Ben Affleck (Liga da Justiça) sempre foi um ator com suas limitações dramáticas. Os momentos nos quais ele se saiu melhor nas telas foi quando deu vida a personagens cujas características aderiram de alguma maneira com essas limitações seja o jeitão sonso do protagonista de Garota Exemplar, a introspecção dos sujeitos que viveu nos filmes que dirigiu, Atração Perigosa e Argo, ou mesmo a amargura de Bruce Wayne em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. O caso se repete no drama O Caminho de Volta, que chega no Brasil com exclusividade em plataformas de locação, entre elas o Now.

No longa, Affleck interpreta um sujeito que está tentando se recuperar de uma depressão recorrendo ao álcool e outras drogas. Ele retoma o trabalho como treinador de um time de basquete local vinculado a uma paróquia. Ao longo do processo, ele também tem que trazer êxito para a campanha da equipe em uma competição. É claro que toda essa jornada será acompanhada de algumas recaídas do personagem.

O Caminho de Volta aparenta ser um daqueles filmes de esporte que versam sobre a superação pessoal aliada ao sucesso de uma equipe desportiva. De certa forma ele é, mas não é por essas vias que o drama é formulaico, o título apresenta uma reiteração mesmo no tratamento da história do seu protagonista. O personagem vivido por Ben Affleck coleciona uma série de características já vistas em personagens similares de títulos parecidos, isso não merece ser apontado como uma falha do longa pois a agressividade, o isolamento social, o comportamento arredio e as recaídas fazem parte do próprio estado de saúde mental desse homem. Acontece que o arco dramático desse protagonista é semelhante a tantos outros tornando sua jornada um tanto quanto frívola para o espectador: ele tem uma esposa, um trauma envolvendo seu filho, se envolve com uma equipe desportiva etc. Enfim, tudo de praxe.

O Caminho de Volta

O longa parece mais um projeto feito por encomenda pelo próprio Affleck, dialogando com um episódio recente da sua vida pessoal, a reabilitação do alcoolismo. É um daqueles casos em que um astro tenta levar para as telas parte da sua biografia como forma de trazer mais autenticidade e, consequentemente, reconhecimento para sua interpretação. Tom Cruise fez isso interpretando o filho egocêntrico tentando ajustar as contas com seu pai no leito de morte em Magnólia, por exemplo. Affleck, que nunca foi unanimidade entre críticos e cinéfilos, também o faz aqui, só que com um filme mais modesto.

Affleck de fato consegue a melhor interpretação da sua carreira, dando conta de todos os traços de instabilidade e tensão do seu personagem, mas isso não é o suficiente para tornar O Caminho de Volta interessante para o público. Certamente foi um ponto importante da vida e carreira do ator, expurgar certos fantasmas na sua arte, mas para o espectador tenho minhas dúvidas se há grandes recompensas. Há momentos de grande emoção e uma compreensão precisa do que é a depressão e o lugar dos vícios nessas circunstâncias, isso é um ponto positivo do título, mas como obra cinematográfica talvez fosse necessário um “algo a mais” que, infelizmente, o filme não apresenta.

Direção: Gavin O’Connor
Elenco: Ben Affleck, Brandon Wilson, Al Madrigal, Janina Gavankar, Michaela Watkins, Will Ropp, Fernando Luis Vega, Charles Lott Jr.

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