Há uma sensação quase distópica presente em Buenos Aires, documentário de Tuca Siqueira (Iracemas). A pequena cidade na zona da mata de Pernambuco, que dá nome ao longa-metragem, é instigante de conhecer, mas a produção se vale apenas disso para a narrativa.
Desta maneira, falta avançar em termos de investigação e reflexão. Assim, o que pode acontecer durante a sessão é um encantamento com o fato de existir este lugar pernambucano, que tem um nome argentino, com times com nome em espanhol, mas que é completamente brasileiro. E só.
Isto porque os elementos de destaque daquela realidade se repetem durante a projeção e a obra fica um tanto cansativa. Além disso, resta uma impressão de que Siqueira, que também foi roteirista, não decidiu exatamente o foco da narrativa.
Existem trechos que mostram Buenos Aires da Argentina, outros que vão se ater à relação do local com o futebol e também as contradições do amor e ódio pelo hermanos e a ausência do interesse pelo idioma espanhol. Todos esses pontos poderiam se conectar, mas ficam soltos.
É interessante que exista uma trama de fato e uma estética que dialogue com a narrativa. Isso falta em Buenos Aires. Ainda assim, com personagens que chamam atenção (como os técnicos dos times de futebol da cidade) e uma premissa que estimula a curiosidade da plateia, a produção vale a sessão.
Além do contexto central do longa, existem momentos criativos da direção, principalmente no início da exibição. Siqueira deixa a câmera parada e em uma angulação que imerge quem assiste na cena.
Assim, entre limitações e ambições, o doc de Tuca Siqueira é uma ode ao pluralismo brasileiro. Revelando um cenário surpreendente, a riqueza do filme está em sua própria existência e na vontade da equipe de trazer essa historia para o país, para o mundo.
Direção: Tuca Siqueira



