Crítica: Bohemian Rhapsody

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Bohemian Rhapsody é um projeto que chega com algumas dificuldades às telonas. Depois de passar pela mão de mais de um diretor e sofrer recortes, é de se esperar que o resultado deixe o espectador apreensivo. No entanto, o filme consegue transpor essas questões e apresentar um produto bem redondo e bem finalizado.

O longa traça a história do surgimento da banda Queen com grande foco em Freddie Mercury. É maravilhoso acompanhar desde o começo como as coisas foram se encaixando e a obra prima do grupo surgiu. Além disso, Mercury é um espetáculo a parte que merece toda a nossa atenção e respeito. Tudo isso é muito bem mostrado no filme.

Para quem conhece as músicas do Queen, o filme tem um serviço ainda maior de mostrar como as canções foram criadas e pensadas pelos artistas. Não que isso deixe de fazer sentido para quem não é tão familiar com o grupo. O roteiro consegue conduzir a história de uma forma que contextualiza bem o espectador, dispensando um conhecimento anterior. Claro que se você o tiver, isso fará toda a diferença.

O roteiro é extremamente cuidadoso com o quesito musical e isso poder ter a ver com o fato de que Brian May e Roger Taylor, integrantes do Queen original, entraram como consultores criativos no filme. Somos bombardeados com grandes canções e, ao mesmo tempo, a forma como elas surgiram e foram pensadas. O processo criativo de composição é maravilhoso de acompanhar e valorizamos ainda mais o produto final. Carinhosamente a narrativa vai conduzindo o espectador a se apaixonar e torcer pela banda. As canções ajudam a traçar uma linha temporal no filme, com o suporte dos álbuns que foram lançados ao longo do tempo.

O filme peca um pouco, no entanto, no quesito ritmo, especialmente no meio do caminho. Ele começa muito bem e empolgante, mas entra em uma maré mansa que deixa o espectador um pouco entediado. Isso não seria um problema em outras películas, mas o considero nesta. Estamos falando de Freddie Mercury, um dos maiores artistas de todos os tempos e marcado pela irreverência. Cair no lugar comum com ele é, no mínimo, desrespeitoso.

A finalização, no entanto, consegue redimir boa parte deste lugar comum. Em uma cena longa e cuidadosamente pensada para encantar o espectador, nós participamos de um verdadeiro show. Toda a força das canções e dos artistas é colocada em foco numa apresentação inesquecível e memorável. O espectador fica deslumbrado e aprecia ainda mais de perto a atuação de Rami Malek.

Este quesito “atuação”, por sinal, vale a pena ser notado. A escolha de Rami para interpretar Mercury foi acertada e ele incorporou perfeitamente os trejeitos do artista. Em alguns momentos conseguimos ver muito de Rami, mas ele logo consegue transformar isso e deixar o espectador completamente inserido na personagem. Os demais integrantes da banda não deixam por menos. Meu destaque pessoal para Gwilym Lee e toda a sua naturalidade no papel de Brian May.

Temos também a relação com Mary, vivida por Lucy Boynton. A convivência dos dois ajuda a dar o tom na narrativa e marcar a mudança de alguns comportamentos do protagonista. Não apenas isso, ela consegue dar a força necessária para o destaque do personagem de Rami. Uma relação que definitivamente funcionou em tela, mostrando um grande acerto na escolha de elenco.

Questões como a descoberta da homossexualidade de Freddie, sua relação com o próprio ego e com o mundo ao seu redor dão o tom do filme como um todo. Conhecemos não apenas o artista, mas a pessoa por trás. Todas as suas frustrações e dificuldades. Entendemos que todos os erros cometidos tem um motivo, uma razão. E isso é fundamental para construir a trama e o entendimento do espectador. Conseguimos nos envolver ainda mais com a banda.

Embora fique a sensação de faltou algo, o resultado do filme é bem positivo. Talvez tenha faltado o excesso clássico de Freddie Mercury, que seria a cereja no sorvete da trama. Ainda assim, não tem como dizer que o produto não agrada. É um belo longa que traz fielmente e cuidadosamente a história de uma das maiores bandas de todos os tempos.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski458 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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