Crítica: Guerra Fria

Guerra Fria

A corrida pelo Oscar de 2019 está acirrada. Diversas produções surpreenderam com a quantidade de indicações. Alguns filmes estrangeiros, por exemplo, estão espalhados em categorias como “Melhor Filme”, “Melhor Diretor”, “Melhor Roteiro Original”, “Melhor Edição”, “Melhor Design de Produção”, entre outras. A concorrência está tão grande que, na disputa pela estatueta de “Melhor Fotografia”, 3 dos 5 nomes são, também, indicados ao prêmio de “Melhor Filme Estrangeiro”.

Apesar das atenções estarem voltadas para Roma, alguns de seus concorrentes ao prêmio de “Melhor Filme Estrangeiro” estão, silenciosamente, ganhando espaço nas premiações. Guerra Fria é um competidor poderoso na corrida pelo Oscar. O longa-metragem polonês arrancou elogios da crítica desde sua estreia no Festival de Cannes e ganhou 3 indicações no maior prêmio do cinema. Esse novo trabalho do diretor Pawel Pawlikowski é uma poderosa obra artística-musical que narra a trajetória de um tempestuoso casal durante os anos da corrida nuclear.

Em meio ao caos da Guerra Fria, dois artistas se conhecem num projeto de cultura folclórica e se apaixonam. A medida que Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig) convivem, eles percebem que fazer sua arte e viver esse amor será mais difícil do que se esperava. Suas expectativas são quebradas com as imposições do período no qual vivem e, com o tempo, Zula e Wiktor entendem que o único jeito de viver como sonharam só é possível se fugirem para o Ocidente. O tempo e as escolhas do casal farão com que eles percebam que esse amor intenso e profundo pode se tornar algo destrutivo, levando os dois a tomarem decisões que mudarão o futuro deles.

Cold War (título original) é uma obra impressionante. A delicadeza do tema central, as nuances do pano de fundo atreladas a narrativa, a imagem quadrada, a estética do filme. Todas essas características se completam e formam uma película intimista. O olhar de Pawel sob a história é extremamente sensível e próximo. O espectador se sente presente naquele momento, abraçando a cultura polaca, envolto nas músicas dos anos 1950. O público é atraído para dentro do conto como se fizesse parte dele como uma personagem da história. O caos do período e do relacionamento de Zula e Wiktor são orquestrados pelo diretor como uma ópera colossal no qual o espectador estará aplaudindo estrondosamente o trágico final.

Guerra Fria

Pawel Pawlikowski é merecedor de todos os elogios. O seu trabalho em Guerra Fria é uma obra de arte lapidada que está pronta para ser apreciada pela eternidade. Todas as suas escolhas de planos, estética e a tela em 4:3 são perfeitas para compor um produto sem precedentes. Pawlikowski criou um longa extremamente contundente em sua missão de relatar as dores da vida real – seja retratando a guerra, o tempo ou relacionamentos. Cada cena é um vislumbre maior sobre a vida como ela é, com todos os seus prazeres e frustrações. A história também idealizada por Pawel e escrita por ele, Janusz Głowacki e Piotr Borkowski é uma construção narrativa estonteante. A beleza dessa história está na dor do período – tanto histórico quanto de vida das personagens. Guerra Fria narra 15 anos de amadurecimento, desencontros, escolhas e obsessões perfeitamente construídas pelo trio de roteiristas. A realidade visceral do sofrimento desse casal atrelada aos males da guerra maximiza a verdade da ficção e aproxima o público. O flerte entre música, paixão e guerra foi lindamente construído e executado. O efeito que o longa causa no espectador é imediato e apaixonante – tal qual o relacionamento de Zula e Wiktor.

A fotografia do filme é um outro atrativo da produção. Além do roteiro e direção, a cinematografia de Cold War é uma obra de arte. Aliada à estética do preto e branco mais os cenários interiores da Polônia e os bares e ruas parisienses, as imagens do filme são de tirar o fôlego. Łukasz Żal consegue fazer um trabalho ainda mais belo que em Ida (2013) – outro filme do diretor Pawel Pawlikowski.

Para completar as qualidades da produção, as atuações. Com um elenco pequeno, o diretor polonês soube aproveitar cada um de seus atores coadjuvantes em seus breves momentos de tela. Com Joanna Kulig e Tomasz Kot a história foi outra. Pawel extraiu cada segundo de emoção dos seus atores principais. As performances de Joanna e Tomasz estão extraordinárias. Mesmo com o relacionamento sendo o foco principal da narrativa, a direção não deixa de aproveitar os momentos solos das personagens para conseguir cenas tocantes.

Guerra Fria foi palco de comentários louváveis da crítica. O filme conquistou 13 vitórias dentre as suas nomeações – na qual uma delas foi o prêmio de “Melhor Diretor” no Festival de Cannes. Agora o longa aguarda a cerimônia do Oscar onde ele concorre em três categorias (“Melhor Diretor”, “Melhor Filme Estrangeiro” e “Melhor Fotografia”). Ademais, Guerra Fria chega aos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (7) com toda a sua beleza intimista, pronto para apanhar corações apaixonados pela arte.

Assista ao trailer!

 

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