Obsessão (2026)
Cena de 'Obsessão (2026)'

Crítica Obsessão

Crítica Obsessão
3.3

O horror trouxe para 2026 a promessa de um ano bem movimentado. Com estreias como Socorro!, Casamento Sangrento: A Viúva e A Maldição da Múmia, o gênero já vem engajando o seu público cativo desde o início do ano e tem mais uma promessa que estreia no Brasil por agora. Uma das mais novas promessas do horror atual tem a sua estreia marcada com seu mais novo filme. Obsessão, do youtuber Curry Barker, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14).

O longa-metragem é mais uma promessa de um cineasta que sai da plataforma de vídeos para ganhar o mundo da sétima arte. Desde a sua exibição no Festival de Toronto no ano passado, Obsessão vem gerando um burburinho no meio do horror como um dos principais filmes do gênero em 2026. Com tudo, parafraseando o tio Ben, com grandes expectativas vêm (a possibilidade de) grandes frustrações. Seria esse o caso desse lançamento?

Obsessão narra a vida de Bear (interpretado por Michael Johnston), um jovem apaixonado por sua amiga de infância e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). A angústia pelo amor não correspondido e sua falta de coragem em arriscar fazem com que ele recorra, sem muita crença, ao sobrenatural para ter o amor que tanto sonhou. Bear acha, em uma loja de artefatos místicos, um objeto que lhe concederá um único pedido, o de ter o amor por Nikki correspondido. O que ele não esperava é que seu desejo pudesse ter consequências tão brutais.

Sob essa premissa, o longa de Barker mexe com uma base narrativa bem comum entre histórias juvenis: o amor não correspondido da pessoa mais introspectiva/tímida. A proposta em ter isso como um mote narrativo não é o problema, mas como é feito. Obsessão é, apesar de muito bem executado e, por vezes, visualmente chocante, enfadonho.

Obsessão (2026)
Michael Johnston e Inde Navarrette em cena de ‘Obsessão (2026)’

Parece que o objetivo do cineasta era construir personagens insuportáveis para tornar tudo ainda mais intenso, revoltante, perturbador e incômodo. O problema é que ele fez isso tão bem em seu roteiro que o longa, em diversos momentos, se torna insustentável de tão irritantes que são seus personagens. Obsessão é uma sessão interminável de raiva e ansiedade com as insanidades vividas por Bear devido ao seu desejo desmedido e imaturo.

Bear age como uma esponja idiota quase que o filme inteiro. Durante as quase 2h de duração de Obsessão, o personagem apenas absorve as pancadas e os absurdos que agora regem sua vida. Nikki, por outro lado, é mostrada com uma instabilidade emocional que provoca verdadeiro desespero – e beira o absurdo (não no bom sentido). E aqui é importante enaltecer os atores Michael Johnston (Teen Wolf) e Inde Navarrette (Superman & Lois) que conseguem carregar isso com o que os seus personagens insuportáveis lhes restam de carisma. Eles encarnam bem essas personas, mas isso não as salva da tortura que é assistir a essa sinfonia insuportável.

Ainda que existam os méritos em alcançar esse incômodo no espectador, existe uma visão um tanto limitada sobre o (con)texto. Quase como se fosse a percepção de alguém que quis colocar um amor nunca correspondido no papel e fez isso da forma mais birrenta e infantil possível. Obsessão perde muito em suas investidas juvenis na forma com que olha a codependência emocional de um relacionamento juvenil. Com um outro olhar – menos birrento, talvez -, o projeto poderia ser verdadeiramente denso e aterrador.

O gosto amargo que fica ao final da sessão é exatamente por conta disso. O exagero e os absurdos fazem parte da proposta. Barker deixa claro em vários momentos que quer esgaçar ao máximo os limites do que é posto em tela, mas isso, em certos momentos, faz com que a dramaticidade de alguns ciclos narrativos não tenha força nenhuma. E é aqui que Obsessão perde. O interesse estético e o conhecimento técnico são evidentes por parte do diretor, sua premissa é algo que chama a atenção, mas a ausência de uma profundidade dramática é gritante e isso não tem como resolver – nem mesmo com um desejo mágico.

 

Direção: Curry Barker

Roteiro: Curry Barker

Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter

Assista ao trailer!