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	<title>Arquivos Joaquin Phoenix - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Joaquin Phoenix - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Sempre em Frente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jun 2022 00:26:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De Gladiador, Johnny e June, passando por O Mestre e mais recentemente Coringa, e ainda pela sua própria persona fora das telas, Joaquin Phoenix sempre foi um ator cuja assinatura é a exposição de personalidades complicada e dúbias. Quando pensamos no ator imediatamente o associamos a um perfil atormentado. Sempre em Frente me soa como uma quebra dessa recorrência como foi Ela, de Spike Jonze. Ainda que em ambos os personagens de Phoenix apresentem sua carga dramática, o ator consegue [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>De <em>Gladiador</em>, Johnny e June, passando por <em>O Mestre</em> e mais recentemente <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, e ainda pela sua própria persona fora das telas, Joaquin Phoenix sempre foi um ator cuja assinatura é a exposição de personalidades complicada e dúbias. Quando pensamos no ator imediatamente o associamos a um perfil atormentado. <em><strong>Sempre em Frente</strong></em> me soa como uma quebra dessa recorrência como foi <em>Ela</em>, de Spike Jonze. Ainda que em ambos os personagens de Phoenix apresentem sua carga dramática, o ator consegue enfim um respiro e dá corpo a um sujeito que mobiliza sentimentos positivos na relação do público com aquela figura.</p>
<p>No longa de Mike Mills (dos ótimos<em> Toda Forma de Amor</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/dica-do-dia-mulheres-do-seculo-20-netflix/"><em>Mulheres do Século 20</em></a>), Phoenix dá vida a Johnny, um jornalista de rádio que passa uns dias com o sobrinho enquanto grava um programa com crianças pelos EUA. O personagem se vê convocado para a função de cuidar do garoto enquanto sua irmã viaja para cuidar de alguns problemas de saúde envolvendo o ex-marido, o pai do menino.</p>
<p>Em <em><strong>Sempre em Frente</strong></em>, Mills faz o que realiza de melhor, apresenta para o espectador uma situação aparentemente banal, mas gradualmente envolve o público com relações críveis que transbordam sensibilidade sem soar apelativas. No longa, o diretor e cineasta fortalece gradualmente os laços de tio e sobrinho que tinham pouco contato até então. O cineasta utiliza este mote para falar sobre ritos de passagem e sobre encontros e situações que, insuspeitadamente, marcam nossas vidas e nos transformam.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15582" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/MM_01799_BW_R-scaled-1.jpg" alt="Sempre em Frente" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/MM_01799_BW_R-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/MM_01799_BW_R-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/MM_01799_BW_R-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/06/MM_01799_BW_R-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As opções estéticas de Mills atendem ao propósito intimista da sua obra. A fotografia P&amp;B de <strong><em>Sempre em Frente</em></strong> coloca os cenários em segundo plano, o que interessa no filme e o que salta na tela são os sentimentos que tomam conta da experiência vivida por Johnny e seu sobrinho Jesse. O diretor intercala o filme com cenas do próprio Joaquin como Johnny entrevistando crianças e adolescentes reais, estabelecendo uma dinâmica emocionante entre ficção e documentário na medida em que as respostas nos indicam a estágios da relação do protagonista com o sobrinho e das principais inquietações do garoto. O filme coloca a vida na sua beleza como experiência sensorial e reflexiva nesse diálogo entre formatos.</p>
<p>Mills ainda consegue desempenhos carregados de sensibilidade do seu elenco. Joaquin Phoenix surge em cena como um sujeito adorável, que vai se reconstruindo a todo momento em cena, capaz de improvisos e superações sem perder o liame da sua personalidade, algo possível graças a sua interação com o espontâneo Woody Norman, o garoto que interpreta o seu sobrinho. Gaby Hoffmann tem uma participação como a irmã do personagem de Joaquin e também tem ótimos momentos.</p>
<p>Apresentando mais uma vez um filme leve, mas carregado de sentimentos e reflexões densas sobre a vida e as relações familiares, Mike Mills segue com seu minimalista e potente projeto cinematográfico em<strong><em> Sempre em Frente</em></strong>. Executando um trabalho que seria um divisor de águas na sua carreira, Johnny (Phoenix) aprende muito mais sobre os fluxos da vida e o olhar das crianças para o trauma e os mecanismos de sua superação com a convivência com seu sobrinho do que em campo com seu microfone. Melhor, a compreensão daquela vivência profissional só passa a ser possível de fato quando ele começa a ter um convívio íntimo com Jesse em dias que acabaram sendo definitivos para ambos. Como Toda Forma de Amor e Mulheres do Século 20, Sempre em Frente é uma pérola que merece ser mais conhecida e ter mais crédito do que de fato tem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mike Mills</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Gaby Hoffmann, Woody Norman, Scoot McNairy, Molly Webster, Jaboukie Young-White, Deborah Strang, Sunni Patterson</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/M4SDcT5pEw0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2020: Melhor Ator</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Feb 2020 17:09:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Oscar 2020 está cada dia mais próximo. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com todos os seus defeitos, é, indiscutivelmente, a maior premiação do cinema, o que faz sua chegada mexer ainda mais com o universo da sétima arte. Críticos, artistas, fãs de cinema e até as pessoas mais desconectadas com o universo param para questionar quem vai levar para casa cada uma das principais estatuetas. Por essa razão, a equipe do Coisa de Cinéfilo segue com suas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Oscar 2020 está cada dia mais próximo. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com todos os seus defeitos, é, indiscutivelmente, a maior premiação do cinema, o que faz sua chegada mexer ainda mais com o universo da sétima arte. Críticos, artistas, fãs de cinema e até as pessoas mais desconectadas com o universo param para questionar quem vai levar para casa cada uma das principais estatuetas. Por essa razão, a equipe do Coisa de Cinéfilo segue com suas apostas sobre essa aclamada cerimônia que acontecerá neste domingo (9).</p>
<p>Apesar de sua pompa, o Academy Awards guarda resquícios de imperdoáveis e contestáveis resultados. Anualmente existe uma categoria na qual o resultado gera um certo descontentamento entre público e crítica. Aqui vamos pensar sobre as atuações masculinas em papéis principais. E, com toda a incerteza do Oscar, questionaremos se, de fato, um ator como Joaquin Phoenix sairá invicto da temporada de premiações.</p>
<p>Apesar de Phoenix ser o favorito absoluto, é inevitável que algumas atuações sejam sentidas por não estarem na lista de indicados. Taron Egerton tem um desempenho primoroso interpretando Elton John em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rocketman/"><strong><em>Rocketman</em></strong></a>. Seu nome apareceu em outros prêmios, mas a Academia o deixou de fora dessa disputa. Outro ator esnobado pelo Oscar foi o veterano Christian Bale. O ator britânico esteve na disputa na maior parte da temporada de premiações por seu papel no esquecível <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ford-vs-ferrari/"><em><strong>Ford vs. Ferrari</strong></em></a>. Mesmo com um filme questionável, Bale entrega um trabalho brilhante, digno de uma indicação no Academy Awards.</p>
<p>Por fim, Adam Sandler é um dos nomes de maior polêmico deste ano. O ator, conhecido por suas comédias besteirol, mostrou, mais uma vez, o seu poder cênico ao dar vida à personagem principal do longa-metragem <em>Joias Brutas</em>, dos irmãos Safdie. Sandler entrega uma performance completa e digna de atenção, a qual fez dele um dos indicados no Critics Choice Awards. Contudo, o estereótipo de ator de “filmes medíocres” segue Sandler e o priva de oportunidades de trabalho como essas. Este é um dos nomes que merecem futuras oportunidades e, quem sabe, as tendo, ele possa estar competindo e sendo homenageado por seu trabalho espetacular.</p>
<p>Agora, ao pensar o quadro de indicados, a lista do quinteto do Oscar 2020, na categoria “Melhor Ator”, é composta por Adam Driver, Jonathan Pryce, Antonio Banderas, Leonardo DiCaprio e Joaquin Phoenix. Ironicamente, dos cinco atores, apenas um deles já ganhou uma estatueta e, só três já haviam sido indicados no Oscar. Portanto, apesar das faltas, esse é um grupo interessante, onde todos os artistas tiveram desempenhos brilhantes em seus respectivos trabalhos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12417" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/adam-driver-marriage-story.jpg" alt="Especial Oscar 2020: Melhor Ator" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/adam-driver-marriage-story.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/adam-driver-marriage-story-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/adam-driver-marriage-story-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Adam Driver, por exemplo, é um dos atores que já havia sido indicado no Academy Awards. Ele é um dos casos de Hollywood que tem um crescimento exponencial invejável. As interpretações e papéis de Driver só melhoram com o tempo. Em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em><strong>História de um Casamento</strong></em></a>, Driver brilha. Sua consistência cênica é impecável, assim como a construção de sua personagem. Apesar disso, ele é um dos que está mais longe da corrida pelo ouro cinematográfico.</p>
<p>Na frente do Kylo Ren de Star Wars está Jonathan Pryce. O ator, mesmo com sua longa carreira, foi indicado pela primeira vez neste ano. Sua interpretação do Papa Francisco lhe rendeu aclamações mundiais e merecidas. O domínio da cena mostrado por Pryce é simples, porém preciso. O seu olhar fala a cada segundo do filme. Suas nuances muito bem exploradas só ajudaram a elevar a qualidade de <strong><em>Dois Papas</em></strong> &#8211; em especial nas cenas onde as crenças de Francisco e Bento XVI entrem em atrito. Ao lado de seu parceiro de cena, Jonathan Pryce deu uma aula de simplicidade em frente às câmeras. Ele faz o público lembrar que você não precisa de muito para expressar um turbilhão de emoções. Ainda assim, Pryce também longe de ser um dos favoritos.</p>
<p>Na caminhada rumo a uma possível disputa &#8211; e reviravolta na dinâmica das premiações -, Antonio Banderas, se mostra mais forte e capaz de parear com DiCaprio e Phoenix. Em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dor-e-gloria/"><em><strong>Dor e Glória</strong></em></a>, o ator espanhol supera qualquer trabalho anterior. O filme não seria nada sem a sensibilidade de Banderas. Ele consegue prender você desde o primeiro instante. Até por ser um filme esteticamente diferente do que se espera de Pedro Almodóvar, os olhares se volta de forma mais minuciosa para o desempenho cirúrgico de Antonio. A palavra que define sua performance nessa produção é maturidade. Existe uma aura que paira sobre essa personagem que só o tempo, talento e dedicação podem proporcionar. O espanhol mostrou,mais uma vez, a razão que faz Almodóvar fazer dele o seu ator-parceiro. Banderas é impecável e capaz de criar o que for.</p>
<p>Na disputa final temos um embate de gigantes e velhos conhecidos do público, de Hollywood e do Oscar. Dicaprio e Phoenix estão no topo dessa disputa por seus desempenhos singularmente belos. O astro hollywoodiano Leonardo DiCaprio tem uma longa trajetória tanto no cinema como no Academy Awards. Com uma vitória, ele chegou a sua sexta indicação pelo seu papel de Rick Dalton em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><strong><em>Era uma Vez em… Hollywood</em></strong></a>. DiCaprio construiu um dos personagens mais completos de sua carreira. Sua performance no nono filme de Quentin Tarantino é uma dádiva para os amantes do cinema e uma inspiração para seus colegas de profissão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12419" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Era-Uma-Vez-em-Hollywood-752x440-1.jpg" alt="Especial Oscar 2020: Melhor Ator" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Era-Uma-Vez-em-Hollywood-752x440-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Era-Uma-Vez-em-Hollywood-752x440-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Era-Uma-Vez-em-Hollywood-752x440-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O texto ajudou absurdamente o ator a criar e estampar toda a emoção e o envolvimento necessário que a trama requisitava. Mas Leonardo foi além. Ele usa a metalinguagem, contida no subtexto de Rick Dalton, para inspirar. É bonito de ver DiCaprio dando vida as crises de profissionais e de meia idade de um ator consagrado de Hollywood. Essa brincadeira proporcionada pelo roteiro deu vida a uma das cenas mais sensíveis de Tarantino que marcam qualquer pessoa que assiste ao filme. E mesmo com DiCaprio não sendo o favorito para levar a estatueta para casa, seu desempenho merece ser louvado.</p>
<p>Agora chegamos a estrela dessa lista. Joaquin Phoenix é um ator de muita sensibilidade e poderio cênico. Desde seus primeiros trabalhos, ele sempre mostrou a sua capacidade de ir além. E o que Phoenix faz em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em><strong>Coringa</strong></em> </a>é exatamente isso, ir ainda mais além. Ele transcende qualquer barreira do público, do filme e até mesmo do personagem e apresentou uma das performances mais lindas do cinema nos últimos anos. Um detalhe importante é o estigma que seu papel carrega desde o início. Ter a missão de interpretar uma das personagens mais famosas e aclamadas de um universo é uma tarefa difícil. Quando isso é alinhado à comparação imediata com o desempenho de um colega, as coisas se intensificam.</p>
<p>Heath Ledger deu vida ao Coringa em 2008. Sua brilhante atuação lhe rendeu um Oscar póstumo e uma marca na história da DC e do cinema. O trabalho de Phoenix não consistia em apenas criar a sua versão da personagem, mas mostrar que ele conseguia colocar a sua marca nessa persona tão cheia de estigmas e fazer um filme solo da personagem valer a pena. E o resultado disso é uma das experiências cinematográficas mais marcantes. Ter o privilégio de assistir Joaquin brincar com uma complexidade de estados mentais, tipos de características e emoções é único. Ele faz qualquer defeito no filme sumir porque sua atuação é o que resta na memória do público. A ininterrupta imagem de uma performance colossal.</p>
<p>Apesar da esmagadora possibilidade de vitória, a corrida pela estatueta Melhor Ator nunca está 100% garantida. A imprevisibilidade do Oscar é algo instigante e provocador. O que resta é esperar para ver quais surpresas a noite de 9 de fevereiro guarda<a href="http://www.adorocinema.com/">.</a> Vejamos se Phoenix sairá invicto desta temporada de premiações ou se outro colega levará o prêmio para casa. Para saber dessas e mais apostas para o Oscar, fique ligado no Coisa de Cinéfilo!</p>
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		<title>Especial Catálogo: Gladiador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Nov 2019 15:06:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A tradição dos filmes épicos teve seu início com a obra italiana Cabiria, de 1914. Desde sua estreia, o cinema épico viveu por muito tempo dos louros de produções monumentais desse subgênero como O Nascimento de Uma Nação (1915) – dirigido pelo controverso D. W. Griffith – e a obra francesa sobre um dos maiores conquistadores da história, Napoleão (1927). Apesar da decaída nas produções, a febre dos épicos ainda persistiu até meados do século XX, com trabalhos como o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tradição dos filmes épicos teve seu início com a obra italiana <em>Cabiria</em>, de 1914. Desde sua estreia, o cinema épico viveu por muito tempo dos louros de produções monumentais desse subgênero como <em>O Nascimento de Uma Nação</em> (1915) – dirigido pelo controverso D. W. Griffith – e a obra francesa sobre um dos maiores conquistadores da história, <em>Napoleão</em> (1927). Apesar da decaída nas produções, a febre dos épicos ainda persistiu até meados do século XX, com trabalhos como o premiado <em>Spartacus</em> (1960), de Stanley Kubrick. Contudo, o último ano antes do novo milênio foi contemplado com o filme <em><strong>Gladiador</strong></em>, que se tornaria um ponto de recomeço para que esse segmento cinematográfico se reinventasse.</p>
<p>A história ambientada na Roma Antiga tem como herói o general Maximus (Russell Crowe, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dois-caras-legais/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Dois Caras Legais</em></a>) e para contrapô-lo, a figura do corrupto e incestuoso Commodus (Joaquin Phoenix, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Coringa</em></a>). O conflito entre essas personagens é estabelecido a partir da morte do Imperador Marcus Aurelius (Richard Harris, <em>Harry Potter e a Pedra Filosofal</em>), pai de Commodus.</p>
<p>Em segredo, o então falecido Imperador deixou para Maximus, como última missão, restabelecer o poder político total do Senado romano. Assim, a prosperidade voltaria a reinar no grande Império. Commodus, ao perceber que o general lhe seria uma ameaça, manda que seus guardas matem-no por trair os desejos do novo Imperador. Após fugir de sua sentença mortal,  Maximus transfigura-se no famoso e implacável gladiador de Proximus (Oliver Reed, <em>O Povo Contra Larry Flynt</em>). Sua notoriedade leva-o até o despótico Commodus e o reencontro dos dois promete revelações, tramas políticas e a ira de um tirano que luta para manter-se no poder.</p>
<p>Realizando o seu segundo épico da carreira, o diretor Ridley Scott (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-alien-covenant/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Alien: Covenant</em></a>) emplaca um filme de sucesso. Com direito a uma bilheteria invejável e críticas bem positivas, o longa-metragem ainda teve 119 indicações &#8211; das quais foi vitorioso em 48 prêmios. Os pontos mais fortes na produção estão no conjunto técnico e artístico que rodeou Scott. Os roteiristas David Franzoni (<em>Amistad</em>, 1997), John Logan (<em>O Aviador</em>, 2004) e William Nicholson (<em>Os Miseráveis</em>, 2012), por exemplo, foram indicados ao Oscar de &#8220;Melhor Roteiro Original&#8221;.</p>
<p><strong><em>Gladiator</em></strong> (título original) é estruturado por uma narrativa que mescla figuras reais com uma criação totalmente livre em cima de um período histórico. Apesar de algumas questões dessa liberdade em cima da realidade, a profusão de acontecimentos marcantes e embates poderosos levanta o roteiro, o concedendo diversas indicações.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11954" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Gladiador" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/1171525.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como todo bom épico, <strong><em>Gladiador</em></strong> traz a velha oposição entre o povo e o poder tirânico. Dessa forma, o filme carrega uma crítica social que retrata situações atemporais como abuso de poder, corrupção e a famosa &#8220;política do pão e circo&#8221;. Além da originalidade existente no roteiro, a presença marcante do imponente Russell Crowe faz da simples personagem uma merecedora do <em>Academy Awards</em> de &#8220;Melhor Ator&#8221;. Somando a qualidade do protagonista, Joaquin Phoenix apresenta uma criatura digna de repulsa que conquista os piores sentimentos do espectador. O que acabou lhe proporcionando três indicações como &#8220;Melhor Ator Coadjuvante&#8221; no Oscar, Globo de Ouro e BAFTA.</p>
<p>O vencedor do <em>Academy Awards</em>, todavia, incomoda o público em alguns aspectos. As principais críticas são a quebra com a realidade histórica e a falta de liga sentimental no épico. Esperava-se que o filme apelasse para as emoções do espectador uma vez que o longa estabelece uma identificação com revoluções contra um dominador despótico. Entretanto, a linha fílmica de Ridley Scott não comporta sentimentalismos. Os filmes de Scott expressam um alto teor de razão tornando o fator emotivo algo mais do que secundário, o que se repete em <strong><em>Gladiador</em></strong>. A tentativa exagerada de tocar o público é atribuída ao excesso de artifícios sonoros – ato falho, mesmo com trilha sonora composta pelo excelente Hans Zimmer (<em>O Rei Leão</em>, 1995).</p>
<p>O triunfo de <strong><em>Gladiator</em></strong> está em sua tática interna de compensação. A infertilidade emocional característica de Scott é esquecida graças à montagem fílmica de alta qualidade feita pelo premiado Pedro Scalia (<em>JFK: A Pergunta Que Não Quer Calar</em>, de 1991). O descontentamento relacionado à infidelidade com os fatos reais é vencido pela fascinação do público com histórias de heróis. Tudo isso guiado pelas belas batalhas coreografadas por Nicholas Powell (<em>Coração Valente</em>, de 1995). Além desses, outros setores da produção são notáveis e foram indicados em inúmeras premiações &#8211; como a direção de arte, composição musical, montagem, efeitos especiais etc.</p>
<p>O conjunto cinematográfico do longa levou diversas pessoas a se encantarem com a fotografia, edição, roteiro e atuações magistrais que compõem a beleza do filme. Ademais, Ridley Scott merece louros por ter reapresentado ao público &#8211; já que esse não via nada com tamanha qualidade há décadas &#8211; um épico que honra os seus antecessores e o próprio subgênero.</p>
<p>Você pode conferir esse premiado marco do cinema no catálogo da <a href="https://www.netflix.com/watch/60000929?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C0%2C6693b9eba1cd98cf69bec410b01a46edb212a2d6%3A2e4ec8a66f17c36c3507f58ee9d6175f07a1fd4c%2C%2C"><em><strong>Netflix</strong></em></a>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ridley Scott<br />
<strong>Elenco:</strong> Russell Crowe, Joaquin Phoenix, Connie Nielsen, Oliver Reed, Richard Harris, Derek Jacobi, David Hemmings, Djimon Hounsou</p>
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		<title>Especial: O Legado do Coringa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Oct 2019 17:36:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Algumas figuras são imortalizadas pela cultura, história, política e pelo cinema. A sétima arte tem o poder de eternizar personagens em suas obras. Cinebiografias, por exemplo, surgem com a função de contar essas histórias. A indústria, contudo, vai muito além de narrar fatos reais. Muitos filmes de ficção científica, terror e de super-heróis usam essa premissa para fundamentar suas criações. O cinema percebeu que podia validar a veracidade de criaturas irreais através de suas produções. E é a partir dessa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas figuras são imortalizadas pela cultura, história, política e pelo cinema. A sétima arte tem o poder de eternizar personagens em suas obras. Cinebiografias, por exemplo, surgem com a função de contar essas histórias. A indústria, contudo, vai muito além de narrar fatos reais. Muitos filmes de ficção científica, terror e de super-heróis usam essa premissa para fundamentar suas criações. O cinema percebeu que podia validar a veracidade de criaturas irreais através de suas produções. E é a partir dessa ótica que as produções passaram a colocar figuras controversas sob seus holofotes.</p>
<p>Desde a experimentação feita por Edwin S. Porter, em <em>O Grande Roubo do Trem</em>, de 1903, que o mundo se surpreendeu com o protagonismo que os vilões podem ter. Ao longo dos anos, a fascinação por essas figuras malignas só aumentou e, consequentemente, suas produções também. O universo <em>slasher</em> é a prova viva de que o público é apegado aos vilões. A partir disso, a <em>DC Films</em>, em parceria com a <em>Warner Bros. Pictures</em>, lançou, na última quinta-feira (3), o primeiro longa-metragem solo do arqui-inimigo número 1 do Homem-Morcego. <strong><em>Coringa</em></strong> chegou aos cinemas dividindo opiniões. Confira a nossa crítica <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</p>
<p>Mas por que este rebuliço com um novo filme inspirado em quadrinho? O <strong><em>Coringa</em> </strong>traz consigo um dilema social e psicológico. A personagem teve, durante seus quase 80 anos de existência, muitos estilos. Hoje é possível avaliar e analisar a essência do palhaço criminoso por meio de suas infinitas versões. Essa pluralidade num só personagem rendeu ao cinema múltiplos Coringas.</p>
<p>De Cesar Romero até Jared Leto, os fãs do Batman já puderam ver facetas distintas do mais temido vilão de Gotham. O bandido comediante de Romero, o gangster vingativo de Jack Nicholson, o psicótico criminoso dublado por Mark Hamill, o sociopata anarquista que rendeu um Oscar póstumo ao Heath Ledger e o estranho psicopata vivido por Leto. Todos representam uma parcela da complexa personagem dos quadrinhos da DC, criado em 1940. Cada um deles tornou evidente para o público que as camadas e os formatos desse vilão podem ser infinitos.</p>
<p>Assim, o espectador já vivenciou várias versões do Coringa. Contudo, nada disso preparou a audiência para ver o que Joaquin Phoenix traria ao encarnar o vilão. É surpreendente a forma como ele construiu a caracterização de sua personagem. Com o lançamento de <strong><em>Joker</em></strong> (título original), o Coisa de Cinéfilo resolveu relembrar todas essas icônicas interpretações que marcaram a TV e o cinema ao longo da existência do Coringa e ilustrar o papel de Phoenix nessa jornada.</p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11502" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Coringa-Cesar-Romero-capa-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Coringa-Cesar-Romero-capa.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Coringa-Cesar-Romero-capa-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Coringa-Cesar-Romero-capa-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Cesar Romero</strong></h5>
<p>O ator americano estreou o vilão no audiovisual. Ele começou a interpretar o Coringa na série de TV, <em>Batman</em>, que foi ao ar de 1966 até 1968. Romero estabeleceu no imaginário popular a face risonha e cômica da personagem. Talvez a sua desenvoltura durante o seriado o aproximasse mais, no quesito visual, da criatura que inspirou o seu personagem &#8211; a figura risonha e macabra do filme alemão <em>O Homem que Ri</em> (1928). O Coringa de Cesar Romero dinamizou a narrativa seriada com sua presença abobalhada que se fazia necessária para atrapalhar os planos da dupla dinâmica sem nenhum motivo aparente além de sua própria diversão. Assim o primeiro dos Coringas é uma versão vilanesca de um palhaço de circo.</p>
<h5 style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11500" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/joker1989-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/joker1989.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/joker1989-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/joker1989-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><br />
<strong>Jack Nicholson</strong></h5>
<p>O Coringa vivido por Jack Nicholson trouxe uma roupagem completamente diferente. Dentro de uma perspectiva burtoniana, o ator levou aos cinemas a insanidade da personagem. O público viu pela primeira vez a perspectiva da loucura que o vilão pode ter. Nicholson trazia em seu olhar as alucinações da vingança, sem perder o ar sarcástico e mórbido que pairava no filme. Dessa forma, o segundo Coringa dos cinemas surgiu por uma gangster insano que vivia para se vingar sadisticamente do mundo. Vale ressaltar que a personagem de Nicholson trouxe o primeiro vislumbre da insanidade que hoje é tão característica do Coringa.</p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11499" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/mark_hamill_coringa-18448026-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/mark_hamill_coringa-18448026.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/mark_hamill_coringa-18448026-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/mark_hamill_coringa-18448026-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Mark Hamill</strong></h5>
<p>A experiência de Mark Hamill como o arqui-inimigo do Homem-Morcego, marcou uma geração. O ator dublou a personagem por duas décadas para a TV, o cinema e <em>videogames</em>. Sua interpretação do Coringa definiu o caminho que a personagem trilharia daquele momento em diante. Hamill deu ao vilão uma perspectiva muito mais louca e sarcástica do que antes. Ele foi o responsável por criar a associação mental imediata de que o palhaço de Gotham é terrivelmente perigoso por ser imprevisível. A partir dele, não se poderia prever o que o Coringa faria. A loucura se tornou a motivação número um dessa figura.</p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11498" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Heath-Ledger-Coringa-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Heath-Ledger-Coringa-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Heath-Ledger-Coringa-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Heath-Ledger-Coringa-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Heath Ledger</strong></h5>
<p>Anos se passaram até que outro ator tivesse a oportunidade de vivenciar esse personagem numa produção. Heath Ledger abraçou o projeto de Christopher Nolan e mergulhou de cabeça no processo de criação. O estudo da personagem levou meses e resultou numa das performances mais marcantes do cinema. Ledger permite que o espectador veja que existe algo além da loucura. Por trás de toda aquela insanidade sempre existiu uma perspectiva. Agora o vilão mostra as suas ideias anárquicas e sociopatas chocando o mundo com a profundidade de cada uma de suas ações. Heath Ledger foi a alma de <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em>. O ator deu tudo de si para esse papel. A resposta foi a aclamação eterna e diversos prêmios póstumos. Com isso, ele criou a difícil de missão de reencarnar a personagem.</p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11501" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-joker-jared-leto-suicide-squad-1-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-joker-jared-leto-suicide-squad-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-joker-jared-leto-suicide-squad-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-joker-jared-leto-suicide-squad-1-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Jared Leto</strong></h5>
<p>Oito anos se passaram até que o espectador pudesse rever o Coringa nos cinemas. Desta vez, vivido pelo ator e cantor Jared Leto, o vilão trilhou um caminho oposto ao seu antecessor. A participação de Leto em <em>Esquadrão Suicida</em> foi tão criticada como o filme. Sua versão da personagem tentou dialogar com as possibilidades criadas por Romero, Nicholson e Hamill, mas falhou em sua execução. O resultado visto no longa foi uma espécie de Frankenstein do palhaço. A tentativa de unir a comicidade de Romero, o sarcasmo de Nicholson e a loucura de Hamill resultou numa figura estranha e controversa que apenas assina a declaração de erros da produção.</p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11448" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/0157031-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/0157031.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/0157031-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/0157031-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></strong><br />
<strong>Joaquin Phoenix</strong></h5>
<p>O mais recente Coringa cumpriu com o objetivo de Leto. Joaquin Phoenix mostrou as todas as camadas da personagem que já haviam sido apresentadas anteriormente. A dinâmica de <strong><em>Joker</em></strong> proporcionou um ambiente perfeito para dar vida à mais fiel interpretação dos quadrinhos já feita. A performance de Phoenix extasia o público por sua força. Desde a cena inicial, o espectador se vê à mercê do sadismo da personagem. O filme passa e não há nada o que fazer a não ser apreciar cada momento, cada versão e cada ação do palhaço. Aqui é apresentado o poder do Coringa perante a humanidade. A loucura que seduz, o sarcasmo e a comicidade que divertem e a insanidade que perturba e instaura o caos.</p>
<p>Diante da desenvoltura de Phoenix como o famoso palhaço, não existem palavras que descrevam o impacto da produção. Assim como Ledger, em 2008, Phoenix fez um inesquecível trabalho de interpretação. Todd Philips (<em>Se Beber, Não Case</em>, de 2009) entregou ao público um ultimato. A carta-magna da DC para o público voltar a acreditar em suas produções. A experiência de assistir <strong><em>Coringa</em> </strong>é perturbadora e atraente ao mesmo tempo. A produção se mantém em compasso a cada momento, sem deixar nada faltar. A partir desse impacto, Todd entrega um drama existencial contundente, chocante e agressivo. Durante os 120 minutos de filme, o espectador é lembrado da podridão que existe no mundo. Gotham City finalmente foi representada como merece. Todo o caos e a sujeira constroem, ao lado da performance de Phoenix, a crítica perfeita sobre o verdadeiro ser corrompido.</p>
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		<title>Crítica: Coringa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:02:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Coringa é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em Batman (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (Ela) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos. Como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><strong>Coringa</strong> </em>é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em <em>Batman</em> (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em> (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><em>Esquadrão Suicida</em></a> (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (<em>Ela</em>) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos.</p>
<p>Como eu já comentei aqui algumas vezes, filmes que criam muita expectativa me preocupam, já que a chance de decepção é maior. Quando se trata de um personagem que por si só gera ansiedade, a situação fica ainda mais complicada. No entanto, afirmo sem medo que este é um dos melhores filmes dos últimos anos, não apenas no quesito de adaptação de HQs.</p>
<p>Para começar, os quadrinhos são apenas um pano de fundo para trazer uma história complexa e realista sobre a jornada de um cidadão doente abandonado pela sociedade da barbárie. Gotham City está sitiada por manifestações contra o governo. A taxa de desemprego é absurda, o lixo se amontoa nas ruas e os poderosos zombam da pobreza, como se ela fosse uma escolha. Em meio a isso, as pessoas vão se tornando cada vez mais amargas e incrédulas de um futuro melhor.</p>
<p>Arthur Fleck tem problemas mentais diagnosticados e trabalha como palhaço. A dualidade já começa aí, quando uma pessoa triste tem que colocar a máscara da alegria para fazer os outros rirem, sufocando todas as suas emoções. A frase que surge em dado momento, &#8220;o problema da doença mental é que as pessoas querem que você aja como se não a tivesse&#8221;, deixa muito claro que a sociedade pouco se importa com o que ele está passando. E isso se repente em muitos momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que o protagonista vai sofrendo repetidas investidas negativas do cenário e criando camadas de rancor, o espectador começa a entender o que levou o Coringa a se tornar alguém ruim e amargurado. Temos até lapsos de empatia, que rapidamente se dissolvem. É a sociedade do abandono para alguém que só queria se sentir minimamente importante e notado. Somos apresentados às confusões mentais do <strong><em>Coringa</em></strong>, que nos trazem questionamentos sobre a veracidade de certos fatos que estamos vendo.</p>
<p>Além disso, a cuidadosa inserção do personagem de Bruce Wayne é ainda mais gloriosa. Importante e contundente, mas passageira como deveria ser. O foco ali não é no Batman, definitivamente. Mas nos leva a questionamentos sobre uma possível interseção deste <strong><em>Coringa</em> </strong>com o Batman de Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bom Comportamento</em></a>), que deve chegar aos cinemas em 2021.</p>
<p>A grandeza do personagem é respeitada desde a sua construção inicial. A primeira cena do filme já vale a magnífica atuação de Phoenix no filme inteiro. E sim, sinto cheiro de Oscar para o papel, o que será muito merecido. Ele está incorporado no <strong><em>Coringa</em></strong>, de corpo e alma. Todas as angústias, frustrações e desesperos traduzidos em olhares e mudanças de expressão. É uma performance intensa, profunda e sem exageros. Ele consegue deixar o espectador sem ar, mas não beira o caricato. O que só prova a sua magnitude.</p>
<p>Além disso, o filme não tem grandes coadjuvantes. E não digo isso sobre as atuações dos demais. Temos Robert De Niro, por exemplo, que está ótimo, como sempre. Mas o filme não é sobre os coadjuvantes. Eles só estão ali para dar ainda mais espaço para o protagonista. E levar um filme inteiro praticamente sozinho não é tarefa para qualquer ator. Mas Phoenix já havia feito isso em <em>Ela</em> e repete o padrão aqui, com ainda mais complexidade e intensidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11449" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso pensar que o diretor Todd Phillips, que tem filmes como <em>Se Beber, Não Case</em> e <em>Cães de Guerra</em> como principais na filmografia, conseguiria nos apresentar um trabalho tão aparado e sem arestas como esse. <em><strong>Coringa</strong> </em>é um filme lapidado, sem excessos ou faltas. Todos os pontos são preenchidos e com muita maestria. Ele conta ainda com a produção de Bradley Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nasce-uma-estrela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Nasce Uma Estrela</em></a>), que tem cada vez mais se filiado a projetos grandiosos.</p>
<p>E na finalização, o filme foi ainda mais assertivo. O cuidado de deixar claro que o <strong><em>Coringa</em> </strong>não é um herói, embora a sociedade o coloque neste lugar. Ele é um reflexo personificado das doenças e mazelas daquelas pessoas abandonadas pelo apoio político. Ele é a unicidade de tantos sentimentos ruins e, por isso, não deve ser entendido como herói. O <strong><em>Coringa</em> </strong>é a sombra do que somos de pior como humanos. E o filme não se poda ao nos mostrar isso.</p>
<p>Para quem já gosta das versões anteriores do <strong><em>Coringa</em></strong>, com destaque especial ao de Nicholson e Ledger, é surpreendente como nem lembramos deles ao assistir o de Phoenix. É como se fosse a evolução casada e perfeita dos dois, que chegou ao ápice agora.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>é um filme que vai muito além de uma banal adaptação de quadrinhos. É uma produção que insere sub-textos de política, discussões sociais e doenças mentais. Tudo isso orquestrado por uma trilha sonora poderosa e calculista, que sabe exatamente onde se mostrar e onde dar a vez da atuação crua. Uma produção fascinante e memorável!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips<br />
<strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Douglas Hodge, Glenn Fleshler,</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/jfVTJm9NilA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Coringa ganha primeiro e sombrio trailer. Confira!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Apr 2019 15:43:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Coringa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Warner Bros. divulgou na manhã desta terça-feira (03) o primeiro trailer de Coringa, o filme solo do vilão protagonizado por Joaquin Phoenix. A expectativa para o longa é grande, já que o grande vilão de relevância foi anteriormente interpretado e eternizado por Heath Ledger em Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas. Coringa foi considerado um filme de herói de baixo custo, com orçamento de US$ 55 milhões. A produção é a primeira de uma nova onda de filmes mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Warner Bros. divulgou na manhã desta terça-feira (03) o primeiro trailer de <strong><em>Coringa</em></strong>, o filme solo do vilão protagonizado por Joaquin Phoenix. A expectativa para o longa é grande, já que o grande vilão de relevância foi anteriormente interpretado e eternizado por Heath Ledger em <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em>.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>foi considerado um filme de herói de baixo custo, com orçamento de US$ 55 milhões. A produção é a primeira de uma nova onda de filmes mais sérios, obscuros e violentos baseados nas obras da DC Comics, a DC Dark.</p>
<p><em><strong>Coringa </strong></em>estreia no dia 3 de outubro de 2019 no Brasil.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/XRTtGpedgY8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Maria Madalena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2018 17:49:54 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Chiwetel Ejiofor]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O mundo vive um período de mudança. A luta pela igualdade e contra o preconceito tem apenas se fortalecido durante os últimos anos. E no universo cinematográfico não poderia ser diferente. O ano de 2018 se iniciou com uma corrente em prol das mulheres artistas do cinema. A iniciativa Time&#8217;s Up foi o ponta pé inicial para uma longa caminhada que visa a quebra dos costumes machistas, preconceituosos e desumanos que existem nos bastidores da sétima arte. E em meio [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo vive um período de mudança. A luta pela igualdade e contra o preconceito tem apenas se fortalecido durante os últimos anos. E no universo cinematográfico não poderia ser diferente. O ano de 2018 se iniciou com uma corrente em prol das mulheres artistas do cinema. A iniciativa <em>Time&#8217;s Up</em> foi o ponta pé inicial para uma longa caminhada que visa a quebra dos costumes machistas, preconceituosos e desumanos que existem nos bastidores da sétima arte. E em meio a essa alvorada de justiça, eis que surge um filme para corrigir uma iniquidade milenar, permitindo que o público ao redor do planeta passe a conhecer a história não contada sobre Maria Madalena.</p>
<p>Categoricamente denominada como prostituta e pecadora, Maria Madalena foi execrada pela Igreja Católica com o simples propósito de manter os princípios patriarcais, impedindo que mulheres pudessem fazer parte do clero. Em 2016, contudo, após diversos estudos sobre os textos do Velho Testamento, o Papa Francisco reconheceu a figura de Maria Madalena como uma apóstola de Jesus, apagando toda a mentira criada nos primórdios da Igreja sobre a vida dela. E a partir do ano de 2018, o mundo conhecerá esta inspiradora e poderosa história nas telonas.</p>
<p>Nascida em Magdala – daí vem o &#8220;Madalena&#8221; (em inglês, &#8220;Magdalene&#8221;) –, Maria (Rooney Mara) nunca se comportou de acordo com os padrões. Destinada a algum muito maior e além da sua imaginação, Maria Madalena não se adaptava aos costumes machistas e opressores que lhes eram impostos. Contrariando a todos, Maria Madalena decide seguir um caminho completamente diferente do que os costumes previam. Após se encantar com a palavra e os milagres Jesus (Joaquin Phoenix), Maria decide largar sua família e para seguir o profeta e ajudar espalhar a palavra dele como um de seus apóstolos.</p>
<p>Em seu segundo longa-metragem, Garth Davis (diretor de <i>Lion &#8211;</i> <i>Uma Jornada para Casa</i>, de 2016), levará para as telonas a verdadeira história sobre a apóstola de Jesus Cristo, tendo Rooney Mara – cujo trabalhou com Davis em <i>Lion</i> – estrelando essa película. <i>Maria Madalena</i> é um veredito de absolvição para essa mulher que tanto foi caluniada durante milhares de anos. Com uma narrativa muito bem elaborada, Mara emociona com sua força e simplicidade ao encenar uma das histórias mais conhecidas no mundo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8795" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/03/1309303.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Assinado por Helen Edmundson e Philippa Goslett, o roteiro da película se mostra preciso em seu propósito maior que é recontar a história desta mulher, dando uma outra perspectiva sobre esse momento. E, mesmo remetendo a um momento bíblico, <i>Maria Madalena</i> está longe de ser um filme religioso; ele representa muito mais que isso. A humanização de personagens como Maria Madalena e Judas – interpretado por Tahar Rahim – permite que o espectador crie um olhar mais sensível aos significados da mensagem espiritual que está por trás desse cenário. E, para isso, o público repensa as mensagens de Jesus através do olhar de Madalena, causando a identificação de quem assiste com a personagem.</p>
<p>Com um elenco incrível, as passagens sobre fé, força e perseverança se tornaram algo ainda melhor. As cenas de confronto entre as personagens de Rooney Mara e Chiwetel Ejiofor (cujo interpreta o apóstolo Pedro) são as mais tocantes possíveis, uma vez que elas representam a luta contra a opressão criada pelo patriarcado. Além deles, Tahar Rahim emociona o público com o seu Judas humano e saudoso. Para completar, o talento de Joaquin Phoenix ajuda a criar uma atmosfera ainda maior de paz e compaixão nas sequências onde Jesus e os apóstolos estão disseminando os pensamentos de Deus.</p>
<p><i>M</i><i>aria Madalena</i> funciona como uma lição de vida em diversos aspectos. E, mesmo visando a correção mostrar a verdadeira Madalena, o filme não perde o seu aspecto bíblico dando, durante um breve momento do filme, protagonismo para a personagem de Phoenix. Contudo, há um cuidado nítido e uma precisão ao retomarem o foco para Maria. Do início ao fim como figura central, <i>Maria Madalena</i> é um drama bíblico diferente de tudo o que já foi feito nesse subgênero. Sua função social de estabelecer justiça e ressignificar palavras de compaixão e fé são fundamentais num momento onde isso é o que mundo mais precisa ouvir e abraçar.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/L8u8QkIy7es" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vício Inerente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2015 21:55:08 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Benicio DelToro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Provavelmente uma das tarefas mais ingratas que já tive foi escrever sobre um filme do Paul Thomas Anderson que não gostei, no caso, seu mais recente longa Vício Inerente. Anderson é um dos meus cineastas favoritos, portanto me deparar com uma obra do diretor que não mexa comigo é particularmente difícil. Vício Inerente quebra este pacto que estabeleci com filmes como Boogie Nights, Magnólia, Sangue Negro, O Mestre e até mesmo o seu subvalorizado Embriagado de Amor, obras marcadas pela inventividade e energia narrativa do seu realizador. Vício Inerente traz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2771" aria-describedby="caption-attachment-2771" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2771 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-620x348.jpg" alt="inherent-vice" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2771" class="wp-caption-text">Trip: Joaquin Phoenix e a novata Katherine Waterson em cena de &#8220;Vício Inerente&#8221;</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<div style="color: #000000;">
<p>Provavelmente uma das tarefas mais ingratas que já tive foi escrever sobre um filme do Paul Thomas Anderson que não gostei, no caso, seu mais recente longa <i>Vício Inerente</i>. Anderson é um dos meus cineastas favoritos, portanto me deparar com uma obra do diretor que não mexa comigo é particularmente difícil. <i>Vício Inerente </i>quebra este pacto que estabeleci com filmes como <i>Boogie Nights</i>, <i>Magnólia</i>, <i>Sangue Negro</i>, <i>O Mestre </i>e até mesmo o seu subvalorizado <i>Embriagado de Amor</i>, obras marcadas pela inventividade e energia narrativa do seu realizador. <i>Vício Inerente </i>traz o mesmo Paul Thomas Anderson desses projetos, um diretor preocupado em testar a linguagem cinematográfica através de ângulos narrativos improváveis, porém, pela primeira vez, o realizador concebe tão e somente um exercício de estilo, o que é uma pena.</p>
</div>
<div style="color: #000000;">
<p>Baseado no cultuado romance policial de Thomas Pynchon, <i>Vício Inerente </i>é ambientado na Califórnia da década de 1970 e tem início quando Shasta Fey vai ao encontro do seu ex-namorado, o detetive Larry &#8220;Doc&#8221; Sportello, para lhe pedir um favor. Ela quer que &#8220;Doc&#8221; a ajude a sair de uma trama que envolve o seu amante, um magnata do ramo imobiliário, sua esposa e o homem com quem ela o trai. A dupla pede a ajuda de Shasta para que eles consigam dar um sumiço no empresário e ficar com todo o patrimônio dele. O caso leva &#8220;Doc&#8221; a um enredo muito mais complicado que envolve um esquema de venda de drogas, o FBI e um saxofonista impedido de ver a sua família.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<figure id="attachment_2772" aria-describedby="caption-attachment-2772" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent_vice-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2772 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent_vice-1-620x345.jpg" alt="INHERENT VICE" width="620" height="345" /></a><figcaption id="caption-attachment-2772" class="wp-caption-text">&#8220;Cameos&#8221; : Reese Whiterspoon integra um elenco de peso que faz participações no longa</figcaption></figure>
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<p>Para contar esta trama policial que insere o <i>noir </i>no universo <i>hippie </i>e de conspirações políticas dos EUA dos anos 1970, Paul Thomas Anderson tenta se aproximar do espírito do livro de Thomas Pynchon realizando um trabalho cujo êxito merece inquestionavelmente o reconhecimento. Todo o longa é marcado por uma ausência de linearidade narrativa e até mesmo pela falta de logicidade, características que são antíteses por excelência do gênero no qual o filme se enquadraria, o suspense ou o filme policial. O objetivo de Pynchon &#8211; e, de quebra, Anderson &#8211; é conferir à história a perspectiva que o seu narrador, &#8220;Doc&#8221; Sportello, tem dos eventos que presencia, e claro que é uma perspectiva completamente alucinógena tal qual os efeitos do coquetel pesado de drogas que ele consome. O grande problema é que, a despeito desta coerência, esse exercício narrativo de Anderson acaba entrando em atrito com a própria linguagem cinematográfica e <i>Vício Inerente </i>assume um discurso auto-indulgente e torna-se um filme com mais de duas horas de duração que exigem paciência do espectador sem conseguir estabelecer nenhum vínculo com o público, que nem mesmo se sente envolvido com a trama na tentativa de decifrá-la já que, no fim das contas, muito mais do que lançar pistas visuais todo e qualquer movimento da história tem sua dose de &#8220;trip&#8221; <i>non sense </i>do protagonista, ou seja, não necessariamente requer uma tentativa de leitura, é simplesmente um delírio narrativo .</p>
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<p>Desde <i>Magnólia</i> Anderson não trabalhava com um elenco tão grande. Há participações pontuais e muito positivas de Owen Wilson, Reese Whiterspoon, Benicio Del Toro, Maya Rudolph, Jena Malone e Eric Roberts. Ainda assim, o centro da história é o personagem de Joaquin Phoenix, que nem foi a primeira opção para viver &#8220;Doc&#8221; (a primeira foi Robert Downey Jr.), mas que mostra-se como uma daquelas escalações que caem como uma luva no personagem. Phoenix tem dois grandes parceiros de cena nesse filme: Josh Brolin, interessante como o policial &#8220;Pé Grande&#8221; Bjornsen; e a revelação do longa, Katherine Waterson, encarnando com precisão a versão <i>femme fatale </i>do romance de Pynchon, a confusa, &#8220;indefesa&#8221; e irresistível Shasta Fey.</p>
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<figure id="attachment_2773" aria-describedby="caption-attachment-2773" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2773 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix-620x371.jpg" alt="inherent-vice-owen-wilson-joaquin-phoenix" width="620" height="371" /></a><figcaption id="caption-attachment-2773" class="wp-caption-text">Conspirações e muitas drogas: Trama policial envolve um esquema complexo de venda de drogas e personagens reféns dele, como é o caso daquele vivido por Owen Wilson.</figcaption></figure>
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<p><span style="color: #000000;">No final das contas, </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente </i><span style="color: #000000;">não é uma grande tragédia cinematográfica como alguns anunciam, está longe de ser e provavelmente merece ser constantemente revisitado. Por enquanto, e particularmente, o que pode ser dito é que é um filme de acesso emperrado que parece preferir enclausurar-se na definição de exercício narrativo do que estabelecer algum diálogo com o público. Se nos longas anteriores de Anderson o espectador de alguma forma se sentia tocado por personagens cuja humanidade e empatia transbordavam na tela, em </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente </i><span style="color: #000000;">essas figuras e a história que protagonizam parecem rarefeitos. Assim, a filmografia do diretor até então, marcada por histórias que mesmo depois dos créditos finais deixavam suas marcas no espectador, tem um grande corte com </span><i style="color: #000000;">Vício Inerente</i><span style="color: #000000;"> uma mera &#8220;piração&#8221; ou &#8220;trip&#8221; coletiva de Anderson, Pynchon e &#8220;Doc&#8221; Sportello, É isso, apenas uma &#8220;trip&#8221;.</span></p>
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		<title>Crítica: Era uma vez em Nova York</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Sep 2014 15:47:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Era uma vez em Nova York]]></category>
		<category><![CDATA[James Gray]]></category>
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		<category><![CDATA[Joaquin Phoenix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Era uma vez em Nova York é o tipo de projeto que já nasce com grandes chances de dar certo. O filme tem um excelente diretor, o pouco reconhecido James Gray, mas que dirigiu filmes cultuados por instâncias da crítica como Amantes e Os Donos da Noite e aqui, assim como fez no primeiro longa citado, assina o roteiro com Ric Menello. Além disso, o longa conta com o elenco dosado pela sensibilidade de Marion Cotillard e pela entrega [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1913" aria-describedby="caption-attachment-1913" style="width: 604px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1913" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant.jpg" alt="the-immigrant" width="604" height="308" /></a><figcaption id="caption-attachment-1913" class="wp-caption-text">Lobo em pele de cordeiro: Bruno (Joaquin Phoenix) consegue que Ewa (Marion Cotillard) entre nos EUA, mas a que custo?</figcaption></figure>
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<p><em>Era uma vez em Nova York </em>é o tipo de projeto que já nasce com grandes chances de dar certo. O filme tem um excelente diretor, o pouco reconhecido James Gray, mas que dirigiu filmes cultuados por instâncias da crítica como <em>Amantes </em>e <em>Os Donos da Noite </em>e aqui, assim como fez no primeiro longa citado, assina o roteiro com Ric Menello. Além disso, o longa conta com o elenco dosado pela sensibilidade de Marion Cotillard e pela entrega de Joaquin Phoenix. Para completar, uma equipe competente formada, entre outros, pelo diretor de fotografia Darius Khondji (<em>Seven</em>) e pela figurinista Patricia Norris (<em>12 Anos de Escravidão</em>), que fazem uma reconstituição de época apurada, com escolhas que não só nos leva a uma viagem no tempo, mas também dialogam com as emoções dos personagens e com os caminhos que o realizador pretende percorrer na história. No entanto, ao contrário do que vinha acontecendo na carreira de Gray até então &#8211; como já sinalizado, apesar do aval da crítica, a carreira do diretor parecia permanecer em alguma zona desconhecida do grande público -, a morna recepção a <em>Era uma vez em Nova York </em>parece ser justa. Não se trata do melhor exemplar da carreira do seu realizador.</p>
<p>Nova York, 1921. Ewa (Cotillard) é uma polonesa recém chegada que é afastada da irmã pois esta contraiu uma doença pulmonar durante a viagem e, por motivos de segurança, teve que ser isolada em quarentena. A vinda de Ewa para os EUA é obstacularizada ainda por suspeitas de que ela seja uma mulher de &#8220;vida fácil&#8221;. A polonesa é salva por Bruno Weiss (Phoenix) que consegue a liberação dela no país. Contudo, para permanecer em Nova York e vislumbrar a possibilidade de se reencontrar com sua irmã, Ewa terá que trabalhar para Bruno como cortesã junto ao grupo que ele agencia nos becos da cidade. O destino de Ewa se transforma quando ela conhece Orlando (Jeremy Renner), um jovem mágico que se apresenta na casa de shows onde Bruno leva suas garotas. Logo, Bruno e Orlando disputam Ewa, que fica dividida entre a possibilidade de libertar-se daquela vida e a oportunidade de ver novamente Magda, sua irmã doente.</p>
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<figure id="attachment_1914" aria-describedby="caption-attachment-1914" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant-jeremy-renner.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1914 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the-immigrant-jeremy-renner-620x298.jpg" alt="the-immigrant-jeremy-renner" width="620" height="298" /></a><figcaption id="caption-attachment-1914" class="wp-caption-text">A terceira ponta do triângulo: O mágico Orlando (Jeremy Renner) apresenta-se a Ewa como sua &#8220;tábua de salvação&#8221;.</figcaption></figure>
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<p>O que mais impressiona em <em>Era uma vez em Nova York </em>é como James Gray se perde nas armadilhas do melodrama de tal maneira que chega um momento do filme em que ele passa a sensação para o espectador de que não sabe resolver sua trama e de que não tem segurança sobre a natureza ou sobre as transformações dos seus personagens. Na dúvida, o cineasta recorre ao clichê da &#8220;moça sofrida&#8221; e joga toda a responsabilidade do filme nos colos de Marion Cotillard, que a despeito da tentativa de construir um personagem minimamente multidimensional (e ela tenta ao retratar Ewa como uma mulher simples e, por vezes, submissa), acaba &#8220;caindo&#8221; em armadilhas que a tornam aborrecida.</p>
<p>Gray até que se redime na sua cena final e consegue, com um duelo entre Joaquin Phoenix e a própria Cotillard, conferir uma certa substância a sua história, mas até chegar a esse momento, o realizador se perde tanto e arrasta tanto a sua trama que o desfecho acaba se tornando um <em>insight </em>tardio. Entre os esforços de Marion Cotillard e Joaquin Phoenix (louváveis), está um Jeremy Renner completamente dispensável, cujo personagem não diz a que veio. Como já mencionado no parágrafo de abertura, o longa vence pelo seu rigor estético, técnico, mas carece de um rumo mais consistente.</p>
<figure id="attachment_1915" aria-describedby="caption-attachment-1915" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the_immigrant.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1915 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/the_immigrant-620x331.jpg" alt="the_immigrant" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1915" class="wp-caption-text">Trama emperrada: Diretor não consegue encontrar a solução para diversos problemas, apesar dos esforços da sua equipe técnica e dos seus atores.</figcaption></figure>
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<p>Curioso notar que um diretor que fez um dos filmes mais maduros e realistas sobre os relacionamentos amorosos do cinema contemporâneo, <em>Amantes</em>, evitando por completo o sentimentalismo, mas não abandonando a sensibilidade, tenha sido seduzido pelas teias de um melodrama mal feito em <em>Era uma vez em Nova York. </em>Talvez não seja um terreno para James Gray, talvez ele tenha que retornar a seus dramas policiais familiares ou a simplicidade dos relacionamentos humanos&#8230; Com esse filme, a sensação que fica é de que a responsabilidade de atender a tantas demandas &#8211; demandas essas que talvez nem ele mesmo esperava &#8211; o levou a um labirinto sem saída.</p>
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