

Assista ao trailer! 

Crítica: Supergirl
2.5