Crítica: Em Pedaços

Ao sair de Hollywood, retornar para a Alemanha e protagonizar novamente um filme na sua língua de origem, Diane Kruger (Bastardos Inglórios) venceu o prêmio de melhor atriz na edição de 2017 do Festival de Cannes. O filme em questão é Em Pedaços, de Fatih Akin (Soul Kitchen), também vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. O longa conta a história de uma mulher que perde o marido e o filho num atentado terrorista e busca por justiça e uma forma de aplacar a dor do luto que faz com que sua vida perca completamente o sentido.

O drama não exibe uma jornada fácil para sua protagonista, mas também não é uma experiência tranquila para o espectador. Em Pedaços incorpora o tom melancólico que arrebata a vida da sua personagem central e resulta num filme triste, nada solar. Dividido em três atos (a família, a justiça, o mar), o longa de Fatih Akin traz à tona um estudo do luto e das formas de aplacá-lo através da tortuosa trajetória da protagonista interpretada por Kruger. Ainda que nesse departamento soe reiterativo, girando em círculos no tratamento da dor de sua personagem, jamais saindo de uma superfície e de lugares que já não tenhamos percorrido em longas melhores, o esforço é válido sobretudo quando temos um dos melhores desempenhos da carreira de Kruger, intensa em todos os sentimentos e estágios do luto vivenciados por sua personagem.

Em Pedaços também ronda outra temática, e talvez tenha muito mais êxito nesse departamento, ainda que também dedique um tratamento tímido à questão. O filme insere no seu quadro de preocupações o neonazismo e os atos terroristas decorrentes do mesmo na Europa. Nesse sentido, ao unir essa questão com a jornada da sua protagonista, o longa de Akin acaba oferecendo uma interessante perspectiva para um cenário preocupante de violência que contamina pessoas aparentemente não afeitas à mesma.

Assim, mesmo não indo tão a fundo nos principais focos da sua história, Em Pedaços lança perspectivas interessantes sobre os seus temas e é sustentado pelo empenho da sua atriz principal. Certamente é um trabalho que poderia brilhar mais caso seu realizador investisse mais tempo  no aprofundamento e reverberações das suas questões, mas ainda assim válido na forma como é apresentado.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira456 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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