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	<title>Arquivos Kenneth Branagh - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Kenneth Branagh - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Diabo Veste Prada 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 13:32:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como O Diabo Veste Prada 2 dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original? Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como<strong><em> O Diabo Veste Prada 2</em></strong> dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original?</p>
<p>Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O que é um grande bálsamo para os fãs mais fervorosos, como essa jornalista que aqui escreve. Andy Sachs (Anne Hathaway) passou anos vivendo o seu sonho de escrever histórias relevantes, política, economia, sociedade. Ela é uma jornalista renomada e reconhecida pelo seu trabalho investigativo. Mas nem isso a consegue blindar do trator que é o capitalismo e a necessidade constante de “cortar os custos”.</p>
<p>Os tempos são outros e essa nova realidade de inteligência artificial, produções online e rapidez líquida fez com que o jornalismo de verdade, aquele que tem tempo de pesquisar, entrevistar, fosse colocado em segundo plano. São tempos incertos. Inclusive para Miranda Priestly (Meryl Streep), que do outro lado da moeda, sofre as consequências do trabalho mal feito de sua equipe jornalística, o que pode levar ao seu declínio do topo da Runway (que a essa altura já se tornou uma revista muito mais on-line).</p>
<p>Em meio a essas nuances de cada personagem, o reencontro acontece através da necessidade de ambas. Cada uma de uma ponta, convergindo com o mesmo propósito.</p>
<p>É curioso perceber como mesmo depois de tantos anos, Andy ainda fica nervosa e insegura ao lado de Miranda. É como se ela ativasse aquela jornalista recém formada lá do começo, que tinha que se provar o tempo todo. Ela precisa ser constantemente lembrada que ela ocupa, hoje, um outro espaço e uma outra posição.</p>
<p>Já Miranda segue com a sua personalidade altiva, mas sendo convocada o tempo todo a acessar momentos de mais humanidade. Ela entende (ou é forcada a entender) que o topo é solitário, mas não precisa necessariamente ser. Que por mais que ela esteja sempre jogando com as peças deste quebra-cabeça que é comandar uma revista que dita a moda do mundo todo, o tabuleiro pode contar com outros jogadores.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20638" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png" alt="O Diabo Veste Prada 2" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Minha preocupação com o trailer, onde achei as personagens muito caricatas, por sorte não se confirmou. O roteiro não foi para o caminho de exploração até a última gota de quem é Miranda Priestly e sua indiferença com o próximo. E claro que Meryl Streep faz toda a diferença neste quesito, mas acredito que podemos colocar o resultado nas costas do diretor David Frankel, responsável também pelo primeiro longa.</p>
<p>Aqui em<em><strong> O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>a rivalidade feminina é substituída por uma parceria construída de maneira muito natural. As personagens entendem que precisam convergir no mesmo propósito, já que o “universo” (leia-se aqui “capitalismo masculino”) não está disposto a isso.</p>
<p>Mesmo assim, ainda temos a rivalidade feminina apresentada, mas muito mais como um resquício de vingança ou uma necessidade de se provar suficiente pelo passado que viveu ali naquele espaço. Fico triste apenas que o roteiro quis redimir essa personagem no final, completamente sem necessidade. Era melhor ter assumido o seu lado vingativo e seguido com isso.</p>
<p>Para a dupla principal, vemos outras facetas de suas personalidades. Existe uma profundidade maior das personagens, uma exploração mais detalhada de quem cada uma é.</p>
<p>É uma mudança que eu achei legal foi Miranda estar num casamento bacana e amoroso, com um cara que entende a sua posição, enquanto Andy está solteira, mas sem a necessidade de busca pelo masculino. Ela está bem, feliz, completa, sem aquele ar de demanda de relacionamento, mas também sem a sombra da solidão. Isso vai de encontro com o machismo habitual de alguns roteiros, o que é ótimo!</p>
<p>O filme também é um grande serviço para os fãs do primeiro. Ele bebe da mesma fonte, traz milhares de referências claras (e outras sutis), mas sem deixar de lado uma personalidade muito própria. <em><strong>O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>é uma grata surpresa em uma época que as continuações tardias são tão rasas e sem propósito. O longa entrega excelentes atuações, uma história legal, nostalgia, looks incríveis e uma leveza necessária. Vale muito a pena!</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Frankel</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Aline Brosh McKenna</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Kenneth Branagh, Lucy Liu, Simone Ashley, Justin Theroux</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/r3_gZDsy1iQ?si=4JfTUyL0iCtK7tJB" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Noite das Bruxas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2023 21:46:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais um livro da famosa escritora Agatha Christie ganha uma adaptação cinematográfica. A Noite das Bruxas é uma obra de 1969 que conta um dos casos investigativos do detetive Hercule Poirot, brilhantemente protagonizado por Kenneth Branagh (Belfast), que também dirige o filme. É a terceira produção que o diretor leva aos cinemas, sendo as anteriores Morte no Nilo (2022) e Assassinato no Expresso do Oriente (2017). Aqui em A Noite das Bruxas, temos um tom mais obscuro das obras de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um livro da famosa escritora Agatha Christie ganha uma adaptação cinematográfica. <em><strong>A Noite das Bruxas</strong></em> é uma obra de 1969 que conta um dos casos investigativos do detetive Hercule Poirot, brilhantemente protagonizado por Kenneth Branagh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-belfast/"><em>Belfast</em></a>), que também dirige o filme. É a terceira produção que o diretor leva aos cinemas, sendo as anteriores <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-morte-no-nilo/"><em>Morte no Nilo</em></a> (2022) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinato-no-expresso-do-oriente/"><em>Assassinato no Expresso do Oriente</em></a> (2017).</p>
<p>Aqui em <strong><em>A Noite das Bruxas</em></strong>, temos um tom mais obscuro das obras de Christie, mesmo que o livro original não ofereça este tipo de alçada. Branagh optou por ir além e criar em cima da obra, aplicando terror, sustos e um pouco de espiritualidade. É um longa definitivamente diferente e distinto dos demais, o que não quer dizer que seja ruim.</p>
<p>Poirot encontra-se aposentado de suas atividades como detetive, curtindo um pouco da paz ensolarada de Veneza. Ele tem sua rotina perturbada quando a escritora Ariadne Oliver (Tina Fey, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-free-guy-assumindo-o-controle/"><em>Free Guy &#8211; Assumindo o Controle</em></a>) aparece com a proposta de investigar melhor uma suposta vidente, interpretada por Michelle Yeoh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tudo-em-todo-lugar-ao-mesmo-tempo/"><em>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</em></a>), que afirma falar com os mortos e espíritos do passado.</p>
<p>Eles acabam seguindo no dia das bruxas para uma casa famosa por ser assombrada por espíritos de crianças, onde aconteceu um suposto suicídio cheio de mistérios. A partir deste momento, diversos eventos surgem, forçando Poirot a voltar à profissão de detetive.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17167" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4546020.jpg" alt="A Noite das Bruxas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4546020.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4546020-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4546020-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/4546020-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Como toda história de Agatha Christie, temos uma ou mais mortes e vários suspeitos. Sempre achamos que pode ser um, até que finalmente o verdadeiro é revelado. Nada de muito inovador neste sentido, então o que nos prende enquanto espectador é justamente a forma como esse mistério é desenrolado e como consegue nos confundir. <em><strong>A Noite das Bruxas</strong> </em>consegue fazer isso relativamente bem, ainda que com algumas falhas.</p>
<p>É um filme sem exageros, que vai direto ao ponto e nos apresenta de cara o caso. Não é à toa que tem apenas 1h40 de duração, o que já anima qualquer pessoa que anda cansada de produções de 3h. Hercule reluta em aceitar a paranormalidade da situação, mesmo que ela se apresente a todo momento. Fica confuso e procura explicações, encontrando-as, na maioria das vezes. À medida que duas novas mortes acontecem, ele vai se soltando ainda mais no ofício de detetive, nos apresentando aquilo que mais gostamos: os detalhes.</p>
<p>Além disso, este toque de espiritualidade promove uma dualidade importante, já que o espectador fica sempre na dúvida se é real ou fruto da imaginação e medo dos personagens. E isso se torna mais um instigador de interesse da trama, que tem personagens bem diversos. A mãe sofrendo a morte da filha, o médico louco, a criança com comportamento adulto, os ajudantes trambiqueiros. Um estilo e perfil de cada para ajudar ainda mais a confundir a nossa mente, na hora de apostar em quem é o assassino real.</p>
<p>O que falta em <em><strong>A Noite das Bruxas</strong></em>, no entanto, é um grande ápice. O filme funciona como uma boa maré que se mantém equilibrada do começo ao fim, mas falha em nos ofertar um pouco mais de emoção em dado momento. Ainda mais para um filme de mistério com toques sinceros de terror, um pico de intensidade seria muito bem-vindo. Isso não prejudica a obra como um todo, mas faz falta.</p>
<p>Mais uma produção de Kenneth Branagh, que tem esmiuçado muito bem as obras da grande escritora Agatha Christie, que tive o prazer de ler durante a minha adolescência. Seguimos na torcida que novos livros sejam adaptados, sempre com um toque do diretor, que tem muito a nos oferecer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kenneth Branagh</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kenneth Branagh, Tina Fey, Camille Cottin, Kelly Reilly, Jamie Dornan, Michelle Yeoh, Jude Hill, Riccardo Scamarcio</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/CLpH3-rcHdQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Oppenheimer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 17:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor Christopher Nolan é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De Amnésia (2000) até Tenet (2020) – passando pelo ‘queridinho’ Interstellar (2014) –, as produções [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor <strong>Christopher Nolan</strong> é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De <em>Amnésia (2000)</em> até <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet (2020)</em></a> – passando pelo ‘queridinho’ <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-interestelar/"><em>Interstellar (2014)</em></a> –, as produções encabeçadas por Nolan costumam ter dificuldade em se mostrar mais humanas. Elas lutam para chegar no sensível e ir além da dureza de uma produção industrial – ainda que essa tenha espaço para belas imagens, montagens e sons. No entanto, durante duas décadas, o resultado era o mesmo – qualidade técnica, mas nada de palpável no quesito emocional.</p>
<p>Até antes de assistir o mais novo trabalho do diretor, Nolan nunca havia furado essa bolha. Tudo sempre teve qualidade, uma maestria na execução dos processos, resultados belíssimos e maravilhosamente bem administrados. Mas nunca senti sensibilidade. Até então, tudo parecia uma linda embalagem de presente de Natal onde, dentro dela, não havia nada. A superficialidade das emoções humanas e das sensações mais intrínsecas não tinham sido exploradas até a chegada de <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Esse pode ser o filme que mudará a trajetória da carreira do cineasta.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (20), é um passo além do diretor em sua forma de fazer cinema. Não se enganem, a produção continua sendo bem administrada e rodeada por uma equipe técnica sublime – a prova disso está na montagem, fotografia, edição de som e trilha sonora. Contudo, é finalmente possível sentir algo, ainda que de forma sutil. Mesmo que Nolan tenha muito o que explorar sobre a densidade das emoções humanas daqui para frente, ele enfim furou a bolha com <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. O boneco de madeira se tornou um garoto de verdade e entregou o seu mais belo trabalho da carreira.</p>
<p>Na cinebiografia, o público embarca na vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), o físico teórico que ficaria conhecido como pai da bomba atômica. A história descreve desde os primeiros anos do cientista e seus contatos com figuras proeminentes do mundo da física até o início do Projeto Manhattan, seu resultado e os dilemas científico/éticos no pós Segunda Guerra. Em meio aos louros, os relacionamentos, a política e a vaidade, Oppenheimer marcou a história da humanidade como o Prometeu moderno, dando ao povo o poder de se destruir com o início da corrida nuclear.</p>
<p>A partir de uma história como essa, o filme poderia ser muitas coisas, inclusive só mais uma cinebiografia que cairia no esquecimento em pouco tempo. A virada de chave, no entanto, está no <em>timing</em> que o projeto é lançado. Ainda que fale de um acontecimento histórico de décadas atrás, a perspectiva de discutir a relação entre avanço da ciência, guerra e ética não poderia ser mais atual. Com dilemas da inteligência artificial e as atrocidades da guerra na Ucrânia acontecendo, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> chega aos cinemas pronto para pontuar o que precisa ser discutido no momento sobre esses assuntos – e, desta vez, com camadas e profundidade.</p>
<p>Baseado no livro ‘Prometeu Americano’, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro consegue tornar central a discussão da vaidade do personagem e o dilema que a sua invenção gerou para a humanidade e para si. Esse pano de fundo, unido com uma montagem brilhante de Jennifer Lame (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>, de 2019, e <em>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</em>, de 2022) e as performances de um elenco potente faz as três horas de duração passarem despercebidas. <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é um dos melhores trabalhos de Nolan também como roteirista – o qual, possivelmente, estará como um dos favoritos na corrida pela estatueta no Oscar de 2024.</p>
<figure id="attachment_16943" aria-describedby="caption-attachment-16943" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16943" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg" alt="Oppenheimer (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2.jpg 1169w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16943" class="wp-caption-text">Cillian Murphy em cena de &#8216;Oppenheimer&#8217; (2023)</figcaption></figure>
<p>Outro ponto de destaque na técnica do filme é a fotografia. Como a narrativa se divide em duas tramas – a trajetória de Oppenheimer e a audiência de decisão da entrada de Lewis Strauss como secretário na Casa Branca -, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (<em>Tenet</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-nao-olhe/"><em>Não! Não Olhe!</em></a>, de 2022) teve a oportunidade de brincar com cores, sombras e formas da imagem em <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Sendo uma das frentes narrativas colorida e a outra em preto e preto, Hoyte entrega um espetáculo visual de tirar o fôlego.</p>
<p>E para permitir que o diretor de fotografia gerasse imagens ainda mais espetaculares, o departamento de arte, especificamente a equipe de efeitos práticos, teve que trabalhar muito. As cenas de recriação da explosão da bomba atômica são algumas das mais belas de se assistir ao longo do filme – e, possivelmente, da filmografia de Christopher Nolan. O trabalho da equipe supervisionada por Scott R. Fisher é fundamental para gerar a humanidade que <em><strong>Oppenheimer</strong></em> necessitava – e que Nolan precisava trazer há anos para suas produções.</p>
<p>Além dos destaques e das possíveis indicações pelo roteiro, montagem e edição, fotografia e efeitos visuais, a edição de som, a trilha sonora e o figurino são outros fortes nomes para indicações aos maiores prêmios de cinema do ano. Falando especificamente do som, ele é, ao lado da fotografia, um dos principais aliados para impulsionar a narrativa. Se <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é capaz de alcançar voos ainda mais altos é porque o santíssimo quinteto direção-roteiro-fotografia-som-trilha está operando de forma coesa e eficaz. E o trabalho de composição de Ludwig Göransson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>, de 2018) é impressionante, potente e completa este pentágono criativo.</p>
<p>Por fim, e não menos importante, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> alcança o que alcança por mais duas razões, seu elenco estelar e a direção de Christopher Nolan. Desta vez, diferente da maioria de seus trabalhos, o cineasta pareceu sair de sua função de administrador de uma produção e mergulhou de cabeça como criador, se permitindo sentir e se sensibilizar pela história que estava construindo. Essa dedicação diferenciada para o projeto é claramente sentida desde os primeiros minutos do filme. Nolan terá uma dura concorrência na temporada do Oscar – como por exemplo o forte nome da brilhante Greta Gerwig por <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><em>Barbie (2023)</em></a> -, mas, desta vez, o nome do diretor estar entre os indicados é mais do que merecido.</p>
<p>Para encerrar a composição de potência da produção, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> conta com um grande elenco. Seja na extensão ou em qualidade, os atores e as atrizes envolvidos nesse processo são um reforço da coesão do projeto e dão razão ao adjetivo. Evidentemente existe um destaque maior para três pessoas: Cillian Murphy, Robert Downey Jr. e Emily Blunt. Os três são as apostas para o Oscar, podendo até, quem sabe, render uma estatueta para o eterno Homem de Ferro, mostrando à Hollywood que ele pode e é mais do que ator de um só personagem.</p>
<p>Regada de dúvidas, delírios e vaidades, a jornada pessoal e ética do físico J. Robert Oppenheimer é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano e marcará a temporada de premiações por sua qualidade e poderio técnico. Além de, como pontuado algumas vezes ao longo do texto, ser, quem sabe, uma nova fase para Christopher Nolan. Se <strong><em>Oppenheimer</em></strong> representar o início de uma nova era de produções com mais profundidade e sensibilidade do cineasta britânico, então o futuro do cinema guarda algo inspirador. Caso tenha sido apenas um flerte momentâneo com esse lado mais denso e humano do diretor, pelo menos o mundo terá a oportunidade de vivenciar a experiência cinematográfica que é assistir ao filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek, Kenneth Branagh, Benny Safdie e Jack Quaid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?si=t_qYi7N4cEY9hHD9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Belfast</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2022 15:39:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Belfast é o tipo de filme que vai nos abraçando aos poucos, a medida que vamos conhecendo os personagens e suas histórias. Como uma pessoa nova que te conquista verdadeiramente, momento após o outro. O longa do incrível Kenneth Branagh (Morte no Nilo) narra a história de uma família protestante na Irlanda dos anos 1960, em meio a conflitos religiosos e de classes trabalhadoras, que tornam a cidade bastante perigosa. Rapidamente somos apresentados a Buddy (Jude Hill), um carismático garotinho [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Belfast</strong> </em>é o tipo de filme que vai nos abraçando aos poucos, a medida que vamos conhecendo os personagens e suas histórias. Como uma pessoa nova que te conquista verdadeiramente, momento após o outro. O longa do incrível Kenneth Branagh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-morte-no-nilo/"><em>Morte no Nilo</em></a>) narra a história de uma família protestante na Irlanda dos anos 1960, em meio a conflitos religiosos e de classes trabalhadoras, que tornam a cidade bastante perigosa.</p>
<p>Rapidamente somos apresentados a Buddy (Jude Hill), um carismático garotinho que consegue manter seus sonhos e a esperança, mesmo em meio a tantos problemas que o circulam. Seu pai (Jamie Dornan, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-liberdade/"><em>Cinquenta Tons de Liberdade</em></a>) trabalha em outra cidade para conseguir dar conta de sustentar a família. A mãe (Caitriona Balfe, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ford-vs-ferrari/"><em>Ford vs. Ferrari</em></a>) tem que lidar com a ausência constante do marido, as contas atrasadas chegando e dois filhos de idades bem diferentes, cada um com seus conflitos. O pequeno ainda tem avós carinhosos e presentes, vividos maravilhosamente por Ciarán Hinds (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-primeiro-homem/"><em>O Primeiro Homem</em></a>) e Judi Dench (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinato-no-expresso-do-oriente/"><em>Assassinato no Expresso do Oriente</em></a>), que complementam o arco familiar.</p>
<p>O roteiro vai equilibrando a dinâmica do caos que acontece em Belfast com as nuances de vida de Buddy. Ele vai conhecendo o mundo, descobrindo novas coisas. As suas prioridades são simples: sentar ao lado da menina que é apaixonado, comer doces, matar a saudade do pai que idolatra. Estamos constantemente sendo mostrados sobre como a vida consegue ser leve, mesmo quando o mundo parecer não ser. Tempos simples que fazem o espectador refletir sobre quais as nossas prioridades atualmente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15283" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/low-l-belfast-2.jpg" alt="Belfast" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/low-l-belfast-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/low-l-belfast-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/low-l-belfast-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/low-l-belfast-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que a história avança, vamos sendo ainda mais conquistados pelos personagens, cada um com sua peculiaridade. O enredo é inspirado em lembranças da infância de Branagh, que é irlandês. Então passamos por cenas preciosas como as idas ao cinema em família, os pais dançando apaixonados, o olhar carinhoso pela colega de turma. A dinâmica dos avós também é única. O cuidado com os netos, o apreço, a presença.</p>
<p><em><strong>Belfast</strong> </em>tem muitos momentos de abraço no espectador, que é facilmente conquistado por todos os personagens e pela história em si. A atuações são um grande destaque, tanto de performance quanto de foco por parte da direção. Muitas cenas que enquadram diretamente no rosto dos personagens, pegando todas as suas variações. Não tem absolutamente ninguém destoando, com um elenco com tamanha química que parece uma família de fato. Judi Dench é um espetáculo particular em qualquer cena que aparece, assim como Ciarán. A dupla Caitriona e Jamie é uma delícia de acompanhar, pois conseguem variar tranquilamente em todas as nuances do casal. Fico feliz de ver que Dornan tem conseguido se dissociar cada vez mais da trilogia <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>Cinquenta Tons de Cinza</em></a>, pois ele, definitivamente, vai muito além de um ator meeiro.</p>
<p>Com roteiro calmo e simples, o filme consegue fazer o espectador sorrir e chorar, às vezes até na mesma cena. <em><strong>Belfast</strong> </em>chega ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-a-lista-completa-de-indicados-ao-oscar-2022/"><em>Oscar 2022</em></a> com sete indicações, dentre elas a de Melhor Filme, sendo um forte candidato para levar a estatueta. Acredito que a competição será direta com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ataque-dos-caes/"><em>Ataque dos Cães</em></a>, sendo que este último sofre o preconceito da Academia por ser uma produção Netflix. Sendo assim, é esperado que essas sete indicações rendam pelo menos uns dois prêmios.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kenneth Branagh</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Caitriona Balfe, Jamie Dornan, Jude Hill, Ciarán Hinds , Judi Dench, Colin Morgan, Lewis McAskie, Lara McDonnell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/H9gCG1lUb78" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Morte no Nilo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Feb 2022 21:37:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais um livro da aclamada escritora Agatha Christie chega aos cinemas prometendo deixar os fãs de mistério em polvorosa. O remake Morte no Nilo (o primeiro foi em 1978) traz um elenco de peso para contar a história de uma rica herdeira que é morta no cruzeiro de sua lua de mel, onde foi com a família. Claro que o grande detetive Hercule Poirot pega o caso para desvendar responsável pelo assassinato frio e vil da bonita jovem. Gal Gadot [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um livro da aclamada escritora Agatha Christie chega aos cinemas prometendo deixar os fãs de mistério em polvorosa. O remake <strong><em>Morte no Nilo</em></strong> (o primeiro foi em 1978) traz um elenco de peso para contar a história de uma rica herdeira que é morta no cruzeiro de sua lua de mel, onde foi com a família. Claro que o grande detetive Hercule Poirot pega o caso para desvendar responsável pelo assassinato frio e vil da bonita jovem.</p>
<p>Gal Gadot (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mulher-maravilha/"><em>Mulher-Maravilha</em></a>) faz o papel principal de Linnet Ridgeway. Logo no início da exibição ela rouba o então noivo da melhor amiga, vivida por Emma Mackey (<em>Sex Education</em>). Já começamos aí com um grande motivo para desconfiar da moça, já que ela fica visivelmente transtornada com a rasteira que levou. Paralelo a isso, conhecemos um pouco mais da história de Poirot, interpretado mais uma vez pelo próprio diretor do filme, Kenneth Branagh (<em>Belfast</em>).</p>
<p>Branagh acerta nas duas funções, ao tomar decisões inteligentes com relação a condução da direção e ao humanizar mais o detetive. Ainda que ele mantenha aquele ar de invencibilidade nato de Poirot, conseguimos ver mais camadas, como um sofrimento constante dentro de si por amores não vividos o suficiente.</p>
<p>Temos a oportunidade aqui de ver Russel Brand no papel de uma pessoa normal. É chocante vê-lo de cabelo cortado e barba feita, como um ser humano comum. E ele o faz muito bem e de maneira convincente, mostrando seu potencial como ator. Ele interpreta o papel do antigo amor de Linnet, que amargura o término até hoje, tornando-o mais um forte suspeito.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15247" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2540049.jpg" alt="Morte no Nilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2540049.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2540049-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2540049-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/2540049-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Aliás, como é um clássico de Christie, todos se tornam suspeitos em algum momento. As motivações vão aparecendo aos poucos e se revelando para o detetive. <em><strong>Morte no Nilo</strong></em> poderia, porém, ter dedicado mais tempo à parte da investigação e menos tempo a construção daquele cenário como um todo. Embora seja importante acompanhar a conexão dos personagens e como eles vão parar no cruzeiro, quando chegamos na morte em si, metade do filme já passou e o restante é muito corrido.</p>
<p>O roteiro poderia, por exemplo, ser um pouco menos caótico na parte em que os mistérios são investigados. Mais conexão entre os fios tornariam as coisas mais tensas para o espectador, assim como um estilo de filmagem menos confuso. É sabido que essa é uma estratégia de tornar a situação mais excitante, mas, neste caso, o tiro saiu pela culatra, já que acabou prejudicando o ritmo da projeção.</p>
<p>A edição do filme foi sábia ao não explorar demais a figura de Armie Hammer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame Pelo Seu Nome</em></a>), principalmente depois dos escândalos de estupro e canibalismo envolvendo o nome dele. O mesmo vale para o marketing quase inexistente em cima da figura de Letitia Wright (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>), depois que ela se mostrou antivacina e está atrasando até hoje as gravações de <em>Pantera Negra 2</em>. Se você não tem mais como cortar as pessoas dos filmes, ao menos não dê tanto ibope para elas. E foi isso que foi feito aqui.</p>
<p><strong>Morte no Nilo</strong> é um longa de mistério eficiente e até melhor que <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinato-no-expresso-do-oriente/"><em>Assassinato no Expresso do Oriente</em></a>, que tinha muito mais falhas. Porém ficamos com a sensação de que falta algo e acredito que seria um pouco mais de tensão para o espectador. Falta ansiedade e agonia no filme. Ainda assim, vale muito a pena conferir no cinema.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kenneth Branagh</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kenneth Branagh, Gal Gadot, Emma Mackey, Armie Hammer, Annette Bening, Tom Bateman, Rose Leslie, Sophie Okonedo, Letitia Wright, Russell Brand</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aatVI5h1cbI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Tenet</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2020 00:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É estranho voltar ao cinema depois de tanto tempo. Especialmente para nós que estávamos habituados a frequentar as salas umas três vezes por semana. A expectativa sobe ainda mais quando falamos de um aguardado filme do diretor Christopher Nolan (Dunkirk), que foi seriamente impactado pela pandemia que ainda vivemos. Tenet já foi lançado lá fora há algumas semanas e só conseguiu chegar agora no Brasil. Sendo assim, fui à cabine de imprensa com mais informação do que gostaria. Tenet nos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É estranho voltar ao cinema depois de tanto tempo. Especialmente para nós que estávamos habituados a frequentar as salas umas três vezes por semana. A expectativa sobe ainda mais quando falamos de um aguardado filme do diretor Christopher Nolan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dunkirk/"><em>Dunkirk</em></a>), que foi seriamente impactado pela pandemia que ainda vivemos. <em><strong>Tenet</strong> </em>já foi lançado lá fora há algumas semanas e só conseguiu chegar agora no Brasil. Sendo assim, fui à cabine de imprensa com mais informação do que gostaria.</p>
<p><strong><em>Tenet</em> </strong>nos introduz ao personagem O Protagonista, que era agente da CIA e acaba recrutado pela organização misteriosa para uma missão confidencial e de extrema importância. É preciso se evitar a Terceira Guerra Mundial, que pode ter seu estopim com uma nova tecnologia de revés que tem o poder de afetar os objetivos e a escala temporal.</p>
<p>Nolan já é um diretor um pouco confuso na construção de narrativas e isso se torna muito mais sério neste longa, já que a história em si não facilita. O vai e vem do enredo, a inserção dos personagens e das justificativas que os levam a tomar certas decisões deixam o espectador completamente perdido em alguns momentos, sem entender exatamente qual é a ameaça ou o objetivo daquela missão. Até que isso se firme, o roteiro se sustenta muito mais do que deveria numa história secundária que envolve uma mãe batalhando pela guarda de seu filho e que acrescenta pouco ao resto.</p>
<p>E reforço aqui que a confusão não é com relação ao espaço e tempo que são alterados cada vez mais. É sobre diálogos detalhados demais de informações que ainda não foram apresentadas ao espectador, que acaba tendo dificuldade em identificar qual material é relevante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13416" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Tenet" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/10/1152725.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme vai construindo a relação com o protagonista, que continua sendo impessoal, como a maioria dos agentes especiais costumam ser. Sabemos pouco sobre ele, nada sobre seu passado a não ser o fato de que ele tem fome de vingança e treinamento surreal. Enquanto isso, a trama se tece num paradoxo de prioridades e novos personagens que vão surgindo. Temos um grande mérito de que os fios não ficam soltos e vão se encaixando à medida que a trama avança.</p>
<p>Um ponto alto da trama é a atuação dos principais personagens. John David Washington (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-infiltrado-na-klan/"><em>Infiltrado na Klan</em></a>) consegue conferir o peso que seu personagem exige, embora não coloque tantas facetas. Kenneth Branagh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinato-no-expresso-do-oriente/"><em>Assassinato no Expresso Oriente</em></a>) incorpora o clássico vilão opressivo e manipulador, que tem todas as pessoas sob seu poder, sem grandes dificuldades para isso. Ele consegue se equilibrar na linha do excesso e não cai no erro de ser canastrão. Mas o destaque fica mesmo é com Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-diabo-de-cada-dia-netflix/"><em>O Diabo de Cada Dia</em></a>), que mostra muita afinidade com o gênero do filme e cria um personagem muito natural e despretensioso. Sentimos até que ele poderia ter mais tempo de tela.</p>
<p><strong><em>Tenet</em> </strong>é um ótimo filme, mas que perde a chance de ser excelente. Enquanto passa muito tempo perdido em explicações sobre aquela missão, o espectador anseia para saber mais sobre os objetos reversos, como eles funcionam e como seria o mundo visto desta forma. Só muito no final é que temos acesso a mais informações sobre isso, como a possibilidade de duplicidade no tempo e o risco que isso confere. É definitivamente algo que o roteiro poderia explorar melhor no início. Ainda assim, existe muita lógica dentro do caos e é isso que engrandece o longa como um todo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan<br />
<strong>Elenco:</strong> John David Washington, Kenneth Branagh, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Michael Caine, Himesh Patel, Aaron Taylor-Johnson, Clémence Poésy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ASTU3rFyOm4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Assassinato no Expresso do Oriente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2017 22:52:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Interessante que, num tempo em que tantas histórias de detetive já foram exploradas nas mais diversas mídias e com os mais diferentes atrativos, ainda é pertinente retornar a um texto tão basilar e caro ao gênero como Assassinato no Expresso do Oriente de Agatha Christie. Adaptá-lo nunca é um movimento supérfluo. Segunda versão cinematográfica do clássico da escritora que concebeu Hercule Poirot, um dos detetives mais celebrados da literatura mundial, Assassinato no Expresso do Oriente de Kenneth Branagh, que também assume o manto do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Interessante que, num tempo em que tantas histórias de detetive já foram exploradas nas mais diversas mídias e com os mais diferentes atrativos, ainda é pertinente retornar a um texto tão basilar e caro ao gênero como <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>de Agatha Christie. Adaptá-lo nunca é um movimento supérfluo. Segunda versão cinematográfica do clássico da escritora que concebeu Hercule Poirot, um dos detetives mais celebrados da literatura mundial, <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>de Kenneth Branagh, que também assume o manto do protagonista, acerta ao compreender que junto ao valor do livro como entretenimento, a obra consegue estabelecer discussões interessantes sobre a natureza humana a partir dos códigos de conduta bem claros do seu personagem principal. Ao desvendar o crime que mobiliza todos os passageiros do Expresso do Oriente e os transforma em suspeitos em potencial, Poirot se vê obrigado a agir pesando sua própria compreensão de justiça e ética.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">A história parte de uma premissa semelhante àquela estabelecida no livro. Poirot é um dos passageiros do luxuoso Expresso do Oriente e junto com os demais é surpreendido por uma tempestade de neve que faz com que todos fiquem presos num local até que uma equipe de resgate surja para ajudá-los. Concomitantemente, os passageiros são surpreendidos por um fato ainda mais extraordinário, um deles é assassinado e, obviamente, todos os presentes se transformam em suspeitos potenciais. Caberá ao grande Hercule Poirot descobrir quem é o responsável pelo crime ao desvendar o passado de cada um dos suspeitos e da vítima em questão.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8478" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/11/hero_Murder-Orient-Express-2017.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como diretor, Kenneth Branagh consegue o mérito de fazer com que <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>se apresente ao espectador como uma narrativa de entretenimento que, no terceiro ato, revela que tem muito mais a dizer para o seu público. Na verdade, antes mesmo da resolução do crime por Poirot, o filme de Branagh dá indícios disso com movimentos pontuais do roteiro de Michael Green, de <i>Blade Runner 2049 </i>e <i>Logan</i>, dando conta da personalidade de Poirot e do seu código moral ao construir um <i>background </i>que justifica a atitude do detetive no desfecho da história. O protagonista, por sinal, encontra no próprio Branagh uma ótima encarnação. O ator encontra o equilíbrio entre criar  Poirot como um tipo peculiar sem transformá-lo numa caricatura, uma armadilha fácil para outros atores, imagino. Penso no próprio Johnny Depp, que está no elenco do filme, por exemplo. Tendente a criar tipos, Depp encontraria em Poirot um terreno fértil para suas composições excêntricas. Branagh foge completamente dessa chave e obtém muito êxito.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como o longa de 1974, a nova versão cinematográfica do livro de Christie também é um deleite para os cinéfilos pelo seu elenco de estrelas. O público contempla ao longo da história as aparições  pontuais de um elenco que desfila pelo vagão do Expresso do Oriente. Reunidos, todos esses atores causam impacto em cena. Temos Judi Dench passando a deixa para Penélope Cruz que é sucedida por Michelle Pfeiffer, Daisy Ridley, Willem Dafoe e assim por diante, culminando em Johnny Depp, que, justificadamente, do ponto de vista pessoal e profissional, não está com muita moral com o público, mas também integra o grupo. Além de Branagh, destacaria Michelle Pfeiffer como a melhor interpretação desta versão da história, sobretudo quando no terceiro ato mais camadas são adicionadas a sua personagem.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Como forma de justificar sua própria existência e diferencial em comparação com a obra de 1974, o que acho uma tolice, o filme de Branagh faz uma mudança pontual no desfecho da história. Se por um lado, dialoga com a maneira como o próprio Poirot enxerga aquilo que nos diferencia de alguém que é capaz de cometer um ato brutal como um assassinato, por outro também acaba trazendo uma contradição para o próprio filme que assume um posicionamento que, suspeito, não era o intencionado, mas enfim, são eventuais leituras que poderão ser feitas sobre a obra, sobretudo em tempos que vivemos, que podem ser frutíferas se discutidas com a complexidade que merecem. Polêmicas à parte, <i>Assassinato no Expresso do Oriente </i>mantém as qualidades de um elegante entretenimento com seu acertado elenco, ainda que não seja uma joia do cinema contemporâneo.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1LqXLJEq4sw" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Dunkirk</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2017 15:54:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Christopher Nolan]]></category>
		<category><![CDATA[Cillian Murphy]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dunkirk]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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		<category><![CDATA[Kenneth Branagh]]></category>
		<category><![CDATA[Movie]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor Christopher Nolan retorna aos cinemas com um filme de guerra, perfil um pouco diferente daqueles de super-heróis que vemos ele trabalhar costumeiramente. O que ele tem experiência, no entanto, é em cenas de ação, coisas que ambos os estilos de filme possuem e Nolan soube explorar muito bem e sem exageros. Dunkirk conta a história da evacuação do exército inglês e francês da Segunda Guerra Mundial quando os mesmos são rodeados pelos alemães e tentam sobreviver a cada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor Christopher Nolan retorna aos cinemas com um filme de guerra, perfil um pouco diferente daqueles de super-heróis que vemos ele trabalhar costumeiramente. O que ele tem experiência, no entanto, é em cenas de ação, coisas que ambos os estilos de filme possuem e Nolan soube explorar muito bem e sem exageros.</p>
<p><em>Dunkirk</em> conta a história da evacuação do exército inglês e francês da Segunda Guerra Mundial quando os mesmos são rodeados pelos alemães e tentam sobreviver a cada minuto. O enredo traz três visões da situação, de mar, terra e ar, culminando em um evento comum que é a tentativa de se salvar. É uma narrativa de desconhecidos e explorada de forma interessante.</p>
<p>O longa apresenta um cenário e trabalha os recursos visuais muito bem. O diretor tem bastante cuidado ao respeitar as visões daquela época e adequar o filme ao estilo que ele propõe. A história vai sendo construída aos poucos, sem duvidar da capacidade de raciocínio lógico do espectador. O que é excelente, visto que o tema em si não é lá tão inovador.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7968" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/491138.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Como eu sinalizei, é uma batalha de anônimos e a tentativa de salvar suas vidas. As tomadas de cena são muito bem feitas, passando de um cenário ao outro de forma gradual e inteligente É um cuidado com construção muito bem realizado e válido, tornando tudo ainda mais crível. Nolan consegue ainda mesclar os momentos de ação forte com calmaria sem soar forçado ou monótono demais. Afinal, é um filme de guerra. Ele fica neste limiar mesmo.</p>
<p>A trama demora um pouco para ligar as três histórias que citei inicialmente. Talvez aí more um problema, já que a percepção do espectador fica um pouco perdida até o momento central. Depois de mais de uma hora de exibição é que algumas coisas vão sendo explicadas e entendidas com mais clareza. No final das contas, é como se ninguém fosse o protagonista do longa (o que tem um lado bom e um ruim, é bem verdade).</p>
<p>Sob a análise mais técnica, o diretor trouxe ainda para a equipe o compositor Hans Zimmer, especialista em trilhas sonoras de impacto e que contribuiu pesadamente para o andamento de <em>Dunkirk</em>. É um espetáculo à parte mesmo, como sempre. O roteiro também é bastante coerente e satisfatório.</p>
<p>Um outro problema, no entanto, é a diferença de evolução do início para o final. O filme tem um início mais desconexo e aleatório, focando na mescla de calmaria com tensão. O que é excelente porque funciona perfeitamente bem na proposta. No entanto, no final ele começa a assumir um papel mais voltado para o heroísmo, que destoa completamente do que é pensado inicialmente.</p>
<p>De qualquer forma, é um filme bom e com grandes elementos a serem apreciados. Algumas falhas na narrativa e execução, mas nada que tire o seu sucesso final.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yHS0vaex9PM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Cinderela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2015 13:23:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cate Blanchett]]></category>
		<category><![CDATA[Cinderela]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Helena Bonham Carter]]></category>
		<category><![CDATA[Kenneth Branagh]]></category>
		<category><![CDATA[Lily James]]></category>
		<category><![CDATA[Richard Madden]]></category>
		<category><![CDATA[Stellan Skarsgård]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Disne-Cinderella-Lily-James-2015.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2765 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/Disne-Cinderella-Lily-James-2015.jpg" alt="Disne-Cinderella-Lily-James-2015" width="610" height="348" /></a></p>
<p><em>Cinderela</em> é o tipo de filme que já chega encantando muito antes de sua estreia. A expectativa era enorme, principalmente do fiasco que foi <em>Malévola</em> no ano passado, que frustrou muitos fãs com uma história completamente distorcida daquela conhecida da Disney. Muito diferente disso, Cinderela seguiu à risca o conto de fadas e trouxe todo o deslumbramento que lhe é característico.</p>
<p>A história é uma velha conhecida e fala sobre uma jovem que perde a mãe e seu pai decide se casar com outra mulher, que tem duas filhas. Eles têm uma relação superficial desde o começo, mas com o falecimento do pai, a situação se agrava e Cinderela passa a viver como criada da madrasta e das duas irmãs postiças. Ela trabalha duro na mansão, limpando, cozinhando e servindo as três, mas sempre com o sonho e a doçura de qualquer jovem comum. Ela acaba conhecendo acidentalmente o príncipe na floresta, sem saber de quem ele se trata. Quando surge o baile real, ela vê como uma oportunidade para conhecer o castelo e vivenciar uma noite de sonhos.</p>
<p>O diretor Kenneth Branagh surpreendeu com o filme, uma vez que não tinha experiência anterior com contos de fadas. A história consegue seguir no gênero infantil e encantar os adultos, ao mesmo tempo. É encantadora e emocionante. Ele fez questão de destacar os aspectos de cada personagem e trabalho as possibilidades muito bem. Associado à direção de arte, que também fez um excelente trabalho e compôs cores incríveis e contrastes visuais que deixam um filme muito variado.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/cinderella_glamour_19nov15_pr_b_810x540.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2766 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/04/cinderella_glamour_19nov15_pr_b_810x540.jpg" alt="cinderella_glamour_19nov15_pr_b_810x540" width="610" height="348" /></a></p>
<p>Devemos destacar também que a edição de som também teve um trabalho destacável, que já começou desde o trailer que fazia qualquer pessoa mais sensível se arrepiar com a intensidade da música. Essa aposta foi repetida no filme e casou perfeitamente com todo o deslumbramento causado pelas vestimentas. Aliás, capricharam no figurino. O vestido da Cinderela para o baile é de chamar a atenção, destacando em cada passada que ela dar. Parece que foram usados 200 metros de pano para fazer todas as camadas. Incrível!</p>
<p>No quesito atores, não poderia haver escolha melhor. Lily James traz toda a inocência e gentileza que a personagem sugere, além de ser linda e delicada. O príncipe é representado por Richard Madden, que os fãs da série<em> Game of Thrones</em> podem se lembrar como Robb Stark, e também assume muito bem o papel, com toda a virilidade e olhar apaixonado. Mas ninguém melhor que a Madrasta, vivida por ninguém menos Cate Blanchett, que rouba todas as cenas que parece e finaliza com um solo incrível. É inebriante como ela consegue ser má e perfeitamente linda, ao mesmo tempo. Tem também Helena Bohan Carter como a Fada Madrinha. Como sempre, simplesmente perfeita.</p>
<p>Vale lembrar que, embora a história seja uma cópia bastante fiel daquela contada pela Disney, dá umas justificativas melhor explicadas, como a relação de Cinderela com o pai, que é bem explorada no começo. Além disso, mostra o motivo pelo qual a Madrasta odeia e inveja tanto a menina, trazendo seu passado como explanação. Isso dá ainda mais sentido na história.</p>
<p><em>Cinderela</em> é um filme encantador, leve e apaixonante, que faz com que o espectador sai da sala de cinema sonhando e sorrindo para as possibilidades de contos de fadas que a vida traz. A filmagem em live-action do clássico foi muito acertada e tem agradado a gregos e troianos, recebendo críticas positivas ao redor do mundo. Não deixe de conferir!</p>
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