Resgate do Coração é um filme que conta a história de Kate, uma dona de casa que abdicou de sua carreira profissional para se dedicar à família. Depois que seu filho vai para a faculdade, ela acredita que conseguirá recuperar a paixão no casamento com uma segunda lua de mel. No entanto, acaba sendo surpreendida com um pedido de separação do marido. Desnorteada, ela decide ir na viagem que seria romântica e aproveitar o novo tempo livre.

Não é uma história original e não acredito que a Netflix tenha qualquer pretensão de que seus filmes tenham esse diferencial. Ela está muito mais focada em criar longas que atendam a diferentes tipos de algoritmos de sucesso, do que efetivamente ir além e produzir algo original. O que acaba sendo uma ironia toda vez que surge “Original Netflix” na tela. Mas voltemos ao foco do filme em questão.

A atriz Kristin Davis (série Sex and The City) tem uma carreira muito mais marcada por seriados do que por produções na telona. Ela é boa a que se propõe, mas tem um perfil caricato demais. Isso é um elemento assertivo para a essa personagem, mas soa como exagero em alguns pontos. A falta de naturalidade com que a protagonista enfrenta as adversidades da vida, como a separação repentina do marido de mais de 20 anos, por exemplo, incomoda.

Outro elemento de importância na construção de sua personagem é a idade e o fato de que ela tem uma história por traz. Seria leviano criar o romance principal ignorando o fato de que o casal é 50+. O roteiro acaba utilizando este ponto a seu favor, criando uma progressão gradativa do envolvimento dos dois. E sim, esse é o ponto alto do longa.

A forma como o romance da dupla é construído, ao contrário de vários outros pontos da trama, é natural e orgânica. Não há pressa ou rompantes de paixão avassaladora. Eles têm paciência e prudência ao construir o envolvimento, o que é excelente.

Resgate do Coração

O problema, no entanto, é que toda essa ideia é rodeada dos maiores clichês possíveis. O filme é tão previsível que incomoda até o espectador mais apaixonado por romance. Não há nada que torne o longa tão atrativo a ponto de seguir. Embora a química do casal seja boa, não é nada formidável. Os coadjuvantes também dão menos apoio do que poderiam, enquanto o roteiro em si não traz histórias auxiliares para entreter o público.

A sensação que temos é que estamos vendo mais um filme qualquer da Netflix, como “Amor em Obras“, só que com atores diferentes. A trama é basicamente a mesma. Até o uso de um cenário maravilhoso (neste caso, é a África e a luta pela preservação dos elefantes) parte de um lugar comum. Já vimos isso diversas vezes e contado de uma maneira muito mais envolvente.

As boas ideias acabam ficando em plano de fundo. A proposta da viagem ser uma autodescoberta da protagonista, o renascer dela na carreira de veterinária, ela começar a se colocar como prioridade, etc. Tudo isso poderia ser melhor explorado e não apenas virar cenário para discussões bobas de “fico ou não fico” com o amor de minha vida.

A Netflix – que já anunciou que vai começar a investir menos em produções próprias – precisa saber focar o dinheiro na criação de conteúdos efetivamente originais. Toda a maestria que ela possui na criação de ótimas séries, cai por terra quando falamos de longas. Para um entretenimento comum e simplório, Resgate do Coração é uma boa escolha. Mas definitivamente não deve estar no topo de sua lista.

Direção: Ernie Barbarash
Elenco: Rob Lowe, Kristin Davis, Colin Moss, Fezile Mpela, John Owen Lowe

Assista a trailer!

Você pode conferir este filme na Netflix!

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