Evidências do Amor

Crítica: Evidências do Amor

3.5

Partindo do apelo de uma das canções brasileiras mais populares, “Evidências” de autoria de José Augusto e eternizada nas vozes de Chitãozinho e Xororo, Evidências do Amor traz uma comédia romântica que possui similaridade com as tramas de longas bem queridos do público como Feitiço do Tempo e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Não, o filme estrelado por Fábio Porchat e Sandy não tem a pretensão de alcançar o posto desses longas no coração de uma cinefilia, mas sua história traz elementos que garantiram o sucesso desses títulos: viagem no tempo ou nas memórias dos seus protagonistas.

A trama hipotética da viagem no tempo e nas memórias boas e ruins como forma de curar uma dor de cotovelo de um protagonista que quer esquecer a ex faz parte da premissa desta comédia romântica nacional e ela acerta em muitos pontos. Em Evidências do Amor Fábio Porchat interpreta um desenvolvedor de aplicativos que se apaixona perdidamente por uma médica que conhece em um karaokê quando ambos cantam juntos “Evidências”. Quando o casal está prestes a se casar, ela termina a relação por meio de uma mensagem de áudio, o que deixa o personagem de Porchat sem chão por alguns meses. Ele tem a oportunidade de curar essas dores quando um estranho fenômeno passa a interferir na sua rotina: toda vez que escuta “Evidências”, seja em um elevador ou em um restaurante da rua, por exemplo, ele é imediatamente transportado para as lembranças ruins do seu antigo relacionamento.

Como convém às boas comédias românticas, Evidências do Amor apoia-se na sinergia do seu casal de protagonistas. A expansividade e o jeito irreverente e ácido de Porchat contrastam com o jeito mais contido e etéreo de Sandy. As personas de ambos são levadas para seus personagens em Evidências do Amor e o resultado é muito positivo. A combinação entre os opostos dá um efeito interessante na tela e contribui para o filme ser uma experiência cinematográfica bem simpática, sobretudo quando o ponto central de uma boa comédia romântica é a simpatia do público pelo seu casal de protagonistas. Os melhores momentos de Evidências do Amor ocorrem quando Sandy e Porchat dividem a tela.

Evidências do Amor

O roteiro de Pedro Antonio e Luanna Guimarães também tem muito mérito no sucesso criativo desse projeto pois desenvolve um arco satisfatório para seus personagens, recorrendo a um humor que não soa ofensivo ou pobre na inserção das suas piadas e que também sabe oferecer romance e bastante emoção em uma narrativa que assume a leveza como meta. Ainda que falte ao filme ir mais a fundo na ideia que lança sobre a importância da música na construção de nossas memórias afetivas, ficando tudo na base da premissa, Evidências do Amor ganha o espectador com a simpatia da sua história e com a química do seu casal principal. Além de tudo isso, o filme conta com uma “forcinha” extra que é o apelo popular de uma canção como “Evidências”, uma obra que, sem dúvida, mobiliza plateias. Vai ser inevitável ouvir um coro catártico do público ao longo dos créditos finais nos quais o filme exibe diversos registros de pessoas cantando a composição de José Augusto.

Evidências do Amor é o tipo de longa que busca a adesão popular, mas não faz isso apelando, ele simplesmente oferece uma experiência satisfatória no seu gênero, sabendo ser uma sessão leve para o espectador como uma boa comédia romântica, mas bem escrita, sensível aos sentimentos que a história está desenvolvendo e compromissada com a construção de uma narrativa agradável. Enfim, é a trilha que deveria ser seguida com mais frequência por títulos do gênero e que poderia ser explorada com mais constância pelo cinema nacional.

Direção: Pedro Antonio Paes

Elenco: Fábio Porchat, Sandy, Jason Packer, Evelyn Castro, Larissa Luz, Fernanda Paes Leme, Samya Pascotto, José Augusto, Chitãozinho, Xororó, Felipe Castanhari

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