É fundamental que se entenda algo na arte: se você destaca tudo, nada se destaca. Em sua primeira direção de longa-metragem, Fernando Ceylão revela essa urgência em dirigir e usar todas as suas referências e seus conhecimentos, deixando a sessão cansativa.
Para além da ingenuidade do roteiro, o que realmente incomoda durante a sessão é o trabalho de Ceylão. Apesar do artista se demonstrar empolgado com a linguagem audiovisual, as suas escolhas são exageradas.
Existe o fato da mise-en-scène ser confusa. Em diversas sequencias, há desfoque no rosto de justamente da personagem que está mostrando emoção. Na maioria dos momentos, Ceylão coloca a câmera em algum lugar disruptivo – atrás de uma estante, do corredor, do outro lado parede etc.
Dentro dessa lógica, falta respiro de tal forma que a fruição fica comprometida. Velocidades distintas fazem o ritmo, já os ângulos e planos plurais são bem-vindos, mas a câmera parada, em um take longo também é importante.
Esse é o papel de um cineasta, na verdade, saber as doses de cada ação, intenção e do que colocar dentro da narrativa. Mas, para além disso, a luz incomoda em alguns instantes. O rosto das personagens negras não são iluminadas da mesma forma, que das brancas.
Por isso, existem sequências que estes intérpretes não podem ser vistos em sua totalidade. Todavia, é necessário pontuar o esforço do elenco. Eles possuem fé cênica e nitidamente acreditam naquele projeto. Por isso, por mais que as cenas se estendam em planos longos de tal maneira que os atores saem do papel, no geral o resultado é positivo.
E o que é isso exatamente? Os atores geralmente não param de atuar até o diretor dizer corta. Desta maneira, neste longa, o montador e/ou a direção deixaram o público ver esse pedaço quando o elenco já saiu praticamente do papel:
Assim, Resta Um é um tanto amador. Mesmo que consiga gerar alguma conexão da plateia com o espectador, isso se dá menos pela qualidade da obra em si e mais pelo carisma e talento do elenco.
Direção: Fernando Ceylão
Elenco: Caco Ciocler, Maria Ribeiro, Perla Carvalho



