Crítica A Maldição da Múmia

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Para um filme que carrega o nome do diretor no título original (Lee Cronin’s The Mummy), este é um longa-metragem bastante genérico.

Previsível, sem explorar as camadas de suas personagens e investindo o tempo da projeção em sustos vazios, A Maldição da Múmia é difícil de acompanhar.

Desde os primeiros minutos de exibição, é possível notar a sua impessoalidade. A história não procura criar empatia com suas personagens e os saltos temporais, dos menores aos maiores, quebram ainda mais essa conexão com as figuras dramáticas.

Desta maneira, nem a família protagonista e nem a antagonista possui suas trajetórias desveladas. Em termos de direção, Cronin também seleciona saídas previsíveis.

É curioso observar como as escolhas de enquadramento, marcação de cena e movimento de câmera são óbvias, justamente porque focam em assustar por assustar. Inserir jump scare não é o problema.

A grande questão dos filmes de terror é que é preciso se importar com as personagens mostradas na tela para que esses instantes funcionem. 

Assim, o que ocorre nesta produção são pistas imagéticas e verbais de cada acontecimento, um atrás do outro, o que torna a experiência cansativa, com exceção do desfecho. Ele sim é, de fato, corajoso e surpreende por apostar na vingança.

Somente neste momento é que a obra ganha contornos além do moralismo comum de títulos do gênero. Além disso, vale ressaltar o esforço do elenco em comprar aquela narrativa.

Por mais absurdo que sejam as falas e as ações, como na sequência do velório, o elenco mantém-se firme. O principal fator para que essa qualidade mínima exista é a forma como eles se olham.

A organicidade está presente nas miradas que os atores se dão, o que revela uma grande fé cênica. Mas, ainda assim, A Maldição da Múmia não tem muito mais para oferecer de positivo.

Porque, para além de trazer mais uma história de menina possuída, com elementos que deixam seu corpo repulsivo (unhas podres, baba, pele que cai etc.), ainda tem muita misoginia e etarismo.

A personagem da avó Carmen (Veronica Falcón) pode gerar um desconforto. Como a senhora usa dentadura, isso vira uma espécie de piada contínua.

Carmen é latina, católica e morre violentamente, revelando a perspectiva de quem é que pode ser descartada na trama. 

Essa figura feminina idosa cristã rende uma discussão maior, claro, porém esse ponto do filme precisa ser observado porque para além de todos os clichês da obra, ela ainda é ofensiva.

Por esses motivos, A Maldição da Múmia não é um material que vale ser consumido.

 

Direção: Lee Cronin

Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy

Assista ao trailer!

 

Crítica A Maldição da Múmia
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