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	<title>Arquivos Drama - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Drama - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Drama</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:56:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (Rivais, de 2024) e Robert Pattinson (Mickey [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rivais/"><em>Rivais</em></a>, de 2024) e Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mickey-17/"><em>Mickey 17</em></a>, de 2025). <strong><em>O Drama</em></strong> estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) e já chega como um filme que dividirá opiniões.</p>
<h3>O Texto</h3>
<p>Escrito pelo cineasta Kristoffer Borgli (<em>O Homem dos Teus Sonhos</em>, de 2023), o roteiro tem como base de sua premissa desestabilizar um dos sacros momentos de narrativas românticas: o casamento. Com um segredo que vem à tona &#8211; e que merece ser guardado a sete chaves até que você assista ao filme -, o casal às vésperas da tão sonhada cerimônia se veem perdidos com as revelações e o que elas colocam em jogo. Talvez o mais comum recurso de <em>storytelling</em> quando o assunto é relacionamento no cinema é expor algo do seu interesse amoroso que choque e coloque em prova o sentimento. O problema é que o que é revelado em <strong><em>O Drama</em></strong> é muito maior do que qualquer <em>plot</em> comumente usado em comédias românticas.</p>
<p>Talvez o maior mérito de Borgli seja a escolha do que subverter em seu novo longa-metragem. A partir de trabalhos anteriores, já é possível perceber uma linha criativa que gosta de esgarçar os limites imaginativos de certas situações e convenções da vida e, desta vez, ele resolve invadir o imaginário do sonho casamenteiro para desestabilizá-lo por inteiro. Pôr em jogo a dinâmica, a confiança e até os desejos do casal a partir da revelação de um segredo desconcertante vira o jogo de ponta cabeça e faz de <strong><em>O Drama </em></strong>um filme que merece sua atenção.</p>
<p>É no momento da revelação que o filme se configura como esse drama psicológico. A doçura e o cuidado comuns de uma comédia romântica são descartados e dão lugar a uma onda de paranoias e inseguranças que inundam a narrativa. O que era uma bela história de amor se torna uma frenética corrida contra esse elefante na sala que passou a habitar as vidas de Emma e Charlie (respectivamente, Zendaya e Robert). Apesar da tensão palpável, o roteiro de <strong><em>O Drama</em></strong> tem um sadismo genial que satiriza tudo aquilo a ponto de gerar momentos divertidamente desconfortáveis, onde a única saída do espectador é literalmente rir de nervoso pelo desconforto visto na telona.</p>
<h3>O Diretor</h3>
<p>A direção, também assinada por Borgli, faz questão de criar imagens de puro desconforto. Sejam os <em>flashbacks</em> que vão, aos poucos revelando os segredos, sejam os momentos de confronto imaturo e despreparo do casal, há um claro esforço do cineasta em construir a atmosfera mais desconfortável possível durante o filme. Não existe tempo de respiro entre as cenas, é um turbilhão de momentos estranhos, incômodos e vilmente hilários. <strong><em>O Drama</em></strong> parece ser orquestrado por uma máxima de delírios do &#8216;e se&#8217;. Como se o diretor quisesse colocar o próprio espectador em cheque junto dos seus personagens.</p>
<figure id="attachment_20574" aria-describedby="caption-attachment-20574" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20574" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg" alt="O Drama (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG.jpeg 1101w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20574" class="wp-caption-text">Zendaya e Robert Pattinson em cena de &#8216;O Drama (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao trazer o público para tão perto, tudo se torna ainda mais desconcertante. O riso não vem pela graça, mas como um mecanismo de defesa da mente para lidar com o que não é possível de se acreditar e/ou resolver. Confrontar os delírios e absurdos vistos em tela geram uma profusão de emoções que acabam, normalmente, saindo como uma gargalhada de desconforto. Por essa razão, <strong><em>O Drama </em></strong>facilmente divide opiniões. O que incomoda instiga ao mesmo tempo que afasta e esse é o maior trunfo &#8211; e o maior risco &#8211; da produção.</p>
<p>Outro ponto que pode ser controverso é o próprio segredo que mexe com um tema muito caro ao público estadunidense. Apesar de ser algo delicado, não é tratado de forma leviana no filme. Na verdade, o segredo ser o que é vem como uma crítica sobre um estigma social e geracional que persegue e rui diariamente o (nada estável) país. E a forma como Borgli trabalha isso no longa é deliberadamente ácida para incomodar. Ele faz questão de tocar na ferida aberta e rodar o dedo até ver o sangue escorrer. <strong><em>O Drama</em></strong> é um filme que foi feito para incomodar, não há dúvidas nisso.</p>
<h3>O Elenco</h3>
<p>A escolha do elenco não poderia ser melhor. As oposições em cena construídas pelos atores e texto dão força para essa ode ao desconforto criada por Borgli. Por ser um projeto focado em criar e ruir relações diante dos olhos do público, era preciso acertar em cheio no <em>casting</em> para que a narrativa pudesse alcançar o seu ápice. E, não à toa, Zendaya e Pattinson foram grandes acertos. Além da incontestável química e carinho que eles trazem para a relação dos personagens, existe uma equidade de contracena que impressiona. Parece que suas trajetórias os levaram até esse momento para que eles vivessem o desmoronar desse casal fictício em <em><strong>O Drama</strong></em>.</p>
<p>Para além do <em>show</em> que Zendaya e Robert entregam por brilharem em seus papeis, o elenco secundário é outro primor do projeto. Alana Haim (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-licorice-pizza/"><em>Licorice Pizza</em></a>, de 202), Mamoudou Athie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/"><em>Tipos de Gentileza</em></a>, de 2024) e Hailey Gates (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-marty-supreme/"><em>Marty Supreme</em></a>, de 2025) merecem ser destacados por suas contribuições aos delírios do casal principal. A raiva borbulhante e impulsiva de Haim, a passividade apaziguadora de Athie e a confusão caótica de Gates são o cerne de suas interpretações e responsáveis por intensificar a equação narrativa proposta pelo roteiro. <strong><em>O Drama</em></strong> nada seria sem seus catalisadores do caos.</p>
<p>É esse equilíbrio entre o elenco, o roteiro e a direção que apontam para o caminho desejado para a narrativa: gerar um incômodo incontestável a qualquer custo. E o resultado é alcançado sem dificuldades. No entanto, é essa máxima que pode afastar uma parcela de pessoas de <strong><em>O Drama</em></strong>. Ainda assim, a intencionalidade desse navio naufragando é também o que há de mais fascinante na narrativa. O filme funciona porque seu elenco cumpri com a missão de tornar palatável a confusão insana de sua história &#8211; e faz isso com uma comicidade ácida tão desconcertante quanto seu roteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kristoffer Borgli</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Hannah Gross e Jordyn Curet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eJ7_iPylqS4?si=f132P3PJ0dPY_pBJ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Song Sung Blue &#8211; Um Sonho a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 12:57:55 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os cinemas brasileiros recebem a primeira cinebiografia musical do ano nesta quinta-feira (15). Estrelado por Hugh Jackman e Kate Hudson, <strong><em>Song Sung Blue &#8211; Um Sonho a Dois</em></strong> foi a aposta da Focus Features para a bilheteria do Natal estadunidense e chega no Brasil, pela Universal Pictures, como um dos filmes do verão para se assistir em família. É claro que não uma dramédia qualquer que se leva crianças, mas é um filme que facilmente poderia entrar para o <em>hall</em> de reprises da Sessão da Tarde em alguns anos. O projeto, ainda que tenha momentos de emoção, é leve e divertido, além de conseguir abarcar um grande público com sua narrativa.</p>
<p><strong><em>Song Sung Blue </em></strong>conta a história do encontro apaixonado entre dois imitadores de celebridades da música que sonhavam em fazer sucesso com suas vozes. Tanto Mike (Jackman) quanto Claire (Hudson) vem ao encontro de almas com suas bagagens e dramas pessoais que fazem a trama girar a partir dos altos e baixos de sua vida a dois. Escrito e dirigido por Craig Brewer (<em>Um Príncipe em Nova York 2</em>, de 2021), o longa-metragem segue essa linha narrativa usual para contar um pouco da vida do casal real &#8216;Raio e Trovão&#8217;. A história escrita por Brewer e baseada na vida de Mike e Claire Sardina não tem nada de extraordinária, mas é extremamente sincera e amorosa.</p>
<p>Ainda que tenha alguns deslizes no ritmo no segundo ato do filme, o roteiro se mantém fiel à clara missão de entreter, emocionar e divertir o público. Tudo isso, é claro, embalado pelas canções de Neil Diamond. E é por meio de suas canções que a narrativa é costurada e guiada pelos altos e baixos da vida e carreira da dupla real. Brewer verdadeiramente não traz nada de novo ou surpreendente em <strong><em>Song Sung Blue &#8211; Um Sonho a Dois</em></strong>, mas faz o que se propõe de forma coerente e razoável, criando um resultado que vale a pena.</p>
<figure id="attachment_20373" aria-describedby="caption-attachment-20373" style="width: 2048px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-20373" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Song-Sung-Blue-1-2.jpg" alt="Song Sung Blue (2025)" width="2048" height="1365" /><figcaption id="caption-attachment-20373" class="wp-caption-text">Hugh Jackman em cena de &#8216;Song Sung Blue (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>O verdadeiro destaque de <strong><em>Song Sung Blue</em></strong> é seu elenco &#8211; e esse louro vai além da dupla principal. A direção de elenco acertou em cheio ao reunir um grupo de atores e atrizes que tem uma boa química em cena. A família Sardina é o maior destaque, com um momento de parabenização específico para Ella Anderson (<em>Henry Danger: O Filme</em>, de 2025) que tem ótimos momentos em cena, tanto como destaque, como contracena da dupla principal.</p>
<p>Apoiados por um elenco que dá a base necessária para florescer suas interpretações, Hugh Jackman (<em>Deadpool &amp; Wolverine</em>, de 2024) e Kate Hudson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-glass-onion-um-misterio-knives-out-netflix/"><em>Glass Onion: Um Mistério Knives Out</em></a>, de 2022) são os pilares de <strong><em>Song Sung Blue &#8211; Um Sonho a Dois</em></strong>. Com performances coesas e uma desenvoltura fantástica cantando, a dupla de atores encanta o espectador durante a cinebiografia. Jackman faz uma versão dele mesclada com o verdadeiro Mike Sardina, mas sem perder seu encanto e sua graça pessoal.</p>
<p>Hudson, por outro lado, é mais do que a contracena perfeita. Ela vai além, diante do que a direção e o texto te entregam, dando muito mais do que vida aos sonhos e dores de Claire. Hudson é a estrutura de toda a narrativa. Sem a sua performance, talvez <strong><em>Song Sung Blue</em></strong> não fosse o mesmo. Tanto que, quando a sua personagem cai num momento com mais deslizes de ritmo do roteiro, todo o longa também desaba &#8211; não em um desastre, mas em fragilidades de um roteiro que não é extraordinário. Não à toa, a atriz recebeu 3 indicações por sua atuação, sendo duas delas no Globo de Ouro, em Comédia ou Musical, e no Actors Awards.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Craig Brewer</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Hugh Jackman, Kate Hudson, Ella Anderson, King Princess, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Hudson Hensley, Mustafa Shakir e Cecelia Riddett</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wjStOOUp_4A?si=AJRmrsWlqNa87jRZ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica O Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 03:57:51 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a>, a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> nos cinemas, que acontece nesta quinta-feira (6), reacende a chama popular da torcida pelo Brasil em uma nova corrida nos maiores prêmios do mundo cinematográfico.</p>
<p>Saído do Festival de Cannes como o filme mais premiado do ano, <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é essencialmente brasileiro até seu último milésimo de segundo e isso é hipnotizante. O ritmo frenético estabelecido por Kleber em seu roteiro e direção empolgam, conduzem e surpreendem o espectador a cada virada de chave em sua narrativa. Como de costume, o cineasta constrói um pastiche de histórias que se cruzam em suas dores, desejos e missões, desenhando a história do Brasil de um determinado período.</p>
<p>Os filmes de Kleber funcionam como uma colcha de retalhos de histórias que se entrelaçam e são costuradas a partir de uma sucessão de fatos inesperados, dolorosamente reais e essencialmente brasileiros  &#8211; e isso não é diferente em <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. No longa, acompanhamos a vida de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que, durante o auge da ditadura militar e seus desmandos no Brasil de 1977, se muda para Recife. Ele vai até a capital pernambucana tentando se esconder de um passado violento, na esperança de encontrar um novo futuro. O que ele encontra lá são, no entanto,  as sombras de seu passado, à espreita, esperando uma oportunidade para dar cabo de sua vida.</p>
<p>Em seu novo <em>thriller</em> político, Kleber remonta a dor e a nostalgia da vida no Brasil da década de 1970. Na mesma medida que <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é capaz de nos arrepiar com os horrores e absurdos da ditadura, o filme nos relembra, em seguida, pelo que tantas pessoas lutaram. O projeto bate bem nessa tecla: que mesmo em tempos de desesperança há sempre com quem contar. E isso vem por meio dos afetos (d)escritos por Kleber em seu roteiro. Talvez esse seja o maior mérito da filmografia do diretor, o equilíbrio entre a sutileza, a paixão e a dor do existir.</p>
<p>Os contextos das perseguições à oposição da ditadura, o cercear a liberdade e o medo do inimigo que literalmente mora ao lado são os grandes fantasmas que acompanham o público durante a sessão. Seja através da ludicidade ou das ironias tão conhecidas nos trabalhos do diretor, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>empolga a cada instante por não sabermos o que pode acontecer. O roteiro de Kleber não é previsível porque ele preza pelo tensionamento dos sentidos. O inesperado é a chave mestra da genialidade de seu roteiro. Ou seja, de tédio não morreremos.</p>
<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20046" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg" alt="O Agente Secreto (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3.jpg 1715w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Wagner Moura em cena de &#8216;O Agente Secreto (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para além dos louros de Kleber, tanto no roteiro quanto em sua direção, a fotografia, a arte e a montagem do filme pulsam junto com sua narrativa. A direção de arte, comandada por Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby"><em>Baby</em></a>, de 2024), consegue desenhar as texturas, vibrações e os perigos do Brasil na ditadura. Em complemento, a fotografia de Evgenia Alexandrova (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sem-coracao"><em>Sem Coração</em></a>, de 2023) captura essas imagens e faz com que elas pulsem de forma hipnótica, tornando essa dobradinha de visualidade um primor do filme. Para fechar o resultado visual de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>, a montagem de Eduardo Serrano e Matheus Farias (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau"><em>Bacurau</em></a>, de 2019) tensiona e eleva cada um desses elementos, dando vida à obra de Kleber da melhor forma que o público poderia pedir.</p>
<p>O elenco, como de costume, é um show à parte. Já que o cinema de Kleber é tão fortemente composto por um pastiche de histórias e vidas, seu elenco costuma ser robusto em quantidade e avassalador em potência. Contudo, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>talvez tenha alcançado um novo patamar de <em>casting</em> nas produções do cineasta pernambucano. Parece que cada pessoa foi escolhida a dedo. E cada uma delas tem seu momento de brilhar.</p>
<p>Carlos Francisco, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli e Udo Kier são alguns dos artistas que vibram em cena e fazem a história ser viva e pulsante. Dois nomes, no entanto, precisam ser comentados à parte. Mesmo com a potência dos nomes anteriores, nada se compara com o magnetismo de dona Tânia Maria e de Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil"><em>Guerra Civil</em></a>, de 2024) em cena. Não existiria <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>sem a força gravitacional que os dois atores geram no espectador.</p>
<p>Dona Tânia tem uma pureza magnética do realismo de sua interpretação que rouba a cena incessantemente. Basta ter segundos de tela que os olhares do público imediatamente recaem sobre sua naturalidade quase infantil. Há uma pureza de liberdade em sua interpretação que faz dela um dos pontos mais altos durante <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. Realmente acredito que a escolha de escalar dona Tânia Maria para o papel de Dona Sebastiana foi tão acertado quanto a escalação de Wagner.</p>
<p>O ator baiano é outra força em cena. Sua interpretação prende o espectador por trazer outra chave, igualmente magnética: a do medo. Wagner carrega em seu olhar um peso, uma dor e um desespero que são palpáveis. Ele entretém o espectador em uma construção de personagem que grita uma profundidade, ainda que ele só demonstre a superfície. E os olhos, como é dito em <em>Scarface (1983)</em>, eles nunca mentem. E Moura, mais uma vez, escancara a suas habilidades interpretativas por demonstrar um turbilhão a partir da sutileza de um olhar.</p>
<p>Com o longa, portanto, o diretor consegue entregar uma narrativa absurdamente coesa, ritmada e surpreendente que passa voando durante seus quase 160 minutos. O filme pode ser o ápice do cinema de Kleber por beber de todos os temas e nuances tão caros à ele ao longo de sua carreira. E isso é feito a partir de uma condução primorosa que merece um pergaminho de elogios e saudações por sua excelência. Não há melhor forma de ver <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>a não ser como a epítome do cinema de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino, Laura Lufési, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli, João Vitor Silva, Licínio Januário e Udo Kier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?si=AUyJM-jQ_dl9TBq7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Springsteen &#8211; Salve-me do Desconhecido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 12:25:42 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Indo na contramão de muitas cinebiografias recentes, <em><strong>Springsteen: Salve-me do Desconhecido</strong></em> é um recorte de um momento específico da vida do artista retratado em tela. A escolha do diretor e roteirista, Scott Cooper (<em>O Pálido Olho Azul</em>, de 2022), é seu maior acerto em todo o filme. Não que ele passe a colecionar deslizes daqui em diante, mas o longa-metragem funciona justamente por se permitir mergulhar num fragmento da vida do personagem-título, possibilitando um mergulho mais profundo nele e os dilemas vividos por ele na época.</p>
<p><em><strong>Springsteen</strong></em> começa com o cantor (interpretado por Jeremy Allen White) finalizando sua turnê de sucesso do álbum &#8216;The River&#8217; e se mudando para sua cidade natal, na esperança de descansar depois da intensa tour. Mergulhado em memórias duras de sua infância, Bruce compõe o álbum &#8216;Nebraska&#8217;, que muda o rumo de sua vida e carreira por escancarar para ele e para o mundo sua depressão.</p>
<p>A proposta de Cooper de fazer um filme que verdadeiramente se debruça na psiquê de seu personagem nesse momento tão delicado de sua vida é a força motriz de <em><strong>Springsteen: Salve-me do Desconhecido</strong></em>. O roteiro do cineasta leva o espectador a conhecer a fundo as dores do cantor em momentos de extrema inspiração e solidão. Esse dilema clássico dessas figuras criativas é a porta de entrada para a sensibilidade, o cuidado e o sucesso da interpretação de White (<em>Garra de Ferro</em>, de 2023).</p>
<p>Coincidentemente (ou nem tanto), é neste ponto que muitas cinebiografias falham. Muito se fala sobre os altos e baixos de renomados artistas, mas pouco se dá tempo de verdadeiramente ver isso expandindo até se tornar maior do que suas vidas. E é aqui que Scott Cooper faz <em><strong>Springsteen</strong></em> ser um primor. Ele dá tempo, tanto para sua narrativa quanto para sua direção, de criar os silêncios necessários para ensurdecer à todos. A produção de Nebraska foi o pedido de ajuda de Bruce, quando nem ele conseguia dimensionar o que tinha e o que precisava.</p>
<figure id="attachment_20025" aria-describedby="caption-attachment-20025" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20025" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-750x500.jpg" alt="Springsteen: Salve-me do Desconhecido (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Springsteen-1.jpg 1620w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20025" class="wp-caption-text">Jeremy Allen White em cena de &#8216;Springsteen: Salve-me do Desconhecido (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>A sensibilidade dessa escolha e da dilatação que ela exigia permitiu que <em><strong>Springsteen: Salve-me do Desconhecido</strong></em> tivesse algumas das atuações masculinas mais interessantes do ano, até então. A simplicidade em deixar White ou Jeremy Strong (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-aprendiz"><em>O Aprendiz</em></a>, de 2024) terem tempo de tela para se mostrarem expostos e frágeis é seu ponto forte. Ambos entregam performances impressionantes que não precisam de grandes explosões. O olhar, especialmente de White, diz tudo o que precisa ser compreendido.</p>
<p><em><strong>Springsteen </strong></em>é um filme sobre contemplação. Contemplar o ritmo das canções, de sua feitura e da vida. É o tempo da batida de um coração sufocando em meio aos holofotes. É um respiro silencioso no meio de uma multidão. É um pedido de socorro, quando tudo parece estar indo bem. A forma como a depressão de Bruce é mostrada traz essas nuances e esse cuidado que é admirável.</p>
<p>Talvez <em><strong>Springsteen: Salve-me do Desconhecido</strong></em> seja uma das melhores cinebiografias dos últimos tempos justamente por saber escolher o que mostrar. A força do filme está em seu poder de decisão de delimitar um tempo que é um reflexo de um passado &#8211; onde essas cenas são milimetricamente calculadas para não dominarem o filme, mas entregarem o que precisam. Com um elenco que abraça a dor de sua história com cuidado e sensibilidade, este é um dos longas que merecem ser experienciados na telona.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Scott Cooper</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jeremy Allen White, Matthew Anthony Pellicano, Jeremy Strong, Stephen Graham, Odessa Young, Gaby Hoffmann, Harrison Gilbertson, David Krumholtz e Paul Walter Hauser</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/zAuQSMQkqJc?si=9C2W1OaRDQ3-s9Hr" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Thunderbolts*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 12:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de Vingadores: Ultimato (2019), o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com WandaVision (2021), mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato (2019)</em></a>, o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com <em>WandaVision (2021)</em>, mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas bilheterias. 2025, no entanto, chegou com a promessa de ser esse novo momento, iniciado com a estreia de <em><strong>Thunderbolts</strong></em>.</p>
<p>A promessa é de que o novo longa-metragem do MCU, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1º), seja diferente de tudo que a Marvel já fez. Mas será que é mesmo? <em><strong>Thunderbolts </strong></em>traz a comicidade e a ação esperada de um projeto da franquia, tem as referências a algumas das histórias pregressas que costuram eixos narrativos do filme e se baseiam em alguns personagens já conhecidos dos fãs. Até então, uma estrutura bem básica e comum para o estúdio. Há, contudo, um olhar mais voltado para a construção dos personagens nesse longa do que em outros.</p>
<p>A costura de <em><strong>Thunderbolts </strong></em>é feita a partir justamente da relação desse grupo disfuncional de criminosos anti-heroicos. Isso por si só já é um elemento um pouco diferente do comum por tornar o novo projeto da Marvel guiado por personagens e não pelo problema. Ainda assim, não é como se fosse a primeira vez que isso é feito e nem é a vez mais bem trabalhada. A produção traz um pouco mais de camadas do que é usual nas dinâmicas narrativas do MCU, mas ainda deixa muito a desejar, especialmente quando pensamos no cerne que move as figuras centrais da história.</p>
<p>O roteiro de Eric Pearson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>, de 2021) e Joanna Calo (<em>Rixa</em>, de 2023) se esforça para desvendar um pouco mais das nuances psicológicas dos personagens, especialmente de Yelena e Bob (interpretados, respectivamente, por Florence Pugh e Lewis Pullman). Mesmo com essa preocupação clara, ainda é pouco para o que a narrativa escancara como dilema moral e pessoal para essas personagens. No caso de Yelena e Bob, eles têm claramente indicativos de ansiedade e depressão e isso, ainda que posto, segue na superfície, diante do que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> se propõe a ser.</p>
<figure id="attachment_19409" aria-describedby="caption-attachment-19409" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19409" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg" alt="Thunderbolts* (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19409" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Thunderbolts* (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Quando um filme tem como vilão esse vazio que nos corrói por dentro, é preciso que o projeto mergulhe de cabeça num drama existencial e psicológico. O filme até tenta elencar momentos-chave para debater de forma mais aprofundada esses elementos, mas não tem a força suficiente para isso. A sensação é que <em><strong>Thunderbolts </strong></em>varia de uma comédia ácida da relação disfuncional desses ex criminosos para um drama existencial sensível e delicado que nunca se concretiza de forma plena.</p>
<p>E eis que este é o maior problema de produzir histórias hoje em dia para o MCU. Há muito o que se comparar. Já foram mais de 20 filmes e mais de 10 séries e minisséries e é inevitável que o público esteja cansado de ver as mesmas histórias com roupagens diferentes. Além da repetição, o Universo Compartilhado Marvel sofreu muito com esse excesso de produções nos primeiros anos da Saga do Multiverso, o que reverbera até hoje &#8211; e <em><strong>Thunderbolts</strong></em> não consegue sair ileso disso. A fórmula de sucesso da Marvel não parece fazer tanto sentido como em sua primeira década.</p>
<p>Diante de tudo isso, ainda há o fator do controle criativo. Kevin Feige é essa figura que representa a Marvel Studios e todo o seu controle criativo. O plano de comando do MCU, liderado por Feige, por mais que diga o contrário, não permite extrapolações de verdade. Seja por medo de não agradar ou por acreditarem que há limites para os tipos de produções dentro do emblema do MCU, a Marvel não dá liberdade criativa de verdade para seus realizadores. E, das poucas vezes que deu &#8211; como em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos (2021)</em></a> -, o público mais radical destruiu as obras com críticas. E, com todo esse cenário, é claro que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> acaba sendo castrado criativamente também.</p>
<p>Apesar dessas questões, o longa de fato é mais interessante do que muitos dos últimos filmes lançados nos últimos anos. Mesmo que na superfície, os dramas psicológicos dos personagens permitem que o elenco tenha uma interação positiva que entretém e enriquece as cenas com a química evidente. Intérpretes como Florence (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024) e Sebastian Stan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-aprendiz/"><em>O Aprendiz</em></a>, de 2024) ajudam a dar um fôlego a mais para a história, mesmo com todos os problemas que a rodeiam. No fim, apesar dos esforços do elenco e roteiro, ainda falta mais densidade nas camadas desses personagens e desse projeto que é guiado por personagem para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> fosse tudo o que podia &#8211; e se propõe narrativamente a &#8211; ser.</p>
<p>Jake Schreier (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cidades-de-papel/"><em>Cidades de Papel</em></a>, de 2015) parece querer deixar a sua marca como cineasta no novo longa da Marvel, mas ele também sofre com esse controle criativo sob o cabresto. O diretor, ao lado dos roteiristas, tenta criar um pouco mais de nuances para diferenciar esse projeto dos demais. Para muitos, a missão provavelmente terá sido cumprida por fugir levemente dessa fórmula estanque do MCU. No entanto, basta um olhar mais atento e fica perceptível que ainda falta muito para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> alcance o potencial que poderia. Todos esses dilemas giram em torno do controle criativo que poda e afunda a Marvel cada vez mais nessa areia movediça que ela mesmo entrou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jake Schreier</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, David Harbour, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4pgrNd79cnk?si=69PYf2jwVDDhxo1W" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Homem com H</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 12:36:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cinebiografias têm sido um expoente forte nas produções nacionais nos últimos anos. Inevitável pensar no subgênero sem lembrar do feito de Ainda Estou Aqui (2024) e o primeiro Oscar do Brasil, mas essa história vem de muito antes. Nas décadas de história desse tipo de longa-metragem, narrativas sobre cantores, cantoras e bandas sempre foram um ponto alto pelo apelo com o público. Em 2023, por exemplo, o cinema nacional teve uma enxurrada de produções com histórias de grandes nomes da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cinebiografias têm sido um expoente forte nas produções nacionais nos últimos anos. Inevitável pensar no subgênero sem lembrar do feito de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a> e o primeiro Oscar do Brasil, mas essa história vem de muito antes. Nas décadas de história desse tipo de longa-metragem, narrativas sobre cantores, cantoras e bandas sempre foram um ponto alto pelo apelo com o público. Em 2023, por exemplo, o cinema nacional teve uma enxurrada de produções com histórias de grandes nomes da música como em <em>Mamonas Assassinas &#8211; O Filme</em>, <em>Nosso Sonho</em>,  <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-sangue-ferve-por-voce/"><em>Meu Sangue Ferve por Você</em></a> e <em>Meu Nome é Gal</em>. E, nesta quinta-feira (1º), mais uma obra se junta ao <em>hall</em> de artistas da música no cinema com a estreia de <em><strong>Homem com H</strong></em>.</p>
<p>O longa conta as dores, os amores e a magia por trás da vida e carreira de Ney Matogrosso. O cantor, que não apenas está vivo, como participa ativamente da produção, já faz de <em><strong>Homem com H </strong></em>um ponto fora da curva em comparação com a maioria desses filmes. A presença de Ney em todas as etapas de produção fizeram da história algo realista, sensível e místico. A ficção e a realidade vivem um dilema ainda mais tênue no decorrer do longa. Existe uma verdade nas cenas que possivelmente são fruto dessa presença ativa sobre quem o filme se propõe a falar.</p>
<p>A existência de uma dobradinha entre roteiro e direção sempre ajuda a alinhar as visões. No caso de <em><strong>Homem com H</strong></em>, o comando de Esmir Filho (<em>Boca a Boca</em>, de 2020) nas duas principais frentes criativas da produção alinham a palpabilidade do drama com a visão mais fantástica e artística das possibilidades narrativas. Ainda que seja uma cinebiografia de uma pessoa &#8216;comum&#8217; &#8211; entre aspas porque não há nada de comum na voz e presença de palco de Ney -, o filme se permite brincar com uma visualidade mais criativa e fantástica, em certa medida.</p>
<figure id="attachment_19402" aria-describedby="caption-attachment-19402" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19402" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-750x500.jpg" alt="Homem com H (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Homem-com-H-1.jpg 1620w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19402" class="wp-caption-text">Jesuíta Barbosa em cena de &#8216;Homem com H (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Essa visão, ainda que em parceria com a direção de arte de Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/"><em>Bacurau</em></a>, de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby/"><em>Baby</em></a>, de 2025), a fotografia de Azul Serra (<em>Senna</em>, de 2024) e a montagem de Germano de Oliveira (<em>O Melhor Amigo</em>, de 2025), não deixam de vir da presença de Esmir. A colaboração entre os departamentos permite que a sua visão saia do papel e ganhe forma. A integração da ideia do cineasta com a composição visual do resultado de <em><strong>Homem com H</strong></em> é encantadora. Seja no real dos momentos mais duros da vida de Ney, no sensível dos seus dramas pessoais ou no fantástico dos amores e de suas performances, o longa entrega um resultado visual verdadeiramente interessante e fora da curva.</p>
<p>Outro acerto do longa é seu elenco. Seja com a sutileza e potência de Hermila Guedes (<em>Cangaço Novo</em>, de 2023) e Rômulo Braga (<em>Maria e o Cangaço</em>, de 2025) como os pais de Ney, ou com a doçura e o fervor de Bruno Montaleone (<em>O Lado Bom de Ser Traída</em>, de 2023) e Jullio Reis (<em>S.O.S. Mulheres ao Mar 2</em>, de 2015) como alguns dos maiores amores do cantor, os intérpretes do filme honram a obra e a história. Tudo isso orbitando a entrega assustadoramente fiel de Jesuíta Barbosa (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-filha-do-palhaco/"><em>A Filha do Palhaço</em></a>, de 2022) ao viver nas telonas a estrela de <em><strong>Homem com H</strong></em>.</p>
<p>Os trejeitos, os olhares penetrantes e a intensidade nos palcos são entregues por Jesuíta em cada uma das semanas desde seus primeiros minutos de filme. Ao longo da sua jornada como Ney, ele parece crescer em cena ao mesmo tempo que seu personagem amadurece como adulto. Talvez <em><strong>Homem com H</strong></em> seja um dos papeis mais interessantes da carreira do ator por colocá-lo numa situação onde a potência, a sutileza e a peculiaridade andam juntos e representam os tantos Neys que existem.</p>
<p>Essa é a magia do filme que tanto encanta o público. Olhamos pelo buraco da fechadura e descobrimos que o Ney Matogrosso dos palcos é apenas um de tantos que ele foi, é e ainda poderá ser. Vislumbrar mais do que o artista em seu ápice do misticismo, mas encarar as feridas abertas da sua alma. Saber das suas perdas e senti-las de perto. <em><strong>Homem com H </strong></em>arrebata em diversos momentos por nos lembrar que por trás do mito e do místico existe uma pessoa de carne, osso, com passado, dores e amores.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Esmir Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jesuíta Barbosa, Hermila Guedes, Rômulo Braga, Bruno Montaleone, Jullio Reis, Mauro Soares, Caroline Abras, Pedro Zurawski e Lara Tremouroux</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/tHlkkfoMwFo?si=u-1f_0DC-nC4N7x0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 12:17:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Ação]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Levinson]]></category>
		<category><![CDATA[Cinebiografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Filme de gângster]]></category>
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		<category><![CDATA[The Alto Knights: Máfia e Poder]]></category>
		<category><![CDATA[Warner Bros Pictures]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O subgênero dos filmes de gângster dominou Hollywood durante as três últimas décadas do século passado, com sucessos como O Poderoso Chefão (1972), Os Intocáveis (1987) e Os Bons Companheiros (1990). Desde então, os projetos que vingaram dentro dessa lógica de produção diminuíram gradativamente e, com isso, a quantidade de filmes que chegam ao público também. Apesar de alguns sucessos depois dos anos 2000, qualquer estreia do subgênero imediatamente é comparada com os grandes nomes &#8211; como os já citados [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O subgênero dos filmes de gângster dominou Hollywood durante as três últimas décadas do século passado, com sucessos como <em>O Poderoso Chefão (1972)</em>, <em>Os Intocáveis (1987)</em> e <em>Os Bons Companheiros (1990)</em>. Desde então, os projetos que vingaram dentro dessa lógica de produção diminuíram gradativamente e, com isso, a quantidade de filmes que chegam ao público também. Apesar de alguns sucessos depois dos anos 2000, qualquer estreia do subgênero imediatamente é comparada com os grandes nomes &#8211; como os já citados &#8211; e não foi diferente com <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong>.</p>
<p>O longa-metragem, dirigido por Barry Levinson (<em>Rock em Cabul</em>, de 2015), chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) com a difícil missão de sobreviver ao rastro de referências comparativas que o espectador trará às salas de cinema. Uma coisa é certa: pode se poupar das frustrações porque <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder </em></strong>não consegue se equiparar a absolutamente nada. O filme é um pastiche confuso e repetitivo da fórmula de filmes de máfia italiana, com a presença de Robert De Niro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinos-da-lua-das-flores/"><em>Assassinos da Lua das Flores</em></a>, de 2023) em cena e a tentativa de simular a presença de Joe Pesci (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>, de 2019), através do segundo personagem de De Niro.</p>
<p>O início de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> até parece promissor. A narrativa já estabelece logo de cara uma cisão entre a máfia com a tentativa de assassinato do chefe dos chefes, ao mesmo tempo que indica uma história narrada em primeira pessoa, como uma espécie de memória do narrador-personagem. No entanto, isso rapidamente cai por terra e dá lugar a uma história arrastada, caricata e sem nenhum tipo de excitação. Nem mesmo a grande cena de assassinato do longa é bem construída. Em vez de ser o <em>plot</em> que quebraria com as expectativas do público, a cena passa a ser um absoluto nada, sem ser capaz de gerar qualquer tipo de sensação no espectador.</p>
<p>O maior problema de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> é que ele é um projeto sem alma. Não há nada da essência de um filme de gângster que se sinta assistindo ao longa. Todas as características estão expressas no roteiro, mas não chega verdadeiramente lá. O filme é só uma embalagem, sem absolutamente nada dentro. Tanto pela direção de Levinson, quanto pelo roteiro de Nicholas Pileggi (<em>Cassino</em>, de 1995), o espectador não é atingido de forma positiva por nada no projeto. Não há um momento sequer de verdadeiro engajamento entre a produção e seu público.</p>
<p>Essa falta de essência também se deve pela construção caótica do roteiro. Em momentos ele parece que se encontra e segue uma linha, mas os saltos temporais e o encadeamento dos fatos se tornam um borrão estranho ao longo do filme. <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> é daqueles projetos que você sai da sala de cinema sem saber o que achar e sentir sobre o que acabou de ver. O espectador sai anestesiado, mas não por ter sido completamente envolvido pela trama. É uma dormência de sensações que o roteiro de Pileggi causa.</p>
<figure id="attachment_19257" aria-describedby="caption-attachment-19257" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19257" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-750x500.jpg" alt="The Alto Knights: Máfia e Poder (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19257" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;The Alto Knights: Máfia e Poder (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para piorar ainda mais essa confusão, ainda existe uma clara falta de delimitação sobre o formato do projeto. Em momentos, ele se estabelece como um docudrama, outros, é um filme de gângster narrado em primeira pessoa, mas esses elementos nunca soam unidos. <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder </em></strong>sofre com essa indefinição de subgêneros que serão usados para guiar sua narrativa, o que só a torna ainda mais confusa. E, se já não bastasse esse emaranhado de escolhas duvidosas, a definição dos personagens é o ápice da caricatura, a ponto de nem De Niro ser capaz de salvar &#8211; e ainda é arrastado para a vala.</p>
<p>O elenco tem nomes interessantes e poderia render bons frutos à produção se a mesma ajudasse. Nem mesmo o ator vencedor de Oscar e com um leque de filmes de gângster em sua carreira conseguiu brilhar no show de horrores caricatural de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong>. Robert De Niro parece fazer uma nova versão de seus personagens anteriores como Frank Costello, enquanto faz uma versão ainda mais caricaturada do que as atuações de Joe Pesci como Vito Genovese. Apesar de algumas cenas constrangedoras e estranhas, De Niro ao menos consegue equilibrar os devaneios narrativos quando ele é sua própria contracena, afinal Costello e Genovese são os personagens principais e antagônicos do filme.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, De Niro não é o suficiente para salvar o navio afundando. Ao lado dele, mais talentos como Debra Messing (</span><i><span style="font-weight: 400;">Pesquisa Obsessiva</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2018) e Cosmo Jarvis (</span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2022) também não se saem bem. Seus personagens são mal elaborados e trabalhados,  o que não permite que nenhum dos dois possa brilhar em cena. Nem mesmo a veterana do subgênero, que atuou em <i>O Irlandês</i>, Kathrine Narducci (<i>Má Educação</i>, de 2019), conseguiu se salvar das caricaturas das personagens envolvidas na trama de <b><i>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</i></b>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><span style="font-weight: 400;">desperdício de bons nomes no elenco, mostrando que nem mesmo </span><span style="font-weight: 400;">De Niro é o suficiente para salvar o filme, só reforçam a confusão da produção. Ainda que o longa se inspire em eventos reais, sua dramatização, construção de arcos narrativos e estrutura do roteiro foram um produto pensado por alguém do projeto e aprovado pelos demais. E para não dizer que todo o peso dos erros do filme estão em Pileggi, Levinson também divide essa culpa. Ele não consegue orquestrar <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> como uma bela e completa sinfonia. O cineasta falha na tentativa de copiar uma série de coisas que deram certo no passado, entregando ao público um pastiche mal costurado de caricaturas do que um dia foi bom.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Barry Levinson</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Robert De Niro, Debra Messing, Cosmo Jarvis, Kathrine Narducci e Michael Rispoli</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lu_8a6SHaX4?si=3MaSEgwAPFZqVJ2g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Emilia Pérez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jan 2025 12:56:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O filme mais falado de 2024 enfim está chegando aos cinemas brasileiros. Recheado de polêmicas dentro e fora do seu set, Emilia Pérez tem estreia oficial no Brasil marcada para a próxima quinta-feira (6), mas já está disponível em algumas salas do país como pré-estreia. O longa-metragem francês que tenta retratar uma realidade mexicana está envolvido em inúmeras discussões como a ausência de pesquisa sobre o que de fato é o México, a falta de pessoas nativas na produção, uso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O filme mais falado de 2024 enfim está chegando aos cinemas brasileiros. Recheado de polêmicas dentro e fora do seu set, <em><strong>Emilia Pérez</strong></em> tem estreia oficial no Brasil marcada para a próxima quinta-feira (6), mas já está disponível em algumas salas do país como pré-estreia. O longa-metragem francês que tenta retratar uma realidade mexicana está envolvido em inúmeras discussões como a ausência de pesquisa sobre o que de fato é o México, a falta de pessoas nativas na produção, uso de inteligência artificial para melhorar os sotaques e alcances de notas em certas canções, além de um recente ataque direto da atriz principal a equipe de Fernanda Torres (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui</em></a>, de 2024).</p>
<p>A campanha de <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> tem tentado, desde o início, vender o projeto como a inovação do cinema musical quando, na verdade, o longa nada mais é do que uma miscelânea de estereótipos e ideias mal desenvolvidas sobre o México e a existência e vivências de uma mulher trans. É curioso até pensar na participação de Karla Sofía Gascón no filme diante desse cenário. Ela, uma mulher trans espanhola, aceita e defende com unhas e dentes um filme que banaliza completamente os dilemas e as dificuldades vividas por pessoas trans.</p>
<p>Apesar da campanha com ataques recentes diretos à ética de trabalho dos profissionais que cercam sua principal concorrente, Fernanda Torres, Karla é o único ponto positivo dentro da trama. Ainda que sua personagem seja má desenvolvida e tenha inúmeras lacunas nas camadas que deveriam permear sua existência no projeto diante da premissa dele, ela consegue ser o ponto alto em diversos momentos. Arrisco dizer que Karla é, ao lado de sua contracena, Adriana Paz (<em>Meu Amigo Lutcha</em>, de 2023), a melhor coisa em <strong><em>Emilia Pérez</em></strong>. Apesar dos problemas de roteiro, sua performance como a personagem-título é o que pouco consegue prender e tocar o espectador durante a sessão.</p>
<p>No entanto, até que o público consiga se aproximar da personagem principal e se apegar a ela em algum grau, é preciso passar por uma primeira meia hora de filme extremamente sofrível. Espectadores costumam brincar dizendo que determinado filme é tão ruim que se torna bom, mas isso não acontece com <strong><em>Emilia Pérez</em></strong>. E quando falamos dos primeiros 30 minutos de longa, a coisa é ainda pior. Os mais absurdos números musicais acontecem nesse tempo, assim como situações esdrúxulas e estereotipadas impedindo que o público se conecte com a narrativa.</p>
<figure id="attachment_19110" aria-describedby="caption-attachment-19110" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19110" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-750x500.jpg" alt="Emilia Pérez (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-3.jpg 1620w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19110" class="wp-caption-text">Selena Gomez em &#8216;Emilia Pérez&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Por falar em números musicais, é impossível não falar deles, afinal, além de ser um musical, eles são um dos piores elementos presentes no filme. <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> tem diversos problemas, mas suas canções são terríveis, as concepções coreográficas são risíveis e juntos esses elementos constroem os piores momentos do longa. Se as pessoas reclamaram tanto de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa-delirio-a-dois/"><em>Coringa: Delírio a Dois (2024)</em></a>, elas não estão preparadas para os horrores que o longa de Jacques Audiard (<em>Ferrugem e Osso</em>, de 2012, e <em>Os Irmãos Sisters</em>, de 2018) comete contra o cinema musical.</p>
<p>Por falar no cineasta francês, ele é uma das principais razões pelas polêmicas que envolvem o filme. O diretor, em entrevista à BBC, disse que &#8220;algo não funcionou&#8221; no processo de seleção de elenco no México. Com apenas uma atriz mexicana na produção e nenhuma pessoa do país na equipe técnica, Audiard leva um olhar estereotipado, eurocêntrico e desconexo para a narrativa que ele se apropriou para dirigir e adaptar. Apesar do roteiro ser assinado por ele, o mote central de <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> vem de um romance homônimo do autor, também francês, Boris Razon, sobre um barão da droga que muda de sexo.</p>
<p>O curioso é que foi uma proposta do cineasta transportar a narrativa para um país no qual ele não se esforçou minimamente para conhecer e conversar. Ainda nessa mesma entrevista à BBC, Audiard afirma que as imagens estilizadas que ele tinha na cabeça não funcionavam no México e por isso ele decide filmar em Paris. E ele ainda complementa dizendo: &#8220;Pode ser um pouco pretensioso da minha parte, mas Shakespeare precisou ir a Verona para escrever uma história sobre aquele lugar?&#8221; É essa pretensão e descaso visto em tela com o filme. Por isso que <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> soa tão absurdo e esdrúxulo em tantos momentos, pelo descaso do diretor em mergulhar numa realidade que ele mesmo se propôs a falar.</p>
<p>É inevitável que essa desorientação por parte do cineasta francês afete a obra como um todo. Não à toa, as atuações e seus problemas são um reflexo disso. Como dito anteriormente, Karla ainda consegue, em alguns momentos, contribuir com uma performance interessante, da mesma forma que a presença de Paz em cena é a melhor coisa que há, por trazer profundidade e verdade às cenas. Zoe Saldaña (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guardioes-da-galaxia-vol-3/"><em>Guardiões da Galáxia Vol.3</em></a>, de 2023) e Selena Gomez (<em>Only Murders on the Building</em>, desde 2021, e <em>Hotel Transylvania: Transformania</em>, de 2022), no entanto, não conseguem fugir da caricatura cruel que <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> representa.</p>
<figure id="attachment_19108" aria-describedby="caption-attachment-19108" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19108" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-750x500.jpg" alt="Emilia Pérez (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Emilia-Perez-1.jpg 1728w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19108" class="wp-caption-text">Zoe Saldaña em &#8216;Emilia Pérez&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Zoe é uma atriz com um trabalho reconhecido e comprovadamente de qualidade, mas sua personagem é terrivelmente desenvolvida nesse roteiro sem pé nem cabeça. Ainda que ela tente, a maior parte de suas cenas são um show de horrores, especialmente os números musicais que a envolvem. Da mesma forma, Selena, que nunca tinha tido uma oportunidade de destaque nas telonas, entrega uma performance que choca de tão fora do eixo. Apesar de em outros trabalhos conseguir ter momentos interessantes como atriz, em <strong><em>Emilia Pérez</em></strong>, isso nunca se realiza e ela entrega uma das piores atuações do ano.</p>
<p>Ainda que tenha essa infinidade de problemáticas, <strong><em>Emilia Pérez</em></strong> é o projeto com mais indicações do ano, chegando próximo de ter se tornado um dos filmes mais indicados da história do Oscar. É importante lembrar que a competição para se tornar um indicado e até mesmo um vencedor do Oscar nada mais é do que uma campanha política e econômica. Infelizmente, a competição vai muito além de qualidade técnica e cênica.</p>
<p><strong><em>Emilia Pérez</em></strong> tem feito uma forte campanha desde Cannes, tanto que saiu vitorioso de lá com o Prêmio do Júri, de Trilha Sonora e para as três atrizes, Karla, Zoe e Selena. Agora o que resta é saber o quanto essa campanha vai continuar ressoando até o dia do Oscar para ver se 2025 também será lembrado no futuro como uma premiação a ser esquecida, tal qual o ano de <em>Shakespeare Apaixonado (1998)</em>, <em>Crash (2004)</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-green-book-o-guia/"><em>Green Book: Um Guia para  a Vida (2019)</em></a>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jacques Audiard</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Zoe Saldaña, Karla Sofía Gascón, Selena Gomez, Adriana Paz, Mark Ivanir e Édgar Ramírez</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/JqcD_24M0-M?si=C78u07VhO7No4TRi" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Maria Callas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 12:44:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A temporada de premiações está aí e, com ela, os lançamentos dos possíveis filmes que podem chegar ao Oscar com alguma indicação. Dentre as estreias da semana, Maria Callas, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), está entre os longas-metragens que fazem campanha por algumas vagas na maior premiação do cinema mundial. A produção, que conta os últimos dias de vida do ícone da ópera, desponta como um possível indicado em categorias técnicas referentes ao departamento de arte no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A temporada de premiações está aí e, com ela, os lançamentos dos possíveis filmes que podem chegar ao Oscar com alguma indicação. Dentre as estreias da semana, <strong><em>Maria Callas</em></strong>, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), está entre os longas-metragens que fazem campanha por algumas vagas na maior premiação do cinema mundial. A produção, que conta os últimos dias de vida do ícone da ópera, desponta como um possível indicado em categorias técnicas referentes ao departamento de arte no Academy Awards, mas o foco principal de campanha do filme é a atuação de Angelina Jolie (<em>Aqueles que me Desejam a Morte</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos</em></a>, ambos de 2021).</p>
<p><strong><em>Maria Callas</em></strong> é o terceiro longa do diretor Pablo Larraín (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jackie/"><em>Jackie</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-spencer/"><em>Spencer</em></a>, de 2021) que foca seus esforços em recriar momentos cruciais da vida de figuras femininas reais. A diferença neste projeto é que o roteirista Steven Knight (<em>Serenidade</em>, de 2019 e <em>Spencer</em>) utiliza da fantasia e de flashbacks constantes para preencher as vivências de Callas, emaranhado a sua vida e morte em números musicais. Essa escolha traz uma estética visual e narrativa de fantasia para o filme, permitindo que sua história vá além de uma simples narração dos últimos dias de vida.</p>
<p>Seja a partir dos devaneios pelos remédios ou através de suas memórias afetivas e dolorosas de vida, a personagem de Angelina teve muito o que viver em seus momentos finais. E esse pastiche de vivências reais e ficcionais permitiram que <strong><em>Maria Callas</em></strong> fosse um projeto um pouco diferente de Larraín. Apesar disso, existe uma estrutura de condução muito clara desse tipo de filme para o diretor. Se o espectador já assistiu Jackie ou Spencer, é possível de imaginar certas escolhas ou encaminhamentos que serão tomados no trabalho do cineasta chileno visto em tela.</p>
<p>Atrelado ainda a ideia de fantasia presente no filme por meio dessas digressões e dos devaneios de Maria, o longa ganha muito nos departamentos de arte e fotografia. Talvez os pontos mais altos de <strong><em>Maria Callas</em></strong> sejam justamente os resultados dos dois departamentos. A arte brilha na composição de sets de época, no figurino e como ele conta a história da personagem-título, tal qual o cabelo e maquiagem finalizam essa composição visual com maestria.</p>
<figure id="attachment_19043" aria-describedby="caption-attachment-19043" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19043" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-750x500.jpg" alt="Maria Callas (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-770x514.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2.jpg 1012w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19043" class="wp-caption-text">Angelina Jolie em cena de &#8216;Maria Callas&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Da mesma forma, o departamento de fotografia de <strong><em>Maria Callas</em></strong>, comandado por Edward Lachman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-conde/"><em>O Conde</em></a>, de 2023), mergulha nas possibilidades narrativas mediadas pela fantasia e memória da personagem de Angelina. A composição estética visual do filme se complementa com essa tríade entre os dois departamentos e a força motriz do roteiro que é a fantasia e as memórias de Callas. Com isso, o espectador tem um espetáculo visual mais interessante dentre as três biografias femininas da carreira de Pablo Larraín.</p>
<p>Auxiliando o diretor a apontar a direção do barco da produção, Angelina Jolie vem como uma força em cena. Talvez um de seus melhores trabalhos dramáticos da carreira, <strong><em>Maria Callas</em></strong> permite que a atriz ande em outros tons e camadas de desenvolvimento que talvez não tenha tido a oportunidade &#8211; ou ao menos uma boa oportunidade &#8211; de desenvolver. O resultado de sua performance no longa merece elogios e louros, no entanto, ela se fragiliza nas cenas onde o enfoque em números musicais são maiores. A dublagem da atriz, por vezes, quebra a vivência do público por soar como uma nítida dublagem.</p>
<p>Com algumas poucas indicações na temporada de prêmios, <strong><em>Maria Callas</em></strong> tem como foco da campanha a indicação de Jolie ao Oscar e, talvez, menções nas categorias dos departamentos de arte e fotografia. Se as chances de indicação ao prêmio de Melhor Atriz já são pequenas por conta do ano disputadíssimo, as vitórias se tornam ainda melhores. Suas chances maiores de indicações e até mesmo possíveis vitórias se concentram nos departamentos de visualidades do longa. No entanto, as expectativas são baixas para o filme despontar como favorito ao Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pablo Larraín</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Angelina Jolie, Pierfrancesco Favino, Alba Rohrwacher, Haluk Bilginer e Kodi Smit-McPhee</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/nHcoK0uuxIw?si=t6j4BGeK8rhFkKUD" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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