Crítica: Próxima Parada: Apocalipse

Cena do Filme Próxima Parada: Apocalipse

A humanidade sempre teve um fascínio pelo seu próprio fim. Previsões sobre o extermínio da raça humana, catástrofes monumentais e desastres absurdos sempre foram uma ideia muito rentável e de amplo interesse para as pessoas e, por conta disso, o mercado cinematográfico não poderia ficar de fora dessa empreitada. Com obras dentro e fora do universo da sétima arte, cenários apocalípticos têm um espaço na memória cinéfila de cada pessoa. Desde o início do cinema pode se ver o que é conhecido como subgênero da “catástrofe”. Fire! (título original), de 1901, foi o filme inaugural dessa vertente. Após anos de iniciado, os longas-metragens de desastres só fizeram crescer em quantidade e orçamento, criando diversos exemplos marcantes como Guerra dos Mundos, de 1953; Armagedom e Impacto Profundo, ambos de 1998; e, mais recentemente, 2012, de 2009, e Tempestade: Planeta em Fúria, de 2017 – que não chegam aos pés dos primeiros exemplos.

O serviço de streaming Netflix trouxe para o seu catálogo, no mês de julho, o longa Próxima Parada: Apocalipse. A película segue exatamente a linha dos filmes de catástrofes citada anteriormente, trazendo um iminente fim da humanidade (ou destruição de boa parte dela) como cenário central da trama. Há, contudo, diversos problemas na produção que a impedem de sequer ser citada ao lado de trabalhos como o marcante Guerra dos Mundos – o qual foi baseado no livro de mesmo nome do autor H. G. Wells. Dessa forma, a Netflix entrega, como de costume, uma produção cinematográfica cheia de falhas.

Durante a visita na qual Will (Theo James) contaria aos seus sogros que ele e sua noiva estão esperando um filho, um misterioso caos se instaura. O apocalipse repentino devasta todo e qualquer tipo de comunicação e serviço, impossibilitando que Will e a família de Samantha (Kat Graham) consigam ter notícias dela. A falta de informações faz com que Will e seu sogro, Tom (Forest Whitaker), tenham que superar suas diferenças pessoais para alcançar seu objetivo comum: salvar a vida da jovem grávida. Para isso, Will e Tom terão que cruzar os Estados Unidos numa viagem de carro que será tão misteriosa e assustadora quanto essa catástrofe que paira o mundo.

Cena do Filme Próxima Parada: Apocalipse

O trabalho do diretor David M. Rosenthal é bem mediano, não criando nada de encantador através de suas cenas. Para agravar a situação já não muito favorável, o roteiro de Brooks McLaren é pobre e recheado de pontas soltas. Do começo ao final do longa, o espectador fica se perguntando o motivo de tal cenário horrendo e tem como resposta um vazio tão grande quanto a qualidade da produção que está assistindo. É simplesmente decepcionante passar quase duas horas assistindo um trabalho tão ruim. O sentimento que define esse longa-metragem é um misto de desgosto e incompreensão. É inacreditável como uma fórmula tão clara e batida não foi reproduzida bem. Comumente os filmes de catástrofes tendem a ser medianos por suas fórmulas serem repetitivas, mas, diante de algo tão falho, o mediano se torna um sonho.

Para completar o caos da produção, os personagens de James e Whitaker são insossos. O protagonismo deles lhes proporcionam momentos que poderiam ser os pontos altos da obra – seja quanto a relação deles, o sentimento de superação na busca pela noiva/filha ou a tentativa de entender o problema que está destruindo suas vidas. Quanto ao resto do elenco, não existe muito o que falar uma vez que a narrativa foca mais nesses dois personagens, fazendo com que o destaque de outros membros da história seja pequeno.

Um diretor sem diferencial, um roteiro que falta (e falta muito), atuações que não tocam o espectador e um final completamente desconexo. Esse é o resumo do novo fracasso feito pela Netflix. Dessa forma, não há outra forma de categorizar Próxima Parada: Apocalipse exceto como um desastre dentro e fora narrativa. Ou seja, sem nada de bom e repleto de falhas, a película se torna, sem sombra de dúvidas, uma das piores produções que o serviço de streaming lançou em 2018.

Assista ao trailer!

 

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