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	<title>Arquivos Jeffrey Wright - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Jeffrey Wright - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Esquema Fenício</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 May 2025 12:52:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais um ano e mais um filme do cineasta Wes Anderson (Asteroid City, de 2023) chega para o público. Desde 2023 que o diretor tem tido lançamentos consecutivos a cada ano, mostrando a sua já conhecida estética de simetria, tons pasteis e situações inusitadas. O Esquema Fenício, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), não foge dessa lógica do diretor. Com situações ainda mais estapafúrdias e um humor ácido, o longa-metragem estreante parece ser um retorno do cineasta aos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um ano e mais um filme do cineasta Wes Anderson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-asteroid-city/"><em>Asteroid City</em></a>, de 2023) chega para o público. Desde 2023 que o diretor tem tido lançamentos consecutivos a cada ano, mostrando a sua já conhecida estética de simetria, tons pasteis e situações inusitadas. <em><strong>O Esquema Fenício</strong></em>, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), não foge dessa lógica do diretor. Com situações ainda mais estapafúrdias e um humor ácido, o longa-metragem estreante parece ser um retorno do cineasta aos seus tempos de ouro.</p>
<p>O roteiro de Anderson se desenrola a partir das interações entre um pai e uma filha que nunca tiveram uma relação sólida. A estranheza e o distanciamento conduzem o público durante os 105 minutos de duração por meio de inúmeras cenas absurdamente constrangedoras e satíricas. Anderson não deixa nada a desejar em <em><strong>O Esquema Fenício</strong></em>. As situações inusitadas que estabelecem as interações dos personagens definem o tom caótico e bem humorado do longa, fazendo com que os fãs do diretor retornem aos primórdios de sua carreira.</p>
<p>O diretor e roteirista sempre debateu os encontros da vida, ainda mais quando o assunto são os encontros dos desajustados e a tentativa de encontrar seus pares &#8211; mesmo que esses tenham seu próprio sangue. E essa dobradinha entre roteiro e direção continua a permitir que o texto ganhe forma em sua condução narrativa visual. As imagens ditam o que o roteiro expressa. Em <em><strong>O Esquema Fenício</strong></em>, as distância em tela não apenas balanceiam a conhecida simetria das imagens andersianas, mas também exemplificam o abismo que existe entre os personagens de Benicio del Toro (<em>A Crônica Francesa</em>, de 2021) e Mia Threapleton (<em>Firebrand</em>, de 2023).</p>
<figure id="attachment_19514" aria-describedby="caption-attachment-19514" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-19514" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-750x500.jpg" alt="O Esquema Fenício (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/O-Esquema-Fenicio-2.jpg 1680w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19514" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;O Esquema Fenício (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Anderson jamais decepciona nessa harmonia entre roteiro e direção. Possam gostar ou não dos seus filmes, achar que eles são desvairados demais ou coisa do tipo, mas é inegável como o cineasta sabe conduzir bem as suas criações com identidade própria. O exagero, os melismas, o humor ácido e insano, tudo isso é formativo de quem é o diretor e o público consegue perceber isso do início ao fim do filme. O longa é um claro exemplo da essência do que é o cinema de Wes Anderson. Sem faltas e com muitos excessos, <em><strong>O Esquema Fenício</strong></em> é a cara de Wes.</p>
<p>Por falar em identidade, a fotografia, a arte e a trilha sonora são elementos essenciais para construir essa cara tão andersiana para as suas obras. No caso desta produção, o cineasta contou com o talento de Bruno Delbonnel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-tragedia-de-macbeth-apple-tv/"><em>A Tragédia de Macbeth</em></a>, de 2021) para conceber os dois momentos imagéticos &#8211; o real e o imaginário do personagem de del Toro &#8211; d&#8217;<em><strong>O Esquema Fenício</strong></em>. A arte foi comandada por Esther Schreiner (<em>Ferrari</em>, de 2023), que se encarrega de dar vida às tonalidades pasteis com uma ludicidade teatral já conhecida das obras do diretor. E, por fim, a composição musical ficou a cargo de Alexandre Desplat (<em>Nyad</em>, de 2023) para embalar o público nessa jornada fantástica e insana.</p>
<p><em><strong>O Esquema Fenício</strong></em> encanta porque, tanto a equipe técnica como o elenco, consegue convencer o espectador da farsa &#8211; aqui usada no sentido teatral da palavra &#8211; mostrada na telona. Wes Anderson é o mestre da farsa cinematográfica e seu novo longa parece abraçar isso como há muito não fazia. A acidez do humor e a sátira ao capitalismo industrial, às trapaças dos magnatas e do governo estadunidense e à disfunção familiar dos personagens centrais promovem um divertimento absurdo. Do início ao fim, o filme se encarrega de entreter por ser e entender que é um grande e hilário absurdo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Benicio del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera, Riz Ahmed, Tom Hanks, Bryan Cranston, Mathieu Amalric, Richard Ayoade, Jeffrey Wright, Scarlett Johansson, Benedict Cumberbatch, Rupert Friend e Hope Davis</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wxidk8ygmBo?si=9FiBlC8QLaATCJTC" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ficção Americana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 23:07:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Ficção Americana, um escritor e professor de literatura entra em conflito com o contexto de produção e apreciação de obras literárias produzidas por afro-americanos. Tudo começa quando seu livro passa a ser taxado como um romance que &#8220;não é negro o suficiente&#8221; por não conter elementos que o público e as instâncias de consagração valorizam nas obras de autores negros. Em meio a toda essa crise profissional, o protagonista lida com alguns problemas na sua família, como um luto recente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>Ficção Americana</em></strong>, um escritor e professor de literatura entra em conflito com o contexto de produção e apreciação de obras literárias produzidas por afro-americanos. Tudo começa quando seu livro passa a ser taxado como um romance que &#8220;não é negro o suficiente&#8221; por não conter elementos que o público e as instâncias de consagração valorizam nas obras de autores negros. Em meio a toda essa crise profissional, o protagonista lida com alguns problemas na sua família, como um luto recente e o preconceito vivenciado pelo irmão que acaba de se divorciar após assumir-se gay.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> acerta com a sua crítica metalinguística. Os pontos que o filme pretende &#8220;atacar&#8221; a respeito da indústria criativa são pertinentes e muito bem pontuados pela obra. De fato é angustiante notar como artistas pertencentes a &#8220;minorias&#8221; sociais só conquistam qualquer tipo de consagração quando suas obras tematizam suas próprias mazelas: gays realizando romances LGBTs que tematizam a homofobia e destacam finais trágicos, mulheres contando histórias sobre a opressão causada pela misoginia e negros revisitando a escravidão em dramas históricos. Esse tipo de história costuma ser celebrada por críticos e lembradas em prêmios, como o Oscar, curiosamente, instância que reconheceu os méritos de <em>Ficção Americana</em> indicando-o a cinco categorias, entre elas, a de melhor filme.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> entende que o reconhecimento dessas obras surge como forma de expurgar a culpa de grupos privilegiados pelas opressões que historicamente causaram. É dessa forma que, por exemplo, uma comissão composta por três escritores brancos e dois negros elegem uma obra literária que tematiza a vida nos guetos americanos, entendendo-a como &#8220;importante&#8221;, mesmo que os dois representantes da &#8220;minoria&#8221; presentes na reunião apontem as falhas dessa obra. A reunião é encerrada com um solene e irônico &#8220;essas vozes precisam ser reconhecidas&#8221; depois que os escritores brancos desconsideram os alertas dos integrantes negros do grupo sobre os equívocos dessa obra no que tange a representatividade. O longa de Cord Jefferson abre esse importante vão de discussão a respeito de uma urgente necessidade de amadurecimento nessa discussão sobre representatividade na indústria criativa, algo que muitas vezes confina alguns artistas a estereótipos e demandas programadas por um único tipo de história e tratamento de personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17794" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1.png" alt="Ficção Americana" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Tudo isso gera um conflito na história sobretudo porque não é esse tipo de narrativa que o protagonista deseja criar. As demandas da indústria para autores negros se contrapõem ao tipo de realidade que o interessa, o inspira e que lhe toma no seu cotidiano. A vida de Thelonious, personagem de Jeffrey Wright, é marcada por dramas banais do cotidiano de uma classe média e não pela realidade dos guetos.</p>
<p>As preocupações e angústias da comunidade artística afro-americana já não estão mais restritas à revisão de um passado marcado pela escravidão ou à luta intensa pelos direitos civis, ainda que ambas questões sigam trazendo ecos na existência contemporânea dessa população e mereçam lembrança constante (a própria discussão sobre a apreciação das obras literárias presente no filme indica isso). O problema é quando a capacidade produtiva desse grupo de artistas fica atrelado em exclusividade a essas possibilidades criativas, excluindo qualquer outro tipo de abordagem.  O filme problematiza de forma bem pertinente esse atrito entre a indústria (ainda predominantemente branca, diga-se de passagem), demandando dos artistas o mesmo tipo de história, e o desejo que muitos deles nutrem de amadurecer um pouco mais as pautas ou mesmo de não se sentirem obrigados a levantá-las.</p>
<p>O grande problema de <strong><em>Ficção Americana</em></strong>  é o invólucro que Cord Jefferson insere essa tão acertada crítica sobre as artes na contemporaneidade. O insight do filme sobre esse contexto é certeiro, o problema de <em>Ficção Americana</em> é a condução arrastada do diretor e roteirista para a história. Temos uma direção e um roteiro que levam tempo demais para chegar no cerne da história. Além disso, parte do humor do filme se dilui pela presença aborrecida e monocórdica de um protagonista que não gera muita comoção no público &#8211;  propositadamente, é verdade, mas que inevitavelmente ressoa negativamente na apreciação da obra. Thelonious é uma figura ensimesmada, que não desperta torcida ou engajamento do espectador. Nesse sentido, resta aos personagens coadjuvantes garantir qualquer tipo de empatia no espectador, como é o caso da defensora pública e namorada do escritor vivida por Erika Alexander, além do irmão gay de Theolonious vivido por Sterling K. Brown. Uma pena que apesar da presença interessante de ambos seus personagens sejam desenvolvidos com uma certa superficialidade pelo roteiro &#8211; Brown sai levemente favorecido com algumas camadas de discussão a mais.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> é o típico caso do filme que apresenta boas ideias, a maior parte delas bem originais e produtivas para a reflexão da própria indústria. O grande problema é que o filme apresenta tudo a partir de uma condução que prejudica a experiência de assisti-lo. Não é um filme que engaja, não tem humor e não tem um protagonista que desperta grande empatia, elementos que prejudicam bastante a experiência do espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cord Jefferson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jeffrey Wright, Tracee Ellis Ross, John Ortiz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_vR1BPaVvLo?si=FImpmyyqqt_kNYPa" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Asteroid City</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2023 21:06:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Asteroid City é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (Ilha dos Cachorros), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada. Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Asteroid City</em> </strong>é o mais novo longa do cineasta Wes Anderson (<em>Ilha dos Cachorros</em>), que cada dia conquista mais fãs com seu estilo bem característico de roteiro e direção. Neste longa, que se passa nos anos 1950, acompanhamos a cidade fictícia de Asteroid City, que recebe pais e alunos para uma convenção, que acaba dando muito errado, levando todos à uma quarentena forçada.</p>
<p>Mesclando cenas bem coloridas em tons pastéis agradáveis com o preto e branco da narração, o longo se desenrola como uma peça teatral que é explicada pelo personagem de Bryan Cranston (<em>Breaking Bad</em>). É um modo de construção de enredo bem específico, que pode deixar alguns espectadores incomodados. É cult demais e de nicho (não que ele não possa agradar o grande público). Dito isso, é preciso apreciar o estilo de Wes para seguir na lógico distópica que mistura os dois mundos &#8211; fictício e &#8220;real&#8221;.</p>
<p>Augie (Jason Schwartzman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-atraves-do-aranhaverso/"><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></a>) é um homem que vive o luto da perda recente da esposa. Ele não havia contado o evento para os quatro filhos e resolve fazer isso quando está à caminho da casa do avô das crianças e seu carro quebra. Justamente em Asteroid City. Logo na sequência, vários grupos vão chegando por conta da convenção, que é um grande mistério para todos.</p>
<p>O longa é agradável e confortável de assistir. Requer atenção do espectador, mas não exige uma dedicação intensa por parte dele. Flui com muita tranquilidade, nos mantendo atentos e interessados a todo momento. E isso se deve tanto ao estilo de gravação e fotografia, quanto à história em si, que é bem interessante.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16986" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg" alt="Asteroid City" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/08/3624319-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Logo somos apresentados ao personagem de Scarlett Johansson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>), uma jovem artista que vive pelo holofote e tem um lado dramático bem acentuado. Com trejeitos de Marylin Monroe, ela começa a flertar com o protagonista, o deixando curioso e incomodado ao mesmo tempo. A atriz conta ainda com a companhia de sua filha, que claramente é fruto de uma gravidez na adolescência e se envolve com o filho mais velho de Augie.</p>
<p>A capacidade que Anderson tem de reunir grandes nomes de Hollywood e ainda gerir todos de maneira equilibrada é impressionante. Temos artistas de peso como Tom Hanks (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>), Tilda Swinton (<em>Joias Brutas</em>), Steve Carrell (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-querido-menino/"><em>Querido Menino</em></a>), que fazem suas participações (pequenas ou grandes) sem que ninguém tente roubar o holofote. Afinal, o foco ali é a história mais que curiosa daquela cidade. Temos até uma breve aparição do cantor brasileiro Seu Jorge, que surge para dar a &#8220;carteirada&#8221; da sua voz espetacular e marcante.</p>
<p>É curioso como o diretor e roteirista consegue trabalhar temáticas complicadas dentro de uma escala de &#8220;fofura&#8221;. O luto pela perda da esposa e mãe é pautado em vários momentos e representa apenas um dos diversos dilemas existenciais que são apresentados ao espectador. É uma melancolia constante, especialmente quando percebemos que temos um sorriso no rosto e um lamentar constante. E isso se vale pois ele intercala com coisas mais leves, como o amor na adolescência, a pureza infantil e as trapalhadas do governo.</p>
<p><em><strong>Asteroid City</strong></em> é mais um acerto de Wes Anderson, ainda que não seja sua obra suprema. Tem algumas questões em termos de ritmo, especialmente por conta deste vai e vem que representa a narrativa contada de uma peça teatral. Ainda que eu particularmente goste do modelo, é algo que pode trazer inquietação aos espectadores, mesmo os mais fãs. Ainda assim, é uma grata experiência cinematográfica, que merece a sua atenção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Wes Anderson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jason Schwartzman, Scarlett Johansson, Tom Hanks, Jeffrey Wright, Tilda Swinton, Bryan Cranston, Edward Norton, Adrien Brody, Liev Schreiber, Hope Davis, Rupert Friend, Stephen Park, Matt Dillon, Willem Dafoe, Margot Robbie, Steve Carell, Jeff Goldblum, Seu Jorge</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wDuQokhnLM4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Batman</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Mar 2022 03:05:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado Batman, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (Tenet), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo hater gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto. Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Enfim chegamos ao lançamento do aguardado <em><strong>Batman</strong></em>, produção que já surgiu com a polêmica da presença do ator Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet</em></a>), cuja escolha foi bem criticada pelos fãs mais fervorosos do herói. Mas como todo <em>hater</em> gratuito, esse se mostrou mais uma vez infundado. O britânico não apenas entregou muito bem no papel, como mostrou que é apto para qualquer personagem que lhe é proposto.</p>
<p>Neste longa, Bruce Wayne tem o perfil mais obscuro e retraído. Ele não gosta muito dos holofotes, amargura os acontecimentos do passado e se dedica ao objetivo de tentar aliviar os horrores que sua cidade passa. Ele é um justiceiro nato que trabalha junto com as forças policiais almejando dar um pouco de tranquilidade às ruas violentas de Gothan.</p>
<p>Sombrio e apático, a atenção do Batman é chamada pelo novo vilão, o Charada (Paul Dano, <em>Os Suspeitos</em>), que mata políticos importantes e faz questão de deixar sua marca registrada em todos os crimes. Ele é misterioso e, ao mesmo tempo, extravagante, deixando a cidade em polvorosa com a situação. Wayne rapidamente decide investigar as suas motivações e qual seria a sua identidade verdadeira.</p>
<p>Com um cenário obscuro do submundo do crime, o filme tem uma paleta de poucas cores, contrastada apenas pela existência de belíssimas fotografias de pôr-do-sol, em momentos chaves que conversam diretamente com mudanças de trajetórias do protagonista. É quase que uma vibe emo bem divertida de acompanhar. Mas não espere que o filme seja engraçadinho. Embora ele tenha seus momentos de alívio, normalmente traçados pelo sarcasmo, quase não vemos sorrisos ao longo da trama.</p>
<p>Assombrado pelo seu passado, Bruce mostra que tem pouquíssima paciência para lidar com a sociedade. Ele tem consciência da sua presença e não se furta de chegar nos lugares como se fosse dono deles. Nada se torna um empecilho para que ele investigue aqueles crimes e descubra quem é o charada. É como se sua dor fosse completamente convertida em proatividade na hora de tomar decisões e agir. Ainda assim, o diretor Matt Reeves (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-planeta-dos-macacos-a-guerra/"><em>Planeta dos Macacos: A Guerra</em></a>) faz questão de deixar claro que aquela é uma versão juvenil do personagem. Portanto, ele toma decisões erradas e foge de lidar com as burocracias do dia a dia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/THE-BATMAN-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O surgimento da Mulher-Gato é um bom ápice da trama, que passeia com muita naturalidade em todas as introduções de personagens. Zoë Kravitz (<em>Big Little Lies</em>) veste perfeitamente o papel, se dedicando à intensidade das emoções e confusões da personagem. Ela e Pattinson têm uma excelente química de cena, tornando todos os momentos juntos como um grande alívio ao espectador. A projeção do romance entre eles é igualmente gostosa de acompanhar.</p>
<p>Ao longo de quase 3h de duração, <strong><em>Batman</em> </strong>consegue manter o espectador atento o tempo inteiro, sem perder ritmo ou cansar. É um tempo justificado pela profundidade da história e como o surgimento do personagem em si foi configurado. É o tipo do filme que nem lembramos de olhar no relógio.</p>
<p>A junção de fotografia com trilha sonora impecável conferem uma tensão constante no espectador, que está sempre querendo antecipar qualquer ação. Até mesmo no começo do filme, antes do próprio Batman aparecer, já estamos na ansiedade de entender qual dinâmica ele será inserido.</p>
<p>Mas finalmente, Pattinson cumpriu o papel? Brilhantemente. Ele deixa de lado todo o estigma que ainda poderia restar e adentra numa nova era comercial. Isso porque ele já vem mostrando uma excelente qualidade de cena há algum tempo, mas escolhendo sabiamente produções mais independentes. Agora ele retorna ao circuito mais vendável com um apelo muito bom em relação ao preconceito que algumas pessoas ainda tinham por conta de sua participação em <em>Crepúsculo</em>. Como ele mesmo disse em entrevista recente, &#8220;odiar Crepúsculo é tão anos 2010&#8221;.</p>
<p><em><strong>Batman</strong> </em>é um filme sobre o início do trabalho do herói. Ele começou a atuar assim recentemente e ainda está entendendo seu objetivo naquilo tudo. Ao final, vemos ele descobrir que a vingança crua não vai te trazer o conforto que espera e somente dando esperanças às pessoas é que ele terá esse sentimento genuíno. Foi um filme que valeu a espera, em todos os sentidos!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matt Reeves</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, John Turturro, Colin Farrell, Jayme Lawson, Andy Serkis, Peter Sarsgaard</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/rsQEor4y2hg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: 007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Sep 2021 14:53:57 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30 de setembro, o longa <strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong>, o último da franquia com o ator Daniel Craig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-entre-facas-e-segredos/"><em>Entre Facas e Segredos</em></a>) à frente do papel de James Bond. Quinze anos depois de sua estreia na pele do espião, é com muita expectativa que os fãs aguardam essa finalização épica de sua participação, que rendeu tanta transformação no personagem.</p>
<p>Ao longo dos anos e, em especial com a chegada de Craig na franquia, o estilo de Bond foi sendo modificado. Se antes eles primavam muito pelos apetrechos tecnológicos que o auxiliavam nas missões, agora a força e performance física tem espaço muito maior e privilegiado. É claro que não necessariamente isso é um ponto positivo, visto que um dos grandes atrativos do personagem eram justamente os seus <em>gadgets</em>. Neste longa, conseguimos ver um vislumbre daquele James de outrora, com breves aparições desta tecnologia aplicada em prol da espionagem.</p>
<p>Mas não é porque sentimos falta deste detalhe, que vamos desmerecer a importância de Daniel no aprofundamento do personagem. Ele trouxe uma característica mais sentimental e humana, tornando o espião mais passível de romances profundos e não apenas os furtivos. A imensa variedade de Bond Girls deu espaço a amores e tentativas de viver emoções mais intensas. Em <strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong> vemos justamente o resultado desta mudança, com Bond tentando construir um lar com Madeleine (Léa Seydoux, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-kursk-a-ultima-missao/"><em>Kursk &#8211; A Última Missão</em></a>), seu amor depois do sofrimento da perda de Vesper (Eva Green, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baseado-em-fatos-reais/"><em>Baseado em Fatos Reais</em></a>).</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14584" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review.jpg" alt="007 - Sem Tempo Para Morrer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/007-review-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda que o coração pule na frente em muitos momentos, James ainda é um cara sisudo e descrente da sociedade. Ele está afastado dos serviços de espionagem e reluta quando é convocado novamente por M (Ralph Fiennes, <em>A Escavação</em>). É quando surge a figura de Felix (Jeffrey Wright, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>), seu parceiro dos tempos de Cassino Royale e Quantum of Solace, que ele decide aceitar a solicitação.</p>
<p>James carrega em si todo o amargor que a vida deixou ao longo dos anos. Ele tem dificuldade em lidar com as questões de ego que envolvem a presença da nova 007 (sim, a espiã é uma mulher e negra – falaremos disso adiante), assim como enfrentar os demônios do seu passado.</p>
<p>O filme equilibra com maestria os momentos de tensão em leveza, mesmo que esse último elemento seja mais raro. Seguindo o perfil do Bond de Craig, ele ri pouco e tem o tom sempre mais pesado ao encarar as dualidades da vida. Ainda assim, é seu carisma que constrói a base deste capítulo, com suas quase 3h de duração.</p>
<p>Para vilões e coadjuvantes, o elenco composto ainda por Rami Malek (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bohemian-rhapsody/"><em>Bohemian Rhapsody</em></a>) e Christoph Waltz (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pequena-grande-vida/"><em>Pequena Grande Vida</em></a>) tem uma química em cena que dá o tom da trama. Todos têm muita familiaridade com as dinâmicas, mesmo que falte aprofundamento em alguns casos. É uma sensação rapidamente compreendida pelo foco principal da despedida de Bond.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14583" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="007 - Sem Tempo Para Morrer" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/09/5559060.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>007 &#8211; Sem Tempo Para Morrer</em></strong> traz ainda a questão da inclusão como foco e isso é muito bem colocado. Personagens negros surgem com muito mais destaque do que antes, mostrando que a franquia procura se atualizar das necessidades da sociedade. Cabe aí o questionamento sobre a eventual cogitação que ocorreu de colocar o ator Idris Elba (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-hobbs-shaw/"><em>Velozes &amp; Furiosos: Hobbs &amp; Shaw</em></a>) como o próximo 007. À época, ele sofreu preconceito e chegou a dizer que não aceitaria o convite.</p>
<p>Este é o quinto e último longa de Daniel Craig na pele de James Bond, então o sentimento de adeus está presente na maior parte do tempo. Ele está no seu melhor momento e entrega tudo de si no personagem, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ele é, acima de tudo, um herói neste filme, com todas as dores que carrega ao longo dos anos, mas curiosamente sempre escolhendo crer numa realidade melhor. Esta foi uma calorosa despedida do personagem que marcou a sua vida.</p>
<p>É difícil não pensar o quanto foi construído ao longo desses anos e quais as oportunidades que teremos a partir de agora. 007 é uma franquia que se renova sempre e abre espaço para novos agentes e possibilidades. Seguimos ansiosos pelos próximos capítulos e onde esse personagem tão interessante poderá nos levar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cary Joji Fukunaga</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daniel Craig, Rami Malek, Léa Seydoux, Ralph Fiennes, Jeffrey Wright, Christoph Waltz, Lashana Lynch, Naomie Harris, Ben Whishaw, Ana de Armas</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/kCyjw0z-5KI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Lavanderia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2019 22:14:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;O mundo é feito de homens escondidos atrás de pilhas de papel&#8221;. Ao longo de A Lavanderia, Jürgen Mossack (Gary Oldman, O Destino de uma Nação) e Ramón Fonseca (Antonio Banderas, Dor e Glória) tentam nos convencer que essa frase é uma mentira. Aliás, esses sobrenomes soam familiares? Se sim, é porque provavelmente você estava assistindo qualquer noticiário em 2016. Em um dos maiores vazamentos jornalísticos da história, descobriu-se que a sociedade advocatícia Mossack Fonseca estava envolvida com empresas de paraísos fiscais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;O mundo é feito de homens escondidos atrás de pilhas de papel&#8221;</em>. Ao longo de <em><strong>A Lavanderia, </strong></em>Jürgen Mossack (Gary Oldman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-destino-de-uma-nacao/"><em>O Destino de uma Nação</em></a>) e Ramón Fonseca (Antonio Banderas, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dor-e-gloria/"><em>Dor e Glória</em></a>) tentam nos convencer que essa frase é uma mentira. Aliás, esses sobrenomes soam familiares? Se sim, é porque provavelmente você estava assistindo qualquer noticiário em 2016. Em um dos maiores vazamentos jornalísticos da história, descobriu-se que a sociedade advocatícia <em>Mossack Fonseca</em> estava envolvida com empresas de paraísos fiscais (<em>offshores</em>) para evasão fiscal. Entre seus clientes, além de de vários chefes de governo, estava também a empresa brasileira de construção <em>Odebrecht</em>. Lembrou?</p>
<p>Dirigido pelo prolífico Steven Soderbergh (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-logan-lucky-roubo-em-familia/">Logan Lucky</a>, Magic Mike, Onze Homens e um Segredo</em>), <em><strong>A Lavanderia </strong></em>constantemente dialoga conosco. Quando começa, Mossack e Fonseca — quebrando a quarta parede e olhando diretamente para a câmera — explicam didaticamente o processo evolutivo daquilo que chamamos de dinheiro. Ao longo do filme, nas transições entre seus episódios, os sócios explicam todo o <em>juridiquês</em> da história, além de se defenderem das acusações, de maneira cômica, sempre em cenários e com figurinos pomposos e exagerados — Soderbergh chega até a experimentar com animações visuais. Tudo isso contribui para esse tom carnavalesco que serve para mostrar como aquele teatro de aparências é ridículo.</p>
<p>Adicionalmente, no meio de toda esta comédia de Banderas e Oldman, há um drama. Logo, eis que surge Ellen Martin (Meryl Streep, <em>The Post</em>). Após perder seu marido em um passeio de barco nas férias, a viúva decide processar a empresa responsável. Em seguida, ao decidir investigar a situação mais a fundo, acaba se vendo no meio de um esquema de fraudes muito maior do que imaginava.</p>
<p>Todavia, o protagonismo assumido pela veterana atriz rapidamente é mitigado por novos personagens que surgem ao longo de <em><strong>A Lavanderia</strong></em>. Por um lado, essas histórias paralelas funcionem individualmente, reafirmando o ponto de que a corrupção está por todo lugar — seja uma família norte-americana; africana ou chinesa — e que segue um fluxo aleatório, assim como a circulação de dinheiro (afinal, não há nada que conecte essas famílias, além da <em>Mossack Fonseca</em> e da ganância). Por outro, o roteiro de Scott Z. Burns (<i>Terapia de Risco</i>) fica indeciso entre adotar uma estrutura antológica ou uma organicidade investigativa que têm Streep como órgão vital, o que prejudica o ritmo do filme.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11615" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-750x500.jpg" alt="A Lavanderia" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Lavanderia2-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda sobre o roteiro, há uma certa lógica arbitrária em seus acontecimentos que mostram como a corrupção entra em uma bola de novo tão grande que se torna incontrolável pelo homem, se tornando uma entidade própria. Assim como um jogo de dominó, é em virtude dessa força natural que a <em>Mossack Fonseca </em>cai. Sua queda passa desde um naufrágio de um pequeno barco até um choque de fio elétrico causado por uma batida de carro.</p>
<p>Certamente, outro problema causado pela estrutura episódica é a falta de aprofundamento de seus personagens. Além do mais, ter um elenco repleto de estrelas é tanto um acerto quanto um erro. Primeiramente, um acerto, porque nomes como: David Schwimmer (Ross de <em>Friends</em>); Jeffrey Wright (franquia <em>Jogos Vorazes</em>); Will Forte (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-fora-de-serie/">Fora de Série</a>); </em>Sharon Stone (<em>Casino</em>); Matthias Schoenaerts (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-operacao-red-sparrow/"><em>Operação Red Sparrow</em></a>); Melissa Rauch (Bernadette de <em>The Big Bang Theory</em>); e Nonso Anozie (Xaro Xhoan Daxos em <em>Game of Thrones</em>) — UFA! — fazem milagre com seus personagens em tão pouco tempo. Contudo, é frustrante demais ter tantos profissionais bons no elenco para aparições mínimas.</p>
<p>Da mesma forma, Meryl Streep, como sempre, é excelente quando Ellen Martin está em cena. Ela consegue trazer luto, ressentimento e nostalgia nos pequenos gestos e falas, seja ao relembrar das memórias com o marido ou quando deixa transparecer a injustiça do descaso com sua morte. Em particular, sem entrar na zona de <em>spoilers</em>, há, no terceiro ato, uma cena no qual Meryl, em um plano sequência, interpreta com enorme naturalidade e facilidade três personalidades diferentes. Enquanto isso, Banderas e Oldman dão um show à parte em seus papéis, abraçando um lado caricatural. Para isso, ambos usam sotaques acentuados, falas pontuadas e um gestualidade até sensual.</p>
<p>Em suma, <em><strong>A Lavanderia </strong></em>acaba sendo uma mistura de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-relatos-selvagens/"><em>Relatos Selvagens</em></a>. Em vez da crise de 2007 e antologias de ódio, temos <em>Panama Papers </em>e episódios de ganância. Logo, se alguém demorar a perceber que o protagonista não é Meryl Streep, mas o próprio dinheiro, é provável uma enorme decepção. Por fim, Steven Soderbergh, brincando com a metalinguagem, deixa claro que, apesar dos dois advogados se acharem os donos do mundo, eles são, na verdade, apenas atores de um jogo de poder muito maior, com raízes por todas as instituições.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Steven Soderbergh<br />
<strong>Elenco:</strong> Meryl Streep, Antonio Banderas, Gary Oldman, David Schwimmer, Jeffrey Wright, Will Forte, Sharon Stone, Matthias Schoenaerts, Melissa Rauch, Nonso Anozie</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong><br />
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ol58GiV_SmI&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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