Crítica: O Manicômio

o manicômio

O anúncio de uma produção de terror que vai além de Hollywood soa estranho aos ouvidos de quem acompanha o gênero. Quando se trata de um longa alemão sem nenhum vínculo com nada nem ninguém do meio hollywoodiano, as coisas se tornam ainda mais suspeitas. Esse é exatamente o caso da primeira estreia de terror de 2019 nos cinemas brasileiros. Na primeira quinta-feira do ano (3), o circuito comercial terá em sua lista de exibição um terror alemão dublado distribuído pela Paris Filmes intitulado O Manicômio.

O longa-metragem segue um estilo de direção que se mistura com a narrativa e, se bem feito, ajuda a criar uma atmosfera ainda mais tensa e sombria. A ideia de se fazer filmes found footage ganhou a graça do mercado com o estrondoso sucesso de A Bruxa de Blair (1999). O objetivo desse tipo de filmagem é envolver o público a ponto de fazer com que ele questione a veracidade dos acontecimentos – uma vez que são as próprias personagens em cena que gravam tudo. Apesar do frenesi causado em 1999, hoje em dia é preciso muita cautela e estruturação para se fazer um filme nesse estilo que impacte e/ou fascine o público como foi na primeira vez. Para a infelicidade dos produtores, O Manicômio passa bem longe da fascinação.

Em busca de um desafio ainda maior para seus canais – e sempre buscando mais seguidores – um grupo de youtubers decide fazer um vídeo num antigo hospital nazista. O local está abandonado desde o final da Segunda Guerra Mundial e é supostamente mal-assombrado. A ideia dos jovens é passar 24 horas dentro da ala onde os tuberculosos eram submetidos a terríveis experimentos. O que era para ser uma noite de pegadinhas com direito a filmagens para uma viralização garantida se torna o pior pesadelo de todos quando a presença deles invoca o que há de pior naquele local.

A produção enfrenta diversos problemas que a impedem de emplacar como um sucesso. O primeiro está relacionado com as personagens e só isso já é suficiente para acabar com qualquer chance de êxito. A ideia de um grupo de jovens youtubers ser o foco principal da história é preguiçosa. A premissa é ultrapassada e completamente sem graça. Produções e mais produções já usaram isso como temática – inclusive várias brasileiras – e o fator novidade já se perdeu. Ademais, o próprio desenvolvimento dessas personagens óbvias é precário. Os roteiristas Michael David Pate (que também dirige o longa) e Ecki Ziedrich focaram excessivamente nos acontecimentos do local assombrado e esqueceram de criar um pano de fundo para isso. As personagens são fracas e não sustentam o medo que a história da paciente 106 quer passar.

Outra problemática é a ideia do found footage. Atrelada a fraqueza em cena das personagens, a direção é primária e ingênua ao acreditar que o simples esboço do real com as filmagens em primeira pessoa causaria medo. O terror é esquecido e dá espaço ao ridículo, com direito a inúmeros julgamentos até do espectador mais desinteressado e desconectado com o universo do horror. O desenrolar da narrativa é assustador e causa indignação ao público. A falta de cuidado com o roteiro e direção são provas do descaso com o conteúdo em função da sobreposição de uma ideia – a qual foi pessimamente executada.

Para agravar ainda mais o caos, a história é arrastada ao extremo. O longa tem cerca de 89 minutos de duração onde metade desse tempo é recheado com zero acontecimentos relevantes e/ou assustadores. A outra metade é usada numa tentativa fracassada de causar medo no público com sustos previsíveis. E o tempo restante se encarrega dos créditos e de dois plot twists completamente mal elaborados. Faltando menos de 15 minutos para o fim da sessão, a trama é completamente mudada em dois momentos diferentes. Essas mudanças, contudo, conseguem ser mais confusas e malfeitas do que todo o resto da trama, levando o espectador ao desespero. O gosto amargo de um filme ruim é o que resta para cada um dos espectadores ao final da sessão. Aos que se aventurarem a assistir Heilstätten (título original), boa sorte.

Assista ao trailer!

 

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