A temporada de premiações do audiovisual hollywoodiano está fervendo desde o começo do ano. Dentro deste pacote, está um dos eventos mais esperados pelos fãs do cinema dos Estados Unidos: o Oscar. Com a cerimônia se aproximando, o Coisa de Cinéfilo resolveu trazer para seus leitores um especial com os melhores indicados, em algumas categorias.

Com esta lógica, este texto vai elencar as produções que mais valem a pena de serem vistas dentro da categoria Melhor Roteiro. Na lista de escolhidos pela Academia é possível encontrar dois prêmios para este elemento, um referente a textos originais e outra para adaptados. Os dois estilos de script serão considerados neste top 5 que você pode conferir descendo a página.

Poderia Me Perdoar?

5 – Poderia me Perdoar?
Roteirizado por Nicole Holofcener (À Procura do Amor) e pelo estreante Jeff Whitty, o filme, baseado em fatos reais, conta a história da escritora Lee Israel. A artista começou a falir e a não conseguir trabalhar em seu ofício. Por isso, passou a falsificar cartas de atores famosos de Hollywood, forjando mais de 400 missivas. A forma como a narrativa vai revelando traços da personalidade da protagonista, o quê e quem a cerca e como a mesma entra nesta vida de crime é o principal motivo para o longa estar nesta lista. Além disso, com suavidade, Israel é mostrada sem planificações, mas sem buscar, no entanto, algum tipo de redenção para personagem. Pelo contrário, sua acidez e rispidez são exploradas, o que também cria um bom equilíbrio entre o que há de engraçado e deprimente em seu jeito de ser.

No Coração da Escuridão

4 – No Coração da Escuridão
Escrito e dirigido por Paul Schrader, é curiosa a presença do longa nesta lista. Ele não é um filme repleto de diálogos imensos, mas feito de silêncio. E este é o ganho da produção. Todas as tensões, perguntas e respostas são encontradas dentro da ausência da fala. Os olhares, gestos e respirações se fazem bastante presentes e podem direcionar o olhar do espectador para o lugar certo. O principal da trama é: até que ponto o ser humano é sua própria vítima e algoz, tomando decisões prejudiciais, que irão afetar os entes queridos e até o mundo. Além de questões ideológicas, há um clima de mistério e suspense que enriquecem a forma como o enredo é desenvolvido. O que está por vir parece ser sempre uma dúvida ali.

a favorita

3 – A Favorita
Deborah Davis (O Incrível Hulk) e Tony McNamara (A Grande Virada) roteirizam este duelo entre titãs. Duas primas lutam pela atenção da Rainha da Inglaterra. A dupla não mede esforços para realizar tal intento, sacrificando a honra e a dignidade para isto. A progressão da tensão estabelecida na relação entre as moças e com a rainha, individualmente, pode chamar a atenção por não ser tão linear quanto o de costume. Detalhes vão sendo revelados instantes antes e depois de um algum acontecimento mais forte, intrigando quem assiste. A intimidade e os segredos são postos em ações mais que diálogos. O texto mostra mais da dissimulação de Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone) do que suas próprias intenções, que são mais claras em seus atos.

roma

2 – Roma
Dirigido e roteirizado por Alfonso Cuarón, tempo seria uma palavra que poderia descrever o longa. As ações levam tempo, os sentimentos do espectador e as sensações da protagonista também. Os eventos são por si só impactantes, mas é necessário digeri-los e isto está presente fortemente no enredo de Roma. Seja pela rotina de Cleo (Yalitza Aparicio), a descoberta que ela faz, a vida do lugar que ela trabalha e das pessoas que vivem ali. São muitas dores para serem engolidas velozmente e Cuarón sabe fazer com que elas se dilatem e reverberem depois. A construção da suavidade da personagem principal em contraponto com as coisas terríveis que lhe acontecem dão ganho a isto.

estreias do cinema

1 – Infiltrado na Klan
Roteirizado pelo quarteto Spike Lee (Febre da Selva), Charlie Wachtel (Obsessão), David Rabinowitz (Harmless) e Kevin Willmott (Chi-Raq), o filme é baseado em fatos reais e narra a trajetória de Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro que consegue se infiltrar na seita Klu Klux Klan, como aponta o título. Ambientado nos anos 1970, o longa é repleto de referências da época. Contudo, o que mais chama a atenção é como os diálogos e as ações conseguem deixar estampado o racismo que está impregnado no cotidiano, desde o velado até o violento. Além disso, a ponte que é feita para a contemporaneidade revela os retrocessos do presente e as marcas da luta do movimento negro. Por fim, um outro elemento que pode ser apontado é a caracterização das personagens. O paralelo entre a idiotização e tolice branca e a luta pela sobrevivência de quem sofre preconceito étnico todos os dias e pode perder a vida por isso.

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