Crítica: Chacrinha – O Velho Guerreiro

Chacrinha - O Velho Guerreiro

Em parceria com a Conspiração Filmes, a Globo assina mais uma cinebiografia que em breve deve chegar ao público no formato de minissérie, Chacrinha: O Velho Guerreiro, longa que narra a história de vida de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, comunicador brasileiro que se tornou um fenômeno de massa com seu programa de auditório. Chacrinha se destacou na maneira como apresentava sua atração, inserindo um tom de humor e irreverência ao trazer para o palco artistas em ascensão no cenário nacional, intérpretes amadores e concursos de talentos inusitados. Assim, o filme narra desde os primeiros anos do artista nas rádios até chegar à televisão e falecer vítima de um infarto.

Na direção do projeto está Andrucha Waddington, diretor que dispensa apresentações tendo no currículo títulos importantes da filmografia brasileira como Eu Tu Eles Casa de Areia. Como o protagonista, o longa conta com Stepan Nercessian, que conhece o biografado como ninguém pois já interpretou Chacrinha no teatro e em especiais de TV, e Eduardo Sterblitch, que o interpreta em sua juventude. Ambos estão muito bem na pele do protagonista, mas inegavelmente Nercessian possui uma vantagem pelo tempo de presença em cena e por já ter domínio completo do personagem.

O trabalho de Nercessian é o que sustenta parte de Chacrinha: O Velho Guerreiro, um filme burocrático em seus passos. Nercessian é preciso no mimetismo da sua performance, mas também na maneira como consegue dimensionar a personalidade, humores e emoções de Chacrinha diante de algumas adversidades da vida. Num dos melhores momentos do filme, após maturar a notícia da morte da sua mãe, Chacrinha retorna ao seu auditório, saindo da introspecção e melancolia dos bastidores para assumir com a propriedade de sempre o personagem que encarava na frente das câmeras. A cena é apenas um dos indícios do excelente trabalho de Nercessian no filme.

O longa adota uma estrutura convencional com sua cronologia ordenada e até tem suas derrapadas ao apresentar uma repetição de eventos para retomar o primeiro ato na lembrança do espectador. Há também uma sensação de que Chacrinha exibe de maneira apressada alguns eventos da vida do protagonista (afinal, são muitos anos e uma biografia extensa), até mesmo descartando subitamente alguns personagens importantes. No entanto, dos trabalhos pertencentes a esse filão comercial brasileiro das cinebiografias, Chacrinha: O Velho Guerreiro é dos melhores exemplares por ter um ator experiente comandando a ação (experiente não só por seus anos de carreira, mas na pele do próprio personagem) e por algumas iniciativas de Andrucha Waddington na direção (a cena de reverencial ao ídolo da TV que encerra o filme é das mais lindas).

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira465 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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