É uma comédia infantil de Natal, mas poderia ser longa-metragem de terror. Em 83 minutos, o espectador se depara com a história de Andy (Winslow Fegley), um menino travesso, que convence sua turminha da escola a invadir o Polo Norte e resgatar os presentes de Natal deles. Isso tudo porque a criançada é levada e não mereceu os mimos do bom velhinho. Informo aos leitores que esta crítica está saindo com dificuldade e falar com linguem de Twitter é tudo que restou a essa crítica rabugenta que vos fala. O maior problema aqui não é a premissa, essa é até interessante para um título natalino. A grande questão é como tudo se desenrola.
O roteiro é problemático ao extremo!!!! Primeiramente, a sessão já começa acelerada, com saltos temporais e de emoção do próprio personagem central. A tentativa da equipe é agradar o público infantil, agilizando a introdução das figuras da trama, o conflito principal e a aventura em si. Mas, mesmo que os pequenos estejam viciados em vídeos de tiktok de 10 segundos, isso aqui ainda é filme. É preciso ambientar a plateia e envolvê-la com o dado universo ficcional. Existem diversas produções contemporâneas para a geração Z e Alpha que mesmo sem ritmo (tudo corrido é o contrário de ritmo, favor ler sobre o tema), que conseguem elaborar mais a escrita, nas ações e nos diálogos.
Aqui, esqueça, é tudo expositivo e com pressa para colocar diversas situações, que não são aproveitadas pela obra. E a direção de Alberto Belli (Upload) fomenta essa confusão total, que a produção entrega, em formato de longa. Os atores mirins estão quase sempre abarrotados na tela. A quantidade de planos gerais, sem que quem assiste possa ver o rosto dos intérpretes, aumenta esse distanciamento com o enredo. Falta colocar a decupagem à serviço do enredo. Falta saber a quem dar destaque no ecrã. Inclusive porque todos os meninos e meninas parecem saber que são talentosos e querem mostrar isso.
Mas, com um roteiro previsível e apressado, a disposição para encarnar seus papéis se torna uma bagunça. Não há uma boa preparação ou condução de elenco. A contracena é suja, porque não há espaço para que se preste atenção em cada criança e cada suposta genialidade delas. Porque quando se fala de atuação, ficar em silêncio ou abrir mão de chamar atenção para que o colega brilhe também é ser boa atriz/bom ator. Desta maneira, Travessuras de Natal é previsível e cansativo. Um besteirol de Natal pode ser uma excelente pedida para o fim e o início do ano. O clima de férias e lanches gostosos alegra a vida. Contudo, não escolha este aqui.
Na própria Disney+, é possível encontrar diversas opções, com a mesma temática, que são leves e engraçados, despretensiosos, mas que contam com personagens carismáticas ou uma narrativa minimamente coesa.
Direção: Alberto Belli
Elenco: Winslow Fegley, Camila Rodriguez, Madilyn Kellam
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