É perceptível como Os arcos dourados de Olinda conta com uma equipe que possui um humor requintado, que busca nas imagens cinematográficas o seu argumento discursivo.
Ao mesmo tempo, o curta-metragem é permeado por uma arrogância juvenil, que diminui a qualidade do resultado geral, porque o tom do off beira ao monocórdico e as estratégias textuais deixam uma impressão de deja vu.
O resultado geral não fica comprometido, mesmo com essa previsibilidade tonal e textual. Mas, para começar essa crítica de verdade, é preciso salientar também que o curta tem o seu lado positivo, que vem da precisão da montagem e a própria narração.
Ambos contribuem para a imersão do espectador com a obra e eleva a reflexão crítica presente na narrativa. A forma como o universo político partidário se mistura com a complexidade da personalidade pernambucana (sobretudo olindense) surpreende.
Desde escolha dos trechos das imagens de arquivo até a maneira jocosa como as informações são trazidas fazem com que o público ria junto. Assim, Arcos tem consciência estética e discursiva.
Isso justamente porque a equipe constrói uma progressão e um tensionamento sobre a presença do McDonalds em Olinda. Ao mesmo tempo, o contexto político da época da vinda do ‘Méqui’ para a cidade é ilustrada, mas não de maneira expositiva.
Inclusive, durante toda a sessão, mesmo com a narração elucidando os aspectos sociais e partidários, as informações, por contarem com um tom cômico e um texto com reflexões, nada é óbvio.
Além disso, a ligação do visual com o que está sendo dito ajuda a incrementar a qualidade da obra. Os momentos mais expressivos que podem servir como exemplo para os elogios aqui presentes são quando o Méqui Olinda vai à falência e quando é informado ao público que outras grandes redes de fast food tiveram o mesmo destino.
Esses instantes resumem a argumentação presente no filme, bem como são nessas cenas que a edição brilha, nessa estratégia de dicotomia informar x mostrar. Assim, Os arcos dourados de Olinda é uma obra redonda e criativa, mas também não é absurdamente boa, a ponto de impressionar como um exemplar revolucionário em sua forma ou tema.
Direção: Douglas Henrique



