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	<title>Arquivos Blumhouse Productions - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Blumhouse Productions - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Obsessão</title>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2026 02:37:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O horror trouxe para 2026 a promessa de um ano bem movimentado. Com estreias como Socorro!, Casamento Sangrento: A Viúva e A Maldição da Múmia, o gênero já vem engajando o seu público cativo desde o início do ano e tem mais uma promessa que estreia no Brasil por agora. Uma das mais novas promessas do horror atual tem a sua estreia marcada com seu mais novo filme. Obsessão, do youtuber Curry Barker, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14). O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O horror trouxe para 2026 a promessa de um ano bem movimentado. Com estreias como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-socorro/"><em>Socorro!</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casamento-sangrento-a-viuva/"><em>Casamento Sangrento: A Viúva</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-maldicao-da-mumia/"><em>A Maldição da Múmia</em></a>, o gênero já vem engajando o seu público cativo desde o início do ano e tem mais uma promessa que estreia no Brasil por agora. Uma das mais novas promessas do horror atual tem a sua estreia marcada com seu mais novo filme. <strong><em>Obsessão</em></strong>, do youtuber Curry Barker, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14).</p>
<p>O longa-metragem é mais uma promessa de um cineasta que sai da plataforma de vídeos para ganhar o mundo da sétima arte. Desde a sua exibição no Festival de Toronto no ano passado, <strong><em>Obsessão</em></strong> vem gerando um burburinho no meio do horror como um dos principais filmes do gênero em 2026. Com tudo, parafraseando o tio Ben, com grandes expectativas vêm (a possibilidade de) grandes frustrações. Seria esse o caso desse lançamento?</p>
<p><strong><em>Obsessão</em></strong> narra a vida de Bear (interpretado por Michael Johnston), um jovem apaixonado por sua amiga de infância e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). A angústia pelo amor não correspondido e sua falta de coragem em arriscar fazem com que ele recorra, sem muita crença, ao sobrenatural para ter o amor que tanto sonhou. Bear acha, em uma loja de artefatos místicos, um objeto que lhe concederá um único pedido, o de ter o amor por Nikki correspondido. O que ele não esperava é que seu desejo pudesse ter consequências tão brutais.</p>
<p>Sob essa premissa, o longa de Barker mexe com uma base narrativa bem comum entre histórias juvenis: o amor não correspondido da pessoa mais introspectiva/tímida. A proposta em ter isso como um mote narrativo não é o problema, mas como é feito. <strong><em>Obsessão</em></strong> é, apesar de muito bem executado e, por vezes, visualmente chocante, enfadonho.</p>
<figure id="attachment_20643" aria-describedby="caption-attachment-20643" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20643" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-750x500.jpg" alt="Obsessão (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261.jpg 1199w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20643" class="wp-caption-text">Michael Johnston e Inde Navarrette em cena de &#8216;Obsessão (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Parece que o objetivo do cineasta era construir personagens insuportáveis para tornar tudo ainda mais intenso, revoltante, perturbador e incômodo. O problema é que ele fez isso tão bem em seu roteiro que o longa, em diversos momentos, se torna insustentável de tão irritantes que são seus personagens. <strong><em>Obsessão</em></strong> é uma sessão interminável de raiva e ansiedade com as insanidades vividas por Bear devido ao seu desejo desmedido e imaturo.</p>
<p>Bear age como uma esponja idiota quase que o filme inteiro. Durante as quase 2h de duração de <strong><em>Obsessão</em></strong>, o personagem apenas absorve as pancadas e os absurdos que agora regem sua vida. Nikki, por outro lado, é mostrada com uma instabilidade emocional que provoca verdadeiro desespero &#8211; e beira o absurdo (não no bom sentido). E aqui é importante enaltecer os atores Michael Johnston (<em>Teen Wolf</em>) e Inde Navarrette (<em>Superman &amp; Lois</em>) que conseguem carregar isso com o que os seus personagens insuportáveis lhes restam de carisma. Eles encarnam bem essas personas, mas isso não as salva da tortura que é assistir a essa sinfonia insuportável.</p>
<p>Ainda que existam os méritos em alcançar esse incômodo no espectador, existe uma visão um tanto limitada sobre o (con)texto. Quase como se fosse a percepção de alguém que quis colocar um amor nunca correspondido no papel e fez isso da forma mais birrenta e infantil possível. <strong><em>Obsessão</em></strong> perde muito em suas investidas juvenis na forma com que olha a codependência emocional de um relacionamento juvenil. Com um outro olhar &#8211; menos birrento, talvez -, o projeto poderia ser verdadeiramente denso e aterrador.</p>
<p>O gosto amargo que fica ao final da sessão é exatamente por conta disso. O exagero e os absurdos fazem parte da proposta. Barker deixa claro em vários momentos que quer esgaçar ao máximo os limites do que é posto em tela, mas isso, em certos momentos, faz com que a dramaticidade de alguns ciclos narrativos não tenha força nenhuma. E é aqui que <strong><em>Obsessão</em></strong> perde. O interesse estético e o conhecimento técnico são evidentes por parte do diretor, sua premissa é algo que chama a atenção, mas a ausência de uma profundidade dramática é gritante e isso não tem como resolver &#8211; nem mesmo com um desejo mágico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Curry Barker</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Curry Barker</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OYueQyeNgOk?si=8VleYzdJA_PHiOoM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Telefone Preto 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Oct 2025 11:22:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O anúncio de uma sequência de sucesso para um filme de terror já é algo de praxe para os estúdios atualmente. A atitude, ainda que esperada, levanta alertas para o público sobre a qualidade do que virá na nova produção. No gênero, o histórico não tem o melhor dos precedentes, como M3GAN 2.0, que mesmo não sendo ruim, mudou totalmente sua estrutura e abandona o horror, ou Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, que é uma sequência-legado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O anúncio de uma sequência de sucesso para um filme de terror já é algo de praxe para os estúdios atualmente. A atitude, ainda que esperada, levanta alertas para o público sobre a qualidade do que virá na nova produção. No gênero, o histórico não tem o melhor dos precedentes, como <em>M3GAN 2.0</em>, que mesmo não sendo ruim, mudou totalmente sua estrutura e abandona o horror, ou <em>Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado</em>, que é uma sequência-legado terrivelmente fraca e narrativamente instável. Nessa lógica, os fãs de horror se preocuparam com o que poderia ser <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong>, continuação do sucesso de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-telefone-preto">2021</a>.</p>
<p>Apesar das especulações a partir do marketing do filme e da &#8216;maldição&#8217; das sequências dentro do gênero, o novo filme do diretor Scott Derrickson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho"><em>Doutor Estranho</em></a>, de 2016, e <em>Entre Montanhas</em>, de 2025) não deixa nada a desejar em comparação ao primeiro. Em sua sequência, o cineasta e co-roteirista escancara as portas do sobrenatural e mergulha de cabeça nessa jornada, se aproximando de uma entidade tão cruel quanto o Freddy Krueger. <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong> tem a coragem de se distanciar do suspense investigativo do primeiro longa para focar numa fantasia de horror oitentista.</p>
<p>A narrativa de <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong> começa quatro anos após os eventos do primeiro filme. Finney Blake (interpretado por Mason Thames) está tentando lidar com o trauma do seu passado. Tanto as memórias do sequestro quanto o peso de ter matado o Sequestrador (interpretado por Ethan Hawke) ainda mexem com sua cabeça. Enquanto isso, sua irmã Gwen (interpretada por Madeleine McGraw) começa a ter visões de um acampamento com crianças mutiladas. O problema é que os pesadelos dela são visões do novo confronto que eles precisarão ter com o Sequestrador, afinal, morto é só uma palavra.</p>
<p>O roteiro de Derrickson e C. Robert Cargill (<em>A Entidade</em>, de 2012, <em>O Telefone Preto</em>, de 2021) opta por explorar esse outro elemento presente no filme anterior, tornando isso o mote central da trama. A jornada médium das crianças &#8211; agora já adolescentes &#8211; ganha espaço, dando ainda mais desenvolvimento para os personagens, especialmente para Gwen, que ganha mais protagonismo e tempo de tela em <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong>. O alcance dos seus poderes psíquicos e o que eles revelam sobre o passado do Sequestrador e de sua família. Ao mesmo tempo, os roteiristas investem ainda mais em trazer o público para dentro de uma época, evocando elementos que te transportam no tempo.</p>
<figure id="attachment_20007" aria-describedby="caption-attachment-20007" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20007" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-750x500.jpg" alt="Telefone Preto 2 (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2-1400x934.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Telefone-Preto-2-2.jpg 1612w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20007" class="wp-caption-text">Mason Thames e Madeleine McGraw em cena de &#8216;Telefone Preto 2 (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ainda que a história foque mais na personagem de McGraw (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-familia-mitchell-e-a-revolta-das-maquinas"><em>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</em></a>, de 2021), Hawke (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-mundo-depois-de-nos-netflix"><em>O Mundo Depois de Nós</em></a>, de 2023) e Mason Thames (<em>Como Treinar Seu Dragão</em>, de 2025) continuam a ter bons momentos em tela, mostrando o alcance de suas interpretações e o patamar de desenvolvimento no qual seus personagens chegaram. Igualmente, o roteiro permite alguns momentos interessantes de Armando, o supervisor do acampamento (interpretado por Demián Bichir), mostrando que Derrickson e Cargill conhecem os meandros da história que criaram e sabiam para onde queriam seguir em <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong>.</p>
<p>Apesar de acertarem em muitos pontos, como no investimento do horror fantástico e sobrenatural, na expansão do passado do Sequestrador e da família Blake, o roteiro desliza no pouco desenvolvimento do pai de Finney e Gwen, interpretado por Jeremy Davies. Como já mostrado em seu antecessor, Davies é capaz de diferentes nuances em sua interpretação e, diante dos eventos assombrosos sobre seu passado e vivido por seus filhos, ele merecia um cuidado maior durante <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong>.</p>
<p>Outro elemento que vez ou outra acaba pesando é o uso da estética de fita VHS. Assim como no primeiro filme, <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong> continua a usar a textura de VHS para separar o que é sonho/visões do que acontece quando se está acordado. Mesmo que seja um recurso interessante e visualmente apelativo, ele é excessivamente usado ao longo do filme, o que acaba cansando um pouco o espectador. Existe, é claro, uma coerência estética nesse uso, uma vez que a sequência é um filme repleto de sonhos e visões, mas uma saída para equilibrar esse uso e não cansar o recurso teria sido interessante.</p>
<p>No fim das contas, <strong><em>Telefone Preto 2</em></strong> é uma sequência que vale a pena pelo seu esforço em se manter coerente com o que veio antes, sem perder a oportunidade de investir em algum outro elemento. A escolha de mergulhar no sobrenatural pode desagradar alguns, mas ela é uma decisão que se prova intrigante para a proposta da nova história de Derrickson e Cargill. Assim, o longa é um prato cheio para os fãs de histórias de horror fantástico oitentistas, repleto de elementos que te fazem mergulhar naquela atmosfera de cabeça.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Scott Derrickson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mason Thames, Madeleine McGraw, Ethan Hawke, Jeremy Davies, Demián Bichir, Miguel Mora, Anna Lore, Arianna Rivas, Graham Abbey e Maev Beaty</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4FTqSFaKyjs?si=o_36J4hGex9UwoYY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Drop &#8211; Ameaça Anônima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 12:46:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O terror e o suspense andam lado a lado  por dividirem em seu cerne constitutivo o elemento da ambiência e tensão como objetivos principais. Ainda que façam isso a partir de elementos diferentes, em muitos momentos, o que vai definir um filme ser de um gênero ou de outro é o que vem após a elevação da tensão. Por conta disso, diretores como Alfred Hitchcock (Psicose, de 1960), conhecido como &#8216;mestre do suspense&#8217;, flertaram com o horror. O contrário também [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O terror e o suspense andam lado a lado  por dividirem em seu cerne constitutivo o elemento da ambiência e tensão como objetivos principais. Ainda que façam isso a partir de elementos diferentes, em muitos momentos, o que vai definir um filme ser de um gênero ou de outro é o que vem após a elevação da tensão. Por conta disso, diretores como Alfred Hitchcock (<em>Psicose</em>, de 1960), conhecido como &#8216;mestre do suspense&#8217;, flertaram com o horror. O contrário também pode acontecer, como é o caso do retorno do cineasta Christopher Landon (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-morte-te-da-parabens/"><em>A Morte Te Dá Parabéns</em></a>, de 2017, e <em>Freaky &#8211; No Corpo de um Assassino</em>, de 2020) com o <em>thriller</em> <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em>.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (10), é um flerte do diretor com suas origens do terror com seu domínio da construção de atmosfera e tensão. Landon conhece bem os caminhos da linguagem que é comum aos gêneros e utiliza delas ao seu favor para criar mais camadas para seu novo filme. Sua condução é inventiva e tem a sua marca &#8211; seja nos acertos e nos exageros. É possível perceber em diversos momentos de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> a marca registrada do cineasta estadunidense.</p>
<p>Para além dos tropos e elementos constitutivos básicos e comuns entre o <em>thriller</em> e o horror, Landon ainda se cerca de uma característica presente em sua filmografia: a comicidade. <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> é uma mistura bem orquestrada entre a tensão e o humor ácido já conhecido nos trabalhos de Christopher Landon. Ainda que a assinatura do roteiro não seja sua, a marca de seu trabalho se faz expressa pelo aproveitamento dos diferentes tons e momentos narrativos criados pela dupla Jillian Jacobs e Chris Roach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-verdade-ou-desafio/"><em>Verdade ou Desafio</em></a>, de 2018, e <em>A Ilha da Fantasia</em>, de 2020).</p>
<p>Diferente de seus trabalhos anteriores, a dupla à frente do roteiro não trabalha com uma terceira pessoa, talvez o que tenha permitido que chegassem ao seu verdadeiro potencial. O roteiro de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> é incomparavelmente mais redondo e instigante do que os trabalhos prévios da parceria entre Jillian e Chris. A construção da tensão é bem elaborada, a comicidade como alívio e jogo narrativo entra na hora certa e, apesar de um final com muitos acontecimentos, o filme se faz claro e condizente com o caminho percorrido.</p>
<figure id="attachment_19341" aria-describedby="caption-attachment-19341" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19341" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-750x500.jpg" alt="Drop - Ameaça Anônima (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-1400x934.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1.jpg 1612w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19341" class="wp-caption-text">Meghann Fahy e Brandon Sklenar em cena de &#8216;Drop &#8211; Ameaça Anônima (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Posto isso, Christopher Landon amarra a narrativa com uma criatividade na direção. Suas escolhas para o longa parecem ser mais desapegadas de limitações a convenções. Os planos e movimentos de câmera entregam um resultado visualmente instigante, especialmente graças ao trabalho da fotografia. Encabeçado por Marc Spicer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-quando-as-luzes-se-apagam/"><em>Quando as Luzes Se Apagam</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-escape-room/"><em>Escape Room</em></a>, de 2019), o departamento entrega uma produção visualmente interessante que não se limita a ser apenas mais do mesmo. Não há nada completamente inovador, mas a fotografia de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> consegue trazer momentos instigantes para o público.</p>
<p>Como qualquer narrativa, especialmente aquelas que estão entre o espectro do suspense e terror, as performances do elenco são um ponto crucial para fazer o filme decolar ou não. Felizmente, o <em>casting</em> acertou ao escalar Meghann Fahy (<em>The White Lotus</em>, de 2022) e Brandon Sklenar (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-e-assim-que-acaba/"><em>É Assim que Acaba</em></a>, de 2024) como os personagens centrais da trama. Ainda que o roteiro use de artifícios visuais atuais para estar em mais de um ambiente, <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> se passa majoritariamente num mesmo espaço. E não apenas qualquer lugar, mas um extremamente corriqueiro, o que exige ainda mais investimento das performances para puxar o espectador para a trama.</p>
<p>Tanto Meghann quanto Brandon conseguem se apropriar da narrativa o suficiente para se tornarem hipnóticos. Suas interpretações podem não ser de tirar o fôlego ou dignas de um prêmio, mas são completamente críveis e convincentes ao ponto de tornar um encontro num restaurante algo interessante, antes mesmo que a tensão se estabeleça. A dupla dribla qualquer tipo de fragilidade ao longo de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> &#8211; inclusive o final com muitos acontecimentos &#8211; e entrega um resultado amarrado entre atuações, roteiro e direção que vale a pena conferir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Landon</p>
<p><strong>Elenco:</strong>  Meghann Fahy, Brandon Sklenar, Violett Beane, Jacob Robinson, Reed Diamond, Ben Pelletier, Gabrielle Ryan, Jeffery Self e Ed Weeks</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/RFEGbOtwNV0?si=2XqUQdW5-pYMDgSr" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Exorcista: O Devoto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Oct 2023 12:53:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Outubro é o mesmo do terror. A tradição estadunidense do dia das bruxas se espalhou mundo à fora e estabeleceu esse contexto de lançamentos majoritários (ou principais) do gênero ao longo do mês do Halloween. Com isso, os fãs aguardam ansiosos pelas principais promessas anuais dessa safra. No caso de 2023, o filme mais aguardado foi a continuação direta de O Exorcista (1973). Ainda que seja o sexto longa-metragem da franquia, O Exorcista: O Devoto, que estreia nesta quinta-feira (12), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Outubro é o mesmo do terror. A tradição estadunidense do dia das bruxas se espalhou mundo à fora e estabeleceu esse contexto de lançamentos majoritários (ou principais) do gênero ao longo do mês do <em>Halloween</em>. Com isso, os fãs aguardam ansiosos pelas principais promessas anuais dessa safra. No caso de 2023, o filme mais aguardado foi a continuação direta de <em>O Exorcista (1973)</em>. Ainda que seja o sexto longa-metragem da franquia, <em><strong>O Exorcista: O Devoto</strong></em>, que estreia nesta quinta-feira (12), funciona como uma sequência ao projeto original, lançado há 50 anos. A expectativa com um <em>requel</em> (sequência do longa original que apaga capítulos posteriores ao primeiro) de uma das mais célebres histórias do universo literário e cinematográfico do horror/terror foi altíssima. Sua queda, no entanto, também será.</p>
<p><em><strong>O Exorcista: O Devoto</strong></em> é uma produção mesquinha. Está no <em>hall</em> daqueles projetos que se percebe a clara ganância de quem produziu. Não é sobre contar uma nova história ou assustar o público, aqui o discurso que comanda é o lucro, único e exclusivamente. Dentro de uma lógica de trilogia, o primeiro capítulo é uma cópia fracassada do longa seminal de William Friedkin. Não existe apego aos personagens como no original. A atmosfera de horror e desespero não chega nem perto da construída em 1973. E, para taxar ainda mais a produção como uma aproveitadora de fãs, a participação da &#8216;personagem-legado&#8217; é curta, esquecível e sem emoção.</p>
<p>Mais uma vez o diretor e roteirista David Gordon Green (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-halloween-ends/"><em>Halloween Ends</em></a>, de 2022) conseguiu tornar irrelevante uma das maiores franquias de terror. Assim como ele fez com o segundo e terceiro capítulo de sua trilogia <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-trilogia-halloween/"><em>Halloween (2018-2022)</em></a>, em <em><strong>O Exorcista: O Devoto</strong></em>, os acontecimentos são renegados a mimese do que se espera de uma produção sobre possessão. A estrutura da narrativa criada por Gordon Green e Peter Sattler é frágil e soa como qualquer coisa. Parece que é apenas mais uma repetição de um subgênero que um dia deu certo. Não há surpresa. Não existe espaço para emoção. Não tem sequer um resquício de sentimento de pertencimento ao universo criado pelo longa original.</p>
<figure id="attachment_17326" aria-describedby="caption-attachment-17326" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-17326 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-750x500.jpg" alt="O Exorcista: O Devoto (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/O-Exorcista-O-Devoto-4.jpg 1155w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17326" class="wp-caption-text">Ellen Burstyn e Leslie Odom Jr. em cena de &#8216;O Exorcista: O Devoto&#8217; (2023) &#8211; Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>O problema da produção que tem sido comentado e atacado pela crítica é justamente essa desconexão com o sentimento gerado pelo filme de 1973. Essa falta de unidade, de força e de cuidado é a maior falha do projeto &#8211; falha essa que pode fazer com que a trilogia tenha sua vida encurtada. <em><strong>O Exorcista: O Devoto</strong></em> não é, no entanto, um filme de terror ruim. Ele tem uma condução correta, uma montagem dentro dos moldes esperados e cenas que possivelmente irão assustar os mais desavisados. A lacuna presente no longa é a inventividade &#8211; ou até mesmo, a já comentada, sensação de similaridade. Em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-halloween/"><em>Halloween (2018)</em></a>, Gordon Green foi capaz de reconstituir e se aproximar, de forma surpreendentemente fiel, da atmosfera criada por John Carpenter. Aqui, contudo, ele não chegou nem perto do que Friedkin criou.</p>
<p>Dessa forma, o texto do longa não inspira, aterroriza ou choca como o original. Criatividade não está presente na produção e, muito menos, originalidade. Para tristeza dos fãs da franquia, <em><b>O Exorcista: O Devoto</b></em> é um filme genérico de possessão. Está longe de ser o pior de todos, mas também não chega perto de nenhum dos que se preocuparam em tentar ir além do óbvio. E, quando se fala de uma produção que envolve fãs de décadas e um clássico do gênero, a resposta não tem como ser imparcial. A paixão pelo filme de terror favorito vai falar mais alto e é por isso que as respostas estão sendo majoritariamente duras ao filme. Se esperou demais do novo capítulo e a decepção é grande pela pobreza do resultado.</p>
<p>Ainda que as atuações sejam boas, não há sustentação para justificar a continuidade na história iniciada por Friedkin há cinco décadas. <em>Halloween</em>, ainda que tivesse seus problemas, continha um argumento natural: a presença de Michael Myers. Aqui não se tem essa figura que reforça a continuidade. Pazuzu não é citado sequer uma vez. Os personagens sofrem os horrores e traumas da possessão, mas não parece existir motivo aparente para seguir nessa história. O diretor e a Blumhouse vão, no entanto, nos forçar a ver por, pelo menos, mais um filme, a destruição do que é até hoje um dos maiores acontecimentos do cinema de horror. Basta esperar para ver se <em><b>O Exorcista: O Devoto </b></em>vai ter ou não ter bilheteria suficiente para sustentar comercialmente mais duas sequências ou se o público vai se ver livre do terror que é David Gordon Green destruindo mais um favorito do gênero.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Gordon Green</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Leslie Odom Jr., Lidya Jewett, Olivia O’Neill, Jennifer Nettles, Norbert Leo Butz, Ann Dowd e Ellen Burstyn</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="O EXORCISTA - O DEVOTO | Trailer 2 Oficial (Universal Studios) - HD" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/rf3KTNQ8T9c?start=21&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Especial: A trilogia Halloween</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2022 15:50:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Após 44 anos de espera, o fim do embate entre Laurie Strode e Michael Myers chegou aos cinemas. Halloween Ends estreou no dia 13 de outubro trazendo o aguardado encerramento da clássica franquia de terror. Como lançamento do terceiro longa-metragem da trilogia dirigida por David Gordon Green (O Que Te Faz Mais Forte, de 2018) e co-criada por ele e Danny McBride (A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, de 2021), o 13º filme mexeu com as estruturas da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Após 44 anos de espera, o fim do embate entre Laurie Strode e Michael Myers chegou aos cinemas. <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-halloween-ends/"><strong><em>Halloween Ends</em></strong></a> estreou no dia 13 de outubro trazendo o aguardado encerramento da clássica franquia de terror. Como lançamento do terceiro longa-metragem da trilogia dirigida por David Gordon Green (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-que-te-faz-mais-forte/"><em>O Que Te Faz Mais Forte</em></a>, de 2018) e co-criada por ele e Danny McBride (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-familia-mitchell-e-a-revolta-das-maquinas/"><i>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</i></a>, de 2021), o 13º filme mexeu com as estruturas da franquia ao trazer uma história inesperada em seu desfecho. Por conta disso, o filme não foi tão bem recebido pela crítica e, principalmente, pelos fãs.</p>
<p>Para entender a divisão de opiniões sobre a mais recente produção sobre o Bicho-Papão, é preciso revisitar seus dois antecessores. Dentre as inúmeras linhas cronológicas da franquia <strong><em>Halloween</em></strong> (ler mais sobre as cronologias no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-cronologia-halloween/">especial do site</a>), a mais recente se estabelece a partir apenas do original e dos três novos filmes. Assim, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-halloween/"><strong><em>Halloween</em></strong></a> (2018) funciona como uma <em>requel</em> &#8211; filme que recomeça uma linha temporal de uma saga/franquia, ao mesmo tempo que continua a narrativa a partir de algum dos seus capítulos anteriores -, continuando a jornada iniciado por John Carpenter e Debra Hill em 1978.</p>
<p>A escolha de ignorar os nove projetos lançados entre 1981 e 2009 foi essencial para que a ideia de Green e McBride se estabelecesse de forma concreta. A partir desse novo caminho, a narrativa seguiu a aura criada pela direção de Carpenter em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/xvii-festival-panorama-internacional-coisa-de-cinema-halloween-a-noite-do-terror/"><em><strong>Halloween: A Noite do Terror</strong></em></a> e entregaram um sucesso ao público. A estreia do primeiro longa-metragem da trilogia conquistou tanto a crítica quanto o público e garantiu que o projeto da trilogia se tornasse real, fazendo com que a Blumhouse desse a luz verde para que as outras duas sequências fossem produzidas. Na tentativa de levar essa energia do original até o final, a história criada se preocupou em expandir e renovar a franquia a partir de uma narrativa sobre traumas e marcas de feridas do passado.</p>
<figure id="attachment_16068" aria-describedby="caption-attachment-16068" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16068" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-750x500.jpg" alt="Halloween (2018)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-9.jpg 945w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16068" class="wp-caption-text">James Jude Courtney em cena de &#8220;Halloween&#8221; (2018)</figcaption></figure>
<h3>De volta à Haddonfield</h3>
<p>Ao pensar no primeiro episódio desta trilogia, o público recebeu uma produção que se preocupa com o retorno. É um longa que tem por objetivo esclarecer suas escolhas que geraram sua origem, reintroduzir os personagens conhecidos e apresentar os novos rostos. Além disso, <em><strong>Halloween</strong></em> (2018) concentra a sua trama central no trauma e o que ele pode causar nas pessoas próximas. Assim, o foco principal do primeiro filme é mostrar como Laurie passou esses 40 anos após os eventos da noite de Halloween de 1978 e de que forma isso interferiu em sua vida. Ou seja, o roteiro co-escrito por Green, McBride e Jeff Fradley mergulha num drama sobre uma família atormentada pelo passado.</p>
<p>Três gerações das Strode foram afetadas pelo legado violento deixado por Michael Myers. Laurie, por ter sido a vítima direta da Figura, carrega a culpa do sobrevivente, além de viver em constante alerta, no aguardo do retorno do seu algoz. Por conta das feridas de Laurie, sua filha Karen (Judy Greer), cresceu num lar onde a inocência e a infância deram espaço para treinamentos de sobrevivência e um clima de insegurança. Na tentativa de quebrar essa corrente de traumas, Karen se afasta da mãe, o que interfere diretamente na relação de Laurie com sua neta Allyson (Andi Matichak). Essa cama de gato trançada por problemas não resolvidos do passado é o pano de fundo do longa-metragem lançado em outubro de 2018.</p>
<p>Esse desenho caótico de uma família despedaçada pelo medo é a força motriz da narrativa que retoma a franquia. Além da alta qualidade e precisão do roteiro, as dinâmicas por trás dos traumas das Strode complementam a narrativa. Assim como Laurie, o espectador se vê 100% em alerta a todo tempo, esperando que Michael apareça no canto da tela, preparado para ceifar mais vidas, mas essa insegurança e paranoia não para por aí. Uma vez que o público toma dimensão do que aconteceu com Laurie, a pergunta que fica é o que será dos sobreviventes dos eventos ainda mais violentos de <strong><em>Halloween</em></strong> (2018).</p>
<p>Com sequências de mortes surpreendentes e cada vez mais brutais, o espectador se choca com a força devastadora dos novos acontecimentos em Haddonfield. A contagem de corpos de <strong><em>Halloween</em></strong> (2018) supera a do filme de Carpenter e a antecipação para o confronto com Laurie só cresce. Quando é chegada a hora dessa luta cara a cara, o fã não fica decepcionado com uma sequência final tensa até o último minuto. A direção de David Gordon Green é poderosa na condução do pavor e da surpresa, ainda que não seja sutil e sugestiva como a do criador do filme original.</p>
<p>Por conta desse cenário de sucesso, as expectativas se tornaram estelares para seus sucessores. Com uma marca de mais de 255 milhões de dólares arrecadados, <strong><em>Halloween</em></strong> (2018) elevou a exigência dos fãs para outro nível, agora que o público teve o vislumbre de um filme consciente de seu legado que provou ser capaz de se aproximar das sensações causadas pelo original. A partir de agora, o espectador estaria contando os minutos para ver o que os próximos capítulos da trilogia guardariam de surpresa.</p>
<figure id="attachment_16069" aria-describedby="caption-attachment-16069" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16069" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-750x500.jpg" alt="Halloween (2018)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-8.jpg 900w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16069" class="wp-caption-text">Judy Greer, Jamie Lee Curtis e Andi Matichak em cena de &#8220;Halloween&#8221; (2018)</figcaption></figure>
<h3>O legado de Michael</h3>
<p>Depois de um final eletrizante &#8211; e que, para muitos fãs, poderia ter sido a conclusão da história do Bicho-Papão -, <strong><em>Halloween Kills: O Terror Continua</em></strong> (2021) tem a difícil missão de começar a sua jornada de uma forma tão apoteótica quanto o encerramento do seu antecessor. Como esperado, esse tipo de expectativa tão elevada não é o ideal para uma produção ser construída. Para dificultar ainda mais o processo do segundo filme, a pandemia de covid-19 teve seu <em>boom</em> na época das gravações, fazendo com que o cronograma inicial da produção mudasse por completo.</p>
<p>Com os atrasos e as novas dinâmicas vindas da pandemia, o projeto teve a sua estreia postergada em um ano e acabou sendo lançado tanto nos cinemas, como pelo <em>streaming</em> Peacock, nos Estados Unidos. Apesar dos fatores externos que tornavam ainda mais difícil a entrega da produção, a ideia para o capítulo dois sempre esteve clara para os co-criadores da trilogia. <strong><em>Halloween Kills</em></strong> se preocupa em descrever o outro lado da moeda sobre os ataques de Michael.</p>
<p>Qualquer evento brutal deixa marcas numa comunidade. Seja ele em grande escala ou não, assassinatos como os cometidos por Michael Myers não poderiam deixar de respingar na cidade. Esse reflexo das ações da Figura vão além da memória e da criação de um mito assustador, mas também deixou feridas abertas em Haddonfield. Não foi só Laurie e sua futura família que se viu marcada naquela noite de 1978, mas toda a cidade. E essa é a missão de <em><strong>Halloween Kills</strong></em>: explorar a relação entre os traumas vividos pela cidade e a violência que isso reverberou na pacata Haddonfield.</p>
<p>Diferente do primeiro filme que foca nas três gerações das Strode, <em><strong>Halloween Kills</strong></em> vai mostrar outros personagens que tiveram as suas vidas transformadas por conta de Myers. Os fãs podem descobrir como o encontro com Michael mudou a vida de personagens de 1978, como Tommy Doyle (Anthony Michael Hall), Lindsey Wallace (Kyle Richards), Leigh Brackett (Charles Cyphers) e Marion Chambers (Nancy Stephens). O retorno não apenas dos personagens mas dos atores e atrizes que os viveram há mais de 40 anos cria um efeito nostálgico nos fãs, o que ajuda a narrativa.</p>
<p>Além do retorno deles, o espectador passa a entender melhor a relação de outros personagens de <strong><em>Halloween</em></strong> (2018) com os eventos de 1978, como Cameron (Dylan Arnold), ex namorada da Allyson, que é filho de Lonnie Elam (Robert Longstreet), um menino que fazia bullying com Tommy e foi perseguido pelo Bicho-Papão. Outro que teve sua relação direta com a Figura esclarecida em <strong><em>Halloween Kills</em></strong> foi sobre Frank Hawkins (Will Patton). O policial que é atacado no primeiro filme da trilogia foi um dos responsáveis por prender Myers na noite de 1978 e os eventos daquela noite ainda o assombram. Dessa forma, o longa tenta se aproximar do público por trazer uma narrativa focada em indivíduos e na comunidade, mas a recepção disso não saiu como esperado.</p>
<p>Apesar de entender a escolha de aprofundar as narrativas sobre traumas que vão além de Laurie e sua família, isso acabou interferindo em outros pontos da narrativa. Como o roteiro de <strong><em>Halloween Kills</em></strong> segue diretamente os eventos do seu antecessor, a noite de Halloween de 2018 soa como algo interminável. A sensação que fica no espectador ao ver a extrapolação da história central (o embate entre Laurie e Michael) é de que a produção está se estendendo demais para que consiga durar três filmes e lucrar cada vez mais.</p>
<p>Um dos principais argumentos na crítica a <em><strong>Hallloween Kills</strong></em> é a ausência de Jamie Lee Curtis (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>, de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tudo-em-todo-lugar-ao-mesmo-tempo/"><em>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</em></a>, de 2021). A <em>scream queen</em> que ajudou a construir o sucesso da franquia é deixada de lado por quase todo o filme, tendo uma participação quase inexistente. O filme se arrasta através da equação trauma + população = violência desenfreada e, ainda assim, a principal vítima disso não está presente, gerando incômodo no público.</p>
<figure id="attachment_16071" aria-describedby="caption-attachment-16071" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16071" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-750x500.jpg" alt="Halloween Kills (2021)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Kills-3.jpg 900w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16071" class="wp-caption-text">Dylan Arnold, Andy Matichak e Robert Longstreet em cena de &#8220;Halloween Kills&#8221; (2021)</figcaption></figure>
<h3>O tortuoso caminho até o confronto final</h3>
<p>Apesar de compreender o caminho que quiseram trilhar em <em><strong>Halloween Kills</strong></em>, a produção deixa para o capítulo final a difícil missão de contornar os problemas do seu antecessor. Além disso, <strong><em>Halloween Ends</em></strong> carrega a responsabilidade de amarrar tudo o que já foi feito e entregar o final que os fãs aguardam há mais de 40 anos. A última parte da trilogia alcança a expectativa dos fãs no quesito do confronto entre Laurie e Michael, mas tropeça em diversas escolhas até chegar em sua conclusão.</p>
<p>Assim como em <strong><em>Kills</em></strong>, <strong><em>Halloween Ends</em></strong> deixa uma das estrelas da história de lado por muito tempo. Desta vez, Michael foi o escolhido (equivocadamente) pela produção para ficar de escanteio enquanto a sua saga se encaminha para um fim. Nesta narrativa, o Bicho-Papão está desaparecido desde o final da noite sangrenta de 2018. Quatro anos se passaram e nenhum sinal de Michael Myers, mas isso não impede que Haddonfield crie um novo monstro para lhe assombrar.</p>
<p>Esse legado de pavor é o peso que a pacata cidade carrega desde o sumiço de Michael. O medo dele aparecer e repetir os horrores vistos em 1978 e 2018 faz com que Haddonfield se torne cada vez mais cruel. É assim que Corey Cunningham (Rohan Campbell) se torna o novo odiado da comunidade. Ao lado de Laurie, ele é a pessoa que os outros fogem na rua ou quem decide atacar por conta do seu passado. A jornada de Corey se confunde com a de Myers no momento em que os dois se encontram no esgoto e algo maligno que residia no jovem rapaz é despertado após ficar cara a cara com a Figura.</p>
<p>Corey, em boa parte do filme, passa a assumir o manto da violência de Michael (figurativa e literalmente quando ele passa a usar a icônica máscara do assassino por um breve tempo). Dessa forma, o roteiro de Paul Brad Logan, Chris Bernier, McBride e Green decide, nos momentos finais da franquia do Bicho-Papão, criar um substituto para ele. Para a surpresa de poucos, essa escolha não foi abraçada por boa parte dos fãs e, menos ainda, pela crítica. Essa versão de um &#8220;Michael Jr.&#8221; somada ao romance entre Corey e Allyson são os maiores algozes de <strong><em>Halloween Ends</em></strong>.</p>
<p>Do outro lado da equação está a personagem de Jamie Lee tentando se libertar da prisão que ela viveu nos últimos 40 anos. Então, em <strong><em>Halloween Ends</em></strong>, o público se depara com uma Laurie que refez a sua vida e está tentando seguir em frente. Paralelamente, ela tenta dar suporte para sua neta fazer o mesmo e não cair na mesma armadilha que ela caiu décadas atrás. A escolha de mostrar uma Laurie buscando melhorar é interessante e coloca o espectador num lugar de conclusão.</p>
<p>A jornada da personagem principal da franquia tem coerência e é interessante, mas isso é posto em segundo plano em comparação com o arco de Corey, por exemplo. Mais uma vez um capítulo da trilogia se vê refém de escolhas que não soam orgânicas para a franquia. Essa percepção sobre a história encabeçada por Green dividiu opiniões e fez de <em><strong>Halloween Ends</strong></em> o mais criticado entre os novos filmes. Apesar disso, o longa foi o número 1 nas bilheterias brasileiras e continua a arrecadar cada vez mais.</p>
<p>Os percalços da franquia não são capazes de impedir que os fãs tenham vontade de ver o desfecho épico de um dos maiores filmes de terror da história do cinema hollywoodiano. <em><strong>Ends</strong></em>, ainda que com inúmeras falhas, consegue entregar um final satisfatório para o arco de Laurie, além de dar ao público uma última luta épica entre ela e Michael. Quanto a extrapolação sobre Corey e o relacionamento dele com Allyson, esses são alguns dos exemplos dos desvios que a história toma para se alongar, reforçando a sensação de que tudo deveria ter acabado em 2018.</p>
<figure id="attachment_16070" aria-describedby="caption-attachment-16070" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16070" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-750x500.jpg" alt="Halloween Ends (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-8.jpg 951w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16070" class="wp-caption-text">James Jude Courtney em cena de &#8220;Halloween Ends&#8221; (2022)</figcaption></figure>
<h3>O fim de uma era</h3>
<p>No final dessa jornada de mais de 40 anos, é inevitável pensar no que deu certo e errado. Ainda que o fã tente apreciar sua obra querida, escolhas narrativas ainda podem incomodar. Aqui, na trilogia que conclui a história de Laurie e Michael, existem caminhos que levantaram questionamentos ao público e à crítica. No entanto, apesar de não concordar com algumas dessas escolhas, ainda é possível enxergar o arco criado pela trilogia da Blumhouse como um produto coerente &#8211; ao menos a sua ideia.</p>
<p>Os longas-metragens são três grandes atos que dialogam sobre trauma, sobrevivência e medo. Em seu primeiro ato, a produção se preocupa em reconstruir o universo, o medo sobre a Figura e mostrar o quanto os traumas dominaram a vida das pessoas de Haddonfield. No segundo, a pauta passa a ser como o medo do Bicho-Papão dominou a vida de uma comunidade inteira, deixando ela cada vez mais paranoica, violenta e incapaz de superar os temores do passado. Por fim, o terceiro ato mostra que, mesmo com o passado supostamente morto (ou, neste caso, desaparecido), se o trauma não é superado, a pessoa ou o grupo vai fabricar ou arranjar um novo canalizador de suas ansiedades e pavores.</p>
<p>Analisando dessa forma, é evidente a coerência desta cronologia. Se comparado com a obra de Carpenter e Hill, é uma chance de aprofundar o mal encarnado que ficou conhecido em 1978. O verdadeiro problema foi o tempo que se levou para fazer isso. Três filmes foi um excesso. Apostar numa dilatação tão grande para uma história que daria, no máximo, dois longas foi o erro que afastou parte dos fãs da conexão desejada com o projeto da Blumhouse Productions em parceria com a Universal Pictures.</p>
<p>Além desse alongamento excessivo, deixar Michael e Laurie na geladeira (cada um em um filme) e dar evidência para <em>subplots</em> que nada mudaram na narrativa geral &#8211; como o romance entre Corey e Allyson &#8211; foram erros (quase) fatais. A produção recebeu críticas por conta dessas escolhas que, ainda hoje, não são bem vistas por parte do público. Apesar disso, em apenas duas semanas nos cinemas, <strong><em>Halloween Ends</em></strong> já faturou quase três vezes o seu orçamento e está cada vez mais próximo da bilheteria de seu antecessor.</p>
<p>Esse alvoroço gerado pela estreia do capítulo final é a prova viva de que a franquia <em><strong>Halloween</strong></em> se mantém poderosa. O fenômeno comercial ao longo das quatro décadas e 13 filmes mostra que o fã só deseja uma nova oportunidade de se assustar. O cuidado que se precisa ter, contudo, está no resultado entregue. Da mesma forma que o público sonha com um novo filme do seu personagem favorito, ele irá cobrar qualidade. Por isso que, apesar da longa vida, a franquia nunca fugiu das críticas ferrenhas do espectador. Mas, no fim da equação, os fãs de <strong><em>Halloween</em></strong> receberam o embate mais aguardado da história do cinema, pondo um ponto final nessa jornada de 44 anos.</p>
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		<title>Crítica: Halloween Ends</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Oct 2022 18:11:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A antecipação é uma das armas mais poderosas para grandes produtoras e distribuidoras de filmes. A espera dos fãs por um novo projeto de determinado nicho ou um novo capítulo de uma saga querida costumam encher salas de cinema mundo afora e arrecadar montanhas de dinheiro. No entanto, essa mesma antecipação pode ter seus perigos. Quanto mais alta a expectativa, mais alta pode ser a decepção do público ao ver que o tão sonhado longa-metragem não alcançou seus desejos. Seria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A antecipação é uma das armas mais poderosas para grandes produtoras e distribuidoras de filmes. A espera dos fãs por um novo projeto de determinado nicho ou um novo capítulo de uma saga querida costumam encher salas de cinema mundo afora e arrecadar montanhas de dinheiro. No entanto, essa mesma antecipação pode ter seus perigos. Quanto mais alta a expectativa, mais alta pode ser a decepção do público ao ver que o tão sonhado longa-metragem não alcançou seus desejos.</p>
<p>Seria esse o caso de <b><i>Halloween Ends</i></b>? O capítulo final dessa trilogia sobre uma das maiores franquias de terror da história chega aos cinemas nesta quinta-feira (13) com a promessa de ser o confronto definitivo entre o bem e o mal. O embate entre Laurie Strode e Michael Myers obviamente acontece, mas o restante da narrativa não é bem o que se espera. Assim, o que havia sido anunciado como uma história épica e inesquecível na verdade tem seus percalços ao longo dos seus 111 minutos de duração.</p>
<p>Após os eventos do Halloween de 2018, a pacata cidade americana de Haddonfield se viu sem novos traumas, mas também sem pistas sobre o paradeiro do temível bicho-papão local. No entanto, depois de quatro anos escondido, Michael Myers (James Jude Courtney) retorna à sua cidade natal para, enfim, ter o embate final com sua vítima favorita, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis).</p>
<p>É claro que o longa não se distancia completamente da sua promessa. <b><i>Halloween Ends</i></b> segue marcando a última batalha entre a primeira <i>final girl</i> e um dos bichos-papões mais conhecidos do cinema <i>slasher</i>. Da mesma forma, a produção também volta às origens e cria imagens similares às feitas por John Carpenter (<i>O Enigma de Outro Mundo</i>, de 1982, e <i>À Beira da Loucura</i>, de 1994) em seu filme original de 1978. No entanto, o trajeto para chegar ao momento esperado há mais de 40 anos pelos fãs da franquia foi repleto de <i>subplots</i> confusos e distantes do que se espera de <b><i>Halloween</i></b>.</p>
<p>Mas, para entender os deslizes de <b><i>Halloween Ends</i></b>, é preciso retornar ao seu início. David Gordon Green (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-que-te-faz-mais-forte/"><em>O Que Te Faz Mais Forte</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-halloween/"><b><i>Halloween</i></b></a>, ambos de 2018) ao lado de seu companheiro de criação do conceito dessa trilogia, o produtor, ator e roteirista Danny McBride (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alien-covenant/"><em>Alien: Covenant</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-familia-mitchell-e-a-revolta-das-maquinas/"><i>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</i></a>, de 2021) começaram o processo com uma <i>requel</i> (continuação direta que refaz alguns conceitos da saga) fiel ao filme originário, sem perder suas características próprias. Em <i>Halloween Kills: O Terror Continua </i>(2021), Green e McBride ampliam a história, dando um enfoque maior nas consequências e marcas deixadas pelo terror causado por Michael. Apesar do pano de fundo interessante, isso já colocou de lado a personagem principal de Jamie Lee.</p>
<figure id="attachment_16018" aria-describedby="caption-attachment-16018" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16018" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-750x500.jpg" alt="Halloween Ends (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/Halloween-Ends-5.jpg 1050w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16018" class="wp-caption-text">Jamie Lee Curtis e James Jude Courtney em cena de “Halloween Ends” (2022)</figcaption></figure>
<p>Agora, no terceiro capítulo dessa narrativa banhada por sangue e cicatrizes, os co-criadores da trilogia vão além (e não no bom sentido). As feridas abertas das Strode e da própria cidade de Haddonfield dão espaço para um romance shakespeariano e um enfoque num novo personagem. E é preciso entender que, para durar três filmes, a história deveria se expandir. Ainda que com os problemas, a dimensão social trazida em <i>Halloween Kills</i> é interessante e inteligente, mas, em <b><i>Halloween Ends</i></b>, essa extrapolação mais parece encheção de linguiça do que uma verdadeira ferramenta narrativa.</p>
<p>Esses artifícios de dilatação da história soam, em muitos momentos, frágeis e sem propósito. Os fãs da franquia aguardaram 44 anos para ver A Figura ter seu fim sob as mãos da <i>final girl</i> original e isso parece ser secundário durante mais da metade de <b><i>Halloween Ends</i></b>. No lugar do confronto final, vemos Laurie proibindo um amor tão rápido e perigoso quanto o de Romeu e Julieta. E, como dito anteriormente, quanto maior a expectativa, maior a decepção quando ela não é atendida.</p>
<p>É uma pena ver uma produção com tanto potencial ir desmoronando ao longo dos anos. O que começou como uma promessa de paixão e qualidade aos fãs de <b><i>Halloween</i></b>, termina com um gosto amargo de interferência da máquina hollywoodiana de fazer dinheiro. Ao menos, a tão aguardada sequência final de luta entre Laurie e Michael foi digna. Um embate cheio de sombras, dor e momentos de tensão, como Green e McBride souberam fazer em <i>Halloween</i> (2018).</p>
<p>Ainda que com suas falhas e deslizes, <b><i>Halloween Ends</i></b> demarca o fim de uma história que mudou o cinema de terror e deu vida aos filmes <i>slashers</i>. A franquia <b><i>Halloween</i></b> parece ter tido um encerramento que, com problemas ou não, se mostra mais coerente e coeso do que as versões anteriores. Falta agora saber o que o futuro guarda aos fãs da franquia porque, como a própria Laurie diz no longa, o mal não morre, ele apenas muda de forma.</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Gordon Green</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jamie Lee Curtis, Andi Matichak, Rohan Campbell, Will Patton, Kyle Richards e James Jude Courtney</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Halloween Ends | Trailer Final" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/gz1-ixdPGhM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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