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	<title>Arquivos James Norton - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos James Norton - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Bob Marley &#8211; One Love</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Feb 2024 19:05:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o sucesso comercial e a consagração no Oscar de Bohemian Rhapsody (vencedor do prêmio de melhor ator para Rami Malek, que interpretou Freddie Mercury), a cinebiografia tem sido um gênero cinematográfico responsável por gerar verdadeiros embaraços, em específico quando as figuras representadas nas telas são grandes artistas e esses títulos são produzidos pela própria família. Esses longas contam com o apreço do público pelo legado desses personagens fora da tela (sua obra musical, por exemplo) e &#8220;camuflam&#8221; narrativas capengas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o sucesso comercial e a consagração no Oscar de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bohemian-rhapsody/"><em>Bohemian Rhapsody</em></a> (vencedor do prêmio de melhor ator para Rami Malek, que interpretou Freddie Mercury), a cinebiografia tem sido um gênero cinematográfico responsável por gerar verdadeiros embaraços, em específico quando as figuras representadas nas telas são grandes artistas e esses títulos são produzidos pela própria família. Esses longas contam com o apreço do público pelo legado desses personagens fora da tela (sua obra musical, por exemplo) e &#8220;camuflam&#8221; narrativas capengas com inserções musicais. Essas produções são incapazes de desenvolver qualquer narrativa consistente, evitando, sobretudo, as polêmicas na vida dos protagonistas dessas histórias, algo essencial para transformar essas figuras em seres humanos passíveis de identificação, princípio básico a qualquer relato em qualquer mídia, mas que na interpretação dos seus produtores/familiares são traços que maculam a imagem dos cinebiografados.</p>
<p><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-i-wanna-dance-with-somebody/"><em>I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston</em></a>, por exemplo, foi um projeto sabotado por esse tipo de condução trôpega, assim como o já citado <em>Bohemian Rhapsody</em>. Como contra-exemplo, tivemos <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rocketman/"><em>Rocketman</em> </a>(sobre Elton John), que mesmo com a participação de familiares e do próprio biografado (o segundo caso) na produção, conseguiram resultados bem mais eficientes porque em ambos a narrativa cinematográfica esteve em primeiro plano e não o receio de que qualquer abordagem pudesse arranhar a imagem dessas figuras. O resultado de <strong><em>Bob Marley &#8211; One Love</em></strong> está mais próximo dos filmes sobre Freddie Mercury e Whitney Houston do que as obras que contaram a vida de Elvis Presley e Elton John.</p>
<p>O longa dirigido por Reinaldo Marcus Green (de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-king-richard-criando-campeas/"><em>King Richard: Criando Campeãs</em></a>, filme que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Will Smith) tenta concentrar suas atenções no processo de gravação e na turnê de Exodus, álbum de maior sucesso da carreira de Bob Marley. <strong><em>Bob Marley &#8211; One Love</em></strong> inicia sua narrativa contextualizando historicamente a fase da vida do músico que o longa vai retratar: o conflito político e a divisão interna da população jamaicana acerca de dois grupos disputando o poder. O estado que beirava a guerra civil inquietava Marley. No fim das contas, nenhum desses dois tópicos (a gravação do álbum e o contexto histórico-político) são explorados a contento pelo filme.</p>
<p>A narrativa de <strong><em>Bob Marley &#8211; One Love</em></strong> não desenvolve um fio condutor sequer. A criação de Exodus é transformada em uma série de trivias espalhadas de qualquer forma na história em meio a algumas apresentações de Marley nos palcos e algumas brigas totalmente fora de contexto entre o artista e sua esposa ou divergência com sua entourage e seus produtores. No meio de tudo isso, Marley descobre um câncer e Reinaldo Marcus Green lida com flashbacks pontuais sobre a infância e a juventude do músico. Nada é &#8220;costurado&#8221; pelo roteiro no modo &#8220;causa-consequência&#8221; e os eventos apenas se sucedem demarcados pela localização geográfica em virtude da turnê do músico.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17717" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-4.png" alt="Bob Marley - One Love" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-4-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O tópico político introduzido pelo filme é esquecido e só é lembrado momentos antes dos créditos finais quando os realizadores exibem imagens de arquivo de uma apresentação de Marley na Jamaica com as duas representações políticas citadas na obra &#8211; ou seja, um dos temas mais promissores do longa é silenciado durante toda a narrativa, apesar de ter sido mencionado logo no início e sugerir uma conexão, nunca elaborada, com Exodus. Só essa discussão sobre a história política da Jamaica atravessada pela obra de Marley seria suficiente para produzir uma cinebiografia mais consistente sobre o músico, dimensionando sua personalidade de maneira mais eficiente do que esse longa aqui faz.</p>
<p>O longa também tem problemas na construção da personalidade de Bob Marley. O ator Kingsley Ben-Adir (ótimo em Uma Noite em Miami&#8230; da Regina King) tenta fazer o que pode no filme e se dedica bastante ao papel. É uma pena que o roteiro e a direção desse filme optem por transformar Marley em uma espécie de divindade, ausente de qualquer traço de humanidade e sempre disposto a soltar frases de efeito sobre a paz. O filme opta pelo tratamento do biografado como uma espécie de messias praticamente sem falhas, quando o caminho mais interessante para a obra seria abordar o personagem como um homem com ideais.</p>
<p>No fim das contas, <strong><em>Bob Marley &#8211; One Love</em></strong> perde a oportunidade de trazer para as telas uma versão do músico que pudesse se equiparar ao carisma do verdadeiro Marley. Esse esforço de pasteurizar realidades da maioria das cinebiografias de artistas famosos que têm chegado aos cinemas no lugar de beneficiar esses projetos e as imagens públicas dos seus homenageados só prejudicam ambas, resultando em narrativas que deixam o público indiferente a essas personagens e sem o menor dimensionamento do que elas representaram na história. Caso questões mais delicadas não sejam pertinentes ou desejáveis de serem abordadas, o melhor caminho foi aquele traçado pelos já citados Elvis e Rocketman que encontraram na personalidade de suas respectivas direções uma alternativa para contornar algumas dessas questões.</p>
<p>Ao final da sessão de <strong><em>Bob Marley &#8211; One Love</em></strong> fica o questionamento: Como pode uma história tão rica quanto a de Bob Marley gerar um filme tão oco e sem vida quanto este? Nem mesmo a música vibrante do artista inspira a sua cinebiografia a emular a energia da sua obra com apresentações musicais inspiradas que poderiam preencher de alguma forma os vazios narrativos dessa história. O futuro do gênero é preocupante e as cinebiografias que estão acenando para o público não aparentam contornar esse problema, pelo contrário, projetos sobre Michael Jackson e Amy Winehouse estão a caminho nos mesmos moldes desse aqui em contextos ainda mais delicados. Como alento, ainda há diretores como Pablo Larraín que seguem apostando em tratamentos mais criativos &#8211; a cinebiografia do diretor sobre Maria Callas com Angelina Jolie promete seguir a ótima trilha de Jackie e Spencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Reinaldo Marcus Green</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kingsley Ben-Adir, Lashana Lynch, James Norton</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bXLMxVMTzLk?si=3ev26riw0yfU5Bf2" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vozes e Vultos (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 May 2021 15:36:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O gênero terror pode ter várias vertentes: cósmico, gore, trash, found footage, entre outros. Dentro desta esfera, existe o Terror Psicológico – um estilo bastante utilizado e bem visto na contemporaneidade, inclusive. Ele vem para tratar sobre a dinâmica dos artifícios da mente humana, versus o poder do sobrenatural e o caos que pode ser evocado através dos truques da psique. A partir desta lógica, pode-se dizer, talvez, que existam três tipos de narrativa dentro deste subgênero. Em algumas produções, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O gênero terror pode ter várias vertentes: cósmico, <em>gore, trash, found footage</em>, entre outros. Dentro desta esfera, existe o Terror Psicológico – um estilo bastante utilizado e bem visto na contemporaneidade, inclusive. Ele vem para tratar sobre a dinâmica dos artifícios da mente humana, versus o poder do sobrenatural e o caos que pode ser evocado através dos truques da psique. A partir desta lógica, pode-se dizer, talvez, que existam três tipos de narrativa dentro deste subgênero. Em algumas produções, a ausência da sanidade justifica acontecimentos sinistros. Em outras, há, de fato alguma presença maligna, que faz as personagens duvidarem de suas certezas.</p>
<p>Em <strong><em>Vozes e Vultos</em></strong> vê-se o terceiro caso. Baseado no livro <em>All Things Cease to Appear</em>, de Elizabeth Brundage, ele é uma mescla entre as duas possibilidades, o espectador vai desvendando o mistério posto no enredo e descobrindo que existem duas questões centrais aqui: a presença de espíritos dentro da nova casa da família Claire e a verdade sobre George (James Norton), o inescrupuloso marido da protagonista, Catherine (Amanda Seyfried, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mank-netflix/"><em>Mank</em></a>). Enquanto um dos caminhos é mais elaborado, chegando fragmentado e com furos no roteiro, o segundo vem como um <em>plot twist</em> para a história e acaba por salvar um pouco da qualidade do longa-metragem.</p>
<p>O que acontece durante é a projeção é uma falta de habilidade para construir o roteiro. As emoções, conflitos e medos chegam todos repentinos, antes que tenha sido construída uma atmosfera de tensão ou até mesmo que haja uma ambientação sobre a residência fantasmagórica e a cidade para onde Catherine se mudou com George e a filha. As informações são jogadas de maneiras aleatórias, deixando uma impressão de que, talvez, também tenha existido um problema na sala de edição.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14138" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/vozes-vultos-terror-filme-netflix.jpg" alt="Vozes e Vultos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/vozes-vultos-terror-filme-netflix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/vozes-vultos-terror-filme-netflix-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/vozes-vultos-terror-filme-netflix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/05/vozes-vultos-terror-filme-netflix-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A sensação é a de que faltam sequência que justifiquem as explosões e os embates do casal, bem como o pavor ou tranquilidade em relação às situações apresentadas. Um exemplo que pode ser citado é o da cena entre Catherine e Floyd (F. Murray Abraham!!!!, <em>Ilha dos Cachorros</em>). Convenientemente, os dois estão no corredor da casa da jovem e ambos enxergam uma luminosidade passando na janela. Em um diálogo preguiçoso e ansioso, eles combinam que irão fazer uma sessão para conversar com o espírito e que vai ficar tudo bem. Este tipo de momento é recorrente em <strong><em>Vozes e Vultos</em></strong><em>.</em></p>
<p>Assim, o público pode ficar se perguntando: Quando foi que Catherine começou a parou de ter medo do fantasma da casa? Como Floyd e ela se aproximaram tanto? De onde vem essa organização que faz sessões espíritas na cidade? Fora ao fato de que o próprio Floyd desaparece e ninguém parece notar o fato. Diversos questionamentos emergem insistentemente na sessão, pois não há uma linha contínua na trama e sim saltos, que deixam incômodo acompanhar a obra inteira. Este é, sem dúvida o maior defeito aqui e é algo que compromete a totalidade da produção. No entanto, um único elemento faz a experiência valer um tanto.</p>
<p>A relação entre o casal principal é elaborada com mais cuidado e atenção. A personalidade de ambos vai sendo revelada aos poucos e fomentando a trajetória de Catherine, bem como apresentando o tamanho do perigo que George oferece, progressivamente. De marido atencioso, ele é colocado com um traidor. Em seguida, é entendido que ele não é apenas um “boy lixo”, mas também um homem perigoso, mentiroso e que não mede esforços ou ações para continuar aplicando seus golpes.</p>
<p>Quando a sua figura é totalmente mostrada, finalmente alguma tensão é posta em cena e o início do terceiro ato acaba por sendo a melhor parte do filme. No entanto, esta escolha dos roteiristas acaba sendo mal aproveitada e o desfecho do longa é desleixado, preguiçoso e até óbvio. No geral, <strong><em>Vozes e Vultos</em></strong> falha como terror, como adaptação e como produção cinematográfica.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Shari Springer Berman, Robert Pulcini</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Amanda Seyfried, James Norton, F. Murray Abraham</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/sxDEHbUlSzY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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