Em junho, é quando se comemora o mês do orgulho LGBTQ+ (Lésbica, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros e mais). A escolha do período está ligada à revolta de Stonewall, nos Estados Unidos, que aconteceu em 1969. Foi a partir dali que a comunidade decidiu enfrentar a amplamente a violência que sofria por policiais.

Pensando na temática, o Coisa de Cinéfilo traz, agora, uma lista com as melhores dicas de filmes sobre Mulheres LGBTQ+! Confira!!!


5 – Livrando a Cara (2004):

Muitos aspectos das escolhas narrativas fazem com que o filme ocupe um lugar nesta lista. A começar pelo fato da produção contar com a direção e o roteiro de uma artista mulher, a Alice Wu – que, por enquanto, apenas comandou este longa em sua carreira. O segundo destaque é o fato do protagonismo elevado feminina. Com a temática voltada para tradições familiares chinesas, a produção mostra o moralismo que é perpetuado na família das personagens. A história mostra uma mãe, Ma (Joan Chen), que, aos 40 anos, se vê grávida e solteira e sua filha, Wil (Michelle Krusiec) que é lésbica e namora uma mulher. A representação das angústias delas, juntamente com o tom de comédia romântica, equilibram a projeção.


4 – Flores Raras (2013):

Sob a direção de Bruno Barreto, o filme conta a história da arquiteta brasileira, Lota (Glória Pires). A mulher se apaixona por uma estrangeira, Elizabeth (Miranda Otto), e as duas vivem uma história de amor intensa, mas também cheia de delicadeza. A impressão de que elas possuem estas características citadas, além de uma conexão profunda, se dá por algumas questões postas durante a projeção. Primeiramente, o roteiro – que é baseado no livro Flores Raras e Banalíssimas – A História de Lota de M. Soares e Elizabeth Bishop, de Carmen Lucia Oliveira, obra baseada em fatos reais – revela em seus diálogos a inteligência discursiva feminina, que distancia as palavras do óbvio. Em seguida, os recursos estéticos utilizados são bem executados. A direção de arte, o figurino e a fotografia brincam com as nuances sentimentais próprias de quem está em um relacionamento amoroso, principalmente com jogos de temperatura. Porém, a permanecia de tonalidade é a azul, o que carrega uma melancolia para tela.


3 – Transamerica (2005):

Estrelado por Felicity Huffman (Magnólia), o filme conta a história de Bree, uma mulher transgênero que precisa encarar alguns conflitos de sua vida pregressa para se tornar a pessoa que sonha ser. Dois pontos chaves estão presentes aqui: a interpretação de Huffman – que lhe rendeu indicação ao Oscar e o prêmio de Melhor Atriz de drama no Globo de Ouro, ambos em 2006 -; a trajetória dela com o recém-descoberto filho e a relação que a personagem tem com seu corpo. Aqui, a utilização das cores também é importante. As paletas do que a sociedade chama de femininas estão presentes durante toda projeção (rosa, roxo, lilás)  e os símbolos do que se é dito como masculino são evocados para deixá-la desconfortável. Apesar da atriz ser cisgênero, a maneira como a temática é discutida em 2005 já possui alguma relevância.


2 – Desobediência (2017):

O filme mostra duas mulheres da comunidade judeu ortodoxa. Ronit (Rachel Weisz), acabou sendo afastada do grupo por “mau comportamento”; Esti (Rachel McAdams), permaneceu por lá. As duas foram amigas de infância e apresentam sentimentos românticos uma pela outra. Porém, possuem diversos empecilhos no caminho delas. Com as cores mais sóbrias e enquadramentos mais fechados, a equipe do filme consegue transmitir a sensação de sufocamento, angústia e pressão que a dupla passa, bem como o nível de sentimentos reprimidos que têm. As construções das personagens também entram em um dos fatores de qualidade do longa. Os olhares de Weisz para McAdams são o ponto alto desta dinâmica.


1 – A Criada (2016):

Dirigido por Chan-wook Park (Oldboy), o filme conta a história de uma herdeira, Lady Hideko (Min-hee Kim). Ela sente atração por mulheres e, mesmo sem ser dito, existem pessoas que sabem disso. Visando roubar sua fortuna, um grupo infiltra uma criada, Sook-Hee (Tae-ri Kim), na casa dela. O primeiro elemento destacável é a forma como a narrativa acontece. O espectador tem contato com ângulos diversos, de personagens distintas e isto vai acontecendo lentamente. Inclusive, a fotografia de Chung-hoon Chung (Oldboy) é inteligente ao usar as mudanças enquadramentos combinadas com as transformações das perspectivas que estão sendo mostradas na tela. Os elementos da história vão sendo revelado aos poucos. Outro fator importante é a forma como a contradição entre os cenários belos e bucólicos e toda a trama armada durante o longa é utilizada.


Bônus: Imagine Eu e Você (2005):

Estrelada por Lena Headey (300) e Piper Perabo (Doze é demais), a comédia romântica é um dos melhores filmes de seu gênero. Isto acontece justamente porque o filme consegue equilibrar as tensões das idas e vindas do entrelaçamento do casal protagonista da história com os momentos fofos de interação entre a dupla. Esta característica faz com que o espectador torça intensamente para que o ship* aconteça. No longa, Rachel (Perabo) está se casando, mas acaba conhecendo o amor de sua vida durante o matrimonio. Ela e Luce passam a sair e tornam-se amigas. Aos poucos, elas vão notando que aquilo é mais do que uma amizade. É uma ótima projeção para ver no inverno, comendo pipoca e doces!

  • Ship: vem do inglês “relationship“, que quer dizer relacionamento. O termo é utilizado para denominar pares românticos ou não em narrativas ficcionais ou não, celebridades etc.

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