O universo do automobilismo é atrativo para milhares de pessoas ao redor do mundo, em sua maioria, homens. Para este esporte masculino que mistura carro com adrenalina, o cinema vira e mexe retorna ao tema para explorar um pouco mais histórias de bastidores. Em Ford vs Ferrari, o foco é na disputa entre as grandes marcas para mostrar quem tem o carro mais potente para ganhar o circuito de Le Mans. Para além disso, as negociações de poder e articulações por trás é o que motiva a narrativa como um todo.

Baseado em uma história real, o roteiro nos apresenta dois personagens principais. Ken Miles (Christian Bale, Vice), um mecânico e piloto que não consegue ascender profissionalmente por conta de seu temperamento exaltado e difícil de lidar. Do outro lado, temos Carroll Shelby (Matt Damon, Perdido em Marte), ex-piloto que precisou largar o volante por conta de problemas de saúde e agora vive do empreendedorismo do ramo.

À medida que os dois personagens vão se cruzando, a trama acontece. Henry Ford II (Tracy Letts, The Post – A Guerra Secreta) tem o dinheiro e o status que qualquer pessoa poderia se dar por satisfeita. Mesmo com a ascensão da Ford na linha de montagem de carros, ele se incomoda com o poderio de presença da Ferrari. A marca italiana está passando por problemas financeiros, depois que insistiu em conseguir criar o carro mais veloz do mundo. Ainda assim, ela é disputada pelo status que carrega.

O enredo basicamente nos mostra o quanto que os homens se deixam envolver rapidamente quando o assunto é carro e status. Pouco importa o dinheiro que está sendo gasto, se o final for conquistado. Um exemplo disso é que Henry dá carta branca para criar o carro que ele acredita que pode ganhar as 24h de Le Mans. Por outro lado, Miles é arredio e não aceita opiniões contrárias. Prefere perder o emprego do que dar o braço a torcer.

Para além deles, temos o personagem de Josh Lucas (O Poder e a Lei), Leo Beebe, que funciona como um vilão na história. Um pouco canastrão demais, ele toma decisões arbitrárias com base em empatia. E estamos falando de transações milionárias, o que prova ainda mais a questão da masculinidade frágil atrelada a carros.

Ford vs. Ferrari

Dito isso, temos o cenário montado para evolução da corrida. O diretor James Mangold (Logan) nos oferece uma construção de história progressiva e contundente. Ele nos dá tempo para nos envolver com os personagens, sem se estender em informações desnecessárias. A construção da relação dos protagonistas, das personalidades. Tudo isso se dá de maneria cuidadosa.

Mesclado com ótimos momentos de ação e corridas, o filme é uma dose equilibrada do drama da história com a ação da situação em si. Estamos falando de carros que correm a 350 km/h. Então, naturalmente, é de se esperar cenas empolgantes e tensas. Ainda assim, é a história de Ken Miles que está sendo contada, que vai muito além de velocidade.

A escolha de elenco é um dos pontos altos do filme. O destaque vai para os protagonistas. Bale está fantástico na pele do arredio Miles, com suas nuances amorosas com a esposa e o cuidado com o filho. Mas é Damon que realmente nos chama a atenção. Sua performance é sem excessos, na dose certa para o personagem. Ele vive conflitos constantes, que nos são apresentados muito mais por emoções do que por ações.

Mesmo que seja um pouco aquém de Rush – No Limite da Emoção (2013) – um longa completamente redondo e envolvente, mesmo para quem não é fã de Fórmula 1 – Ford vs Ferrari não faz feio no resultado final. O domínio artístico das cenas, a clareza na construção das relações dos personagens e decisões importantes sobre o que focar em cada momento, fazem do filme um ótimo entretenimento biográfico.

Direção: James Mangold
Elenco: Matt Damon, Christian Bale, Caitriona Balfe, Tracy Letts, Josh Lucas, Jon Bernthal, Noah Jupe, Ray McKinnon, J J Feild, Wyatt Nash

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