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	<title>Arquivos Willem Dafoe - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Willem Dafoe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Nosferatu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 19:32:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nosferatu é o tipo de material que imediatamente pensamos ser destinado a um diretor como Robert Eggers. O remake do clássico de 1922 de F. W. Murnau inspirado em Drácula de Bram Stoker e principal expoente do expressionismo alemão no cinema é um dos filmes seminais do gênero horror ao qual Eggers tem dedicado boa parte da sua carreira com títulos como A Bruxa e O Farol. Os filmes de Eggers são eficientes no uso das marcas do terror, ao mesmo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Nosferatu </strong></em>é o tipo de material que imediatamente pensamos ser destinado a um diretor como Robert Eggers. O remake do clássico de 1922 de F. W. Murnau inspirado em <em>Drácula de Bram Stoker</em> e principal expoente do expressionismo alemão no cinema é um dos filmes seminais do gênero horror ao qual Eggers tem dedicado boa parte da sua carreira com títulos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/"><em>A Bruxa</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><em>O Farol</em></a>. Os filmes de Eggers são eficientes no uso das marcas do terror, ao mesmo tempo que revelam uma sofisticação estética elevando um gênero que costuma receber o desdém de parte do público a um outro patamar. Portanto, uma revisita a <em><strong>Nosferatu </strong></em>por Robert Eggers faz todo sentido.</p>
<p>O longa segue em sua trama os mesmos passos do filme original. Na Alemanha do início do século XIX, Thomas Hutter é um corretor de imóveis recém-casado com a jovem Ellen. Hutter está cheio de planos para sua nova vida, sendo contratado por um excêntrico cliente chamado conde Orlock. A ideia é que Hutter ajude Orlock em sua mudança para a Alemanha. No entanto, há um plano secreto e maligno do conde: ele pretende espalhar o horror em Bremen e conquistar a esposa de Hutter.</p>
<p>Como O Homem do Norte, a última incursão de Eggers nos cinemas, <em><strong>Nosferatu </strong></em>parece um filme propenso a conquistar plateias maiores do que A Bruxa e O Farol, longas que possuiam um approach mais estilizado para o gênero horror. Ainda que fosse interessante ver Eggers realizar um Nosferatu mais arthouse, é impossível não reconhecer os méritos do cineasta em seu remake, um longa narrativamente engajante e que sabe utilizar a abordagem de um terror clássico sem pasteurizar a obra.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19081" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-4.png" alt="Nosferatu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <em><strong>Nosferatu </strong></em>, Eggers garante uma atmosfera de  horror irreversível e de crescente imprevisibilidade pelo destino dos personagens. Aqui, Eggers conduz a sua trama em uma escalada trágica de mundo colapsado e em estado de putrefação conforme a cidade de Bremen e os personagens principais sucumbem à praga de Orlock materializada por uma infestação de ratos.</p>
<p>Eggers tem um ótimo alinhamento com seu elenco principal. O primeiro colaborador do diretor que merece destaque é Bill Skarsgard. Como o conde Orlock, Skarsgard tem uma presença dominante ainda que sua aparência como o personagem só seja vista de fato na última cena do filme. A interpretação do ator, sob quilos de maquiagem como em It: A Coisa, torna Orlock uma ameaça nos mínimos detalhes: a voz gutural, os gestos cadavéricos e a força descomunal. Skarsgard desaparece como Orlock e traz para o filme o senso de imprevisibilidade e os calafrios que ele precisa.</p>
<p>Entre os personagens humanos, Lily-Rose Depp tem uma performance reveladora como Ellen Hutter. Em muitas cenas, em razão de segundos, vemos Depp utilizar um arsenal infindável de recursos com uma fluidez impressionante. Em um momento, vemos em Ellen uma jovem frágil apavorada pelo seu destino. Em razão de segundos, somos tomados de surpresa por uma possessão da personagem pelo conde Orlock, um episódio que demanda uma fisicalidade impressionante de Depp e ela responde a isso de forma excepcional. Nicholas Hoult também tem uma ótima interpretação como Thomas Hutter, o corretor marido de Ellen. No primeiro ato do longa, Hoult tem seu momento de scream king ao viver situações apavorantes como prisioneiro no castelo de Orlock.</p>
<p><em><strong>Nosferatu </strong></em>não é um retorno de Robert Eggers àquele cinema de orçamento modesto, mas segue o propósito da sua cinematografia de grande ambição artística. Com um ótimo elenco e um trabalho de ambientação impecável, Eggers dá forma ao horror na tela. Em <em><strong>Nosferatu</strong></em>, o diretor faz num terror mirando a narrativa clássica com muita personalidade e atenção a detalhes que fazem a diferença em uma boa história sobre vampiros, sendo mais um ótimo exemplar na sua carreira.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lily-Rose Depp, Nicholas Hoult, Bill Skarsgård, Aaron Taylor-Johnson, Willem Dafoe, Emma Corrin</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/moIrYMjS0nI?si=jJoH0c8_neP9ir1Y" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Os Fantasmas Ainda Se Divertem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 13:24:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das principais ferramentas usadas por Hollywood para mobilizar fãs é o retorno de filmes ou franquias de sucesso com sequências, remakes ou requels. No universo do terror, isso se torna ainda mais comum, a ponto de ser uma estratégia executada por estúdios desde o início da década de 2010. No caso da Warner Bros., sua nova investida traz o retorno de um clássico de Tim Burton (Dumbo, de 2019, e Wandinha, desde 2022) depois de 36 anos da sua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das principais ferramentas usadas por Hollywood para mobilizar fãs é o retorno de filmes ou franquias de sucesso com sequências, <em>remakes</em> ou <em>requels</em>. No universo do terror, isso se torna ainda mais comum, a ponto de ser uma estratégia executada por estúdios desde o início da década de 2010. No caso da Warner Bros., sua nova investida traz o retorno de um clássico de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-tim-burton/">Tim Burton</a> (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dumbo/"><em>Dumbo</em></a>, de 2019, e <em>Wandinha</em>, desde 2022) depois de 36 anos da sua estreia. Este ano o cineasta volta às telonas com uma de suas histórias mais marcantes: a do bio-exorcista mais conhecido. A sequência do sucesso de Burton dos anos 1980, intitulada <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong>, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5) com a promessa de carregar a aura do seu antecessor e do cinema de Tim que o público não vê há muito tempo.</p>
<p>De cara, já é importante esclarecer que o novo longa-metragem de Tim é bem sucedido em sua missão. <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong> tanto acerta em reviver o clássico de 1988 como em estabelecer conexões com a atualidade e possíveis novos fãs. O tom da comédia é extremamente calibrado e pronto para fazer piadas escrachadas ou <em>nonsense</em> sobre si, o passado e os dias atuais. O roteiro de Alfred Gough e Miles Millar (ambos criadores de <em>Wandinha</em>) não perde de vista os elementos de terror &#8211; aqui até mais presentes do que em seu antecessor -, criando um tom ainda mais equilibrado do que o primeiro filme.</p>
<p>Além disso, o projeto aposta na continuidade visual do que estabeleceu <em>Os Fantasmas Se Divertem</em> lá em 1988 como um clássico <em>cult</em>. O uso de <em>stop-motion</em>, efeitos práticos e cores saturadas continua a representar a visualidade do longa-metragem e isso mantém seu caráter original. O investimento nessas características tão próprias de <em>Beetlejuice</em> (título original) só fortalecem a ideia de que o estúdio quis manter a energia do filme anterior em <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong>.</p>
<p>Outro fator que enriquece o filme e alegra os fãs do original, é ver Burton em sua melhor forma. Depois de 5 anos sem lançar um novo filme, o diretor estadunidense retorna com um dos projetos que mais marcou sua carreira e o catapultou para o sucesso. <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem </em></strong>tem em seu cerne o DNA do que eram os longas dirigidos por Tim Burton no início de sua carreira. É possível perceber na sequência a mesma energia que existiu nos primeiros sucessos de sua carreira, como <em>Batman (1989)</em>, <em>Edward Mãos de Tesoura (1990)</em>, <em>Ed Wood (1994)</em> e <em>Marte Ataca! (1996)</em>.</p>
<figure id="attachment_18666" aria-describedby="caption-attachment-18666" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-18666" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-750x500.jpg" alt="Os Fantasmas Ainda Se Divertem (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Beetlejuice-Beetlejuice-4.jpg 1581w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18666" class="wp-caption-text">Jenna Ortega em cena de &#8216;Os Fantasmas Ainda Se Divertem&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Mais do que o prazer que é ver Burton retornando às suas origens, é ter ele fazendo isso ao lado de pessoas que estiveram com ele nessa caminhada. O retorno de Michael Keaton (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-flash/"><em>The Flash</em></a>, de 2023), Winona Ryder (<em>Stranger Things</em>, desde 2016) e Catherine O&#8217;Hara (<em>Argylle &#8211; O Superespião</em>, de 2024) é uma chancela de continuidade ainda maior. Eles se mostram tão sagazes e prontos para uma nova aventura insana do diretor em <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong>. A sensação que dá ao vê-los em cena é como se o tempo não tivesse passado. O <em>timing</em> e a troca são tão poderosos como no original. Cada um tem seu momento de brilhar ao longo do filme, mas é preciso destacar O&#8217;Hara como um ponto fora da curva. Sua Delia Deetz está mais excêntrica e hilária do que nunca.</p>
<p>Ao lado do trio que fez parte do elenco original, <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem </em></strong>ganha adições poderosas ao incorporar Jenna Ortega (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-panico-2022/"><em>Pânico</em></a>, de 2022, e <em>Pânico VI</em>, de 2023), Justin Theroux (<em>A Dama e o Vagabundo</em>, de 2019), Monica Bellucci (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mafia-mamma-de-repente-perigosa/"><em>Máfia Mamma &#8211; De Repente Criminosa</em></a>, de 2023) e Willem Dafoe (<em>Pobres Criaturas</em>, de 2023) em seu elenco. Dafoe entrega um chefe de polícia excêntrico que , em vida, era um ator vaidoso; Theroux chega com o exagero de um aproveitador clássico; e Bellucci abraça o público com o encantamento de uma <em>femme fatale</em> zumbi. E ainda tem uma participação surpresa que tira boas risadas, apesar do seu curto tempo em tela.</p>
<p>Cada um cumpre seu papel em cena muito bem e divertem o público sempre que surgem em tela, mas Jenna precisa ser destacada separadamente. Apesar de ser a filha de Lydia Deetz, seu mérito não é pelo tempo de tela &#8211; até porque Keaton segue com menos de 20 minutos de filme e continua a ser um estouro -, mas pela sua presença. Tim encontrou em Jenna uma referência perfeita para incorporar o terror gótico satírico tão presente em sua carreira. <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong> só ganhou com essa nova leva do elenco, especialmente por levar ao público mais uma parceria entre Ortega e Burton.</p>
<p>A mistura de elementos clássicos e atuais, do elenco original com as adições e da retomada do cinema raiz de Tim Burton fazem de <strong><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></strong> uma surpresa extremamente feliz. A sequência é tão divertida e surreal como o primeiro filme. Talvez o roteiro da sequência seja mais redondo e saiba usar melhor os elementos exageradamente surreais. É evidente que a narrativa já tem fãs há mais de três décadas, contudo, os acertos, as apostas e as certezas de produção fazem com que o segundo filme sobre Beetlejuice seja capaz de superar o primeiro em todos os aspectos possíveis. Que esse seja o início de novos projetos de Burton que retornem e abracem a sua verdadeira essência, que o fazem ser um diretor único.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tim Burton<br />
<strong>Elenco: </strong>Michael Keaton, Winona Ryder, Catherine O&#8217;Hara, Jenna Ortega, Justin Theroux, Monica Bellucci e Willem Dafoe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jqVGSIIwLi0?si=cIeZPQRNIG6c4e6U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Aquaman 2 &#8211; O Reino Perdido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Dec 2023 12:48:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A estreia de Aquaman 2: O Reino Perdido anuncia o fim do Universo Estendido da DC (DCEU) como conhecemos. O longa-metragem passou por inúmeros reajustes por conta disso e de outras questões de produção &#8211; como a pandemia, os resultados negativos de outros longas recentes do DCEU ou o julgamento entre Amber Heard, que interpreta Mera, e seu ex-marido Johnny Depp. As polêmicas que envolveram o novo filme de James Wan (Maligno, de 2021) preocuparam os fãs quanto a qualidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A estreia de <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> anuncia o fim do Universo Estendido da DC (DCEU) como conhecemos. O longa-metragem passou por inúmeros reajustes por conta disso e de outras questões de produção &#8211; como a pandemia, os resultados negativos de outros longas recentes do DCEU ou o julgamento entre Amber Heard, que interpreta Mera, e seu ex-marido Johnny Depp. As polêmicas que envolveram o novo filme de James Wan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-maligno/"><em>Maligno</em></a>, de 2021) preocuparam os fãs quanto a qualidade do que seria apresentado, especialmente quando se pensa que o longa inaugural do rei de Atlântida foi um sucesso. O resultado, no entanto, é surpreendentemente positivo.</p>
<p>Indo em contramão da expectativa de todos, o novo projeto sobre o tritão mais conhecido dos quadrinhos é coeso, divertido e encerra bem o seu arco narrativo iniciado em 2018. Wan consegue imprimir mais uma vez a sua marca como diretor num projeto onde tudo parecia caminhar para o precipício. A eficiente direção do cineasta, no entanto, além do seu conhecimento e apropriação do universo narrativo, parecem ter ajudado a manter <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> sob suas rédeas, resultando numa despedida de qualidade &#8211; tanto para o DCEU quanto para o Aquaman de Jason Momoa (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-10/"><em>Velozes e Furiosos 10</em></a>, de 2023).</p>
<p>Mais uma vez o reino de Atlântida se vê atacado pela superfície. Os problemas climáticos estão afetando o povo do reino submerso, que culpam os humanos pela destruição de seu povo. Arthur Curry, também conhecido como Aquaman (Jason Momoa), descobre, contudo, que seu antigo inimigo, Manta Negra (Yahya Abdul-Mateen II), é o verdadeiro responsável por essa destruição. Para impedir que o vilão destrua Atlântida e todo o restante da Terra, Arthur precisará pedir ajuda do seu meio-irmão e antigo rival, Orm (Patrick Wilson), para salvar o reino dos mares e a civilização terrestre.</p>
<p>A própria história desenvolvida por David Leslie Johnson-McGoldrick (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-invocacao-do-mal-3-a-ordem-do-demonio/"><em>Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio</em></a>, de 2021) se atém a concluir os arcos iniciados e desenvolvidos no primeiro longa do super herói. A busca pelo equilíbrio entre ser meio humano e meio atlantiano, as dificuldades em reinar, a vingança do inimigo do primeiro filme e, principalmente, a ligação com a família. Os temas centrais de <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> são esses e eles são mais do que suficientes para motivarem uma nova produção de quase 2h.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-17596" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-750x500.jpg" alt="Aquaman 2 - O Reino Perdido" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Aquaman-2-1.jpg 1500w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Essa coerência tanto no estilo, na estética e narrativa são os pontos mais fortes do longa. na verdade, essas escolhas acertadas são a justificativa para um filme que tinha tudo para dar errado, ter chegado num resultado tão positivo. O equilíbrio entre entender que essa narrativa precisava acontecer por conta dos fãs e para fechar o arco narrativo com Momoa e Wan e as reestruturações da produção agora que não vai ter continuidade a esta linha temporal/narrativa do DCEU foram fundamentais para amarrar a obra. É dessa forma que <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> chega ao público. Certo de si e sem dúvidas sobre o que queria ter sido.</p>
<p>Além da coesão na equipe técnica e de produção do longa, o elenco mais uma vez retorna para casa. É possível sentir a proximidade e a ligação entre os atores e atrizes em cena. <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> soa como uma despedida o tempo todo. Mas isso não é negativo ou exagerado, é apenas a sensação da certeza de que eles estão vivendo o melhor que podem nos momentos finais dessa caminhada.</p>
<p>O projeto não perde a diversão em suas falas, especialmente no que diz respeito a interação entre Momoa e Patrick Wilson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-moonfall-ameaca-lunar/"><em>Moonfall – Ameaça Lunar</em></a>, de 2022), e nem a originalidade de Wan, ainda mais quando ele consegue inserir elementos mais sombrios e próximos do universo de terror que ele tanto gosta. Graças a essa clara sintonia entre equipe, produtores executivos e elenco, <strong><em>Aquaman 2: O Reino Perdido</em></strong> é um feliz surpresa aos fãs. Seja para aproveitar os cinemas no fim de ano ou para fechar de forma positiva o DCEU, o novo filme do tritão é a melhor forma de dizer adeus ao antigo Universo Estentido da DC.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Wan</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Momoa, Indya Moore, Ben Affleck, Patrick Wilson, Amber Heard, Willem Dafoe, Yahya Abdul-Mateen II, Ricardo Molina, Nicole Kidman, Dolph Lundgren</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rPBjB65NV_c?si=2ctnHwRYBuK-Sz14" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Asteroid City</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 21:06:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Asteroid City é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (Ilha dos Cachorros), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada. Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Asteroid City</em> </strong>é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (<em>Ilha dos Cachorros</em>), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada.</p>
<p>Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo se desenrola como uma peça teatral que é explicada pelo personagem de Bryan Cranston (<em>Breaking Bad</em>). É um modo de construção de enredo bem específico, que pode deixar alguns espectadores incomodados. É cult demais e de nicho (não que ele não possa agradar o grande público). Dito isso, é preciso apreciar o estilo de Wes para seguir na lógico distópica que mistura os dois mundos &#8211; fictício e &#8220;real&#8221;.</p>
<p>Augie (Jason Schwartzman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-atraves-do-aranhaverso/"><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></a>) é um homem que vive o luto da perda recente da esposa. Ele não havia contado o evento para os quatro filhos e resolve fazer isso quando está à caminho da casa do avô das crianças e seu carro quebra. Justamente em Asteroid City. Logo na sequência, vários grupos vão chegando por conta da convenção, que é um grande mistério para todos.</p>
<p>O longa é agradável e confortável de assistir. Requer atenção do espectador, mas não exige uma dedicação intensa por parte dele. Flui com muita tranquilidade, nos mantendo atentos e interessados a todo momento. E isso se deve tanto ao estilo de gravação e fotografia, quanto à história em si, que é bem interessante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16986" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg" alt="Asteroid City" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Logo somos apresentados ao personagem de Scarlett Johansson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>), uma jovem artista que vive pelo holofote e tem um lado dramático bem acentuado. Com trejeitos de Marylin Monroe, ela começa a flertar com o protagonista, o deixando curioso e incomodado ao mesmo tempo. A atriz conta ainda com a companhia de sua filha, que claramente é fruto de uma gravidez na adolescência e se envolve com o filho mais velho de Augie.</p>
<p>A capacidade que Anderson tem de reunir grandes nomes de Hollywood e ainda gerir todos de maneira equilibrada é impressionante. Temos artistas de peso como Tom Hanks (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>), Tilda Swinton (<em>Joias Brutas</em>), Steve Carrell (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-querido-menino/"><em>Querido Menino</em></a>), que fazem suas participações (pequenas ou grandes) sem que ninguém tente roubar o holofote. Afinal, o foco ali é a história mais que curiosa daquela cidade. Temos até uma breve aparição do cantor brasileiro Seu Jorge, que surge para dar a &#8220;carteirada&#8221; da sua voz espetacular e marcante.</p>
<p>É curioso como o diretor e roteirista consegue trabalhar temáticas complicadas dentro de uma escala de &#8220;fofura&#8221;. O luto pela perda da esposa e mãe é pautado em vários momentos e representa apenas um dos diversos dilemas existenciais que são apresentados ao espectador. É uma melancolia constante, especialmente quando percebemos que temos um sorriso no rosto e um lamentar constante. E isso se vale pois ele intercala com coisas mais leves, como o amor na adolescência, a pureza infantil e as trapalhadas do governo.</p>
<p><em><strong>Asteroid City</strong></em> é mais um acerto de Wes Anderson, ainda que não seja sua obra suprema. Tem algumas questões em termos de ritmo, especialmente por conta deste vai e vem que representa a narrativa contada de uma peça teatral. Ainda que eu particularmente goste do modelo, é algo que pode trazer inquietação aos espectadores, mesmo os mais fãs. Ainda assim, é uma grata experiência cinematográfica, que merece a sua atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Schwartzman, Scarlett Johansson, Tom Hanks, Jeffrey Wright, Tilda Swinton, Bryan Cranston, Edward Norton, Adrien Brody, Liev Schreiber, Hope Davis, Rupert Friend, Stephen Park, Matt Dillon, Willem Dafoe, Margot Robbie, Steve Carell, Jeff Goldblum, Seu Jorge</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wDuQokhnLM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Homem do Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 15:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com O Homem do Norte. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em O Homem do Norte, o cineasta sai [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, o cineasta sai da A24 e concebe com a Focus Features, subsidiária da Universal Studios, um épico viking com um orçamento de cerca de US$ 60 milhões cuja história teria inspirado William Shakespeare a escrever Hamlet, peça sobre um príncipe que retorna para o seu reino para vingar a morte do pai, assassinado brutalmente pelo seu próprio tio.</p>
<p>O mais incrível desta primeira incursão de Eggers por um &#8220;cinema de estúdio&#8221; é que ele consegue encontrar um equilíbrio interessante entre oferecer um filme mais palatável para o grande público com aspiração para o clássico, algo que A Bruxa e O Farol não foram (se é que podemos classificar <em><strong>O Homem do Norte</strong></em> como um filme agradável para uma audiência média), mas que não perde em momento algum a sua autenticidade. Na tela, é inegável que o longa possui os vestígios da assinatura do seu cineasta. Isso contraria os boatos de que o estúdio tinha interferido bastante em O Homem do Norte a ponto de incomodar o próprio cineasta, que, dizem, parece não estar mais interessado nesse tipo de experiência. Se foi como dizem, isso não é sentido na tela, o épico viking do diretor é uma obra bem consistente.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> é inegavelmente &#8220;cria&#8221; de Eggers com toda a sua ação bruta, ríspida, crua e violenta. A violência é gráfica e o cineasta enche o filme de vestígios da brutalidade dos ritos dos guerreiros vikings com imagens que causam repulsa tal qual alguns dos mais emblemáticos momentos de A Bruxa e O Farol. O diretor ainda consegue trazer para o seu épico uma atmosfera fria (não só pelo clima) e até suas inclinações para o folk horror, com a presença determinante de bruxas, uma encarnada por Anya Taylor-Joy e outra por Björk, em participação especial que não dura mais que cinco minutos.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> acompanha a saga de Amleth (Alexander Skarsgard), príncipe que testemunha a morte do pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos do tio Fjölnir (Claes Bang). O ardil parente do príncipe não só assassina o irmão e toma o reino do seu pai, como se torna o novo marido da sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Quando adulto, Amleth se infiltra nos domínios da sua família como um escravo e passa a colocar em prática seu plano de vingança com a ajuda de Olga (Anya Taylor-Joy), uma jovem bruxa por quem acaba se apaixonando.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg" alt="O Homem do Norte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Homem do Norte</em> </strong>consegue capturar com verossimilhança o seu contexto histórico em elementos plásticos como fotografia, direção de arte e figurino, mas também em toda a preparação que seu elenco teve que se submeter. Os homens do filme são verdadeiras massas brutas, preparados para causar e suportar qualquer ato de violência com objetividade e sem remorso. As mulheres, por sua vez, exibem uma certa melancolia por serem relegadas a segundo plano ao passo que igualmente ganham uma &#8220;casca&#8221; na medida em que criam as suas próprias armas para sobreviver nesse contexto.</p>
<p>O filme é, claro, dominado pela performance dedicada do seu protagonista Alexander Skarsgard. O ator convence o espectador desde o momento em que surge na tela vestido de lobo uivando com olhar obsessivo para o vazio. A performance de Skarsgard de certa forma acaba assumindo o próprio tom do filme, uma narrativa seca repleta de personagens que perderam a humanidade ou estão com ela por um fio. É claro que Skarsgard se preparou fisicamente para o papel, mas, diferente da composição de alguns dos seus colegas para papéis similares &#8211; basta pensarmos nos filmes da Marvel -, o ator não reduz a ideia de transformar o seu protagonista em uma besta humana simplesmente pela aquisição de massa muscular. Alexander Skarsgard trabalha toda a brutalidade do personagem, uma verdadeira muralha em forma de gente, na expressão corporal encurvada e ameaçadora que exibe durante boa parte de <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Skarsgard consegue traduzir essa brutalidade de Amleth até mesmo na seara afetiva do personagem, já que o protagonista se revela um sujeito com extrema dificuldade de comunicar sentimentos &#8211; algo perfeitamente compreensível dado o background do personagem. Com isso, Amleth tem dificuldade para ceder espaço a emoções mais à flor da pele, mesmo quando parece senti-las, como acontece em diversos momentos nos quais divide a cena com as personagens de Kidman e Taylor-Joy, sua mãe e namorada, respectivamente.</p>
<p>Os demais atores do filme têm grandes momentos (Taylor-Joy, Claes Bang, Ethan Hawke, Willem Dafoe), mas não poderíamos deixar de mencionar a grande oportunidade que Robert Eggers dá a Nicole Kidman de protagonizar a cena de maior impacto de toda a história ao lado de Skarsgard. Durante todo <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, a rainha Gudrún parece ficar em segundo plano nos reinados dos seus maridos (Hawke e Bang), no entanto, é em um monólogo para o filho já adulto que a personagem revela por completo a sua natureza e como é interessante ver a atriz dominar com maestria cada linha daquele texto.</p>
<p>Quem estava com receio de Robert Eggers desvirtuar o cunho autoral do seu cinema com <strong><em>O Homem do Norte</em></strong> pode respirar aliviado por o longa é tão macabro e místico quanto suas obras anteriores. Com um visual caprichado, o filme abusa da violência e oferece cenas de ação que prendem o espectador na poltrona (destaque para o duelo final entre os personagens de Skarsgard e Bang em meio às lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção). Ao mesmo tempo, quem tinha um certo receio de se aventurar pelo cinema do cineasta por sua inclinação para o horror e por isso evitou A Bruxa e O Farol, terá nesse longa uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, Willem Dafoe, Gustav Lindh</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/59iAzYuo2Qk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Beco do Pesadelo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 14:08:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Beco do Pesadelo é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947. Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é uma adaptação do Guillermo Del Toro para o romance homônimo de William Lindsay Gresham publicado em 1946 e que, por sua vez, já tinha rendido um filme muito famoso dirigido por Edmund Goulding em 1947.</p>
<p>Del Toro teve o primeiro contato com o romance quando o ator Ron Perlman, que está no filme como uma figura paterna para a personagem de Rooney Mara, o presenteou com um exemplar do livro em 1992 no set de Cronos, primeira parceria dos dois nas telas antes mesmo de Hellboy.</p>
<p>O romance de Gresham é um material que faz todo sentido cair nas mãos do diretor. Toda a sua trama de corrupção apresenta uma atmosfera sobrenatural, mesmo que paire uma dúvida sobre a presença dessas manifestações na tela. Além disso, um dos cenários de <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é um circo na tradição freakshow, tipo de atração bem comum na primeira metade do século passado e que rendeu obras do horror como Monstros de Todd Browning e a quarta temporada de American Horror Story. E lidar com essa temática é uma das especialidades do diretor, vide seu último longa, o vencedor do Oscar A Forma da Água.</p>
<p><em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba sendo um conto moral à moda antiga, no qual o cineasta reverencia obras do passado, a própria primeira adaptação do romance e o cinema noir, trazendo essa história de um homem que cai em desgraça a partir do momento em que cede à ambição e ao enriquecimento a partir da exploração da fé alheia.</p>
<p>Bradley Cooper vive um rapaz que vai trabalhar em um circo e aprende alguns truques com um grande ilusionista interpretado por David Strathairn (Boa Noite e Boa Sorte). Mesmo alertado pelo seu mentor de que o uso indevido desse conhecimento pode levá-lo à desgraça, o personagem de Cooper utiliza tudo o que aprende para enganar gente poderosa quando vai para cidade grande. Só que ele acaba se encrencando cada vez mais, sobretudo quando ele começa a se deparar com figuras mais ardilosas que ele.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15139" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg" alt="O Beco do Pesadelo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/0483539-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Desde que migrou em definitivo para o grande esquema de produção cinematográfica hollywoodiano, o cinema de Del Toro passou por uma adaptação. É evidente que filmes como A Forma da Água, A Colina Escarlate ou <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> estão à sombra de obras como A Espinha do Diabo ou O Labirinto do Fauno, indubitavelmente mais espontâneos e menos pasteurizados. Ainda assim, Del Toro consegue encontrar brechas em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>.</p>
<p>Aqui, Del Toro acerta sobretudo por não ter grandes ambições com sua história, querer extrair grandes temáticas ou se preocupar excessivamente em mostrar o poder de fogo do cineasta com composições imagéticas mais estilísticas. Em <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em>, Del Toro não tem vergonha alguma de abraçar o clássico. Mesmo que no começo, o momento em que o protagonista tem sua experiência no circo, o filme soe perdido em suas diversas histórias paralelas, sempre em busca de algum fiapo de trama central, <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> acaba nos levando a um resultado claramente mais satisfatório que títulos como A Forma da Água e A Colina Escarlate.</p>
<p>Um dos pontos altos do longa é o desempenho de Bradley Cooper, que faz um sujeito completamente desprezível. É interessante como Del Toro segura até o fim a verdadeira natureza desse personagem, tudo para nos seduzir com aquela figura. Desde trabalhos como O Lado Bom da Vida, Sniper Americano e Nasce uma Estrela, Bradley só se supera. Aqui o ator tem a oportunidade de interpretar um grande vilão, um homem inescrupuloso e sem redenção, mostrando assim uma faceta inesperada para o público. No fim das contas, através desse personagem tão bem delineado pelo ator, Del Toro nos apresenta o processo gradual de bestificação do homem em uma jornada desenhada com muito esmero e didatismo por Cooper.</p>
<p>O filme tem no elenco três atrizes formidáveis: Rooney Mara, Toni Collete e Cate Blanchett, mas as todas elas são subaproveitadas pelo tratamento raso que o roteiro dá as suas personagens. Entre elas, Blanchett tem os seus momentos como uma psicóloga que seduz o personagem do Cooper, mas é um tipo de papel que a gente já espera ver a atriz dominar como ninguém na tela e é um pouco frustrante para o espectador notar que ela não extrapola essa expectativa. Ainda assim, há momentos brilhantes da atriz, sobretudo quando Del Toro sequer registra o rosto de Blanchett no quadro e ela só tem a voz como instrumento de expressão nas sessões de análise do personagem de Cooper.</p>
<p>De uma maneira geral é um super-produção, um ótimo entretenimento adulto fugindo das opções usuais do cinema atual, como filmes de super heróis e derivados. <em><strong>O Beco do Pesadelo</strong></em> é bem dirigido por Guillermo Del Toro e, sobretudo, confirma Bradley Cooper como um intérprete versátil.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guillermo del Toro</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bradley Cooper, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Rooney Mara, Ron Perlman, Mary Steenburgen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/6mifhKKpHTI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Homem-Aranha &#8211; Sem Volta para Casa (sem spoilers)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Dec 2021 23:32:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A caminhada de Tom Holland dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) sempre foi de amadurecimento. A cada aparição, o herói da vizinhança aprendia lições sobre a vida e aperfeiçoava a jornada para se tornar sua melhor versão. No entanto, até o momento, Tom apenas havia dado passos de bebê diante das possibilidades de seu personagem. Mas, a partir de agora, tudo vai mudar. Em seu terceiro filme solo no MCU, o famoso teioso irá engatar em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A caminhada de Tom Holland dentro do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) sempre foi de amadurecimento. A cada aparição, o herói da vizinhança aprendia lições sobre a vida e aperfeiçoava a jornada para se tornar sua melhor versão. No entanto, até o momento, Tom apenas havia dado passos de bebê diante das possibilidades de seu personagem. Mas, a partir de agora, tudo vai mudar.</p>
<p>Em seu terceiro filme solo no MCU, o famoso teioso irá engatar em sua verdadeira jornada do herói. Ainda que com seu jeitão bobo e juvenil, Peter vai enfrentar dificuldades mais adultas. E aí é que o jogo vira. Amadurecimento é a palavra de ordem de <b><i>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</i></b>, que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros. O novo longa-metragem é o momento de transição que o personagem e os fãs precisavam.</p>
<p>Peter Parker (Tom Holland) teve sua identidade revelada. Agora ele terá que lidar com a pressão da exposição, enquanto é acusado de ter matado Mysterio (Jake Gyllenhaal). Sem conseguir separar os dilemas do seu cotidiano juvenil da sua jornada heróica, Peter recorre ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para que o mundo esqueça a verdadeira identidade do querido herói da vizinhança. Na tentativa de fazer o feitiço para ajudar Parker, Stephen Strange acaba se atrapalhando com a mágica. Esse erro libera conhecidos vilões de outros universos, fazendo com que Peter tenha que enfrentar espécies de fantasmas do multiverso.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-14921 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/homem-aranha-3_ybgv-750x337.jpg" alt="" width="750" height="337" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/homem-aranha-3_ybgv-750x337.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/homem-aranha-3_ybgv-610x274.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/homem-aranha-3_ybgv-770x346.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/homem-aranha-3_ybgv.jpg 1210w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na busca por se provar capaz para o mundo, Tom Holland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-diabo-de-cada-dia-netflix/"><i>O Diabo de Cada Dia</i></a>, de 2020, e <i>Cherry &#8211; Inocência Perdida</i>, de 2021) encanta o público com um desempenho admirável. Até o momento, este foi o filme que melhor proporcionou momentos poderosos para o jovem e promissor ator. A narrativa, evidentemente, é construída para que o espectador se veja completamente apaixonado pela evolução do personagem durante os 148 minutos de duração.</p>
<p>Para além do Holland, a composição do elenco é certeira. A longa duração de <i>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</i> permitiu que os atores e atrizes envolvidos desde os primeiros filmes pudessem ser ainda mais explorados aqui. Desta vez, para além do trio principal, até mesmo Marisa Tomei (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-de-volta-ao-lar/"><em>Homem-Aranha: De Volta ao Lar</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-frankie/"><i>Frankie</i></a>, de 2019) e Jon Favreau (<i>Chef</i>, de 2014, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-longe-de-casa/"><i>Homem-Aranha: Longe de Casa</i></a>, de 2019) tiveram mais oportunidades cênicas de mostrar a sua qualidade artística.</p>
<p>Outro ponto de destaque é a volta dos vilões. A estrutura de seu retorno e a dinâmica deles com o Tom guiam a história para outro lugar. Ver a interação entre eles é, além de nostálgico, potente. Ver Doutor Octopus, de Alfred Molina (<i>Correndo Contra o Tempo</i>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bela-vinganca/"><i>Bela Vingança</i></a>, de 2020), e o Duende Verde, de Willem Dafoe (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aquaman/"><i>Aquaman</i></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><i>O Farol</i></a>, de 2019), contracenando é algo poderoso e que jamais o público teve a oportunidade de ver.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-14922 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spiderman-no-way-home-trailer-2-750x313.jpg" alt="" width="750" height="313" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spiderman-no-way-home-trailer-2-750x313.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spiderman-no-way-home-trailer-2-610x254.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spiderman-no-way-home-trailer-2-770x321.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/spiderman-no-way-home-trailer-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda sobre as dinâmicas do elenco, outra escolha certeira é o protagonismo de Doutor Estranho. A participação de Benedict Cumberbatch (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><i>1917</i></a>, de 2019, e <i>Ataque dos Cães</i>, de 2021) é mais curta do que se imagina, mas isso não torna a sua existência menos importante. Da mesma forma, Strange não tira a atenção do público do foco de <i>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</i>, que é a jornada do herói de Parker. Assim, uma das preocupações para o enredo do longa deixa de existir e uma das teorias exageradas dos fãs também some.</p>
<p>É essa trajetória que serve de fio condutor para a trama. Do primeiro ao último minuto, é possível vislumbrar um desenvolvimento de personagem jamais visto no Homem-Aranha &#8211; talvez, jamais visto em outro filme solo de super heróis. E, atrelado a isso, o roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers (os quais também escreveram as sequências anteriores) conecta a jornada de autoconhecimento e crescimento de Peter ao futuro misterioso do multiverso do MCU.</p>
<p>Ao final da sessão, todas as expectativas estarão alcançadas. As dúvidas sobre o que era real ou teria também serão sanadas. O que fica é a nostalgia e a sensação de dever cumprido. E a melhor parte para os fãs: saber que ainda veem mais três filmes com a participação do promissor Tom Holland. E com a conclusão desse novo capítulo, Peter Parker enfrentará a vida como ela é, mostrando que o Miranha do MCU é mais do que somente um garoto que teve tudo nas mãos. Mostrando que ele é o herói que todos sempre desejaram ver nas telonas. Mostrando que ele é completo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jon Watts</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tom Holland, Zendaya, Benedict Cumberbatch, Jacob Batalon, Alfred Molina, Willem Dafoe, Jamie Foxx, Marisa Tomei e Jon Favreau</p>
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		<title>Crítica: Liga da Justiça &#8211; Snyder Cut</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Mar 2021 22:16:01 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na última quinta-feira (18), o mundo finalmente pôde assistir à visão do diretor Zack Snyder (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aquaman/"><em>Aquaman</em></a>) sobre a famosa <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-liga-da-justica/"><em>Liga da Justiça</em></a>. O projeto, que inicialmente esteve sob o comando do diretor americano, foi passado para Joss Whedon (<i>Os Vingadores</i>, de 2012) por desentendimentos entre o chefe da Warner e Snyder e questões pessoais do diretor. Mais uma vez, problemas internos de produção afetaram outra obra cinematográfica do estúdio. E é em meio a este embate que <b><i>Liga da Justiça &#8211; Snyder Cut</i></b> (2021) emerge e traz um novo olhar para o Universo Estendido DC (DCEU).</p>
<p>Após a perda do guardião da Terra, Batman (Ben Affleck, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-garota-exemplar/"><em>Garota Exemplar</em></a>) precisará, ao lado da Mulher Maravilha (Gal Gadot, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mulher-maravilha/"><em>Mulher-Maravilha</em></a>), reunir os maiores super-heróis do planeta para deter um desastre iminente. Além da jornada para juntar esta liga de heróis composta pelo Aquaman (Jason Momoa, <em>Game of Thrones</em>), Flash (Ezra Miller, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-animais-fantasticos-e-onde-habitam/"><em>Animais Fantásticos e Onde Habitam</em></a>) e Ciborgue (Ray Fisher, True Detective), eles precisarão se preparar para deter Darkseid, o conquistador de mundos, e seu exército de parademônios comandados por Lobo da Estepe.</p>
<p>A estreia do filme é uma vitória para os fãs da DC que são os responsáveis por cobrar o lançamento do longa-metragem. Após uma extensa campanha online para liberação do que viria a ser o <b><i>Snyder Cut</i></b> &#8211; como é conhecida a produção por ser o corte do diretor &#8211; a Warner se rendeu ao desejo do público e criou os caminhos para fazer deste filme uma realidade.</p>
<p>O primeiro ponto positivo do <b><i>Snyder Cut</i></b> é seu poder de comprovação de qualidade. As produções da DCEU vaguearam, durante um bom tempo, entre ótimos filmes e outros bem problemáticos &#8211; a exemplo de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman-vs-superman-a-origem-da-justica/"><i>Batman vs Superman: A Origem da Justiça</i></a> (2016) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><i>Esquadrão Suicida</i></a> (2016). Desta vez, o clamor dos espectadores trouxe o filme para as telas. Sem amarras, da forma que foi pensado (e ainda mais). Com isso, a estreia do HBO Max comprovou novamente que a DC é capaz de realizar produções de qualidade dentro de um arco maior e interativo de filmes.</p>
<p>Ou seja, a construção narrativa da nova <b><i>Liga da Justiça</i></b> traz o universo de volta aos trilhos. No entanto, é importante pensar que esta alusão ao trem descarrilhado existe a partir de uma perspectiva mercadológica e competitiva &#8211; uma vez que <i>Mulher-Maravilha</i> (2017), <i>Aquaman</i> (2018) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-shazam/"><i>Shazam!</i></a> (2019) foram filmes que funcionaram, tem qualidade e são bem amarrados.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13905" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-snyder-cut.jpeg" alt="Liga da Justiça - Snyder Cut" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-snyder-cut.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-snyder-cut-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-snyder-cut-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/liga-da-justica-snyder-cut-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A necessidade de mega bilheterias e a inevitável comparação entre a DC e Marvel e seus universos estendidos são os fatores que regem essa competitividade alucinante. E ela é uma das principais razões que causaram diversos tropeços do DCEU ao longo de sua existência &#8211; seja por falta de planejamento do estúdio ou por uma comparação infundada por parte do público.</p>
<p>Nesta nova versão, existe a profundidade necessária para guiar as motivações das personagens, elas são bem trabalhadas e mostram quem são de verdade. Da mesma forma são os vilões do filme, os quais, desta vez, se sustentam e se mostram capazes de carregar o peso de suas ações e do papel que representam para o Universo Estendido. Esses são os principais elementos narrativos que conseguem, de longe, fazer deste longa-metragem uma produção melhor para inaugurar a jornada da Liga da Justiça nos cinemas.</p>
<p>É inegável dar os louros ao Snyder pelo seu olhar macro da história &#8211; coisa que ele não conseguiu imprimir em <i>Batman vs Superman</i>. E, quando analisado, é interessante pensar que o projeto inicial se propôs a abrir essa nova página da história com um dos maiores vilões do universo. Além de arriscada, foi uma escolha corajosa introduzir Darkseid de logo cara. Só que isso é feito de forma tão sutil e cuidadosa, que não criou conflitos narrativos; apenas possibilitou diversos caminhos para o DCEU seguir.</p>
<p>No entanto, isto só foi possível porque o <b><i>Liga da Justiça &#8211; Snyder Cut</i></b> tem 4h de duração. E aqui mora o primeiro problema &#8211; quando pensamos na obra dentro do formato de narrativa cinematográfica. Mesmo com a divisão da história em capítulos &#8211; o que permite uma flexibilidade maior na hora de assistir ao filme &#8211; é exaustivo para quem decide encará-lo como um longa-metragem. São 4h que valem a pena pelo resultado, mas existem excessos que são evidentes. Ainda que seja interessante o longa tirar o tempo necessário para estabelecer o contato inicial entre o público e os heróis que ainda não haviam sido mostrados nas telas, a duração cansa o espectador.</p>
<p>Outro fator relacionado aos excessos está na aparição de várias figuras conhecidas que abrem muitas portas para o futuro narrativo. Neste caso, esses caminhos podem levar a mais um momento de desencontro da produção. Fica claro que Zack Snyder quis apresentar a Liga da forma mais completa possível.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13904" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sc001.jpg" alt="Liga da Justiça - Snyder Cut" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sc001.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sc001-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sc001-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/sc001-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Também é compreensível que a escolha foi feita para dar brecha a novos filmes solo e outras interações com referências em quadrinhos diversos, mas isso precisaria ser conduzido de forma cuidadosa. E, ainda assim, existem inserções que extrapolam a narrativa contada pelo Snyder e se tornam mais interrogações na cabeça do espectador, além de ter feito o filme se estender ainda mais, a exemplo de quase todo o epílogo.</p>
<p>É pensando também nesse futuro um tanto incerto que moram os maiores questionamentos sobre o DCEU. A chegada de <b><i>Liga da Justiça &#8211; Snyder Cut </i></b>não mudou os caminhos trilhados pelo universo e, até então, não afetou projetos em andamento. A Warner e o próprio diretor também já se pronunciaram alegando que ele não estará mais à frente de projetos do Universo Estendido. Mas isso significa que o conteúdo narrativo do <b><i>Snyder Cut</i></b> será ignorado, como se nunca tivesse sido lançado? Será que outra petição virtual será feita para tornar canônica essa versão e seguir a partir dela? Ou até mesmo, será que outra comoção trará o diretor de volta?</p>
<p>Além disso, não está claro ainda onde o novo Batman se encaixa, da mesma forma que o enredo de <i>The Flash</i> (2022) não foi divulgado e existem apenas rumores sobre o conteúdo do longa. Outras dúvidas são sobre a saída de Ben Affleck e Henry Cavill e o <i>reboot</i> do <em>Superman</em> no universo. As polêmicas envolvendo Ray Fisher e a investigação sobre a conduta abusiva de Joss Whedon durante as gravações de <i>Liga da Justiça</i> (2017) também tiveram efeitos. O planejamento do filme solo do Ciborgue parou e talvez ele tenha sido cortado do filme do Flash.</p>
<p>Seja quais caminhos a Warner deseje seguir, duas coisas são esperadas: que haja um planejamento a longo prazo e que o resultado das produções mantenha a qualidade de filmes como <i>Wonder Woman</i>, <i>Aquaman</i>, <i>Shazam!</i> e o <b><i>Snyder Cut</i></b>. É impossível negar a qualidade do que foi visto com a versão de Zack e isso precisa ser respeitado. O trabalho do diretor, produtor e roteirista não é livre de julgamentos e, muito menos, de erros. Há escolhas que poderiam ter sido diferentes, mas o conjunto da obra é satisfatório, não há como negar.</p>
<p>Sem exageros e firulas, Snyder conseguiu demonstrar o seu cinema. E, apesar de ter feito dois filmes no DCEU anteriormente, é em <b><i>Liga da Justiça &#8211; Snyder Cut</i></b> que se vê as marcas do diretor com clareza &#8211; tanto os acertos quanto os erros. Agora os <i>crossovers</i> da DC têm uma cara e ela é madura e sombria. É uma linguagem e arte que descrevem a essência das histórias em quadrinhos da DC Comics. Com o <b><i>Snyder Cut</i></b>, o público e, principalmente, os fãs puderam vislumbrar tudo o que pode acontecer quando um projeto dá liberdade criativa e artística para a equipe. E quem sabe, ao menos o resultado deste filme não impulsione um novo recomeço para a DC nos olhos do público e da própria indústria.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Zack Snyder<br />
<strong>Elenco:</strong> Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Jason Momoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Amy Adams, Amber Heard, Jeremy Irons, Ciarán Hinds, Diane Lane, Joe Morton, J. K. Simmons, Jared Leto, Joe Manganiello, Robin Wright, Ray Porter, Connie Nielsen, Willem Dafoe, Jesse Eisenberg</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/sdvBf9XiJnA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Mostra de São Paulo: Sibéria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Nov 2020 15:46:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Retornando para sua parceria com o ator Willem Dafoe (O Farol), o cineasta Abel Ferrara (Vício Frenético) traz um universo cheio de metáforas, intensidades e mergulho na mente de seu protagonista, em Sibéria. Em uma longa jornada, Clint (Dafoe) revisita seu passado e investiga marcas e danos provocados e sentidos durante a sua vida. Todo este percurso começa na isolada cabana de Clint, que fica em um local frio e melancólico. Para realizar esta ambientação, são intercalados planos gerais, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Retornando para sua parceria com o ator Willem Dafoe (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><em>O Farol</em></a>), o cineasta Abel Ferrara (<em>Vício Frenético</em>) traz um universo cheio de metáforas, intensidades e mergulho na mente de seu protagonista, em <em><strong>Sibéria</strong></em>. Em uma longa jornada, Clint (Dafoe) revisita seu passado e investiga marcas e danos provocados e sentidos durante a sua vida. Todo este percurso começa na isolada cabana de Clint, que fica em um local frio e melancólico. Para realizar esta ambientação, são intercalados planos gerais, que mostram as montanhas gélida e a paisagem inóspita, com um azul-esverdeado saturado, em quadros mais fechados, pouco iluminados, que trazem ações e detalhes de algumas expressões faciais.</p>
<p>Além disso, há uma contenção nas falas das personagens em uma parte considerável do filme. Isto ocorre até chegar uma quebra desta lógica, a partir da virada da narrativa, quando o longa passa a ser um tanto mais verborrágico. Há, após este novo momento da projeção, idas e vidas desta estrutura inicial. Outros tons na paleta de cores são convocados, mas estão sempre indo e voltado, a depender do estado em que Clint se encontra. Existe algo de extremo em <em><strong>Sibéria</strong></em>, que imprime sempre força no que deseja passar, seja nas fantasias que envolvem dor, agressividade, prazer ou susto; nas tonalidades totalmente frias ou quentes, casando com os sentimentos e/ou devaneios de Curtis; na mescla de bastante ou nenhum diálogo etc.</p>
<p>Entre os encontros deste homem perdido, a montagem trabalha em função desta exposição intensa de sentimentos e pensamentos, bem como deste caos impresso na tela. As sequências intercaladas são como o raciocínio de Clint. Ferrara também evoca estes fluxos através de movimentos de câmera que coloca em jogo os olhares externos com os de Clint. O diretor ainda utiliza os zooms para ampliar e diminuir  a solidão, traço tão marcante aqui. Apesar de orquestrar um contexto complexo, com aparentes camadas de profundidades que serão investigadas durante a projeção, há um limite para esta inventividade da produção que acaba por ficar empacada em suas próprias dinâmicas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13465" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/willem-dafoe-siberia_plano_critico.jpg" alt="Sibéria" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/willem-dafoe-siberia_plano_critico.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/willem-dafoe-siberia_plano_critico-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/willem-dafoe-siberia_plano_critico-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/willem-dafoe-siberia_plano_critico-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A partir do terceiro ato, principalmente, as possibilidades vão se esgotando e as repetições discursivas e imagéticas passam a acontecer. <em><strong>Sibéria</strong> </em>não quer trazer algo conclusivo para o espectador e não precisa, porém não sustenta o próprio ciclo que criou. Resta um cansaço e uma sensação de tempo dilatado, deixando que uma sessão de uma hora em meia pareça ter três. Esta escassez criativa está igualmente em Williem Dafoe.</p>
<p>Ainda que entregue uma performance consciente, na qual é possível notar um estudo para seu papel, falta viço e até mesmo certa compreensão de quem é aquela personagem que ele está fazendo. É bem verdade que Dafoe explora a sua já conhecida versatilidade, criando diversos tons, corpos e movimentações. Contudo, o seu Clint apresenta um olhar perdido e gestos vacilantes, que não parecem frutos da sua construção de ator e sim uma dispersão de sentido.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Abel Ferrara</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Willem Dafoe, Dounia Sichov, Cristina Chiriac</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/k1L7KFisdW8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Farol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2019 21:37:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Robert Eggers]]></category>
		<category><![CDATA[Robert Pattinson]]></category>
		<category><![CDATA[Trailer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que nos separa de animais? A racionalidade? A repressão dos instintos? Para chegar em seu atual estágio evolutivo, a humanidade passou por um longo processo. No início de tudo, o homem era este primata que ainda morava em cavernas e tudo girava em torno de sua sobrevivência. De certa maneira, O Farol (The Lighthouse) é sobre a degradação da racionalidade do homem em detrimento de um retorno a esse estado primitivo, irracional e instintivo. Neste sentido, não há nada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que nos separa de animais? A racionalidade? A repressão dos instintos? Para chegar em seu atual estágio evolutivo, a humanidade passou por um longo processo. No início de tudo, o homem era este primata que ainda morava em cavernas e tudo girava em torno de sua sobrevivência. De certa maneira, <em><strong>O Farol</strong></em> (<em>The Lighthouse</em>) é sobre a degradação da racionalidade do homem em detrimento de um retorno a esse estado primitivo, irracional e instintivo.</p>
<p>Neste sentido, não há nada mais instintivo do que a sexualidade. Desde Adão e Eva e o fruto proibido, a tentação carnal é aquilo que mais coloca em risco a racionalidade do homem. Por isso, tudo gira em torno desta grande figura fálica: o farol. Fugindo de seu passado e atraído pela promessa de uma remuneração melhor, o introspectivo Ephrain Winslow (Robert Pattinson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-z-a-cidade-perdida/"><em>Z &#8211; A Cidade Perdida</em></a>) aceita o emprego de ajudante de faroleiro em uma ilha deserta. Lá, além das numerosas tarefas braçais que o levam à exaustão, ele deve lidar com o complicado temperamento de Thomas Wake (Willem Dafoe, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-no-portal-da-eternidade/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>No Portal da Eternidade</em></a>), seu chefe.</p>
<p>Com tudo girando em torno desta volta ao estado primitivo do homem, acho interessante as escolhas da <em>mise-en-scène</em> de Robert Eggers (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Bruxa</em></a>), que sempre remetem a este constante estado de retorno. Primeiramente, ele opta por uma proporção de tela de 1.19:1, que serve sua narrativa em diversos sentidos.</p>
<p>Ela aumenta a sensação de claustrofobia naquele ambiente, o que por si só já é um grande paradoxo imagético. Afinal, ao redor daquela ilha há um vasto mar coberto de névoa e que se prolonga até o limite de nossa visão. Porém, ao mesmo tempo que existe essa imensidão, cria-se este senso de estar preso no meio daquela solidão. Até a piadinha com o personagem de Pattinson batendo a cabeça na parede quando chega ao seu quarto corrobora esse sentimento de enclausuramento. Eles estão presos na ilha e dentro da própria tela do filme, em constante estado de repressão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12096" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Farol" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5717315.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Por outro lado, se <strong><em>O Farol</em> </strong>volta justamente ao estado primitivo do homem, Eggers se aproveita e emula este retorno ao estado inicial do cinema com sua proporção de tela quadrada. Similarmente, o uso preto-e-branco acaba assumindo esta mesma função metalinguística que remete às origens do cinema.</p>
<p>No entanto, não é só em sua forma que <em><strong>O Farol</strong></em> busca este primitivismo, mas também em seu texto. Além do inglês arcaico do personagem de Willem Dafoe — algo já visto em <em>A Bruxa</em> — o filme recorre a uma visceralidade crua através flatulências, fezes, urina e masturbações. Diante daquela situação degradante e suja, os protagonistas se aproximam de verdadeiros animais.</p>
<p>Este processo de animalização vai sendo construído gradualmente por Eggers, que nos coloca na mesma posição do personagem de Pattinson. Em certos aspectos, o longa se aproxima de uma experiência sensorial bem irritante. Principalmente o som mecânico e onipresente das máquinas que beira o insuportável. Para Ephrain Winslow, tudo se resume a este teste de paciência. Até por isso, é genial como Robert Pattinson assume uma intensa fisicalidade masculina e que regride do homem cordial para um animal completamente sem controle.</p>
<p>O principal gatilho para a espiral de loucura do novato acaba sendo Thomas Wake, seu companheiro na ilha. Tudo vai se resumindo a uma intensa disputa de quem é o “mais macho” dentro daquela estrutura peniana, com a tensão sexual chegando aos extremos. As já mencionadas necessidades fisiológicas chegam a contribuir muito para esse estado de masculinidade tóxica, símbolos constantemente associados a esta figura do “machão”. Assim como Pattinson, Dafoe se reinventa em mais um papel e está nojento de um jeito fascinante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12097" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Farol" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/5695440.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, é curioso que, na mesma proporção que Winslow e Wake vão rumando para um primitivismo mais bruto, Eggers regride buscando referências tanto no próprio primitivismo do cinema como das artes anteriores a ele. Além do preto-e-branco e da proporção de tela<i> </i>que remetem a uma era inicial da 7ª arte, o diretor bebe um pouco de várias fontes clássicas, jamais se aprofundando em cada uma, deixando apenas o nosso imaginário trabalhar. Só para exemplificar, há todo um jogo de sombrar que remete ao Expressionismo Alemão; os contos marítimos de Herman Melville (<em>Moby Dick</em>) e os monstros H.P Lovecraft (<em>O Chamado de Cthulhu</em>); a invocação de uma mitologia marítima (sereias e Netuno); e até mitos gregos como Ícaro e Prometeu.</p>
<p>No fim, <strong><em>O Farol</em></strong>, acaba sendo uma literal escada para a loucura e obsessão que leva todos de volta para o passado. Se seu protagonista se entrega aos instintos e está obcecado com o controle por esse &#8220;pênis gigante&#8221;, Eggers parece obcecado em um formalismo estético rodeado de referências antigas que criam um terror a nível sensorial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Willem Dafoe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=rwExUiQzCD0]</p>
<p><em>*Filme assistido durante exibição no <a href="http://www.festivaldorio.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Festival do Rio 2019</strong></a>.</em></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/">Crítica: O Farol</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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