Minari

Crítica: Minari

4.3

Com seis indicações ao Oscar 2021, o longa Minari aborda uma família de coreanos que decide mudar da costa oeste dos EUA para a zona rural do estado do Arkansas, localizado no sul. Tendo que lidar com pequenos e grandes conflitos que vão surgindo ao longo da trama e da convivência familiar, o filme se pauta em explorar com cuidado as diversas camadas que este cenário oferece.

Nos anos 1980, Jacob (Steven Yeun, Em Chamas) é um pai de família que decide se mudar para ir em busca do seu sonho, que é a criação de uma fazenda produtiva, que pode dar uma vida mais confortável para sua família. A transição é acompanhada de perto pela esposa, Monica (Ye-Ri Han, Um Sonho Tranquilo), que lida com os dois filhos e ainda trabalha no mesmo emprego de Jacob. David (Alan S. Kim), o caçula, sofre de doença cardíaca e requer constante atenção, enquanto Anne (Noel Cho), no início da adolescência, acumula uma responsabilidade que é maior que sua idade.

Com a mudança, Monica sente que precisa do apoio emocional da mãe, que mora na Coreia do Sul. A nova morada em um trailer velho, a nova cidade sem amigos ou conhecidos e o emprego igual ao anterior, que não evolui em nada, faz com que ela se sinta isolada e cansada. É então que surge Soonja (Yuh Jung Youn, A Dama de Baco), que foge do estereótipo da vovó nos primeiros momentos. Elas não se viam a tanto tempo que a avó não conhecia o neto caçula ainda.

O roteiro de Minari puxa esse gancho da inesperada presença da avó para aprofundar as raízes coreanas e a questão da sensação de pertencimento. Embora eles morem há alguns anos nos EUA e os filhos tenham nascido em solo estadunidense, o comportamento segue sendo de costumes da terra natal, indo desde a alimentação, rotinas, até a própria língua que eles utilizam, 90% do tempo. O uso do inglês é mais para socializar com outras pessoas ou quando a conversa se inicia pelos filhos.

Minari

Enquanto o pai luta com o esforço de trabalhar e tentar criar uma fazenda no solo inexplorado em que agora vivem, ele precisa lidar também com a decepção constante de não poder dar uma condição de vida melhor para a família, além do medo de investir todas as economias em um projeto sem garantias. O sonho americano de ter uma vida próspera para todos é pincelado ao logo do filme, assim como o estilo de vida tradicional sulista. Isso fica muito bem sinalizado quando Jacob sugere que eles frequentem a igreja local para que a esposa consiga fazer novos amigos.

A crise no relacionamento do casal vai se acentuando a medida que a rotina deles sofre com os investimentos de Jacob. Monica não tem essa crença convicta de que a fazenda dará certo e ela tende a preferir permanecer no lugar onde estão, ganhando o suficiente para ter uma vida honesta. Um receio de arriscar, que claramente o marido não nutre.

Ainda que as relações em Minari sejam muito bem explanadas, o grande destaque vai para o pequeno David na descoberta da avó. A forma como o roteiro evolui neste sentido, com ele inicialmente estranhando o comportamento dela (já que esperava que fosse estilo as vovós americanas) e em seguida se tornando o melhor amigo de Soonja, traz um cuidado e carinho comoventes. O filme abraça o espectador com este enredo.

Toda esta delicadeza e intensidade de emoções só é possível pela excelente escolha de elenco, desde os principais aos mais coadjuvantes. Passeamos pelas nuances das emoções de todos, sem o excesso que poderia tornar a narrativa apelativa e sem tornar a mesma rasa e sem aprofundamento. Todos os personagens principais recebem a atenção necessária para a construção da trama como um todo, criando um elemento de unicidade.

O diretor Lee Isaac Chung, em sua estreia na direção, nos apresenta em Minari um resultado amoroso do olhar de diversas dores que surgem nos personagens, sem nos privar de adentrar nestas temáticas importantes. A sutileza com que ele homenageia as tradições de sua origem, nesta jornada envolvente, definitivamente justifica todas as indicações que o filme teve em premiações. Considero, particularmente, um dos nomes fortes para vencedores do Oscar 2021.

Direção: Lee Isaac Chung
Elenco: Steven Yeun, Ye-Ri Han, Alan S. Kim, Yuh Jung Youn, Noel Cho

Assista ao trailer!

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