Crítica: Vidas à Deriva

Logo no início, Vidas à Deriva impõe um grande desafio a sua protagonista. A personagem interpretada pela atriz Shailene Woodley (da série Big Little Lies) acaba de ter seu veleiro destroçado por um temporal e encontra-se à deriva em alto mar, uma situação que frustrou a viagem que faria até San Diego, Califórnia, com o noivo vivido pelo inglês Sam Claflin. Assim, baseado nos eventos vividos fora das telas por Tami Oldham (o longa é tem como fonte uma história que realmente aconteceu), Vidas à Deriva mescla a clássica história de sobrevivência do homem diante de eventos impostos pela natureza com um romance que procura edificar sua narrativa de amor através das inúmeras adversidades que atravessam a situação do casal protagonista.

O longa tem a direção de Baltasar Kormákur e guarda na sua condução as características de um título anterior com a sua assinatura que colocava seus protagonistas em situação semelhante, Evereste, de 2015, protagonizado por Jake Gyllenhaal e Josh Brolin. O resultado de Vidas à Deriva, no entanto, é bem diferente daquele filme. É certo que o diretor não tem um trabalho marcado por maiores inventividades, mas aqui Kormákur encontra algo na estrutura da sua história que torna o filme uma experiência minimamente interessante para o espectador, já que possui no centro relações humanas efetivamente construídas, algo que faltou a Evereste, por exemplo.

Vidas à Deriva é contado com entrecruzamentos entre os registros do casal Tami e Richard (Woodley e Claflin) no passado e no “presente”, de modo que o espectador consiga se envolver com o amadurecimento daquela relação, seja a partir da gradual intimidade que adquirem conforme vão se conhecendo até topar a viagem para Califórnia a pedido de um casal de ricaços, seja diante da adversidade que enfrentam em alto mar. Shailene e Sam têm bons momentos juntos quando estão na tela, permitindo que os esforços da própria direção e do roteiro encontrem eco na interpretação dos atores, que vivem de fato um casal passível de simpatia pelo público.

Com um desfecho inevitavelmente destinado à tragédia ou à grande recompensa para o casal, Vidas à Deriva pode ter sua experiência sabotada caso o espectador procure mais informações sobre o filme, afinal, é baseado em eventos reais e o público pode conhecer o final dos seus personagens por outras vias. No entanto, se o espectador for ao cinema sem maiores informações sobre a história, pode ser recompensado por alguns aspectos positivos do filme. O longa tem sua parcela de generalidade, já que se parece com tantas outras narrativas com sua proposta, mas ainda assim encontra pulsação na maneira como olha para a trajetória dos seus protagonistas.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira456 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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