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	<title>Arquivos A24 - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos A24 - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Drama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:56:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (Rivais, de 2024) e Robert Pattinson (Mickey [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rivais/"><em>Rivais</em></a>, de 2024) e Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mickey-17/"><em>Mickey 17</em></a>, de 2025). <strong><em>O Drama</em></strong> estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) e já chega como um filme que dividirá opiniões.</p>
<h3>O Texto</h3>
<p>Escrito pelo cineasta Kristoffer Borgli (<em>O Homem dos Teus Sonhos</em>, de 2023), o roteiro tem como base de sua premissa desestabilizar um dos sacros momentos de narrativas românticas: o casamento. Com um segredo que vem à tona &#8211; e que merece ser guardado a sete chaves até que você assista ao filme -, o casal às vésperas da tão sonhada cerimônia se veem perdidos com as revelações e o que elas colocam em jogo. Talvez o mais comum recurso de <em>storytelling</em> quando o assunto é relacionamento no cinema é expor algo do seu interesse amoroso que choque e coloque em prova o sentimento. O problema é que o que é revelado em <strong><em>O Drama</em></strong> é muito maior do que qualquer <em>plot</em> comumente usado em comédias românticas.</p>
<p>Talvez o maior mérito de Borgli seja a escolha do que subverter em seu novo longa-metragem. A partir de trabalhos anteriores, já é possível perceber uma linha criativa que gosta de esgarçar os limites imaginativos de certas situações e convenções da vida e, desta vez, ele resolve invadir o imaginário do sonho casamenteiro para desestabilizá-lo por inteiro. Pôr em jogo a dinâmica, a confiança e até os desejos do casal a partir da revelação de um segredo desconcertante vira o jogo de ponta cabeça e faz de <strong><em>O Drama </em></strong>um filme que merece sua atenção.</p>
<p>É no momento da revelação que o filme se configura como esse drama psicológico. A doçura e o cuidado comuns de uma comédia romântica são descartados e dão lugar a uma onda de paranoias e inseguranças que inundam a narrativa. O que era uma bela história de amor se torna uma frenética corrida contra esse elefante na sala que passou a habitar as vidas de Emma e Charlie (respectivamente, Zendaya e Robert). Apesar da tensão palpável, o roteiro de <strong><em>O Drama</em></strong> tem um sadismo genial que satiriza tudo aquilo a ponto de gerar momentos divertidamente desconfortáveis, onde a única saída do espectador é literalmente rir de nervoso pelo desconforto visto na telona.</p>
<h3>O Diretor</h3>
<p>A direção, também assinada por Borgli, faz questão de criar imagens de puro desconforto. Sejam os <em>flashbacks</em> que vão, aos poucos revelando os segredos, sejam os momentos de confronto imaturo e despreparo do casal, há um claro esforço do cineasta em construir a atmosfera mais desconfortável possível durante o filme. Não existe tempo de respiro entre as cenas, é um turbilhão de momentos estranhos, incômodos e vilmente hilários. <strong><em>O Drama</em></strong> parece ser orquestrado por uma máxima de delírios do &#8216;e se&#8217;. Como se o diretor quisesse colocar o próprio espectador em cheque junto dos seus personagens.</p>
<figure id="attachment_20574" aria-describedby="caption-attachment-20574" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20574" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg" alt="O Drama (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG.jpeg 1101w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20574" class="wp-caption-text">Zendaya e Robert Pattinson em cena de &#8216;O Drama (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao trazer o público para tão perto, tudo se torna ainda mais desconcertante. O riso não vem pela graça, mas como um mecanismo de defesa da mente para lidar com o que não é possível de se acreditar e/ou resolver. Confrontar os delírios e absurdos vistos em tela geram uma profusão de emoções que acabam, normalmente, saindo como uma gargalhada de desconforto. Por essa razão, <strong><em>O Drama </em></strong>facilmente divide opiniões. O que incomoda instiga ao mesmo tempo que afasta e esse é o maior trunfo &#8211; e o maior risco &#8211; da produção.</p>
<p>Outro ponto que pode ser controverso é o próprio segredo que mexe com um tema muito caro ao público estadunidense. Apesar de ser algo delicado, não é tratado de forma leviana no filme. Na verdade, o segredo ser o que é vem como uma crítica sobre um estigma social e geracional que persegue e rui diariamente o (nada estável) país. E a forma como Borgli trabalha isso no longa é deliberadamente ácida para incomodar. Ele faz questão de tocar na ferida aberta e rodar o dedo até ver o sangue escorrer. <strong><em>O Drama</em></strong> é um filme que foi feito para incomodar, não há dúvidas nisso.</p>
<h3>O Elenco</h3>
<p>A escolha do elenco não poderia ser melhor. As oposições em cena construídas pelos atores e texto dão força para essa ode ao desconforto criada por Borgli. Por ser um projeto focado em criar e ruir relações diante dos olhos do público, era preciso acertar em cheio no <em>casting</em> para que a narrativa pudesse alcançar o seu ápice. E, não à toa, Zendaya e Pattinson foram grandes acertos. Além da incontestável química e carinho que eles trazem para a relação dos personagens, existe uma equidade de contracena que impressiona. Parece que suas trajetórias os levaram até esse momento para que eles vivessem o desmoronar desse casal fictício em <em><strong>O Drama</strong></em>.</p>
<p>Para além do <em>show</em> que Zendaya e Robert entregam por brilharem em seus papeis, o elenco secundário é outro primor do projeto. Alana Haim (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-licorice-pizza/"><em>Licorice Pizza</em></a>, de 202), Mamoudou Athie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/"><em>Tipos de Gentileza</em></a>, de 2024) e Hailey Gates (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-marty-supreme/"><em>Marty Supreme</em></a>, de 2025) merecem ser destacados por suas contribuições aos delírios do casal principal. A raiva borbulhante e impulsiva de Haim, a passividade apaziguadora de Athie e a confusão caótica de Gates são o cerne de suas interpretações e responsáveis por intensificar a equação narrativa proposta pelo roteiro. <strong><em>O Drama</em></strong> nada seria sem seus catalisadores do caos.</p>
<p>É esse equilíbrio entre o elenco, o roteiro e a direção que apontam para o caminho desejado para a narrativa: gerar um incômodo incontestável a qualquer custo. E o resultado é alcançado sem dificuldades. No entanto, é essa máxima que pode afastar uma parcela de pessoas de <strong><em>O Drama</em></strong>. Ainda assim, a intencionalidade desse navio naufragando é também o que há de mais fascinante na narrativa. O filme funciona porque seu elenco cumpri com a missão de tornar palatável a confusão insana de sua história &#8211; e faz isso com uma comicidade ácida tão desconcertante quanto seu roteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kristoffer Borgli</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Hannah Gross e Jordyn Curet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eJ7_iPylqS4?si=f132P3PJ0dPY_pBJ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial Marty Supreme: O filme que pode dar o Oscar para Timothée Chalamet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 Jan 2026 12:58:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 será apresentado ao mundo nesta quinta-feira (22) e, com ele, a estreia no Brasil de Marty Supreme. O novo longa-metragem do diretor e co-roteirista Josh Safdie (Joias Brutas, de 2019) é a grande promessa do tão aguardado prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido, de 2024). Com duas vitórias nos principais prêmios do cinema estadunidense, Timothée desponta como favorito para levar o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O anúncio dos indicados ao Oscar 2026 será apresentado ao mundo nesta quinta-feira (22) e, com ele, a estreia no Brasil de <strong><em>Marty Supreme</em></strong>. O novo longa-metragem do diretor e co-roteirista Josh Safdie (<em>Joias Brutas</em>, de 2019) é a grande promessa do tão aguardado prêmio de Melhor Ator para Timothée Chalamet (<em>Um Completo Desconhecido</em>, de 2024). Com duas vitórias nos principais prêmios do cinema estadunidense, Timothée desponta como favorito para levar o prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</p>
<p>O mérito dessa possível vitória vem de uma clara conexão entre Safdie e Chalamet. O roteiro coescrito pelo diretor e por Ronald Bronstein (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/"><em>Bom Comportamento</em></a>, de 2017) &#8211; parceiro dos irmãos Safdie em outros projetos -, é uma ode aos trambiques, chiliques e ataques de grandiosidade do personagem interpretado por Timothée. A epopeia de desventuras e erros descreve um arco perfeito do anti-herói. <strong><em>Marty Supreme </em></strong>é uma história sobre alguém que não gostaríamos de torcer, mas somos compelidos à pela interpretação hipnotizante de Timothée.</p>
<p>Marty Mauser incomoda. Ele irrita, gera constrangimento e gargalhadas com os absurdos que ele fala, vive e age. A tecitura que desenha a complexidade do personagem-título escrito por Safdie e Bronstein é o ponto alto de <strong><em>Marty Supreme</em></strong> e é, igualmente, a maior vantagem que Chalamet carrega em sua atuação. Assisti-lo falando discursos de grandeza, recheados de uma lógica de malandragem juvenil e sonhos (im)possíveis é um show à parte. Parece que a persona que tentam pintar do ator desde seu discurso no Actor Awards do ano passado se mistura com a história do personagem, criando uma narrativa extra fílmica &#8211; que é tão hilária e absurda quanto a de Marty Mauser.</p>
<figure id="attachment_20421" aria-describedby="caption-attachment-20421" style="width: 1179px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-20421" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Marty-Supreme-1.jpg" alt="Marty Supreme (2025)" width="1179" height="786" /><figcaption id="caption-attachment-20421" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet em cena de &#8216;Marty Supreme (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Esse conjunto pitoresco de acontecimentos misturado à prepotência do personagem tornam <strong><em>Marty Supreme</em></strong> um estudo de caso fascinante. O azar (ou a sorte) que rondam Marty Mauser é tão curioso quanto os absurdos vividos &#8211; ou ditos &#8211; por ele. E é em meio ao turbilhão de crimes, enganações e desventuras que o público se vê completamente hipnotizado por Chalamet. O burburinho pelo seu trabalho não é por nada. O filme é ele. A espinha dorsal de tudo de mais absurdo e coeniano que acontece em tela só chega com essa força, graça e choque porque Timothée encarna Marty Mauser com maestria.</p>
<p>A promessa de um prêmio da Academia para o ator estadunidense não é de hoje. Desde sua grande performance em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame Pelo Seu Nome (2017)</em></a> que Chalamet se tornou um nome muito cotado e observado em Hollywood. Talvez o que faltasse antes ao ator era essa mística de aproximação com um personagem tão insano e imprevisível para propulsionar o seu bom trabalho. Timothée faz em <strong><em>Marty Supreme</em></strong> algo que impressiona por provar que, mesmo com apenas 30 anos, ele tem uma extensão cênica invejável.</p>
<p>Com todo esse burburinho e algumas vitórias já conquistadas pelo ator por <strong><em>Marty Supreme</em></strong>, a vitória no Oscar já soa quase certa. Os próximos prêmios serão cruciais para esclarecer melhor suas possibilidades. Tanto o Actor Awards como o BAFTA serão fortes termômetros sobre sua chance de enfim levar para casa um Oscar. No entanto, Timothée não está longe de ter um forte concorrente, ao menos, nesse seu caminho para a glória com a Academia.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-agente-secreto/"><em>O Agente Secreto</em></a>, de 2025) tem vencido os principais prêmios desse circuito mais &#8216;alternativo&#8217; de premiações. Sua vitória no Globo de Ouro também propulsionou suas chances e, se o Chalamet puder temor alguém, essa pessoa é nosso conterrâneo. Ainda que Timothée siga com chances mais claras, inclusive por conta de toda sua campanha, não é hora de descartar essa outra possibilidade. O futuro do ator e seu papel em <strong><em>Marty Supreme</em></strong> ainda trarão boas surpresas até a aguardada noite do Oscar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Josh Safdie</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A&#8217;zion, Kevin O&#8217;Leary, Tyler Okonma (Tyler, the Creator), Abel Ferrara e Fran Drescher</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jlufghPi_y4?si=6GvtLeedts-yXW9u" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Guerra Civil</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2024 21:50:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. Guerra Civil, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente. O fascínio gerado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Em sua semana de estreia nos Estados Unidos, o novo filme da A24 gerou expectativas altas no restante do mundo por seu sucesso de bilheteria em seu primeiro final de semana. <em><strong>Guerra Civil</strong></em>, o novo projeto da produtora, arrecadou mais de 25 milhões de dólares em sua estreia nacional &#8211; o que marca um novo recorde para a A24. Com isso, o longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19), já chega com um burburinho potente.</p>
<p>O fascínio gerado pelo novo longa está em sua história. O roteiro de Alex Garland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aniquilacao/"><em>Aniquilação</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-men-faces-do-medo/"><em>Men &#8211; Faces do Medo</em></a>, de 2022) conta a história de quatro jornalistas (Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson) que embarcam numa viagem de carro de Nova York até a capital estadunidense para reportar a guerra civil que está escalando para um fim iminente. A trama de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é brilhantemente costurada pelas visões dos personagens de Kirsten, Wagner, Cailee e Stephen. A partir das experiências, vivências e paixões de cada um pela profissão, o espectador vislumbra uma história que narra os horrores da vida real.</p>
<p>Assim, <strong><em>Guerra Civil</em></strong> se coloca como um senhor soco no estômago. Desta vez, fora do universo do terror, o diretor e roteirista, Alex Garland, consegue trazer o horror da vida real para um <em>road movie</em> jornalístico. É potente e, ao mesmo tempo, doloroso. E, o pior de tudo, é real. A dureza do cotidiano do jornalismo obriga os seus a criarem essa carapaça para o que há de pior no mundo. O que é monstruoso pode se banalizar. E, nesse filme, a desumanidade da guerra &#8211; especificamente numa ‘nação patriótica’ que diz sempre lutar pelos seus &#8211; é escancarada de forma avassaladora. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes focados em jornalismo desde <em>Todos os Homens do Presidente (1976)</em>.</p>
<p>Tendo em vista a potência e importância do trabalho de Garland &#8211; seja no texto quanto na direção -, é necessário abrir um parênteses para aplaudir o trabalho do elenco central. Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson estão hipnotizantes. O quarteto carrega o espectador do início ao fim desse mergulho tortuoso de um futuro horrendo (porém possível). <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merece louros por inúmeras partes de sua produção, mas o casting foi verdadeiramente divino.</p>
<p>Cada um dos quatro personagens vive uma fase profissional diferente &#8211; desde Jessie aspirando ser uma renomada fotojornalista até Sammy, um cansado veterano do New York Times. Essa fluidez de experiências gera uma troca arrebatadora para a narrativa. É de tirar o fôlego perceber as diferentes perspectivas sendo pressionadas nos momentos de maior tensão em meio ao caos. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> é um momento para ver o jornalismo real sendo posto à prova.</p>
<figure id="attachment_17949" aria-describedby="caption-attachment-17949" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-17949" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg" alt="Guerra Civil (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Guerra-Civil-2.jpg 1013w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17949" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Guerra Civil&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p>Ainda que os quatro se destaquem e conduzam <strong><em>Guerra Civil</em></strong> muito bem, falar sobre como Kirsten Dunst (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-estranho-que-nos-amamos/"><em>O Estranho que Nós Amamos</em></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>, de 2021) abraça o projeto é inevitável. Cada olhar de Lee, toque na sua câmera ou diálogo é perfeitamente colocado para fazer com que o mundo do público desmorone ainda mais. A contenção da personagem e o peso que ela carrega são sua força cênica. Lee transborda as dores e as marcas que a cobertura de guerra lhe causaram.</p>
<p>Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sergio/"><em>Sergio</em></a>, de 2020, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-agente-oculto-netflix/"><em>Agente Oculto</em></a>, de 2022) é outro ponto de atenção em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. Ainda que seu personagem, Joel, seja um tanto quanto caricatural em momentos de maior euforia, Wagner brilha na hora certa, complementando a potência de sua colega de cena. Ele caminha pelo lugar da euforia que o jornalismo lhe dá, ainda que consciente do infortúnio que todos estão vivendo.</p>
<p>O veterano Stephen McKinley Henderson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>, de 2021, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passagem-apple-tv/"><em>Passagem</em></a>, de 2022), por sua vez, é o contraponto da serenidade, da experiência. Com suas limitações de idade e manias, o seu personagem domina a cena como uma figura paternal, uma vez que Sammy foi o mentor dos personagens de Dunst e Moura. Sua presença em <strong><em>Guerra Civil</em></strong> completa o ciclo de experiências e aprofunda as camadas de relações dos personagens.</p>
<p>No seu extremo oposto está Jessie, a personagem de Cailee Spaeny (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>, de 2018, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-priscilla/"><em>Priscilla</em></a>, de 2023) em <strong><em>Guerra Civil</em></strong>. A jovem, que sonha em ser uma renomada fotojornalista de guerra como Lee, representa possibilidades de fases da carreira de muitos que seguem essa árdua jornada de relatar os horrores do mundo. Tudo isso feito com uma força e sensibilidade extremas.</p>
<p>Para além do texto, direção e atuações, outros departamentos de <strong><em>Guerra Civil</em></strong> merecem louros, como a fotografia, a arte e o som. Cada uma dessas equipes potencializa a força do que está sendo discutido em tela &#8211; e isso não é fácil. Afinal, o que o texto de Garland expõe é o maior temor de uma civilização democrática atualmente: o medo constante do fantasma autoritário, extremista e sangrento.</p>
<p>Apesar de parecer óbvio que um filme de guerra envolve uma presença poderosa e constante de ruídos &#8211; e o longa tem seus momentos -, o projeto triunfa no silêncio. Cenas com apenas trocas de olhares ou momentos mais intimistas entre os personagens em seus anseios, dores e desejos avassalam o público por tornar palpável o horror posto em tela. <strong><em>Guerra Civil</em></strong> veio para despontar como uma das obras mais interessantes do ano. A dualidade de achar a sensibilidade e a delicadeza no olho do furacão é um mérito gigante da equipe. Se essa for, de fato, a última assinatura de Alex Garland como diretor, ele sairá em sua melhor forma, tendo chances de uma possível nomeação na campanha pelo Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alex Garland</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Stephen McKinley Henderson, Sonoya Mizuno, Nick Offerman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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		<title>Crítica: X – A Marca da Morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 01:09:45 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[A24]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Completando 10 anos em 2022, a A24 trouxe para o cinema produções que antes não eram vistas. A missão do estúdio independente sempre foi investir em projetos que fujam um pouco do mainstream para dar espaço a produções diferentes. A partir de seu segundo ano, a A24 passou a investir cada vez mais em narrativas de terror, com sucessos como A Bruxa (2016), Hereditário (2018) e Midsommar – O Mal Não Espera a Noite (2019), compondo os 20 filmes do gênero [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Completando 10 anos em 2022, a <strong>A24</strong> trouxe para o cinema produções que antes não eram vistas. A missão do estúdio independente sempre foi investir em projetos que fujam um pouco do <em>mainstream</em> para dar espaço a produções diferentes. A partir de seu segundo ano, a A24 passou a investir cada vez mais em narrativas de terror, com sucessos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/"><em>A Bruxa</em></a> (2016), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hereditario/"><em>Hereditário</em></a> (2018) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/"><em>Midsommar – O Mal Não Espera a Noite</em></a> (2019), compondo os 20 filmes do gênero já lançados pelo estúdio até hoje.</p>
<p><strong><em>X – A Marca da Morte</em></strong> é o mais recente lançamento de terror da A24. O filme, que estreou nos Estados Unidos em meados de março, é uma ótima produção para fechar esse ciclo dos 20 primeiros filmes do estúdio por funcionar como uma homenagem aos <em>slashers</em> clássicos dos anos 1970/1980. O longa-metragem desenha a sua narrativa a partir de referências a <em>O Massacre da Serra Elétrica</em> (1974), <em>Devorado Vivo</em> (1976), <em>Psicose</em> (1960) e <em>O Iluminado</em> (1980). Dentre os clássicos do terror citados, o longa sobre Leatherface é o que dá mais substrato para a produção de <strong><em>X</em></strong> se inspirar por conta dos contextos temporais, geográficos e religiosos.</p>
<p>Uma equipe de filmes pornográficos está viajando para fazer as gravações de sua nova produção. Eles chegam numa fazenda no interior do Texas, onde vão se hospedar e gravar algumas cenas. Isolada e ocupada apenas pelo casal de idosos que é dono da propriedade, a casa parece ser o lugar perfeito para fazer um set de filmagem sem nenhuma preocupação. No entanto, os idosos, que pareciam inofensivos, vão se mostrar interessados demais nos hóspedes. E quando cair a noite, ninguém está mais a salvo dos horrores que acontecerão.</p>
<p>No exterior, <strong><em>X – A Marca da Morte</em></strong> foi aclamado pela crítica e público e está sendo considerado um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. A inteligência narrativa está na relação que ela constrói entre os acontecimentos chocantes do <em>gore</em>, a crescente da tensão e o ambiente assombroso descrito em cena. Esses méritos devem ser dados ao diretor e roteirista Ti West que, em seu primeiro longa, conseguiu captar a essência de um bom <em>slasher</em>. Sem perder de vista sua originalidade, Ti consegue criar um mix de referências aos momentos marcantes do cinema de horror que chocaram gerações. É a partir dessa união de fatores bem costurados e executados que o filme chega com tamanha força para o espectador.</p>
<p>Seja no roteiro ou no resultado final do longa, é inevitável perceber a influência do cinema <em>slasher</em> americano dos anos 1970. Especialmente quando se faz os paralelos com <em>O Massacre da Serra Elétrica</em>, é impossível não notar a paixão por trás de cada referência cênica, do uso da câmera ou do desenho dos ambientes. Como citado anteriormente, <strong><em>X – A Marca da Morte</em></strong> se passa num período próximo ao do longa de 1974 de Tobe Hooper. Por conta disso, os contextos sociais e religiosos do período aproximam as narrativas. No caso de <em><strong>X</strong></em>, o fator religião se faz mais presente do que na história de Leatherface, como é possível perceber durante os 106 minutos de duração.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-15779 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-750x500.jpg" alt="X - A Marca da Maldade (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/x-film-ti-west-2022-horror-2.jpg 932w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A questão da religião está diretamente ligada ao fervor da época sobre a violência incitada pelos efeitos da guerra e as revoluções pela liberdade sexual. Ti West usa esse pano de fundo para costurar a sua narrativa e construir a relação básica dos <em>slashers</em>: sangue e sexo. Essa dupla inseparável se mostra ainda mais mortal no contexto de isolamento na fazenda de Pearl e Howard, numa parte do Texas onde a violência se esgueira em cada canto e tensões sexuais são motivos para expurgos sociais. É sob essa ágora que <em><strong>X</strong></em> se estabelece como um horror chocante e de tirar o fôlego.</p>
<p><strong><em>X – A Marca da Morte</em></strong> representa justamente a excitação dos filmes de terror dos anos 1970 e 1980, onde as mortes excessivamente violentas e as cenas sexuais e/ou de nudez eram os pontos altos. A diferença desta produção para as que a inspiram é a qualidade em sua execução. Atrelada à qualidade técnica do longa, a escalação dos atores e atrizes foi certeira. Apesar de ter rostos pouco conhecidos, o elenco consegue entregar o máximo de tensão que cada cena precisa. A dinâmica de Mia Goth em cena é, de longe, louvável – principalmente quando ela desempenha suas duas performances. A atriz interpreta tanto a final girl como Pearl, a dona da fazenda assustadora.</p>
<p><strong><em>X – A Marca da Morte</em></strong> guarda uma antecipação enorme nos fãs do gênero, em especial com as novas notícias sobre o futuro da produção. O diretor e roteirista do terror já informou que está trabalhando em duas continuações para a história do longa. O primeiro filme será uma <em>prequel</em> que mostrará para o espectador mais sobre Pearl. O longa, que teve o trailer lançado no dia 26 de julho deste ano, ainda não tem data de estreia no Brasil.</p>
<p>A ideia da <em>prequel</em> é contar as origens e os traumas que moldaram a dona da fazenda, a qual representa a figura vilanesca da produção. O filme carrega o nome da personagem interpretada por Mia Goth e será lançado nos Estados Unidos no dia 16 de setembro. De acordo com Ti West, o terceiro capítulo da história que envolve o massacre e seus personagens será uma continuação direta dos acontecimentos finais de <em><strong>X – A Marca da Morte</strong></em>. O diretor acredita que os três longas funcionam como complementos uns dos outros, expandindo a sangrenta história.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ti West</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Mia Goth, Jenna Ortega, Martin Henderson, Brittany Snow, Owen Campbell, Stephen Ure e Scott Mescudi</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Awg3cWuHfoc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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