Crítica: Millennium – A Garota na Teia de Aranha

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Millennium – A Garota na Teia de Aranha traz mais uma história do universo criado pelos livros suecos do jornalista Stieg Larsson. Esta trama é, na verdade, de um livro escrito para além da trilogia original, pelo autor David Lagercrantz. O objetivo aqui é explorar o passado da protagonista Lisbeth Salander, mostrando o surgimento de seus traumas e o tipo de vida que a levou a ser como é atualmente. Com tal pressuposto, é possível esperar um aprofundamento da personagem e suas nuances.

Lisbeth ficou conhecida como uma espécie de anti-heroína por defender mulheres em situação de abuso. O filme explica pouco os motivos que levam ela a não ser exatamente perseguida pela polícia por suas ações. Paralelo a esse papel, ela trabalha como hacker e é contratada por um homem que alega que seu software, que dá controle de ações cibernéticas no mundo todo, foi parar nas mãos erradas. A partir daí, a história começa a se desenrolar.

De pronto, o que incomoda no filme é a pouca ligação inicial entre as duas vertentes do roteiro: o passado de Lisbeth, que nos é apresentado logo no começo, e o trabalho que lhe foi oferecido na atualidade. Mesmo que a história insista em conectar as emoções dos dois atos, isso não acontece de maneira proveitosa e deixa a desejar no quesito construção de enredo.

Cheguei a pensar que poderia ter algo a ver com a escolha de elenco. Pode ser cisma minha, mas não me parece que Claire Foy foi a melhor decisão para a protagonista. Salander tem um perfil mais esquisito, revoltado, raivoso. Enquanto Claire, mesmo com toda a sua boa atuação e cuidado da maquiagem, não é assim. Ela deu classe demais à Salander e isso é péssimo para a construção da personagem.

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Com o desenrolar da história, vemos outros problemas surgindo e agravando a situação. A inserção de outros personagens fracos e até diálogos excessivamente clichês que colocam a protagonista em uma posição forçada de salvadora da pátria.

Esteticamente, o filme também apresenta problemas, como a escolha de cores da irmã de Lisbeth e a de outros personagens. A filmagem no estilo mais escuro, quase sem cores, é uma excelente decisão para manter o clima pesado da história. No entanto, o contraponto é que foi mal dosado e se excedeu.

Pelo lado da ação, Millennium – A Garota na Teia de Aranha entretém. Tem boas cenas de luta e perseguição e um cuidado com a veracidade do material. Tudo isso tendendo para um lado mais obscuro e odioso. No entanto, não é suficiente para fazer do longa algo que valha a pena.

A película é excessivamente cansativa e entediante. A história foi mal aproveitada e não investe nas camadas emocionais da personagem, que é tão rica em material. O roteiro simplesmente decide ficar na superfície e fazer deste apenas mais um filme de ação como tantos outros. Falta consistência e aprofundamento.

Não que Millennium – A Garota na Teia de Aranha seja um filme ruim que vai frustrar o público. A boa maioria, acredito, irá gostar porque ele funciona como entretenimento. No entanto, do posto de vista do produto como uma produção cinematográfica, ele deixa muito a desejar e não convence. Uma pena!

Assista ao trailer!

 

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